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Corinthians convoca Assembleia para votar reforma do Estatuto e voto do Fiel Torcedor em 2026

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    Redação InfoTimão
  • há 2 minutos
  • 8 min de leitura

Associados decidirão separadamente sobre dez mudanças em 19 de setembro, incluindo eleições em dois turnos e regra que permite candidatura de Osmar Stabile


Na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Corinthians convocou uma Assembleia Geral para 19 de setembro, onde associados votarão dez mudanças no estatuto do clube.
Na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Corinthians convocou uma Assembleia Geral para 19 de setembro, onde associados votarão dez mudanças no estatuto do clube. Foto: Gustavo Lima e Matheus Pogiolli / Meu Timão

O Conselho Deliberativo do Corinthians convocou uma nova Assembleia Geral Extraordinária para que os associados votem dez mudanças no Estatuto Social do clube. A reunião será realizada no dia 19 de setembro, das 9h às 17h, no Parque São Jorge.


A nova convocação substitui a Assembleia anteriormente marcada para 20 de junho, suspensa pela Justiça de São Paulo e posteriormente cancelada. Diferentemente do edital anterior, a votação ficará restrita aos dez pontos aprovados individualmente pelo Conselho Deliberativo. O texto-base rejeitado pelos conselheiros não será submetido aos associados.


O edital foi assinado por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e publicado na última segunda-feira (17). Entre os principais temas estão o direito de voto aos integrantes do Fiel Torcedor já nas eleições de 2026, a redução do número de conselheiros, a implantação de dois turnos na eleição presidencial e uma regra de transição que permite a candidatura de Osmar Stabile.


A convocação representa mais um capítulo da disputa política e jurídica envolvendo a reforma estatutária. Em julho, o Conselho de Orientação havia rejeitado a abertura de um novo processo de reforma, indicando que as eleições poderiam ocorrer pelas normas atuais.


Agora, Romeu Tuma tenta retomar as alterações já aprovadas pelo Conselho Deliberativo entre abril e maio, sem incluir o texto-base que não recebeu o aval do órgão.


Quem poderá votar na Assembleia Geral


Segundo o edital, poderão participar da votação os associados maiores de 18 anos, admitidos no Corinthians há mais de cinco anos e que estejam no pleno exercício dos direitos estatutários.


Militantes e dependentes de qualquer categoria não poderão votar.


Ser integrante do Fiel Torcedor, por si só, não dá direito a participar da Assembleia de 19 de setembro. A votação será restrita aos associados do clube social que cumpram os critérios previstos no Estatuto atualmente em vigor.


Uma das mudanças submetidas à própria Assembleia prevê a redução do período de carência de cinco para três anos. A eventual alteração, entretanto, somente produzirá efeitos depois de aprovada e incorporada ao Estatuto.


Portanto, a redução não modificará os critérios de participação na votação de setembro.


Votação terá cédulas impressas e urnas físicas


A Assembleia acontecerá em chamada única, das 9h às 17h. Devido ao que o edital classifica como impossibilidade técnica para o uso de urnas eletrônicas, o processo será realizado por meio de cédulas impressas e urnas físicas.


Os dez temas aparecerão na mesma cédula, mas serão votados separadamente.


Dessa maneira, o associado poderá aprovar determinados pontos e rejeitar outros, sem precisar aceitar ou recusar todas as propostas como um pacote indivisível.


As redações completas das alterações serão encaminhadas aos e-mails cadastrados pelos associados e disponibilizadas no site oficial do Corinthians. O clube também promete divulgar um resumo didático antes da votação.


Fiel Torcedor poderá votar já em 2026


O ponto de maior impacto prevê a concessão do direito de voto aos integrantes do Fiel Torcedor nas eleições para presidente e vice-presidentes do Corinthians.


A proposta aprovada pelo Conselho Deliberativo estabelece que, no pleito de 2026, poderão votar os torcedores que tenham contribuído com o programa durante os quatro anos anteriores. Para essa primeira eleição, não haverá cobrança de taxa adicional.


Nos pleitos seguintes, os integrantes do programa precisarão cumprir todos os requisitos estabelecidos pela nova regra, incluindo o pagamento da taxa prevista.


O direito de voto ao Fiel Torcedor foi aprovado pelo Conselho Deliberativo em abril, com 79 votos favoráveis à implementação já em 2026. Outros nove conselheiros defenderam que a mudança começasse somente em 2030, enquanto dois votaram pela manutenção do modelo atual.


A alteração ainda depende da aprovação dos associados na Assembleia Geral para entrar em vigor.


Conselho Deliberativo poderá ser reduzido


Outra mudança prevê a redução do Conselho Deliberativo de 300 para 200 integrantes.


Atualmente, o órgão é formado por 200 conselheiros trienais eleitos e 100 vitalícios. Pela proposta aprovada, a composição passará para 150 membros eleitos e 50 vitalícios.


A redução recebeu 52 votos no Conselho Deliberativo. Outras alternativas previam a manutenção das 300 cadeiras ou uma diminuição intermediária para 225 integrantes.


Eleições individuais para o Conselho Deliberativo


Os associados também decidirão sobre a adoção de candidaturas individuais nas eleições para o Conselho Deliberativo.


A proposta recebeu 45 votos no órgão e superou as alternativas de manutenção do sistema atual ou adoção de chapas menores com distribuição proporcional das cadeiras.


Caso a mudança seja aprovada, o sistema de escolha dos conselheiros passará por uma reformulação, com candidaturas individuais no lugar do modelo atualmente utilizado.


Carência para votar poderá cair para três anos


O período mínimo exigido para que um associado possa votar nas Assembleias Gerais poderá ser reduzido de cinco para três anos.


A alternativa de três anos recebeu 41 votos no Conselho Deliberativo. A proposta de redução para quatro anos teve 32 votos, enquanto três conselheiros defenderam a manutenção da regra atual.


Como a mudança ainda será analisada pelos associados, a exigência de cinco anos continuará valendo para a Assembleia de setembro.


Eleição presidencial poderá ter dois turnos


A reforma também prevê a implantação de um sistema de dois turnos para a eleição do presidente e dos vice-presidentes do Corinthians.


A proposta foi aprovada por 62 conselheiros. Outros 14 votaram pela realização de apenas um turno.


A alteração modificará o atual modelo de escolha da Diretoria Executiva e permitirá uma segunda etapa da eleição presidencial.


Conselho de Ética poderá ser eleito pela Assembleia


Os associados votarão ainda uma mudança na composição do Conselho de Ética e Disciplina.


A proposta aprovada pelo CD determina que os 11 integrantes do órgão sejam escolhidos pela Assembleia Geral. O modelo recebeu 50 votos dos conselheiros.


Uma segunda alternativa previa a eleição de cinco associados e a contratação de outros seis integrantes. A manutenção da estrutura atual recebeu nove votos.


Conselho Deliberativo terá independência administrativa


Outro item busca garantir maior independência administrativa e funcional ao Conselho Deliberativo em relação à Diretoria Executiva.


O tema envolve as condições necessárias para o funcionamento do órgão e o custeio de suas atividades administrativas. A proposta vencedora estabelece a obrigação de a Diretoria assegurar os recursos necessários ao Conselho.


A medida será apresentada separadamente aos associados na cédula de votação.


Número de membros natos do Cori será limitado


A composição do Conselho de Orientação, o Cori, também poderá ser reduzida.


Pela proposta aprovada, serão membros natos apenas os cinco últimos ex-presidentes da Diretoria Executiva e os cinco últimos ex-presidentes do Conselho Deliberativo.


A mudança busca limitar a presença automática de ex-dirigentes no órgão responsável por orientar e fiscalizar a administração do Corinthians.


Balancetes passarão a ser publicados trimestralmente


A periodicidade dos balancetes financeiros é outro tema incluído no edital.


A proposta vencedora estabelece a publicação trimestral dos documentos. A alternativa recebeu 55 votos no Conselho Deliberativo, contra 18 favoráveis à divulgação bimestral e três pela manutenção da regra atual.


O ponto integra as mudanças voltadas à transparência e ao acompanhamento das contas do Corinthians.


Regra poderá permitir candidatura de Osmar Stabile


O décimo tema é apresentado no edital como a criação de um novo prazo de 12 meses para mandatos decorrentes de vacância e a instituição de uma regra de transição.


Na prática, a redação aprovada pelo Conselho Deliberativo permite que Osmar Stabile seja candidato à presidência nas eleições de 2026.


Stabile assumiu o comando do Corinthians inicialmente de maneira interina, após o afastamento de Augusto Melo, e posteriormente passou a ocupar o cargo de maneira efetiva para concluir o mandato vigente.


A autorização para que o atual presidente possa disputar o próximo pleito recebeu 46 votos favoráveis e 30 contrários no Conselho Deliberativo.


A aprovação da regra na Assembleia não significa que Stabile será candidato ou disputará obrigatoriamente a eleição. A mudança apenas elimina o impedimento estatutário debatido nos últimos meses.


Entenda por que uma nova Assembleia foi convocada


O Conselho Deliberativo rejeitou o texto-base da reforma em 29 de abril, com 93 votos contrários e 60 favoráveis. Mesmo assim, os conselheiros decidiram continuar analisando separadamente os temas que possuíam diferentes alternativas de redação.


Romeu Tuma defendia inicialmente que a Assembleia Geral recebesse o projeto completo, incluindo o texto-base rejeitado. Parte dos conselheiros sustentava que somente as mudanças efetivamente aprovadas pelo CD poderiam ser encaminhadas aos associados.


O edital anterior adotou uma formulação que permitia a votação de todo o projeto. A decisão provocou novos questionamentos internos e judiciais.


A Assembleia marcada para 20 de junho acabou suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão atendeu a um recurso apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger, que questionaram a legalidade da tramitação.


Na ocasião, o desembargador Maurício Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado, entendeu que existiam indícios de descumprimento do procedimento previsto pelo Estatuto.


A controvérsia envolvia o papel do Cori, o reconhecimento prévio da necessidade da reforma e a intenção de enviar aos associados um texto rejeitado pelo Conselho Deliberativo.



A convocação anterior foi posteriormente cancelada. O novo edital adota a interpretação defendida por parte dos conselheiros e restringe a votação aos dez pontos aprovados pelo CD.


A mudança busca afastar parte dos questionamentos que impediram a primeira Assembleia, mas não elimina a possibilidade de novas contestações judiciais.


Edital cita crise institucional e risco à continuidade


Romeu Tuma fundamenta a convocação no artigo 45, inciso II, letra “A”, do Estatuto atual.


O dispositivo estabelece que compete exclusivamente à Assembleia Geral deliberar sobre alterações estatutárias, desde que o Conselho Deliberativo tenha reconhecido previamente a necessidade de modificar o documento.


Segundo o edital, esse reconhecimento ocorreu na reunião de 24 de novembro de 2025. O documento também recorda a realização de 11 audiências públicas e o envio de pareceres pelo Cori e pelo Conselho Fiscal.


O presidente do CD cita ainda o artigo 217 da Constituição Federal, que assegura autonomia às entidades esportivas em sua organização e funcionamento, e o artigo 59 do Código Civil, que atribui às Assembleias Gerais a competência para alterar os estatutos das associações.


Romeu Tuma também sustenta que não existe impedimento temporal para a aplicação das novas regras nas eleições de 2026. Segundo o edital, a matéria não estaria sujeita ao princípio da anualidade eleitoral, e o próprio Conselho Deliberativo já havia aprovado a aplicação das alterações ao pleito deste ano.


Na justificativa, o presidente do CD relaciona a reforma ao momento enfrentado pelo Corinthians. O documento menciona uma crise moral, institucional e de credibilidade, além do alerta feito pela auditoria independente sobre riscos à continuidade do clube.


O debate acontece enquanto o Corinthians enfrenta uma grave situação financeira e é alvo de diferentes investigações. O MP-SP analisa falhas de governança e a possibilidade de uma intervenção judicial, embora esse procedimento não seja citado diretamente no edital.


O que acontece se as mudanças forem aprovadas


Cada uma das dez propostas precisará ser aprovada separadamente pela Assembleia Geral.


As alterações que receberem o aval dos associados serão consolidadas no Estatuto vigente e encaminhadas para registro no cartório competente.


O Estatuto atual do Corinthians foi elaborado em 2008 e recebeu alterações pontuais ao longo dos anos. A última mudança ocorreu em 2017.


Desde então, a necessidade de modernização ganhou força diante das transformações no futebol brasileiro, das novas exigências de governança e da entrada em vigor da Lei Geral do Esporte.


A Assembleia de 19 de setembro poderá definir mudanças importantes na estrutura política do Corinthians e, principalmente, no tamanho do colégio eleitoral responsável pela escolha dos próximos dirigentes.


O InfoTimão seguirá acompanhando a preparação da Assembleia, a divulgação das propostas completas, os possíveis questionamentos judiciais e a votação dos associados no Parque São Jorge.


E você, torcedor, acredita que o Fiel Torcedor deve participar das eleições do Corinthians já em 2026? Deixe sua opinião nos comentários e acompanhe o InfoTimão para não perder nenhum desdobramento da reforma do Estatuto.

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