Corinthians se une a rivais e FPF antes de votação sobre publicidade de bets em São Paulo

Encontro teve representantes de cinco clubes e cinco empresas de apostas; PL 560/2025 está na pré-pauta da Câmara Municipal para quarta-feira (16)

O Corinthians se uniu a Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus em uma articulação diante dos projetos que pretendem restringir a publicidade de empresas de apostas. Representantes dos clubes participaram de uma reunião realizada na sexta-feira (11), na sede da Federação Paulista de Futebol, ao lado de integrantes da entidade e de operadoras do setor.
O encontro ocorreu antes de uma possível votação na Câmara Municipal. O Projeto de Lei 560/2025, que proíbe a publicidade de bets em eventos esportivos realizados na cidade de São Paulo, está na pré-pauta das sessões extraordinárias marcadas para quarta-feira (16).
A movimentação representa um novo capítulo da discussão que pode atingir uma das principais fontes de receita do Corinthians. Como mostrou anteriormente o InfoTimão, o projeto pode afetar o patrocínio máster de R$ 150 milhões anuais mantido pelo clube.
Reunião teve cinco clubes e empresas de apostas
Cerca de 40 pessoas participaram da reunião, entre profissionais dos departamentos de marketing, comunicação e jurídico dos clubes e executivos de cinco empresas de apostas. As informações foram publicadas inicialmente pelo ge.
Em comunicado sobre o encontro, a FPF informou que a reunião discutiu ações educativas e campanhas institucionais sobre apostas responsáveis. Também estiveram na pauta o crescimento do mercado ilegal e os possíveis impactos de uma proibição da publicidade nos estádios restrita à capital paulista.

Os participantes ainda definirão quais medidas serão adotadas diante das propostas em tramitação. Campanhas educativas, ações coletivas e articulações com lideranças políticas estão entre as possibilidades discutidas.
Projeto está na pré-pauta de votação da Câmara
O PL 560/2025 aparece como o segundo item da pré-pauta da 93ª Sessão Extraordinária, marcada para quarta-feira (16). A proposta está em fase de primeira discussão e precisa do voto favorável da maioria absoluta dos integrantes da Câmara.
A inclusão na pré-pauta, porém, não garante que a votação acontecerá. A ordem dos trabalhos ainda pode ser alterada pelos vereadores durante as sessões.
Segundo a apuração do ge, o projeto já recebeu pareceres favoráveis nas comissões pelas quais passou. Caso seja aprovado em primeira discussão, o planejamento é realizar audiências públicas para debater mudanças na redação antes da segunda votação. Somente depois de duas aprovações o texto poderá seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
De autoria do vereador João Jorge (MDB) e de outros 11 parlamentares, a proposta pretende proibir a divulgação direta ou indireta de empresas de apostas e jogos de azar online em eventos esportivos realizados no município, tanto em espaços públicos quanto privados.
O texto do PL 560/2025 cita placas, faixas e painéis publicitários instalados em arenas, ginásios e estádios entre os espaços que seriam alcançados. Os uniformes dos clubes não aparecem expressamente na relação.
A interpretação atual é de que a proposta não impede a presença das marcas nas camisas. Alguns vereadores, entretanto, pretendem endurecer e ampliar a abrangência do texto durante a tramitação.
Corinthians tem contrato de R$ 150 milhões por ano
A preocupação do Corinthians está concentrada no possível impacto sobre seus contratos comerciais. A Esportes da Sorte ocupa o espaço principal do uniforme alvinegro e mantém um dos acordos mais valiosos do futebol brasileiro.
O contrato renovado até o fim de 2029 garante R$ 150 milhões anuais ao clube e pode alcançar R$ 200 milhões por temporada com bonificações vinculadas a metas esportivas.
Somados, os patrocínios máster de Corinthians, Palmeiras e São Paulo rendem aproximadamente R$ 350 milhões fixos por ano. Mesmo que as camisas permaneçam fora da proibição, uma restrição sobre placas, painéis e outras propriedades diminuiria as entregas publicitárias disponíveis nos jogos realizados na capital.
Segundo a apuração do ge, existe entre os clubes o receio de que o alcance da medida os leve a avaliar a realização de partidas fora da cidade para preservar integralmente os acordos atuais.
No caso do Corinthians, a Neo Química Arena, a Fazendinha, o Parque São Jorge e o Ginásio Wlamir Marques estão entre os locais que poderiam ser alcançados pela proposta.
As entidades também temem que uma restrição válida apenas na capital paulista provoque um desequilíbrio financeiro em relação aos adversários de outras regiões.
O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões anuais da Betano pelo maior patrocínio máster do futebol brasileiro.
Impacto pode alcançar FPF, CBF, agências e adversários
Os possíveis efeitos econômicos ultrapassam os contratos mantidos pelos clubes paulistanos. A própria FPF possui parcerias com marcas de apostas, enquanto a Betano detém os naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil, competições organizadas pela CBF.
Uma restrição municipal poderia limitar a exposição dessas empresas em propriedades utilizadas nas partidas disputadas em São Paulo, mesmo quando os contratos foram negociados para competições estaduais ou nacionais. Embora a CBF não tenha participado da reunião divulgada pela FPF, a entidade está entre as organizações potencialmente afetadas.
As agências responsáveis pela exploração dos espaços publicitários representam outra parte interessada. A Brax, por exemplo, adquiriu os direitos de comercialização das placas da Neo Química Arena nos jogos do Corinthians como mandante no Campeonato Brasileiro. O contrato, válido de 2025 a 2029, foi avaliado em R$ 330 milhões.
A retirada das casas de apostas desse mercado na capital reduziria o número de possíveis anunciantes e poderia pressionar o valor do inventário. O efeito alcançaria tanto as agências contratadas quanto os clubes que negociaram os direitos.
Os adversários que visitarem São Paulo também poderiam ser atingidos caso a redação seja endurecida para incluir os uniformes. Equipes de outras cidades ou estados patrocinadas por bets teriam de adaptar suas camisas e entregas comerciais especificamente para partidas realizadas na capital paulista.
Dessa forma, uma eventual proibição mais abrangente poderia afetar clubes mandantes e visitantes, patrocinadores, federações, CBF, agências de marketing esportivo, administradores de arenas e organizadores de eventos.
Projeto prevê multa e proibição de realizar eventos com publicidade de bets
O projeto estabelece multa de R$ 50 mil por infração para pessoas, empresas, entidades organizadoras, promotores de eventos, meios de comunicação ou espaços que descumprirem a proibição.
Em caso de reincidência, a licença de funcionamento poderia ser suspensa por até 30 dias. O descumprimento reiterado permitiria a aplicação da punição mais severa, com o impedimento de realizar eventos esportivos no município por até dois anos.
Se o texto for aprovado e sancionado, empresas e organizações terão 90 dias para se adaptar. Os valores arrecadados com as multas seriam destinados a campanhas de prevenção à ludopatia e de incentivo ao esporte educativo.
Os autores justificam a proposta pelos impactos sociais, financeiros e psicológicos associados ao crescimento das apostas online. Entre os problemas mencionados estão o endividamento, os conflitos familiares e a dependência, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade.
A realização de campanhas de conscientização sobre as apostas responsáveis é um ponto de convergência entre o projeto e as ações discutidas pelos clubes e pela FPF.
A divergência está principalmente no alcance de uma proibição restrita à cidade de São Paulo e nos efeitos financeiros e operacionais que ela poderia produzir sobre o futebol.
Neste momento, nenhuma das restrições previstas no projeto está em vigor.
Acompanhe o InfoTimão para conferir a votação na Câmara Municipal e os próximos desdobramentos da proposta que pode afetar as receitas comerciais do Corinthians.






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