Cori barra nova reforma do Estatuto do Corinthians; eleições tendem a seguir regras atuais
- Redação InfoTimão

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Atualizado: há 2 dias
Órgão não analisou o mérito da proposta apresentada por Romeu Tuma Júnior e afirma que não recebeu pedido da diretoria para incluir proposta de SAF na pauta da reunião; retomada da reforma depende da Justiça

O Conselho de Orientação do Corinthians (Cori) decidiu não analisar o novo projeto de reforma do Estatuto Social do clube durante reunião realizada na noite desta segunda-feira (27), no Parque São Jorge. O mérito da proposta não chegou a ser discutido. Com o novo impasse, as eleições previstas para o fim de 2026 tendem a ocorrer pelas regras atualmente em vigor.
A proposta havia sido elaborada pela Comissão de Reforma do Estatuto e encaminhada ao Cori pelo presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior, por meio de ofício enviado em 17 de julho. O documento reunia dez alterações aprovadas anteriormente pelo CD, além de adequações relacionadas à Lei Geral do Esporte.
As informações sobre a decisão foram publicadas inicialmente pelo Meu Timão e confirmadas pelo próprio Romeu Tuma Júnior ao portal.
Atualização: Em nota divulgada nesta terça-feira (28), o Cori informou que não recebeu da Diretoria Executiva qualquer solicitação para analisar uma proposta de constituição de SAF. O órgão também afirmou que Osmar Stabile não participou da reunião de segunda-feira (27). A versão anterior desta matéria informava, com base nas apurações disponíveis no momento da publicação, que o presidente havia comparecido à parte final do encontro. O trecho foi corrigido após a manifestação oficial do Cori.
Artigo 81 sustenta impedimento apontado pelo Cori
Durante a reunião, integrantes do Cori argumentaram que a reforma não poderia voltar imediatamente ao Conselho Deliberativo devido ao parágrafo único do artigo 81 do Estatuto vigente.
O dispositivo estabelece que um assunto já resolvido pelo CD, desde que acompanhado pelo parecer do órgão competente, somente pode ser renovado perante o Conselho após o intervalo de um ano.
O entendimento foi apresentado inicialmente pelo conselheiro Alexandre Husni e recebeu o apoio de integrantes como Guilherme Strenger, Felipe Ezabella e Ademir Benedito.
Como a última votação relacionada à reforma ocorreu em 18 de maio de 2026, a interpretação defendida durante a reunião impediria que o assunto voltasse ao Conselho Deliberativo antes de 18 de maio de 2027.
Na prática, esse entendimento inviabilizaria a abertura de um novo processo de reforma antes das eleições deste ano. A retomada do procedimento já realizado, porém, ainda dependerá da decisão definitiva da Justiça.
Tuma tentou defender abertura de um novo processo
Romeu Tuma Júnior esteve presente no encontro e tentou contestar o entendimento adotado pelos integrantes do Cori.
O presidente do Conselho Deliberativo sustentou que a suspensão judicial da Assembleia Geral também teria interrompido o rito que levou à convocação. Dessa maneira, seria possível iniciar outro processo, com uma nova proposta e novas deliberações dos órgãos estatutários.
A tentativa buscava superar o impasse iniciado em junho, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a Assembleia Geral que votaria as mudanças no Estatuto.
Os argumentos, porém, não foram aceitos. Tuma afirmou que pretendia construir um entendimento entre os diferentes grupos políticos do clube e evitar o prolongamento de uma discussão iniciada há aproximadamente três anos.
“Como não foi possível um acordo, e os autores da ação não irão desistir, irei aguardar o julgamento do mérito da ação”, declarou ao Meu Timão.
O dirigente afirmou que não fará outra tentativa de reiniciar a reforma neste momento. Caso o Tribunal reconheça a regularidade do procedimento suspenso, o Corinthians poderá tentar retomar a tramitação do ponto em que ela foi interrompida.
Por esse motivo, embora as eleições tendam a seguir as regras atuais, o cenário ainda não pode ser considerado definitivo.
Tentativa de acordo institucional não prospera
Em 3 de julho, Romeu Tuma já havia solicitado uma reunião do Cori para discutir o futuro da reforma.
O pedido defendia a abertura de um canal de diálogo entre os órgãos do Corinthians diante da crescente judicialização da política interna. O presidente do CD também manifestava a intenção de preservar as alterações que haviam recebido o aval dos conselheiros.
Posteriormente, Tuma se reuniu com o presidente do Cori, Miguel Marques e Silva, antes de encaminhar o novo projeto. O documento apresentado em 17 de julho substituiu, na prática, o pedido anterior de convocação de uma reunião extraordinária.
Apesar das conversas, os integrantes do Cori entenderam que não existiam condições estatutárias para iniciar outro processo de reforma neste momento.
Roberto de Andrade é afastado do Cori
Além da reforma estatutária, a reunião terminou com o afastamento do ex-presidente Roberto de Andrade da composição do Cori até o encerramento do atual triênio administrativo, no fim deste ano.
A decisão foi motivada por faltas consideradas injustificadas em reuniões anteriores. A informação foi publicada inicialmente pela Central do Timão.
Roberto de Andrade teria encaminhado suas justificativas ao Conselho Deliberativo por entender que o procedimento também seria válido para as reuniões do Cori.
Como os dois órgãos funcionam de maneira independente, os documentos não foram considerados para justificar as ausências.
O artigo 93 do Estatuto determina a perda do mandato de integrantes que deixarem de comparecer a três reuniões consecutivas ou cinco intercaladas sem justificativa.
Como Roberto é membro nato, o afastamento não elimina definitivamente seu direito de integrar o órgão em períodos administrativos futuros.
Tuma pede debate sobre risco de insolvência
Romeu Tuma também sugeriu que o Cori realize futuramente uma reunião dedicada exclusivamente à situação financeira do Corinthians.
Segundo a apuração, o presidente do Conselho Deliberativo citou o risco de insolvência do clube diante das dificuldades apresentadas nos últimos meses. A sugestão, entretanto, não foi colocada em votação e nenhuma data foi marcada.
O tema ganha relevância diante do aumento das obrigações, dos déficits acumulados e das punições que já atingem diretamente o departamento de futebol.
Recentemente, o InfoTimão analisou se uma recuperação judicial poderia ajudar o Corinthians a reorganizar parte de suas dívidas.
Cori diz não ter recebido pedido sobre SAFiel e afirma que Stabile não compareceu
O Conselho de Orientação informou, por meio de nota oficial divulgada nesta terça-feira (28), que não recebeu qualquer solicitação da Diretoria Executiva para analisar uma proposta de constituição de Sociedade Anônima do Futebol.
Segundo o comunicado, a reunião de segunda-feira transcorreu normalmente e respeitou a ordem do dia previamente estabelecida. O Cori acrescentou que, embora a diretoria estivesse ciente da realização do encontro, Osmar Stabile não compareceu à reunião.
A manifestação oficial contradiz a informação publicada inicialmente de que o presidente havia participado apenas da parte final do encontro. Diante do posicionamento do órgão, o InfoTimão corrigiu o registro anterior.
Na semana passada, Stabile havia informado aos representantes da SAFiel que buscaria o aval do Cori antes de assinar a proposta não vinculante. A reunião de segunda-feira foi mencionada pelo próprio presidente como a ocasião em que o assunto seria levado ao órgão.
A nota demonstra, entretanto, que o compromisso assumido com o movimento não resultou no encaminhamento de uma solicitação formal ao Cori. Sem a inclusão do assunto na pauta e sem a presença de Stabile, o projeto não foi discutido e continua sem prazo para análise.
A assinatura do memorando não representaria a aprovação da SAF ou a venda do futebol do Corinthians. O documento permitiria apenas o aprofundamento de estudos técnicos, jurídicos e financeiros sobre o modelo.
Após o encontro, a SAFiel criticou a ausência de respostas de Osmar Stabile e anunciou a formação de uma comissão para cobrar o avanço da proposta com participação da torcida.
Leia também: O InfoTimão detalhou o funcionamento e as etapas previstas pela SAFiel.
Relembre as dez mudanças aprovadas pelo Conselho
O novo projeto apresentado ao Cori incorporava dez alterações que já haviam recebido o aval do Conselho Deliberativo durante as reuniões realizadas entre abril e maio.
As propostas previam o direito de voto para integrantes do Fiel Torcedor já em 2026; a eleição dos membros do Conselho de Ética pela Assembleia Geral; a redução para três anos da carência necessária para votar; e a adoção de candidaturas individuais ao Conselho Deliberativo.
Também haviam sido aprovados o sistema de dois turnos para a eleição do presidente e dos vice-presidentes; a redução do Conselho Deliberativo para 200 integrantes, sendo 150 eleitos e 50 vitalícios; e a garantia de independência funcional à gestão do órgão.
Os demais pontos limitavam os membros natos do Cori aos cinco últimos ex-presidentes da Diretoria e do Conselho Deliberativo; determinavam a publicação trimestral dos balancetes financeiros; e criavam uma regra de transição que permitiria a candidatura de Osmar Stabile à reeleição.
O Conselho Deliberativo chegou a aprovar o voto do Fiel Torcedor e outras mudanças após rejeitar o texto-base da reforma. As alterações, entretanto, ainda dependem da aprovação dos associados em Assembleia Geral para entrarem em vigor.
Enquanto o processo permanecer suspenso e sem uma nova solução institucional, o Estatuto atual continuará orientando as decisões políticas, administrativas e eleitorais do Corinthians.
Confira a nota divulgada pelo Cori

O InfoTimão seguirá acompanhando os desdobramentos judiciais da reforma, as discussões sobre a SAFiel e as decisões que impactam a governança e o futuro do clube.






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