Conselho rejeita reforma do Estatuto, mas aprova voto do Fiel Torcedor para 2026 no Corinthians
- Redação InfoTimão
- há 14 minutos
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Sessão no Parque São Jorge expõe divisão política, tem avanço histórico para torcedores e termina suspensa após divergências sobre o futuro do projeto

O Conselho Deliberativo do Corinthians realizou, na noite desta quarta-feira, uma reunião decisiva para o futuro político do clube. Em um cenário de forte divisão interna, os conselheiros rejeitaram o texto-base da reforma do Estatuto, mas aprovaram um dos pontos mais relevantes para a torcida: o direito de voto ao Fiel Torcedor já a partir de 2026.
A sessão, marcada por debates intensos, divergências jurídicas e manifestações de torcedores, foi suspensa antes da conclusão e terá continuidade nos próximos dias.
Fiel Torcedor ganha direito a voto e protagoniza principal avanço da noite
Mesmo com a rejeição da reforma estrutural, o Conselho aprovou a inclusão do Fiel Torcedor no processo eleitoral do clube.
A proposta vencedora estabelece:
Direito a voto já nas eleições de 2026
Necessidade de contribuição ao programa nos últimos quatro anos
Sem cobrança adicional inicial
A votação foi expressiva:
79 votos favoráveis à implementação imediata
9 votos para início apenas em 2030
2 votos contrários à concessão do direito
A medida representa uma mudança significativa no modelo político do Corinthians, ampliando a participação para além do quadro tradicional de associados.
Texto-base da reforma é rejeitado e evidencia falta de consenso
O principal item da pauta, o texto-base da reforma estatutária, foi rejeitado pelo Conselho:
93 votos contrários
60 votos favoráveis
A derrota do projeto evidencia a dificuldade de convergência entre os diferentes grupos políticos do clube, mesmo após mais de dois anos de debates, audiências e ajustes no documento.
Conselho decide continuar votação de pontos específicos
Após a rejeição do texto principal, os conselheiros precisaram decidir se a sessão seria encerrada ou se os chamados “destaques”, itens específicos da reforma, continuariam sendo analisados.
Por maioria, foi definida a continuidade:
79 votos a favor de seguir com as votações
57 votos contrários
A decisão gerou novo momento de tensão, com divergências sobre a validade de discutir pontos isolados sem a aprovação do texto-base.
Divisão política: o que deve ser levado à Assembleia dos sócios
O principal embate da noite envolveu a interpretação sobre o próximo passo do processo. Duas correntes ficaram claras:
Posição de Romeu Tuma Júnior
Defendeu que:
A Assembleia Geral dos sócios deve ser soberana
Todo o projeto, inclusive o texto-base rejeitado, deve ser submetido à votação
O Conselho não deve limitar o conteúdo que será analisado pelos associados
Posição de Felipe Ezabella
Sustentou que:
Apenas os itens aprovados pelo Conselho devem seguir para a Assembleia
O Conselho precisa exercer papel técnico e deliberativo
Submeter texto rejeitado geraria inconsistência institucional
Outras posições relevantes no debate
Rozallah Santoro defendeu a votação dos destaques mesmo com a rejeição do texto-base, buscando preservar avanços pontuais
Caetano Blandini, ligado ao Cori, argumentou que as mudanças poderiam ser incorporadas diretamente ao Estatuto vigente
Herói Vicente criticou o processo e apontou falta de debate mais aprofundado sobre temas estruturais, como o colégio eleitoral
As divergências não foram resolvidas e permanecem como ponto central para a continuidade da reunião.
Condução da sessão: postura de Leonardo Pantaleão
Responsável por conduzir a reunião, Leonardo Pantaleão adotou uma linha pragmática diante do cenário de conflito:
Colocou em votação a continuidade da análise dos destaques
Manteve a condução mesmo com questionamentos e protestos
Optou por não definir, naquele momento, o encaminhamento final à Assembleia
Segundo seu entendimento, a tendência é que apenas os itens aprovados pelo Conselho sejam encaminhados aos sócios, mas a decisão definitiva ficou para a próxima sessão.
Outros pontos votados: regras para sociedades empresariais
Além do voto do Fiel Torcedor, os conselheiros analisaram temas estruturais, como a possibilidade de sociedades empresariais.
Foi aprovada uma versão que:
Não estabelece percentual mínimo obrigatório de participação do clube
Mantém flexibilidade para futuras decisões estratégicas
A escolha indica cautela em relação a mudanças mais rígidas no modelo econômico do Corinthians.
Clima da reunião: tensão, protestos e redução de quórum
A sessão foi marcada por instabilidade ao longo de toda a noite:
Conselheiros deixaram o plenário após votações iniciais
Houve queda de quórum em momentos decisivos
Torcedores presentes protestaram contra conselheiros vitalícios
As manifestações refletiram o nível de pressão externa sobre o processo de reforma e reforçaram o interesse da torcida no tema.
Sessão suspensa e continuidade marcada
Após a votação de dois destaques, a reunião foi suspensa por decisão da presidência do Conselho.
A interrupção ocorreu diante de:
Divergências jurídicas não resolvidas
Questionamentos sobre o andamento das votações
Pressão por encerramento da sessão
Os trabalhos serão retomados na próxima segunda-feira, quando os demais pontos da reforma voltarão à pauta.
O que muda na prática para o Corinthians
O cenário após a reunião é complexo e ainda indefinido:
A reforma estrutural foi rejeitada
Mudanças pontuais foram aprovadas
O encaminhamento final segue em aberto
O principal impacto imediato é o avanço do voto do Fiel Torcedor, que pode alterar o equilíbrio político do clube nas próximas eleições, caso seja confirmado na Assembleia Geral.
O InfoTimão segue acompanhando com rigor jornalístico os bastidores políticos do Corinthians, trazendo informação clara, contextualizada e aprofundada para que a Fiel Torcida compreenda cada decisão que impacta o presente e o futuro do clube.


