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Corinthians pagou R$ 676 mil a empresa sem autorização da PF durante gestão Osmar Stabile

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    Redação InfoTimão
  • há 15 horas
  • 4 min de leitura
Corinthians tenta explicar mais uma ação polêmica nos bastidores do Parque São Jorge.
Corinthians tenta explicar mais uma ação polêmica nos bastidores do Parque São Jorge. Foto: Gustavo Lima / Meu Timão

O Sport Club Corinthians Paulista utilizou, entre setembro e outubro de 2025, uma empresa sem autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança no clube social do Parque São Jorge. A informação foi publicada pelo portal Sports Insider e envolve pagamentos que somam R$ 676 mil durante o período em que Osmar Stabile ocupava a presidência interina do Corinthians.


Segundo a reportagem, a contratação ocorreu sem contrato formal assinado, baseada apenas em orientações verbais da diretoria administrativa do clube.


Caso amplia pressão política e administrativa no Corinthians


A revelação adiciona mais um capítulo à crise política e administrativa enfrentada pelo Corinthians desde o afastamento cautelar de Augusto Melo, em maio de 2025.


O episódio envolve diretamente a estrutura de segurança patrimonial do clube, pagamentos realizados fora de um modelo contratual convencional e a utilização de uma empresa sem autorização da Polícia Federal para atuar formalmente no setor de segurança privada, exigência prevista para esse tipo de atividade no Brasil.


Além do impacto administrativo, o caso aumenta a pressão sobre os bastidores do Parque São Jorge em meio a discussões internas sobre governança, controle financeiro e transparência nas decisões da diretoria.


Empresa foi aberta por gerente operacional do Corinthians e recebeu cerca de R$ 676 mil


A empresa responsável pelos serviços foi a Mega Assessoria Operacional Ltda, constituída em 3 de julho de 2025 por Fernando José da Silva, então gerente operacional do clube social do Corinthians e atualmente gerente operacional do CT Dr. Joaquim Grava.


De acordo com os documentos divulgados pelo Sports Insider, três notas fiscais emitidas pela empresa totalizaram R$ 676.627,66:

  • R$ 244.627,66 em 11 de setembro de 2025

  • R$ 208.350 em 23 de setembro de 2025

  • R$ 223.650 em 21 de outubro de 2025


Nas descrições das notas fiscais, os serviços aparecem como:

  • “assessoria de qualquer natureza”

  • “consultoria econômica”

  • “vigilância”


Bastidores da contratação tiveram mudança de versão


Segundo a publicação, Fernando José da Silva afirmou inicialmente que a empresa foi aberta a pedido de Fábio Soares, então diretor administrativo do Corinthians, para viabilizar pagamentos de profissionais recém-contratados para atuar na vigilância e no controle de acesso do Parque São Jorge.


Posteriormente, porém, o gerente operacional alterou sua versão e declarou que a solicitação teria partido diretamente de Osmar Stabile.


De acordo com Fernando, a contratação ocorreu em caráter emergencial após o afastamento de empresas anteriormente responsáveis pela segurança do clube.

“Foi uma solicitação do presidente. Tinha duas empresas lá que o presidente tirou, que estavam envolvidas com o crime organizado e, para proteção do clube, ele pediu para emergencialmente serem contratados policiais militares aposentados para fazer a segurança”, afirmou.

Ainda segundo o relato publicado pelo Sports Insider, a Mega Assessoria Operacional Ltda teria sido criada para operacionalizar os pagamentos desses profissionais durante o período de transição política vivido pelo Corinthians.


Entenda o contexto da crise política no Parque São Jorge


A mudança na estrutura de segurança aconteceu meses após o afastamento cautelar de Augusto Melo da presidência do Corinthians pelo Conselho Deliberativo.


Naquele momento, o clube atravessava forte instabilidade interna, incluindo disputas políticas, questionamentos sobre contratos e tensão nos bastidores do Parque São Jorge.


Osmar Stabile assumiu inicialmente de forma interina e posteriormente se tornou presidente definitivo do clube após a conclusão do processo de impeachment de Augusto Melo no fim de agosto de 2025.


Segundo a apuração, como os novos profissionais de segurança não foram contratados via regime CLT, a diretoria buscou uma alternativa para realizar os pagamentos, chegando ao modelo operacional envolvendo a empresa aberta em nome de Fernando José da Silva.


Pagamentos foram interrompidos após alerta interno


O modelo utilizado passou a gerar preocupação dentro da própria administração corinthiana.


De acordo com a reportagem, os pagamentos foram interrompidos após questionamentos de Ricardo Okabe, superintendente administrativo da Neo Química Arena e pessoa ligada ao grupo político de Osmar Stabile.


A avaliação interna foi de que o formato utilizado não estava alinhado aos padrões de governança adotados pelo clube.


Após isso, o Corinthians abriu um processo de concorrência para contratação de uma nova empresa responsável pelos serviços de segurança.


Corinthians admite contratação emergencial e diz que situação está regularizada


Em nota oficial enviada ao Sports Insider, o Corinthians confirmou que houve uma contratação emergencial após os episódios de invasão registrados no Parque São Jorge em maio de 2025.


Segundo o clube, a necessidade surgiu para preservar a segurança durante o período de transição administrativa até a definição do processo político envolvendo a presidência.


O Corinthians também afirmou que os serviços incluíam operações no Parque São Jorge, no CT Dr. Joaquim Grava e no CT das categorias de base.


Além disso, a diretoria declarou que, naquele momento, entendeu não existir conflito de interesses formalmente caracterizado envolvendo Fernando José da Silva.


O clube ainda sustentou que os pagamentos realizados corresponderam a demandas operacionais efetivamente executadas e informou que a situação atualmente está regularizada após abertura de concorrência para contratação de uma nova empresa de segurança.


Caso reacende debate sobre governança no Corinthians


A revelação ocorre em meio a um período de forte cobrança interna e externa sobre os mecanismos de controle administrativo do Corinthians.


Nos últimos meses, o clube conviveu com sucessivos episódios de desgaste político, disputas entre grupos internos e questionamentos relacionados à transparência de decisões administrativas.


O episódio envolvendo a Mega Assessoria Operacional Ltda amplia esse cenário e deve aumentar a pressão sobre os bastidores políticos do Parque São Jorge nos próximos dias.


O InfoTimão acompanha diariamente os bastidores políticos, administrativos e esportivos do Corinthians, trazendo informações, análises e cobertura completa sobre tudo o que movimenta o clube.

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