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Corinthians fecha terceira janela sem reforços desde 2002 em meio a transfer bans

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Redação InfoTimão
há 2 horas
9 min de leitura

Timão foi o único clube da Série A sem contratações no período e não paga por uma nova contratação em definitivo desde Hugo Souza, em 2024.


Executivo de futebol Marcelo Paz e presidente Osmar Stabile antes de Corinthians x Barra na Neo Química Arena.
Executivo de futebol Marcelo Paz e presidente Osmar Stabile antes de Corinthians x Barra na Neo Química Arena. Foto: Marcos Ribolli

O Corinthians encerrou a janela de transferências do futebol brasileiro sem anunciar nenhum reforço. O cenário, além de expor as limitações financeiras e esportivas provocadas pelos transfer bans, colocou o clube diante de uma marca rara em sua história recente: esta foi apenas a terceira janela sem contratações desde 2002, quando a Fifa passou a estabelecer períodos internacionais para transferências de jogadores.


As outras duas ocasiões aconteceram no segundo semestre de 2017 e no início de 2021. Desta vez, porém, existe uma diferença significativa. Além das dificuldades de caixa, o Corinthians atravessou praticamente todo o período oficialmente impedido de registrar novos jogadores.


Com três transfer bans ativos, o Timão chegou ao fechamento da janela com 114 dias impedido de registrar reforços. O prazo para inscrições no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF terminou às 19h da última sexta-feira (11).


O Corinthians também foi o único dos 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro a não contratar nenhum jogador durante a segunda janela de 2026. Os outros 19 clubes da primeira divisão anunciaram ao menos um reforço no período iniciado em 20 de julho.


Corinthians repete cenários de 2017 e 2021, mas por motivos diferentes


A primeira janela sem reforços desde 2002 ocorreu no segundo semestre de 2017. Naquele momento, o Corinthians adotava cautela no mercado principalmente pelas limitações financeiras, mas também pela boa resposta esportiva do elenco comandado por Fábio Carille.


O Timão liderava o Campeonato Brasileiro e optou por preservar a estrutura construída durante a primeira metade da temporada. A estratégia terminou respaldada dentro de campo com a conquista do heptacampeonato brasileiro.


A segunda ocasião aconteceu no início de 2021, nos primeiros meses da gestão de Duilio Monteiro Alves. Diante de uma dívida total próxima de R$ 1 bilhão, a nova administração iniciou uma rígida política de austeridade, buscou reduzir despesas e priorizou a saída de atletas com salários considerados elevados.


O cenário mudou radicalmente poucos meses depois. Na janela seguinte, o Corinthians contratou Giuliano, Renato Augusto, Róger Guedes, Carlos Miguel, Willian e João Pedro, iniciando uma reformulação do elenco.


Cinco anos depois, o clube volta a atravessar uma janela inteira sem reforços. A diferença é que, em 2026, a possibilidade de contratar não dependia somente de uma decisão administrativa: o Corinthians estava proibido de registrar jogadores.


Três transfer bans travaram o Corinthians no mercado


O Corinthians chegou a acumular quatro transfer bans simultaneamente durante a temporada. Uma das punições, relacionada a uma multa de US$ 225 mil imposta pela Fifa pelo não pagamento de obrigações financeiras em três negociações, foi quitada com recursos antecipados pela patrocinadora Fatal Fans.


Com isso, o número de transfer bans ativos caiu para três. As sanções restantes envolvem atualmente cerca de R$ 21,5 milhões em dívidas.


A primeira entrou em vigor em 21 de maio e está relacionada a uma dívida de aproximadamente US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,5 milhões, com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, realizada em 2024.


Em 18 de julho, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, também proibiu o Corinthians de registrar atletas por seis meses depois de o clube deixar de pagar a quinta parcela de um acordo de parcelamento de dívidas. O valor em aberto é de aproximadamente R$ 8 milhões.


Poucos dias depois, em 21 de julho, a Fifa aplicou outro transfer ban pelo descumprimento do acordo firmado com o Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação de Charles em 2024. A pendência é de aproximadamente 1 milhão de euros, cerca de R$ 6 milhões.


Não existe, neste momento, uma previsão para a quitação dos três débitos. A tendência é que a diretoria volte a concentrar esforços para levantar os recursos necessários para derrubar as punições mais perto da próxima janela de transferências, no fim do ano.


Corinthians tentou Arthur e chegou a acordo com Wesley


Mesmo impedida de registrar novos jogadores, a diretoria avaliou oportunidades no mercado na expectativa de conseguir solucionar os transfer bans antes do fechamento da janela.


Um dos nomes sondados foi Arthur, que estava livre após rescindir seu contrato com a Juventus, da Itália. As conversas não avançaram devido à pedida salarial do meio-campista, que posteriormente acertou com o Santos.


A situação de Wesley avançou mais. O Corinthians chegou a um acordo com o atacante e aguardava a regularização das punições para concluir a contratação.


Como os transfer bans permaneceram ativos, o negócio não pôde ser concretizado. Wesley, que aguardava uma solução do clube alvinegro, terminou a janela acertando com o Cruzeiro.


Com isso, a renovação contratual de Memphis Depay foi a principal movimentação do Corinthians durante o período.


Hugo Souza foi a última aquisição definitiva paga pelo Corinthians


A ausência de reforços nesta janela representa também o capítulo mais recente de uma mudança profunda no perfil de contratações do Corinthians.


A última grande reformulação com investimentos relevantes aconteceu no segundo semestre de 2024. Naquele período, chegaram nomes como Hugo Souza, Alex Santana, André Ramalho, Charles, Talles Magno, André Carrillo, José Martínez, Héctor Hernández e Memphis Depay.


Foi justamente naquela janela que o clube assumiu parte dos compromissos financeiros que posteriormente contribuíram para dois dos três transfer bans atualmente ativos, envolvendo Charles e José Martínez.


Depois do encerramento daquele período, o Corinthians ainda realizou um investimento para transformar uma chegada por empréstimo em uma contratação definitiva.


Em novembro de 2024, o clube exerceu a opção de compra de Hugo Souza e pagou 800 mil euros ao Flamengo por 50% dos direitos econômicos do goleiro.


Hugo Souza foi a última nova aquisição em definitivo pela qual o Corinthians desembolsou uma taxa de transferência.


Desde então, as novas chegadas ocorreram principalmente por meio de atletas livres no mercado ou empréstimos.


Em 2025, Fabrizio Angileri e Vitinho chegaram sem custos de aquisição de direitos econômicos. Na primeira janela de 2026, a diretoria novamente priorizou jogadores disponíveis sem taxa de transferência e acordos temporários.


Houve desembolsos relacionados a empréstimos. O Corinthians, por exemplo, pagou aproximadamente R$ 1,8 milhão pelo empréstimo de Matheus Pereira, valor que poderá ser descontado caso o clube exerça uma futura opção de compra.


Kaio César e Allan também chegaram por empréstimo, enquanto jogadores como Gabriel Paulista, Pedro Milans, Jesse Lingard e Zakaria Labyad estavam livres de seus vínculos anteriores.


Assim, antes mesmo dos transfer bans impedirem formalmente o clube de registrar atletas, o Corinthians já havia reduzido drasticamente os investimentos em aquisições definitivas de jogadores.


Agora, com as punições, até mesmo esse modelo baseado em oportunidades de mercado e empréstimos ficou inviabilizado.


Corinthians também termina janela sem vendas relevantes


Se o Corinthians não conseguiu contratar, o outro lado do mercado também ficou distante das necessidades estabelecidas no planejamento financeiro de 2026.


Depois de não atingir as receitas previstas com negociações de jogadores durante os primeiros meses do ano, a diretoria trabalhava com a necessidade de arrecadar aproximadamente 25 milhões de euros líquidos com vendas de direitos federativos no período do meio da temporada.


O principal ativo envolvido em negociações foi André Luiz.


Segundo o empresário do jogador, o Nottingham Forest apresentou uma proposta de 12 milhões de euros, sem bônus. O Corinthians recusou e apresentou uma contraproposta, mas as tratativas não avançaram antes do fechamento do mercado inglês.


O Olympiacos, da Grécia, também apresentou uma oferta de 10 milhões de euros mais bônus, novamente recusada.


Com a janela encerrada, o representante do jogador trabalha com a perspectiva de permanência no Parque São Jorge até o fim da temporada. O InfoTimão detalhou as negociações envolvendo André Luiz e as críticas feitas pelo empresário à condução do clube.


Outro nome valorizado do elenco foi Breno Bidon.


O Besiktas, da Turquia, demonstrou interesse no meio-campista e sinalizou disposição para investir 18 milhões de euros, aproximadamente R$ 107 milhões, sendo 12 milhões à vista e outros 6 milhões parcelados.


A proposta, porém, não chegou a ser formalizada, e o estafe de Breno Bidon encerrou as conversas com o clube turco.


Dessa forma, o Corinthians encerrou a janela brasileira sem concretizar uma venda relevante do elenco profissional masculino, ampliando a distância entre a arrecadação efetiva e os valores considerados necessários para equilibrar o fluxo de caixa.


Crise financeira ajuda a explicar paralisia no mercado


O cenário acontece durante um dos períodos financeiros mais delicados da história do Corinthians.


O clube encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões, resultado consideravelmente superior ao prejuízo projetado para o período.


O endividamento total apresentado pelo Corinthians chegou a aproximadamente R$ 2,8 bilhões. O InfoTimão detalhou os números do balanço e os efeitos da crise financeira no clube.


As dificuldades de caixa também atingiram diretamente o elenco.


Os salários referentes ao mês de agosto dos jogadores e da comissão técnica não foram pagos dentro do prazo. O Corinthians também acumula pendências relacionadas a direitos de imagem, férias e premiações pelo desempenho esportivo na temporada.


Assim, a terceira janela sem contratações do Corinthians desde 2002 apresenta um contexto diferente dos dois precedentes.


Em 2017, o clube administrou limitações financeiras enquanto caminhava para conquistar o Campeonato Brasileiro. Em 2021, a ausência de reforços fez parte de uma política deliberada de austeridade, posteriormente flexibilizada com uma série de contratações de peso.


Em 2026, o Corinthians não apenas deixou de contratar. Pela primeira vez neste recorte histórico, o clube chegou ao fechamento da janela sem ter sequer a liberdade de registrar novos jogadores.


Todas as janelas de transferências do Corinthians desde 2002


Desde que a Fifa passou a estabelecer a obrigatoriedade das janelas internacionais, em 2002, apenas três períodos terminaram sem nenhuma contratação do Corinthians.

Confira o histórico:

Ano

Início da temporada

Meio da temporada

2026

Gabriel Paulista, Matheus Pereira, Pedro Milans, Kaio César, Allan, Zakaria Labyad e Jesse Lingard

Sem contratações

2025

Fabrizio Angileri

Vitinho

2024

Hugo Farias, Gustavo Henrique, Diego Palácios, Igor Coronado, Raniele, Félix Torres, Rodrigo Garro, Pedro Raul, Matheuzinho, Pedro Henrique e Cacá

Hugo Souza, Alex Santana, André Ramalho, Charles, Talles Magno, André Carrillo, José Martínez, Héctor Hernández e Memphis Depay

2023

Ángel Romero, Matheus Bidu e Chrystian Barletta

Lucas Veríssimo e Matías Rojas

2022

Paulinho, Bruno Melo, Robson Bambu e Ivan

Balbuena, Yuri Alberto e Fausto Vera

2021

Sem contratações

Giuliano, Renato Augusto, Róger Guedes, Carlos Miguel, Willian e João Pedro

2020

Luan, Cantillo, Sidcley, Matheus Davó, Yony González e Éderson

Jô, Otero, Cazares, Fábio Santos e Léo Natel

2020 – janela extraordinária*

Jonathan Cafú e Jemerson

2019

Boselli, Ramiro, Sornoza, Manoel, Richard, André Luis, Júnior Urso, Ruan Oliveira, Régis, Vagner Love e Bruno Méndez

Gil, Everaldo e Matheus Jesus

2018

Thiaguinho, Roger, Marllon, Juninho Capixaba, Matheus Matias, Henrique, Renê Júnior, Júnior Dutra, Ralf, Bruno Xavier, Sidcley e Emerson Sheik

Ángelo Araos, Sergio Díaz, Danilo Avelar, Jonathas e Michel Macedo

2017

Paulo Roberto, Gabriel, Gustagol, Luidy, Clayson, Kazim, Jô, Pablo, Clayton, Jadson e Fellipe Bastos

Sem contratações

2016

Vilson, Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel, Balbuena, Guilherme, Marlone, Alan Mineiro, André, Camacho, Bruno Paulo, Douglas Friedrich e Willians

Jean Irmer

2015

Vagner Love, Edu Dracena, Moisés, Mendoza, Edílson e Cristian

Lucca

2014

Bruno Henrique, Elias, Marciel, Fagner, Petros, Jadson, Uendel, Luciano e Ferrugem

Anderson Martins, Matheus Vargas, Ángel Romero e Lodeiro

2013

Alexandre Pato, Renato Augusto, Gil, Cláudio Maldonado e Walter

Rodriguinho, Cléber e Diego Macedo

2012

Ibson, Romarinho, Vitor Júnior, Gilsinho, Élton, Adilson, Zizao e Cássio

Paolo Guerrero, Guilherme, Juan Manuel Martínez, Guilherme Andrade, Anderson Polga e Chiquinho

2011

Alex, Renan, Liedson, Wallace, Weldinho, Edenílson, Adriano, Fábio Santos, Emerson Sheik, Luis Ramírez, Nenê Bonilha, Willian e Maicon

Ramon

2010

Bruno César, Roberto Carlos, Tcheco, Danilo, Iarley, Ralf, Leandro Castán, Moacir e Paulinho

Aldo Bobadilla e Thiago Heleno

2009

Marcinho, Henrique, Túlio, Jean, Sergio Escudero, Jucilei, Souza, Ronaldo, Jorge Henrique e Emiliano Vecchio

Paulo André, Matías Defederico, Edno, Marcelo Mattos, Bill, Mariano Torres, Edu e Edgar Balbuena

2008

Douglas, Careca, Acosta, Elias, André Santos, Rafinha, Ricardo Bóvio, Denis, Lima, Perdigão, Valença, Eduardo Ramos, Chicão, Alessandro, William, Wellington Saci, Marcel, Diogo Rincón, Fábio Alves, Herrera e Cristian Suárez

Morais, Diogo Douglas, Bebeto, Otacílio Neto, William Alves, Cristian e Almeida

2007

Pedro Silva, Caiuby, Zelão, Felipe, Finazzi, Marcos Tamandaré, Daniel Paulista, Carlos Alberto Júnior, Jean Paulo, Gustavo, Clodoaldo, Jaílson, Kadu, Éverton Santos, Wellington, Jean, Arce e Vampeta

Moradei, Héverton, Fábio Braz, Ricardinho, Iran, José Aílton e Amaral

2006

André Leone, Rodrigo, César, Paulo Almeida, Johnny Herrera, Rafael Moura, Ricardinho, Marcelinho Carioca, Xavier, Rafael Akai, Silvio Luiz, Rubens Júnior e Marcelo Mattos

Amoroso, Magrão, Nadson, Ramón e Bruno

2005

Gustavo Nery, Carlos Tévez, Carlos Alberto, Roger, Sebastián Domínguez, Marinho e Hugo

Javier Mascherano e Nilmar

2004

Régis Pitbull, Marcelo Ramos, Zé Carlos, Samir, Freddy Rincón, Váldson, Rodrigo, Fábio Costa e Édson

Alessandro Cambalhota, Alberto, Felipe Alvim e Fábio Baiano

2003

Leandro Amaral, Liedson, César, Capone, Cocito, Jorge Wagner e Lucas

Robert, André Luiz e Paulo Jamelli

2002

Período anterior ao início do recorte

Juliano Spadacio e Guilherme Alves

*Janela extraordinária realizada entre outubro e novembro de 2020 em razão das alterações de calendário provocadas pela pandemia. Fonte: levantamento do Meu Timão, revisado pelo InfoTimão.


O histórico mostra como 2017, 2021 e 2026 representam exceções em mais de duas décadas de mercado do Corinthians. As semelhanças, porém, terminam na ausência de reforços.


O desafio da atual diretoria não será apenas encontrar jogadores para a próxima janela. Antes disso, o Corinthians precisará reunir recursos para derrubar os três transfer bans, recuperar sua capacidade de registrar atletas e evitar que compromissos assumidos no mercado voltem a se transformar em novas punições no futuro.


O InfoTimão seguirá acompanhando os bastidores financeiros do clube, a situação dos transfer bans e o planejamento para a próxima janela de transferências.

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