top of page

MP denuncia Stabile por suposto uso de dinheiro do Corinthians e pede afastamento

Foto do escritor: Redação InfoTimão
Redação InfoTimão
há 4 minutos
5 min de leitura

Promotoria acusa presidente de apropriação indébita qualificada por R$ 721,2 mil pagos à Bear Security e pede suspensão de funções, bloqueio de bens e outras medidas cautelares


MP denuncia Stabile por suposto uso de dinheiro do Corinthians para pagar segurança pessoal.
MP denuncia Stabile por suposto uso de dinheiro do Corinthians para pagar segurança pessoal. Foto: Rodrigo Gazzanel / Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, pelo suposto uso de recursos do clube para custear serviços de segurança pessoal para si e, possivelmente, familiares. Além da acusação criminal, a Promotoria pediu à Justiça medidas cautelares que podem afastar o dirigente de suas funções e da representação institucional do Timão.


Segundo a denúncia apresentada à Justiça em 11 de setembro, o Corinthians teria desembolsado R$ 721.194,66 em pagamentos à empresa Bear Security entre julho de 2025 e agosto de 2026.


O promotor Cassio Conserino atribui a Stabile o crime de apropriação indébita qualificada. A acusação sustenta que a empresa teria atuado em benefício particular do presidente, enquanto os custos dos serviços foram suportados pelo Corinthians.


O processo tramita no Foro dos Juizados das Garantias da Capital. A denúncia ainda precisa ser analisada pela Justiça. Caso seja recebida, Stabile passará à condição de réu e poderá apresentar sua defesa, provas e testemunhas ao longo do processo.


MP afirma que segurança beneficiava Stabile e familiares


De acordo com o Ministério Público, a Bear Security teria sido utilizada para realizar a segurança pessoal de Osmar Stabile e, possivelmente, de integrantes de sua família, sem que os serviços fossem destinados à proteção institucional do Corinthians.


Na avaliação da Promotoria, por se tratar de uma despesa particular, os valores deveriam ter sido pagos pelo próprio dirigente, e não com recursos do clube.


O MP afirma ainda que a prática teria ocorrido de forma continuada. Entre julho de 2025 e agosto de 2026, os pagamentos realizados pelo Corinthians à empresa teriam ultrapassado os R$ 721 mil.


A investigação foi aberta no mês passado após denúncias apresentadas por sócios do Corinthians.


A contratação da Bear Security já vinha provocando questionamentos nos bastidores do Parque São Jorge. O InfoTimão mostrou anteriormente que a empresa estava entre os pontos levantados em um pedido de impeachment contra Osmar Stabile.


Na ocasião, foram apresentados questionamentos sobre a contratação, os mecanismos de governança do clube e a atuação da empresa.


Corinthians já possui empresa responsável pela segurança institucional


Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que o Corinthians já possui uma empresa responsável pela segurança institucional do clube, a Unity Serviços Terceirizados.


A existência desse contrato é utilizada pela Promotoria para questionar a necessidade de o Corinthians também custear os serviços prestados pela Bear Security.


Segundo a denúncia, os pagamentos à empresa começaram em julho de 2025, enquanto o contrato formal teria sido assinado somente em março de 2026, cerca de oito meses depois do início dos repasses.


O Ministério Público também afirma que a contratação não teria sido comunicada ou autorizada pelos órgãos internos de controle do Corinthians e que não houve cotação de orçamentos com outras empresas antes da prestação dos serviços.


Bear Security não teria autorização da Polícia Federal


A situação da própria Bear Security também é citada na denúncia apresentada pelo Ministério Público.


Segundo a Promotoria, a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.


Diante disso, o MP afirma ter requisitado a abertura de um inquérito policial para apurar eventual crime relacionado à legislação que regulamenta a atividade de segurança privada no país.


A regularidade de empresas contratadas para prestar serviços de segurança ao Corinthians já vinha sendo alvo de questionamentos em outras apurações envolvendo a administração alvinegra.


Entrevista de Stabile e registros de familiares são citados pelo MP


Entre os elementos utilizados para fundamentar a denúncia está uma entrevista concedida por Osmar Stabile à TMC, no YouTube.


Segundo o Ministério Público, o presidente reconheceu durante a entrevista que o Corinthians arcava com os custos da empresa e classificou o serviço prestado como “segurança VIP ao presidente”.


A declaração é utilizada pela Promotoria como um dos elementos para sustentar que o trabalho da Bear Security teria caráter pessoal, e não institucional.


Além da entrevista, o promotor apresentou notas fiscais e registros de profissionais da empresa acompanhando familiares de Stabile em situações particulares, segundo consta na investigação.


Para o Ministério Público, esses elementos reforçam a tese de que os serviços pagos pelo Corinthians teriam beneficiado diretamente o dirigente e pessoas próximas a ele.


MP pede afastamento de Stabile das funções no Corinthians


Além de denunciar Osmar Stabile criminalmente, o Ministério Público apresentou à Justiça uma série de pedidos de medidas cautelares.


Entre eles está a suspensão do exercício de qualquer função associativa de Stabile, especialmente de sua representação institucional do Corinthians.


Caso a Justiça aceite o pedido, o dirigente poderá ficar impedido de participar de reuniões, negociações e atos administrativos relacionados ao clube.


A Promotoria também solicita que Stabile seja proibido de acessar as dependências do Corinthians e de manter contato com testemunhas e dirigentes envolvidos na investigação.


O MP pede ainda que o presidente não possa deixar o Brasil sem autorização judicial. Em viagens dentro do território nacional, a solicitação prevê que Stabile não permaneça mais de oito dias longe de seu domicílio sem autorização da Justiça.


Nenhuma dessas medidas foi determinada até o momento. Elas representam pedidos apresentados pelo Ministério Público e ainda dependem de decisão judicial.


Ministério Público pede bloqueio de bens e ressarcimento


O Ministério Público também solicitou o bloqueio de bens de Osmar Stabile para assegurar um eventual ressarcimento ao Corinthians.


A Promotoria pede que o dirigente devolva aproximadamente R$ 721,2 mil por danos materiais, valor correspondente ao montante que, segundo a acusação, teria sido desembolsado pelo clube com a Bear Security.


Além disso, o MP requer uma condenação de pelo menos R$ 540,9 mil por danos morais ao Corinthians.


Somados, os valores pedidos a título de reparação ultrapassam R$ 1,26 milhão. Tanto o ressarcimento quanto uma eventual indenização ainda dependem da tramitação do processo e de decisão judicial.


Stabile também é investigado em outro caso envolvendo segurança


A denúncia relacionada à Bear Security é diferente de outra investigação conduzida pelo Ministério Público envolvendo serviços de segurança contratados pelo Corinthians.


O segundo procedimento analisa a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa que recebeu aproximadamente R$ 676,6 mil do clube e que também não possuía autorização da Polícia Federal para atuar formalmente no setor de segurança privada.




Apesar de os dois casos envolverem serviços de segurança e a gestão de Osmar Stabile, tratam-se de investigações distintas.


O que acontece agora com Osmar Stabile


A Justiça terá agora duas questões diferentes para analisar no caso.


A primeira é decidir se recebe ou não a denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público. Caso a acusação seja aceita, Stabile se tornará réu e responderá formalmente ao processo por apropriação indébita qualificada, conforme o enquadramento feito pela Promotoria.


Separadamente, a Justiça deverá decidir sobre os pedidos de medidas cautelares, entre eles a suspensão das funções associativas e da representação institucional do presidente no Corinthians.


Portanto, a apresentação da denúncia não significa que Osmar Stabile tenha sido condenado ou afastado da presidência do clube.


A reportagem entrou em contato com a defesa de Osmar Stabile e com o Corinthians para solicitar posicionamento sobre a denúncia e as medidas requeridas pelo Ministério Público, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.


O caso representa mais um capítulo das investigações envolvendo a administração do Corinthians e pode provocar desdobramentos tanto na esfera judicial quanto na política do Parque São Jorge.


O InfoTimão seguirá acompanhando a análise da denúncia, a decisão sobre o pedido de afastamento e os demais desdobramentos do caso.

Comentários


bottom of page