MP inclui Osmar Stabile como investigado em apuração sobre empresa de segurança contratada pelo Corinthians
- Redação InfoTimão

- 9 de jun.
- 5 min de leitura

Presidente do Corinthians será ouvido pelo Ministério Público após surgimento de novos elementos em investigação sobre contratação de empresa ligada a funcionário do clube
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, passou a integrar oficialmente a lista de investigados do procedimento criminal conduzido pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura possíveis irregularidades na contratação de uma empresa de segurança pelo clube.
A inclusão do mandatário foi determinada pelo promotor Cassio Conserino, responsável por diversas investigações relacionadas às últimas gestões do Corinthians.
Segundo documento ao qual o InfoTimão teve acesso, a decisão foi tomada após o surgimento de novos elementos durante o andamento das apurações. Com isso, Stabile deverá prestar esclarecimentos formalmente aos procuradores no próximo dia 23 de junho, às 11h15.
A medida representa um novo capítulo da crise política e administrativa vivida pelo clube nos últimos meses e ocorre em meio ao avanço de pedidos de impeachment e questionamentos relacionados à gestão do atual presidente.
Por que a inclusão de Osmar Stabile como investigado é importante
A decisão do Ministério Público marca a primeira vez que Osmar Stabile passa a figurar formalmente como investigado em uma das apurações relacionadas à sua gestão no Corinthians.
O avanço ocorre em um momento de forte pressão política sobre a atual administração, que já enfrenta pedidos de impeachment protocolados por conselheiros e associados, questionamentos relacionados à contratação de empresas de segurança e uma série de debates internos sobre governança e transparência.
Além do impacto jurídico, a inclusão do presidente na investigação amplia o peso político do caso dentro do Parque São Jorge, uma vez que o tema já é utilizado por grupos de oposição para questionar atos da atual gestão.
Por que Osmar Stabile foi incluído como investigado
De acordo com o ofício assinado por Cassio Conserino, dois elementos principais motivaram a inclusão de Osmar Stabile na investigação.
O primeiro foi o depoimento prestado por Fábio Soares, ex-diretor administrativo do Corinthians.
Segundo o relato colhido pelo Ministério Público, a contratação emergencial da empresa de segurança teria partido do próprio presidente do clube, e não da diretoria administrativa, como havia sido informado anteriormente.
O segundo ponto envolve a situação de Fernando José da Silva, proprietário da empresa contratada pelo Corinthians.
A promotoria afirma ter identificado documentos que indicam que Fernando também exercia funções dentro da estrutura do clube durante o período analisado.
Para o Ministério Público, os novos elementos justificam a ampliação do escopo da investigação e a inclusão formal do presidente entre os investigados.
Contradição envolvendo funcionário do clube chamou atenção do MP
Outro fator destacado pelo Ministério Público envolve uma suposta contradição nas informações apresentadas durante as apurações.
Segundo o documento, Fernando José da Silva assinou em 23 de maio de 2026 um ofício encaminhado à Polícia Militar solicitando escolta para a delegação do Corinthians em compromisso da Copa Libertadores da América.
No documento, Fernando se identifica como gerente operacional do Corinthians.
A informação, segundo a promotoria, diverge da versão apresentada anteriormente pelo clube, que teria informado que Fernando trabalhou na instituição apenas entre setembro e outubro de 2025.
Diante da inconsistência apontada, o MP solicitou novos documentos ao Corinthians para aprofundar a análise do caso.
Ministério Público quer novos documentos do Corinthians
Além de incluir Osmar Stabile entre os investigados, o promotor determinou o envio de novas requisições ao clube.
Entre os documentos solicitados estão:
cópia do ofício assinado por Fernando José da Silva em maio de 2026;
documentos subscritos pelo profissional durante o período em que atuou no clube;
dados qualificativos de Lucas Apolinário e Edson Rodrigues, citados no mesmo documento.
O Corinthians terá prazo de dez dias para responder às solicitações feitas pela promotoria.
Relembre o caso da Mega Assessoria
A investigação tem origem na contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda, responsável por prestar serviços de segurança ao Corinthians.
Como revelou o Sport Insider, a companhia foi aberta em 3 de julho de 2025 por Fernando José da Silva.
Segundo a apuração, a empresa atuou entre setembro e outubro daquele ano no Parque São Jorge, no CT Dr. Joaquim Grava e no centro de treinamento das categorias de base.
O ponto central da investigação é que a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no segmento de segurança privada e, segundo os documentos analisados pelo MP, também não possuía contrato formal assinado com o clube.
Ao todo, foram emitidas três notas fiscais que somam aproximadamente R$ 676,6 mil.
Os pagamentos registrados foram:
R$ 244.627,66 em 11 de setembro;
R$ 208.350,00 em 23 de setembro;
R$ 223.650,00 em 21 de outubro.
As descrições dos serviços variam entre "assessoria de qualquer natureza", "consultoria econômica" e "vigilância".
O que diz Osmar Stabile sobre o caso
Em manifestações anteriores sobre o tema, Osmar Stabile afirmou que a contratação ocorreu em um contexto de emergência após a invasão ao andar da presidência do Corinthians em 31 de maio de 2025 por apoiadores de Augusto Melo.
Segundo o presidente, ele solicitou apenas uma reorganização da estrutura de segurança do clube.
Stabile negou ter pedido a abertura da empresa e também afirmou não ter conhecimento prévio sobre a constituição da companhia utilizada para prestar os serviços.
O dirigente classificou o episódio como um erro administrativo.
Caso se soma a pedidos de impeachment que já tramitam no clube
A inclusão de Osmar Stabile na investigação ocorre enquanto segue em andamento pedidos de impeachment protocolados por conselheiros e associados contra o presidente.
O processo já avançou na Comissão de Ética e Disciplina, que concedeu prazo para apresentação da defesa do mandatário antes da elaboração de um parecer que será submetido ao Conselho Deliberativo.
Entre os argumentos apresentados pelos autores do pedido estão questionamentos relacionados à governança, ao acordo firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e à condução administrativa do clube.
Além disso, um segundo processo foi requerido e também segue em análise.
Agora, a inclusão formal de Stabile entre os investigados do MP tende a ampliar ainda mais a repercussão política do caso.
Empresas de segurança passaram a ocupar o centro da crise
A investigação envolvendo a Mega Assessoria Operacional não é o único episódio relacionado à segurança que tem gerado questionamentos à atual gestão.
Nos últimos meses, a administração de Osmar Stabile também foi alvo de críticas relacionadas à contratação da Bear Security, empresa responsável pela segurança pessoal do presidente e de seus familiares.
O tema passou a integrar discussões políticas internas e motivou novos questionamentos de conselheiros sobre governança, compliance e critérios adotados para as contratações realizadas pelo clube.
Com isso, as empresas de segurança se tornaram um dos principais focos de debate dentro do Corinthians em 2026.
Próximos passos da investigação
Com a inclusão formal de Osmar Stabile entre os investigados, o Ministério Público inicia uma nova etapa do procedimento criminal.
O presidente do Corinthians será ouvido no dia 23 de junho, quando poderá apresentar sua versão dos fatos aos procuradores responsáveis pelo caso.
Antes disso, o clube deverá responder às novas solicitações documentais encaminhadas pela promotoria.
Paralelamente, seguem em andamento as análises relacionadas a possíveis crimes de furto, falsidade ideológica e outras irregularidades apontadas durante a investigação.
Investigação amplia pressão sobre gestão de Osmar
A inclusão de Osmar Stabile entre os investigados representa um novo capítulo da série de questionamentos enfrentados pela atual administração do Corinthians.
Enquanto o Ministério Público aprofunda a investigação sobre as contratações relacionadas à segurança do clube, os desdobramentos do caso também seguem produzindo reflexos nos órgãos internos do Parque São Jorge.
Com depoimentos ainda pendentes, novas requisições de documentos e processos políticos em andamento, a investigação tende a continuar no centro do debate corinthiano nas próximas semanas.
O desfecho das apurações poderá produzir impactos relevantes tanto na esfera jurídica quanto no cenário político do Corinthians, especialmente em um momento em que a atual gestão enfrenta crescente pressão dentro e fora do clube.
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O InfoTimão seguirá acompanhando o caso e trará todas as atualizações sobre a investigação, os desdobramentos nos órgãos internos do clube e os posicionamentos das partes envolvidas.






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