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  • Renovação de Memphis: ex-diretor financeiro, Pedro Silveira explica por que acredita que o camisa 10 foi um dos melhores investimentos da história recente do Corinthians

    Em meio às negociações para ampliar o contrato de Memphis Depay, o ex-diretor financeiro do Corinthians, Pedro Silveira, apresentou uma análise defendendo que o investimento no atacante gerou um retorno muito superior ao custo da operação. A avaliação considera impactos esportivos, comerciais e institucionais e reacende um dos principais debates entre os torcedores alvinegros. Pedro Silveira em entrevista ao podcast Humans of Faria Lima. Foto: Divulgação / Pedro Silveira Vale a pena o Corinthians renovar o contrato de Memphis Depay? Essa é uma das perguntas que mais mobilizam a torcida alvinegra desde que a diretoria iniciou as conversas para manter o camisa 10 após o término do vínculo atual. O debate envolve o alto investimento realizado pelo clube, a situação financeira do Corinthians e o peso esportivo que o atacante passou a exercer desde sua chegada ao Parque São Jorge. Em meio a esse cenário, um dos dirigentes que participou da estruturação financeira da contratação de Memphis Depay decidiu explicar por que acredita que o investimento valeu a pena. Durante participação no podcast Humans of Faria Lima, o ex-diretor financeiro do Corinthians, Pedro Silveira, apresentou uma análise na qual sustenta que a contratação do atacante pode ter gerado um impacto econômico superior a R$ 1,3 bilhão, considerando receitas adicionais, valorização institucional e prejuízos evitados. Mais do que discutir salários ou bonificações, o executivo defende que jogadores desse porte precisam ser avaliados pelo conjunto de efeitos que produzem dentro e fora de campo. A discussão ganha ainda mais relevância porque acontece justamente enquanto o Corinthians trabalha para manter Memphis Depay no elenco. Nos últimos dias, o clube formalizou uma proposta para ampliar o contrato do atacante em um novo modelo financeiro, buscando conciliar a permanência do jogador com a realidade econômica da instituição. Leia também: Corinthians formaliza proposta de renovação para Memphis Depay. Mais do que revisitar uma negociação marcante, a participação de Pedro Silveira acrescenta um novo olhar sobre um tema que continua dividindo opiniões entre torcedores e analistas: afinal, o investimento em Memphis realmente compensou para o Corinthians? Por que a opinião de Pedro Silveira merece atenção? A resposta passa pela trajetória profissional do executivo. Antes de assumir a diretoria financeira do Corinthians, Pedro Silveira construiu carreira no mercado financeiro. Foi um dos principais executivos responsáveis pela expansão internacional da XP, participou diretamente do processo que levou a empresa à abertura de capital na Nasdaq, em 2019, e atualmente integra a liderança do Grupo Alife Nino, um dos maiores conglomerados de gastronomia do país. Entre julho de 2024 e abril de 2025, passou a integrar a diretoria do Corinthians justamente em um dos períodos mais desafiadores da história recente do clube, marcado pela necessidade de equilibrar restrições financeiras com a busca por competitividade esportiva. Foi nesse contexto que participou da estruturação da chegada de Memphis Depay. "Quando o Corinthians ganha, o dia de 35 milhões de pessoas muda" Antes mesmo de abordar números, projeções ou indicadores financeiros, Pedro faz questão de explicar por que considera o Corinthians uma instituição diferente de qualquer empresa tradicional. Segundo ele, compreender a dimensão social e emocional do clube foi determinante para avaliar decisões estratégicas tomadas durante sua gestão. "Quando o Corinthians ganha, cara, o dia seguinte o café vem mais quente, a cerveja tá mais gelada. Seu dia é melhor. Então imagina fazer isso para 35 milhões de pessoas." A declaração ajuda a entender a linha de raciocínio que sustenta toda a análise apresentada no podcast. Para o ex-dirigente, determinados investimentos não podem ser avaliados exclusivamente pelo desembolso financeiro imediato, mas também pelos impactos que produzem sobre receitas, imagem, competitividade e fortalecimento da marca ao longo do tempo. Essa mesma lógica, segundo ele, foi aplicada durante a negociação que levou Memphis Depay ao Corinthians. Os bastidores da contratação de Memphis Ao longo da conversa, Pedro Silveira relembra que a chegada de Memphis Depay não foi resultado de uma negociação convencional. Segundo o ex-diretor financeiro, o clube avaliou diferentes alternativas antes de concentrar esforços no atacante neerlandês. A partir desse momento, iniciou-se um processo que envolveu contatos internacionais, diversas rodadas de negociação e a construção de um modelo financeiro capaz de tornar a operação viável para ambas as partes. Pedro revela que um dos primeiros desafios foi justamente estabelecer credibilidade junto ao estafe do jogador. Como Memphis trabalha com uma estrutura liderada por advogados, e não por um empresário tradicional, as tratativas seguiram um formato diferente daquele normalmente observado no mercado do futebol. Em um primeiro momento, segundo ele, havia dúvidas sobre a capacidade financeira do Corinthians para cumprir um contrato daquele porte. Coube ao clube demonstrar que existia planejamento para sustentar a operação. Ao longo das negociações, a proposta foi sendo ajustada até atingir um formato considerado equilibrado tanto para o Corinthians quanto para o jogador. Mais do que convencer um atleta de nível internacional a atuar no futebol brasileiro, o desafio era construir uma operação que preservasse a responsabilidade financeira do clube sem abrir mão da competitividade esportiva. Desde sua chegada, Memphis Depay esteve entre os principais temas do Corinthians dentro e fora de campo. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians Uma contratação que dividiu opiniões Desde que Memphis Depay foi anunciado pelo Corinthians, a contratação passou a ocupar o centro dos debates entre torcedores, dirigentes e analistas esportivos. Para alguns, tratava-se de um investimento incompatível com a situação financeira vivida pelo clube. Para outros, era justamente o tipo de movimento capaz de recolocar o Corinthians em posição de protagonismo esportivo e comercial. Pedro Silveira reconhece que esse questionamento sempre fez parte da operação. Na avaliação do ex-dirigente, grandes investimentos costumam ser julgados inicialmente pelo valor desembolsado, enquanto seus efeitos positivos só se tornam perceptíveis com o passar do tempo. É justamente essa percepção que serve de base para a análise financeira apresentada durante o podcast, na qual Pedro procura demonstrar que o impacto da contratação de Memphis Depay vai muito além do custo da operação. Como Pedro Silveira calcula o retorno da contratação de Memphis Na parte mais técnica da conversa, Pedro Silveira procura demonstrar que a contratação de Memphis Depay deve ser analisada sob uma lógica semelhante à utilizada em grandes empresas ao avaliar investimentos estratégicos. Segundo o ex-diretor financeiro do Corinthians, olhar apenas para salários, luvas e bonificações oferece uma visão incompleta da operação. Para ele, é necessário considerar também os efeitos que um atleta desse porte pode produzir sobre receitas, desempenho esportivo, fortalecimento institucional e valorização da marca. Foi a partir dessa premissa que ele desenvolveu a análise financeira apresentada durante o podcast. Custo líquido estimado em R$ 78 milhões De acordo com a metodologia apresentada por Pedro Silveira, o custo líquido da operação envolvendo Memphis Depay foi estimado em aproximadamente R$ 78 milhões durante o período compreendido entre setembro de 2024 e junho de 2026, prazo correspondente aos 21 meses de contrato inicialmente firmado entre jogador e Corinthians. Na avaliação do ex-dirigente, esse valor representa o investimento efetivamente realizado pelo clube após considerar diferentes componentes da operação. A partir desse ponto, Pedro passa a analisar quais impactos esse investimento teria produzido para o Corinthians. Os benefícios diretos estimados pela análise Segundo a avaliação apresentada durante o podcast, a chegada de Memphis Depay gerou aproximadamente R$ 626 milhões em benefícios diretos ao Corinthians. Entre os fatores considerados na análise estão: receitas provenientes das campanhas esportivas; crescimento das receitas comerciais; fortalecimento da marca Corinthians; maior exposição internacional do clube; novas oportunidades de patrocínio; valorização do elenco; impactos sobre mídia espontânea e engajamento. Na visão de Pedro Silveira, a contratação extrapolou o aspecto esportivo e passou a produzir efeitos positivos em diferentes áreas da instituição. Os títulos também entram na conta Outro ponto destacado pelo ex-dirigente é o desempenho esportivo conquistado pelo Corinthians após a chegada de Memphis Depay. Na análise apresentada, Pedro considera que os resultados obtidos em campo tiveram impacto direto na geração de receitas para o clube. Entre eles estão as campanhas que culminaram nas conquistas do Campeonato Paulista de 2025, da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa do Brasil de 2026, além da classificação para competições internacionais. Segundo sua metodologia, essas campanhas representam aproximadamente R$ 150,8 milhões em premiações e receitas relacionadas ao desempenho esportivo. O cenário de prejuízo evitado Um dos pontos mais debatidos da análise apresentada por Pedro Silveira envolve um cenário hipotético construído para avaliar os riscos esportivos enfrentados pelo Corinthians naquele momento. Segundo o ex-diretor financeiro, caso o clube tivesse seguido um caminho oposto e acabasse rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro, as perdas financeiras poderiam alcançar aproximadamente R$ 724 milhões. Nesse cálculo, Pedro considera fatores como redução das receitas comerciais, diminuição das cotas de televisão, impacto sobre patrocínios, bilheteria, licenciamentos e perda de valor institucional da marca Corinthians. Trata-se de uma projeção construída para ilustrar o impacto econômico que um eventual rebaixamento poderia representar para o clube. Por que Pedro fala em impacto superior a R$ 1,3 bilhão? Ao somar os benefícios diretos estimados e o prejuízo potencialmente evitado, Pedro Silveira chega à conclusão de que a contratação de Memphis Depay pode ter produzido um impacto econômico superior a R$ 1,3 bilhão para o Corinthians. Na avaliação do executivo, esse resultado demonstra que determinadas decisões estratégicas não devem ser analisadas exclusivamente pelo valor investido, mas sim pelo retorno global que são capazes de gerar ao longo do tempo. É justamente essa lógica que sustenta toda a argumentação apresentada durante o episódio. Assista à entrevista completa de Pedro Silveira A reportagem resume os principais pontos da análise apresentada pelo ex-diretor financeiro do Corinthians. Para quem quiser conferir a entrevista concedida por Pedro Silveira, acompanhar os bastidores da contratação de Memphis Depay e assistir à conversa na íntegra, o episódio completo do podcast Humans of Faria Lima, assista abaixo: Análise ganha força em meio às negociações pela renovação A repercussão da participação de Pedro Silveira acontece justamente em um momento decisivo para o futuro de Memphis Depay no Corinthians. Como revelou o InfoTimão, o clube já apresentou uma proposta formal para ampliar o vínculo do atacante, em um modelo contratual que busca preservar o equilíbrio financeiro da instituição sem abrir mão da permanência de um dos principais jogadores do elenco. Nesse contexto, a análise apresentada pelo ex-diretor financeiro acrescenta um novo elemento ao debate. Mais do que discutir o custo da operação, Pedro propõe avaliar quanto um atleta do porte de Memphis Depay pode representar para o Corinthians sob diferentes perspectivas: esportiva, comercial, institucional e financeira. Independentemente de concordar ou não com todas as premissas utilizadas na metodologia apresentada, a análise amplia uma discussão que dificilmente será encerrada apenas pelos números. Importante Os valores citados nesta reportagem fazem parte de uma análise financeira elaborada por Pedro Silveira e apresentada durante sua participação no podcast Humans of Faria Lima. As estimativas refletem a metodologia e as premissas utilizadas pelo ex-diretor financeiro do Corinthians e não correspondem a números oficiais divulgados pelo clube. Anota aí, Fiel! A possível renovação de Memphis Depay segue entre os temas mais importantes do planejamento do Corinthians para a sequência da temporada. Em meio às negociações, a participação de Pedro Silveira oferece uma perspectiva rara: a de um executivo que esteve diretamente envolvido na estruturação financeira da contratação e que decidiu explicar por que considera a operação um dos investimentos mais relevantes da história recente do clube. Mais do que defender a permanência do camisa 10, o ex-dirigente propõe uma reflexão sobre a forma como grandes investimentos devem ser avaliados no futebol moderno: não apenas pelo custo imediato, mas também pelo impacto esportivo, comercial e institucional que podem produzir ao longo dos anos. O InfoTimão segue acompanhando todos os desdobramentos envolvendo a negociação pela renovação de Memphis Depay e traz, em tempo real, as principais informações sobre mercado, bastidores, gestão e tudo o que acontece no Corinthians.

  • Corinthians quita dívida por Rodrigo Garro e coloca fim a uma das principais pendências internacionais da gestão

    Em meio às tratativas, os presidentes de Talleres e Corinthians se encontraram na Argentina. Foto: Corinthians Clube confirma pagamento integral ao Talleres pela contratação do meia argentino; acordo encerra cerca de quatro meses de negociações e reforça processo de reconstrução da credibilidade internacional O Corinthians confirmou nesta sexta-feira (19) o pagamento integral da dívida com o Talleres, da Argentina, referente à contratação do meia Rodrigo Garro, realizada em 2024. A informação foi oficializada por meio de uma nota assinada pelo presidente Osmar Stabile, encerrando uma negociação que se estendia por cerca de quatro meses e colocando fim a uma das principais pendências internacionais enfrentadas pela atual gestão. A conclusão do acordo representa um avanço importante no processo de reorganização financeira conduzido pelo clube e elimina o risco de novos desdobramentos relacionados ao caso junto à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Durante os últimos meses, o Corinthians precisou negociar sucessivas prorrogações de prazo enquanto estruturava uma solução financeira para quitar integralmente o débito. Mais do que encerrar uma obrigação contratual, a quitação simboliza uma mudança de postura institucional. Desde que assumiu a presidência, Osmar Stabile colocou como prioridade reconstruir a relação do Corinthians com credores, parceiros internacionais e organismos que acompanham o cumprimento das obrigações financeiras dos clubes. Osmar Stabile destaca respeito aos compromissos assumidos Na nota oficial divulgada pelo Corinthians, Osmar Stabile afirmou que a conclusão do pagamento representa um marco importante dentro do processo de reorganização do clube. Segundo o presidente, o acordo demonstra o compromisso da instituição em honrar suas obrigações mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos meses. "Este momento representa muito mais do que um simples fechamento de contas. Simboliza a seriedade, o comprometimento e o respeito que o Corinthians mantém com seus parceiros internacionais, mesmo diante de desafios que se estenderam por quatro meses." O dirigente também destacou o esforço realizado por todos os profissionais envolvidos nas negociações e agradeceu à diretoria do Talleres pela postura adotada durante o processo. A mensagem reforça uma das principais bandeiras defendidas pela atual administração: recuperar a credibilidade institucional do Corinthians perante o mercado nacional e internacional. Operação financeira viabilizou pagamento ao Talleres Para conseguir quitar a pendência, o Corinthians precisou estruturar uma operação financeira nas últimas semanas. Como o InfoTimão revelou anteriormente, a diretoria chegou a um acordo com a Outfield, empresa especializada em investimentos, inteligência e estratégia para os setores de esporte e entretenimento, para viabilizar os recursos necessários à operação. O pagamento foi realizado à vista, no valor de US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 44 milhões na cotação da época da negociação), montante que contempla os US$ 7 milhões líquidos devidos ao Talleres, além dos juros e demais encargos acumulados durante o processo. Em contrapartida, o Corinthians passará a quitar esse financiamento de forma parcelada, conforme as condições estabelecidas entre as partes. A operação permitiu ao clube solucionar uma das principais pendências internacionais sem a necessidade de desembolsar integralmente o valor com recursos próprios do caixa. Fala de Andrés Fassi antecipou desfecho positivo O acordo definitivo já vinha sendo sinalizado nas últimas semanas pelo presidente do Talleres, Andrés Fassi. Quando anunciou a última prorrogação concedida ao Corinthians, o dirigente argentino afirmou que enxergava boa vontade da diretoria alvinegra para solucionar a pendência e justificou a decisão de conceder mais alguns dias para o pagamento. "Aceitamos uma última prorrogação para demonstrar toda nossa disposição em chegar a um acordo. O Talleres tem sido excelente nos últimos três meses. E vemos que o Corinthians quer colaborar." A declaração representou uma mudança importante de tom. Dias antes, Fassi havia estabelecido um prazo final para o pagamento e afirmado que o Talleres voltaria a recorrer ao CAS caso o Corinthians não cumprisse o compromisso assumido. Com a confirmação da quitação nesta sexta-feira, a expectativa manifestada pelo dirigente argentino acabou sendo concretizada. Troca de camisas simboliza reaproximação entre Corinthians e Talleres Junto da nota oficial, o Corinthians divulgou uma fotografia que simboliza o encerramento da negociação. Na imagem, Osmar Stabile aparece segurando uma camisa do Talleres, enquanto Andrés Fassi posa com a camisa do Corinthians. A troca de camisas vai além de um gesto protocolar. Ela representa a reconstrução da relação institucional entre os clubes após meses de negociações, prorrogações de prazo, cobranças e intensas conversas para encontrar uma solução definitiva para a dívida envolvendo Rodrigo Garro. O simbolismo da imagem também reforça a mudança de cenário observada ao longo dos últimos meses. Durante parte das tratativas, Fassi chegou a demonstrar publicamente insatisfação com a condução das negociações pela gestão anterior. Com a chegada de Osmar Stabile à presidência, o diálogo foi retomado, permitindo que as partes construíssem uma solução consensual para encerrar o impasse. Negociação mobilizou diretoria durante quatro meses O caso Rodrigo Garro tornou-se uma das principais prioridades da atual diretoria desde a mudança de comando no Parque São Jorge. Como o InfoTimão acompanhou ao longo dos últimos meses, o Corinthians enfrentou sucessivos desafios para viabilizar o pagamento. Inicialmente, o Talleres estabeleceu um prazo para a quitação da dívida. Em seguida, concedeu novas prorrogações diante dos avanços apresentados pelo clube brasileiro nas negociações. Paralelamente, a diretoria corinthiana trabalhou para estruturar uma operação financeira que permitisse reunir os recursos necessários sem comprometer ainda mais o fluxo de caixa do clube. O entendimento construído entre as partes evitou que a disputa retornasse ao CAS, cenário que poderia ampliar a insegurança jurídica envolvendo a negociação. Outro fator considerado decisivo foi a reconstrução do relacionamento institucional entre os clubes. Osmar Stabile esteve pessoalmente na Argentina para se reunir com Andrés Fassi, gesto que ajudou a restabelecer a confiança entre as diretorias e abriu caminho para a conclusão do acordo. Quitação representa passo importante na reorganização financeira A regularização da pendência com o Talleres elimina uma das principais preocupações internacionais enfrentadas pelo Corinthians neste momento. Embora o clube ainda trabalhe para solucionar outras demandas relacionadas a contratações realizadas em gestões anteriores, o encerramento do caso Rodrigo Garro representa um avanço importante dentro da estratégia de reorganização financeira conduzida pela atual administração. Além de reduzir riscos jurídicos e esportivos, a conclusão do acordo fortalece o discurso adotado por Osmar Stabile desde o início de sua gestão: recuperar a credibilidade do Corinthians perante o mercado por meio do cumprimento dos compromissos assumidos. Depois de quatro meses de negociações, sucessivas prorrogações e intensa articulação entre as diretorias, o caso envolvendo Rodrigo Garro chega ao fim como um dos principais capítulos da reconstrução institucional vivida pelo clube em 2026. Relembre a cronologia do caso Rodrigo Garro A negociação entre Corinthians e Talleres passou por diferentes etapas até a confirmação do pagamento integral da dívida. Fevereiro de 2025 – A Fifa condenou o Corinthians pelo descumprimento das obrigações financeiras relacionadas à contratação de Rodrigo Garro. Abril de 2026 – A atual diretoria intensificou as negociações para construir um acordo que evitasse novos desdobramentos junto à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Maio de 2026 – O presidente do Talleres, Andrés Fassi, estabeleceu um prazo para que o Corinthians efetuasse o pagamento da dívida. Junho de 2026 – Diante dos avanços nas tratativas, o clube argentino concedeu uma última prorrogação, reconhecendo o esforço da diretoria corinthiana para solucionar definitivamente a pendência. 19 de junho de 2026 – O Corinthians confirmou oficialmente o pagamento integral da dívida e encerrou uma negociação que durou cerca de quatro meses. A quitação da dívida com o Talleres encerra um dos capítulos mais relevantes da atual gestão do Corinthians no cenário internacional. Depois de meses de negociações, prorrogações de prazo e articulação entre as diretorias, o clube regulariza uma pendência importante envolvendo a contratação de Rodrigo Garro e dá mais um passo no processo de reorganização financeira liderado por Osmar Stabile. Ao longo de toda essa negociação, o InfoTimão acompanhou cada etapa do caso, desde os primeiros prazos estabelecidos pelo Talleres, passando pelas sucessivas prorrogações, pelos bastidores das conversas entre os clubes e pela estruturação da operação financeira que tornou possível a quitação da dívida. Seguiremos acompanhando de perto os próximos movimentos da diretoria na busca pela regularização das demais pendências internacionais e pela reconstrução financeira do Corinthians. Íntegra da nota divulgada pelo Corinthians Abaixo, confira a manifestação publicada oficialmente pelo presidente Osmar Stabile após a conclusão do acordo com o Talleres: "Nesta sexta-feira, dia 19, conseguimos realizar o pagamento integral da dívida pendente com o Club Atletico Talleres, da Argentina, por conta da negociação e aquisição do talentoso meio-campista Rodrigo Garro. Este momento representa muito mais do que um simples fechamento de contas. Simboliza a seriedade, o comprometimento e o respeito que o Corinthians mantém com seus parceiros internacionais, mesmo diante de desafios que se estenderam por quatro meses. Foram semanas de negociações intensas, conversas construtivas e, acima de tudo, muita paciência, que só foram possíveis graças à colaboração e compreensão mútua. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar, em nome de todos que fazem parte do nosso Clube, um imenso agradecimento a toda a equipe responsável, que se empenhou incansavelmente para que esse objetivo fosse alcançado. Também deixamos nossa mais sincera gratidão a todos do Talleres, especialmente ao presidente Andrés Fassi, cujo profissionalismo e paciência foram fundamentais para a conclusão desse processo. Agora, com esta página virada, podemos olhar para frente com tranquilidade e foco total na construção de um Corinthians ainda mais forte e vitorioso. Seguimos juntos, sempre em frente, com a certeza de que o respeito, a transparência e o trabalho honesto são os pilares que sustentam o sucesso de nossa querida instituição. Um grande abraço a todos, Osmar Stabile Sport Club Corinthians Paulista" O InfoTimão acompanha diariamente os bastidores políticos, financeiros e esportivos do Corinthians, trazendo informação, contexto, análise e apuração para manter a Fiel sempre bem informada sobre tudo o que acontece dentro e fora de campo.

  • Miguel Moscardo soma 86 gols na base do Corinthians e chama atenção no Parque São Jorge

    Irmão mais novo de Gabriel Moscardo, atacante de 15 anos vive fase artilheira nas categorias de base, já subiu ao sub-17 e teve contato com o elenco profissional do Timão Miguel Moscardo tem chamado a atenção por seu faro de gol nas categorias de base. Foto: Reprodução / @moscardomiguel_ Miguel Moscardo segue construindo uma trajetória de destaque nas categorias de base do Corinthians. Irmão mais novo de Gabriel Moscardo, revelado pelo clube e atualmente vinculado ao PSG, o jovem atacante de 15 anos vem chamando atenção no Parque São Jorge pelo faro de gol, pela rápida evolução e pelos números expressivos acumulados nas últimas temporadas. Somando os dados de 2024, da equipe sub-15 em 2025 e dos primeiros jogos pelo sub-17, Miguel já registra 86 gols em 90 partidas pelo Corinthians. O desempenho coloca o camisa 9 entre os principais nomes da geração e reforça a expectativa em torno de uma das promessas ofensivas mais observadas da base alvinegra. Formado inicialmente no Flamengo de Guarulhos, Miguel chegou ao Corinthians em 2023 e rapidamente passou a se destacar dentro do processo de formação do clube. Desde então, o atacante tem acumulado gols, títulos e etapas importantes em sua caminhada no Parque São Jorge. Números expressivos de Miguel Moscardo na base do Corinthians A primeira temporada completa de Miguel Moscardo pelo Corinthians aconteceu em 2024. Mesmo ainda em processo de adaptação ao clube, o atacante já apresentou números de destaque: foram 39 partidas e 39 gols marcados. O desempenho se manteve em 2025, quando o jogador passou a defender a equipe sub-15 do Corinthians. Na categoria, Miguel disputou 44 partidas e marcou 43 gols, consolidando-se como um dos principais destaques ofensivos da base alvinegra. Além da eficiência na frente do gol, o atacante também participou de uma temporada vitoriosa. Pelo sub-15, Miguel contribuiu para a conquista de três títulos: Paulista Cup, Copa Votorantim e Mina Cup, torneio disputado nos Emirados Árabes Unidos. A soma dos números ajuda a explicar a atenção interna sobre o jogador. Em pouco tempo, Miguel deixou de ser apenas uma promessa em observação para se tornar um dos nomes acompanhados com mais cuidado no departamento de formação do Corinthians. Promoção ao sub-17 e adaptação rápida O desempenho acima da média acelerou o processo de Miguel dentro das categorias de base. Ainda durante a temporada, o atacante foi promovido ao sub-17 do Corinthians, passando a atuar contra jogadores mais velhos e em um nível de exigência maior. Mesmo diante da mudança de categoria, o jovem manteve boa resposta dentro de campo. Pela equipe sub-17, Miguel soma sete partidas e quatro gols marcados. Os números reforçam a capacidade de adaptação do atacante e mostram que o jogador conseguiu preservar sua presença ofensiva mesmo em um novo estágio competitivo. A evolução do camisa 9 é observada com cautela pelo Corinthians. Por se tratar de um atleta ainda em formação, o clube busca conduzir o processo de maneira gradual, respeitando etapas de desenvolvimento físico, técnico e emocional. Ainda assim, o desempenho apresentado até aqui aumenta naturalmente a atenção sobre o futuro do jogador no Parque São Jorge. Primeiro contato com o elenco profissional O bom desempenho nas categorias inferiores também abriu portas para Miguel Moscardo junto ao elenco principal do Corinthians. Em setembro de 2025, o atacante participou de atividades com a equipe profissional, então comandada pela comissão técnica de Dorival Júnior. A presença do jovem nos treinamentos fez parte de uma estratégia do departamento de futebol para aproximar atletas da base do ambiente profissional. A ideia era proporcionar experiência aos garotos e, ao mesmo tempo, permitir que a comissão técnica acompanhasse de perto a evolução dos principais talentos formados no clube. Na ocasião, Lucas Silvestre, auxiliar de Dorival Júnior, explicou que o Corinthians vinha promovendo constantemente jogadores da base aos treinos do time principal. — Desde que chegamos aqui, temos trazido alguns meninos para cá. Estamos de olho em outros também. Trouxemos semana passada o Gui Amorim e o Moscardinho. Tentamos conhecer o máximo possível dos atletas da base para que possam vir. Estão passando por um processo de adaptação — afirmou Lucas Silvestre. O momento foi celebrado por Miguel nas redes sociais. O atacante agradeceu pela oportunidade de participar da atividade com o elenco profissional do Corinthians. — Primeiro treino no profissional. Muito obrigado a todos que fizeram isso ser possível. Graças a Deus — publicou o jovem. A postagem recebeu resposta de Gabriel Moscardo, que fez questão de parabenizar o irmão e demonstrar confiança no início da caminhada. — Parabéns, irmão. Primeiro treino no profissional. É só o começo — escreveu o volante. Filho do Terrão, Miguel Moscardo é tido como uma das principais joias da base corinthiana. Foto: Reprodução / @moscardomiguel_ Do Flamengo de Guarulhos ao Parque São Jorge Antes de chegar ao Corinthians, Miguel Moscardo já chamava atenção nas categorias de base. Atuando pelo Flamengo de Guarulhos, o atacante foi artilheiro do Campeonato Paulista Sub-13, desempenho que despertou o interesse do clube alvinegro. A contratação foi oficializada em 2023. Na época, Miguel assinou para integrar a equipe sub-13 do Timão, iniciando um processo de formação que rapidamente apresentou resultados dentro de campo. Quando foi anunciado pelo Corinthians, o jovem destacou a influência de Gabriel Moscardo em sua carreira. Miguel afirmou que acompanha de perto a trajetória do irmão e vê no volante um exemplo a ser seguido dentro e fora dos gramados. — Ir para um time grande é ambição de todo mundo, estou muito feliz de ter conseguido. Agora é trabalhar para evoluir cada vez mais. Meu irmão é um ídolo para mim. Sei de tudo que ele passou, de tudo que fez para estar onde está hoje. É um espelho para mim — declarou ao Uol. A relação familiar aumenta naturalmente a curiosidade sobre Miguel, mas o atacante começa a construir sua própria trajetória dentro do Corinthians. Se Gabriel ganhou projeção como volante revelado pelo clube, o irmão mais novo chama atenção em outra função: como centroavante, camisa 9 e finalizador. Contrato de formação e futuro no Corinthians O atual vínculo de Miguel Moscardo com o Corinthians foi firmado por meio de contrato de formação em setembro de 2024 e é válido até agosto de 2027. Aos 15 anos, o atacante ainda está em fase importante de desenvolvimento. Por isso, apesar dos números expressivos, o Corinthians trata a evolução do jogador com cuidado. Internamente, o caminho natural é seguir acompanhando seu desempenho nas categorias de base, respeitando etapas e evitando qualquer tipo de antecipação exagerada. Ainda assim, a sequência de gols, a rápida adaptação ao sub-17 e o primeiro contato com o elenco profissional mostram que Miguel Moscardo já está no radar do clube como uma das promessas mais interessantes do Parque São Jorge. Para o InfoTimão, o caso de Miguel Moscardo exige atenção e responsabilidade. Os números impressionam, o talento aparece cedo e a ligação familiar com Gabriel Moscardo aumenta naturalmente a curiosidade da Fiel. Mas, acima de qualquer expectativa, o mais importante é que o Corinthians siga protegendo o processo de formação de um garoto que ainda está construindo os primeiros capítulos da carreira. No Parque São Jorge, Miguel já deixou de ser apenas “o irmão de Gabriel” para começar a escrever a própria história. Continue acompanhando o InfoTimão para não perder nenhuma novidade do Timão, dentro e fora das quatro linhas.

  • Corinthians homenageará prefeito de Nova York após discurso sobre Sócrates e a Democracia Corinthiana

    Sócrates, Casagrande, Wladimir, Biro-Biro e Zenon, se juntaram para criar o primeiro movimento democrático do futebol brasileiro. Foto: Estadão Clube prepara homenagem oficial a Zohran Mamdani após prefeito utilizar a história da Democracia Corinthiana como exemplo mundial de democracia e resistência às vésperas da Copa do Mundo de 2026 Mais de quatro décadas depois de transformar o futebol brasileiro em palco de um dos mais importantes movimentos pela democracia da história do país, a Democracia Corinthiana voltará a receber reconhecimento internacional. Desta vez, a homenagem parte de um cenário improvável: a maior cidade dos Estados Unidos. O Corinthians prestará uma homenagem oficial ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, em reconhecimento às recentes declarações nas quais o político destacou o legado de Sócrates e da Democracia Corinthiana como símbolos de liberdade, participação popular e resistência política. A iniciativa, contará com a participação do ex-atacante Walter Casagrande, que representará o clube durante um encontro com o prefeito em Nova York. A informação foi divulgada inicialmente pela GloboNews e confirmada pela reportagem do InfoTimão. O gesto acontece poucos dias depois de Mamdani surpreender torcedores brasileiros ao dedicar parte de um programa oficial da prefeitura nova-iorquina para contar ao público internacional a história do Corinthians, de Sócrates e do movimento que marcou o futebol mundial durante os últimos anos da ditadura militar brasileira. Mais do que uma homenagem protocolar, a iniciativa simboliza o reconhecimento de que um movimento nascido dentro do Parque São Jorge continua atravessando fronteiras e inspirando debates sobre democracia, cidadania e participação popular, agora em pleno ano da Copa do Mundo de 2026, realizada em solo norte-americano. Por que a homenagem chama tanta atenção? A homenagem organizada pelo Corinthians possui um significado que vai além da relação entre futebol e política. É incomum que um dos maiores clubes da América do Sul realize um reconhecimento institucional a um prefeito estrangeiro. O gesto ganha ainda mais relevância porque parte justamente de um dirigente da maior cidade dos Estados Unidos, país que recebe a Copa do Mundo de 2026 e que, nos últimos dias, passou a conhecer parte da história da Democracia Corinthiana por meio de um canal oficial da prefeitura de Nova York. Ao escolher utilizar o Corinthians como exemplo durante um programa institucional, Mamdani aproximou um dos capítulos mais importantes da história alvinegra de uma audiência global, reforçando que o legado construído por Sócrates e seus companheiros continua atual mais de quarenta anos depois. Para o Corinthians, trata-se de uma oportunidade de agradecer publicamente alguém que ajudou a internacionalizar um dos maiores patrimônios históricos do clube. Casagrande será o representante do Corinthians em Nova York Inicialmente, o Corinthians buscava estabelecer contato com Zohran Mamdani por meio do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), tentando organizar uma forma institucional de realizar a homenagem. Com a presença de Walter Casagrande em Nova York para a cobertura da Copa do Mundo, surgiu uma alternativa considerada ideal pelo clube. Além de ex-jogador do Corinthians, Casagrande é um dos principais personagens da Democracia Corinthiana e participou diretamente do movimento que transformou a forma de administrar o departamento de futebol do clube entre 1982 e 1984. A reunião entre Casagrande e Mamdani acontecerá nesta sexta-feira e também servirá para discutir possíveis projetos de intercâmbio esportivo e social entre Brasil e Estados Unidos. Dentro desse encontro, porém, haverá um momento reservado para uma homenagem preparada especialmente pelo Corinthians. Camisa de Sócrates e placa simbolizam o agradecimento do clube Durante o encontro, Casagrande fará a entrega de dois presentes preparados pelo Corinthians. O primeiro será uma camisa em homenagem a Sócrates, maior liderança da Democracia Corinthiana e um dos jogadores mais importantes da história do clube. Muito além do talento dentro de campo, Sócrates tornou-se um símbolo internacional da luta pela democracia ao utilizar sua posição como atleta para defender eleições diretas, liberdade de expressão e participação política durante um dos períodos mais delicados da história brasileira. Além da camisa, Mamdani receberá uma placa oficial de agradecimento pelo reconhecimento público da história do Corinthians. O texto preparado pelo clube ressalta que a Democracia Corinthiana demonstrou ao mundo que o futebol pode ser muito mais do que um esporte, funcionando também como ferramenta de liberdade, participação popular e dignidade humana. A mensagem termina com uma adaptação de um dos cânticos mais tradicionais da torcida alvinegra: "Vai Nova York, Vai Corinthians." A escolha da frase procura aproximar simbolicamente a cidade norte-americana da história construída no Parque São Jorge, reforçando a ideia de que os valores defendidos pela Democracia Corinthiana continuam dialogando com diferentes culturas e gerações. O discurso que colocou o Corinthians em evidência internacional A homenagem acontece poucos dias depois de Zohran Mamdani dedicar parte de uma edição do programa The Morning Pitch, publicado nas redes oficiais da prefeitura de Nova York, para falar sobre futebol, democracia e transformação social. O quadro normalmente aborda assuntos cotidianos da cidade, como mobilidade urbana, clima e eventos culturais. Porém, diante da realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, o prefeito decidiu ampliar a discussão. Em vez de falar apenas sobre a competição, Mamdani utilizou o futebol para refletir sobre cidadania, participação popular e direitos democráticos. Foi nesse contexto que surgiu uma referência inesperada ao Corinthians. Em vez de recorrer a exemplos tradicionais do futebol mundial, o prefeito escolheu contar ao público norte-americano a história de Sócrates e da Democracia Corinthiana, apresentando o movimento como um dos episódios mais marcantes da relação entre esporte e democracia no século XX. Ao introduzir o tema, Mamdani explicou que vinha refletindo sobre a trajetória do ex-camisa 8 do Corinthians e sua importância durante a ditadura militar brasileira. "Eu tenho pensado ultimamente sobre Sócrates, não o antigo filósofo grego, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou pelo Brasil nos anos 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde capitaneou a seleção. Estes foram anos difíceis no Brasil. Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força." Na sequência, Mamdani explicou que o Corinthians se tornou um reflexo do desejo de milhões de brasileiros por democracia ao implantar um modelo de autogestão dentro do futebol, no qual todos os integrantes do departamento tinham direito à participação nas decisões. "No Corinthians, o clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que os brasileiros comuns sonhavam: democracia. Eles começaram um experimento em autogoverno chamado Democracia Corinthiana. Quer você fosse o centroavante estrela ou trabalhasse na lavanderia, você tinha um voto." O prefeito encerrou sua reflexão lembrando um dos gestos mais emblemáticos protagonizados por Sócrates durante a luta pela redemocratização do Brasil, destacando o papel que o futebol pode exercer como instrumento de transformação social. "E enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderou os jogadores para o campo, usando jaquetas com as palavras 'Eu quero votar para presidente' nas costas. Conforme nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas em todo o mundo, tantos pobres e esquecidos, um senso de pertencimento, uma conexão com seu vizinho, um sentimento de solidariedade compartilhada. O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores, e por 90 minutos de cada vez, não apenas nos permitiu esquecer nossos problemas, mas encontrar maneiras de superá-los. Que belo jogo." As declarações repercutiram rapidamente entre torcedores do Corinthians e estudiosos do esporte, justamente por partir de uma autoridade pública estrangeira que escolheu utilizar a história do clube como referência mundial de democracia, em um conteúdo institucional produzido pela prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos. Assista ao vídeo com a fala do prefeito de Nova York O que foi a Democracia Corinthiana? Mais do que um movimento esportivo, a Democracia Corinthiana tornou-se um dos capítulos mais importantes da história do futebol brasileiro e um símbolo internacional da relação entre esporte, cidadania e democracia. Criado entre 1982 e 1984, o movimento rompeu com o modelo tradicional de gestão do futebol ao estabelecer que decisões importantes do departamento seriam tomadas coletivamente. Jogadores, comissão técnica, funcionários e dirigentes passaram a participar das discussões sobre concentração, viagens, horários de treinamento e diversos assuntos do cotidiano do clube. Independentemente da função exercida, todos tinham o mesmo peso nas votações. O modelo foi liderado por Sócrates, Wladimir, Walter Casagrande e pelo então diretor de futebol Adílson Monteiro Alves, tornando-se rapidamente um exemplo de gestão participativa em plena ditadura militar brasileira. Enquanto o país ainda vivia sob um regime autoritário, o Corinthians defendia internamente princípios como diálogo, participação coletiva e liberdade de expressão. O movimento também extrapolou os limites do Parque São Jorge. Nas eleições estaduais de 1982, os jogadores entraram em campo com a inscrição "Dia 15 Vote", incentivando a participação popular nas urnas. Pouco tempo depois, durante a campanha das Diretas Já, Sócrates transformou sua imagem em um dos principais símbolos da luta pela volta das eleições diretas para presidente da República. A influência da Democracia Corinthiana ajudou a consolidar o Corinthians como um dos clubes brasileiros mais reconhecidos internacionalmente quando o assunto é futebol e engajamento social. Quatro décadas depois, o movimento continua sendo objeto de estudos acadêmicos, documentários, livros e debates sobre gestão esportiva, democracia e participação cidadã. Legado segue vivo e ganhará série da HBO O reconhecimento internacional da Democracia Corinthiana continua crescendo. Além das recentes declarações do prefeito de Nova York, o movimento também será retratado em uma nova série original produzida pela HBO, que contará a história de um dos períodos mais marcantes da trajetória do Corinthians. A produção terá oito episódios e acompanhará os bastidores da Democracia Corinthiana, destacando as trajetórias de Sócrates, Wladimir, Walter Casagrande e Adílson Monteiro Alves, personagens centrais na construção do movimento. Quer entender como será a produção? Confira também a matéria completa do InfoTimão sobre a nova série da HBO inspirada na Democracia Corinthiana. A escolha da HBO reforça que a história construída no Parque São Jorge permanece despertando interesse muito além do universo esportivo, sendo reconhecida como um dos episódios mais relevantes da relação entre futebol e democracia em todo o mundo. Uma homenagem que reforça o alcance internacional da história do Corinthians Ao decidir homenagear Zohran Mamdani, o Corinthians não apenas agradece um gesto de reconhecimento institucional. O clube reafirma a importância de preservar e divulgar um dos capítulos mais emblemáticos de sua própria história. Mais de quarenta anos depois, a Democracia Corinthiana continua sendo lembrada por pessoas que sequer vivenciaram aquele período, atravessando fronteiras, idiomas e gerações. Em um momento em que Nova York recebe a Copa do Mundo e volta os olhos para o futebol, a história iniciada no Parque São Jorge ganha novamente projeção internacional, desta vez pelas palavras do prefeito da maior cidade dos Estados Unidos e pela homenagem de um clube que segue orgulhoso de um legado capaz de inspirar o mundo. Anota aí, Fiel! A homenagem a Zohran Mamdani reforça que o legado da Democracia Corinthiana segue vivo e continua inspirando o mundo mais de quatro décadas depois. O InfoTimão acompanhará todos os desdobramentos dessa iniciativa e seguirá trazendo conteúdos especiais sobre a história, os bastidores e o presente do Corinthians. Continue acompanhando o InfoTimão para não perder nenhuma novidade do Timão, dentro e fora das quatro linhas.

  • Osmar Stabile vira alvo de terceiro pedido de impeachment no Corinthians após manifestação do MP

    Terceiro pedido de impeachment de Osmar Stabile é protocolado no Corinthians. Foto: Theo Daolio / Agência O Dia Associado protocola novo requerimento contra presidente do Corinthians alegando que atuação em processo envolvendo Armando Mendonça contrariou interesses institucionais do clube A crise política do Corinthians ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira. O presidente Osmar Stabile tornou-se alvo do terceiro pedido de impeachment desde que assumiu o comando do clube. O novo requerimento foi protocolado pelo associado Leandro Cano e utiliza como principal fundamento uma recente manifestação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no processo criminal envolvendo o segundo vice-presidente licenciado Armando Mendonça. Segundo o documento, ao qual a reportagem teve acesso, Stabile teria adotado uma postura incompatível com os interesses institucionais do Corinthians ao se manifestar em um processo no qual o clube figura como potencial vítima das condutas investigadas pelo Ministério Público. Na avaliação do autor do requerimento, o presidente também extrapolou suas atribuições ao assinar uma nota institucional em defesa de Armando Mendonça, denunciado pelo MP-SP por supostos crimes relacionados ao caso do desaparecimento de materiais esportivos fornecidos pela Nike. Por que o novo pedido de impeachment foi apresentado? O requerimento sustenta que Osmar Stabile atuou de forma contrária aos interesses do Corinthians durante o processo criminal envolvendo Armando Mendonça. Segundo o associado Leandro Cano, a manifestação apresentada pelo presidente aos autos acabou reproduzindo argumentos semelhantes aos utilizados pela defesa do vice-presidente licenciado. Durante sua manifestação, Stabile afirmou que a auditoria interna realizada pelo Corinthians não concluiu que Armando Mendonça tenha desviado, subtraído ou se apropriado de materiais esportivos pertencentes ao clube. Na interpretação do autor do pedido, essa postura teria colocado os interesses individuais do dirigente investigado acima dos interesses institucionais do Corinthians, que figura como potencial vítima das condutas apuradas pelo Ministério Público. O documento também sustenta que a atuação do presidente poderia caracterizar hipótese de gestão temerária, argumento que caberá aos órgãos internos do clube analisar durante eventual tramitação do requerimento. O que disse o Ministério Público? A manifestação do Ministério Público de São Paulo citada pelo associado foi apresentada no processo criminal envolvendo Armando Mendonça. No documento, o órgão questiona a atuação institucional do Corinthians ao longo do procedimento e aponta que a manifestação assinada por Osmar Stabile apresentou fundamentos convergentes com a estratégia adotada pela defesa do vice-presidente licenciado. O MP também menciona a existência de possível conflito entre os interesses institucionais do Corinthians e os interesses particulares do dirigente investigado, considerando que o clube figura como potencial vítima dos fatos apurados. A manifestação do Ministério Público, entretanto, não trata de eventual afastamento do presidente nem solicita qualquer medida nesse sentido. O documento foi utilizado pelo associado como um dos principais fundamentos para sustentar o novo pedido de impeachment apresentado aos órgãos internos do Corinthians. Relembre o caso Armando Mendonça Nas últimas semanas, Armando Mendonça foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo. Segundo a denúncia apresentada pelo promotor Cássio Conserino, o dirigente teria se apropriado de 131 itens de materiais esportivos fornecidos pela Nike, tentado retirar outras 19 camisas especiais da NFL e subtraído outras oito unidades da edição comemorativa sem registro formal no sistema interno do Corinthians. O Ministério Público também sustenta que Armando Mendonça intimidou testemunhas durante as investigações conduzidas pelo clube e posteriormente acompanhadas pela Promotoria. Em meio aos desdobramentos do caso, o dirigente solicitou licença do cargo de segundo vice-presidente por 30 dias, afirmando que pretende concentrar sua defesa nas esferas judicial e institucional. Terceiro pedido amplia pressão sobre Osmar Stabile Este é o terceiro pedido de impeachment apresentado contra Osmar Stabile desde que assumiu a presidência do Corinthians. O primeiro requerimento foi protocolado em abril e questiona o acordo firmado entre o clube e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociação de uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão, especialmente pela utilização do Parque São Jorge como garantia da operação. O segundo pedido foi apresentado em junho e tem como foco supostas irregularidades relacionadas à contratação das empresas Mega Assessoria Operacional Ltda. e Bear Security, responsáveis por serviços de segurança ligados ao clube e ao presidente. Agora, o terceiro requerimento acrescenta um novo capítulo à crise política do Corinthians ao utilizar como fundamento uma manifestação formal do Ministério Público de São Paulo em procedimento criminal. Qual é a situação dos outros pedidos? Os dois pedidos anteriores seguem o rito previsto pelo Estatuto Social do Corinthians e ainda dependem da análise dos órgãos internos competentes. O novo requerimento será submetido ao mesmo procedimento antes que haja qualquer deliberação sobre sua admissibilidade ou eventual prosseguimento. O que acontece agora? O protocolo do pedido não representa abertura automática de um processo de impeachment. O requerimento deverá passar pela análise dos órgãos internos competentes do Corinthians, que verificarão o atendimento dos requisitos previstos no Estatuto Social. Caso seja admitido, o procedimento seguirá as etapas estatutárias, assegurando ao presidente Osmar Stabile o direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer deliberação pelo Conselho Deliberativo. Crise política amplia pressão sobre a diretoria O novo requerimento amplia a pressão política sobre Osmar Stabile, que passa a responder simultaneamente a três pedidos de impeachment em meio às investigações conduzidas pelo Ministério Público, aos debates sobre a reforma do Estatuto, às discussões envolvendo contratos administrativos e aos recentes desdobramentos da crise institucional vivida pelo Corinthians. Agora, caberá aos órgãos internos do clube analisar se o novo pedido reúne os requisitos necessários para prosseguir dentro do rito estatutário. O InfoTimão procurou o Corinthians e o presidente Osmar Stabile para comentar o novo pedido de impeachment. Caso haja manifestação oficial, esta matéria será atualizada.

  • Corinthians fecha abril com déficit de R$ 168 milhões, dívida recorde e aumenta pressão por venda de jogadores

    Errata: Em versão anterior desta reportagem, o InfoTimão informou que o Corinthians possuía uma dívida de aproximadamente R$ 3,36 bilhões. Após contato do clube e revisão da interpretação do balanço patrimonial, o texto foi corrigido. O valor de R$ 3,36 bilhões corresponde ao passivo total registrado no balancete, e não à dívida financeira do Corinthians. O passivo reúne diferentes tipos de obrigações contábeis, incluindo empréstimos, financiamentos, parcelamentos tributários, fornecedores, provisões e outras contas patrimoniais. A reportagem foi atualizada para refletir com maior precisão as informações constantes no documento oficial divulgado pelo clube. Corinthians divulga balanço de abril e situação financeira se apresenta ainda mais preocupante. Foto: Fernando Bueno / Agência Corinthians Balancete oficial mostra receitas acima do previsto, mas clube vê déficit disparar e patrimônio líquido negativo se aproximar de R$ 1 bilhão; próxima janela de transferências ganha papel decisivo para o planejamento financeiro O Corinthians encerrou os quatro primeiros meses de 2026 vivendo um dos cenários financeiros mais delicados de sua história recente. Apesar de arrecadar mais do que previa o orçamento para o período, o clube registrou um déficit acumulado de R$ 168,048 milhões, reduziu o caixa disponível e viu o passivo a descoberto, indicador que representa o patrimônio líquido negativo, se aproximar da marca de R$ 1 bilhão. As informações constam no balancete referente ao período encerrado em 30 de abril de 2026, divulgado oficialmente pelo clube. Os números mostram que o Corinthians conseguiu ampliar sua capacidade de geração de receitas, impulsionado principalmente pelos contratos de patrocínio e pelos direitos de transmissão. Ainda assim, o crescimento das despesas operacionais, os elevados custos financeiros e a ausência das vendas de atletas previstas no orçamento impediram que esse avanço fosse suficiente para equilibrar as contas. Como consequência, o resultado ficou muito abaixo da meta estabelecida pela própria administração para o primeiro quadrimestre do ano. Mais do que um retrato das contas do clube, o documento ajuda a explicar diversas decisões tomadas nos bastidores ao longo dos últimos meses. A busca por empréstimos, as negociações para solucionar processos internacionais, a tentativa de preservar o elenco durante a disputa da Libertadores e até a expectativa por uma janela de transferências movimentada passam a fazer parte de um mesmo contexto: a necessidade de recuperar o equilíbrio financeiro sem comprometer o desempenho esportivo. Os principais números do balancete Antes de detalhar as causas do resultado, o balancete apresenta indicadores que ajudam a dimensionar o atual cenário financeiro do Corinthians. Indicador Abril de 2026 Déficit acumulado R$ 168,0 milhões Receita operacional bruta R$ 273,2 milhões Receita operacional líquida R$ 258,8 milhões Custos e despesas operacionais R$ 272,2 milhões Dívida (passivos circulante e não circulante) R$ 3,36 bilhões Caixa e equivalentes de caixa R$ 14,5 milhões Passivo a descoberto R$ 942,8 milhões Meta de vendas de atletas para 2026 € 25 milhões líquidos Os indicadores revelam uma situação paradoxal. Enquanto a arrecadação cresceu acima do esperado, a estrutura de custos e o peso das obrigações financeiras continuaram consumindo praticamente toda a receita gerada pelo clube. O resultado foi um déficit significativamente superior ao previsto no orçamento aprovado para 2026. Déficit supera em mais de R$ 95 milhões a previsão do orçamento O dado que mais chama atenção no balancete é o tamanho do déficit registrado até abril. O Corinthians acumulou R$ 168,048 milhões em perdas nos quatro primeiros meses do ano. Quando o orçamento foi elaborado, a expectativa era de um resultado negativo de R$ 72,990 milhões no mesmo período. Na prática, o desempenho ficou R$ 95 milhões pior do que a própria projeção feita pela administração. A comparação com o mesmo intervalo do ano passado torna o cenário ainda mais expressivo. Entre janeiro e abril de 2025, o clube havia registrado superávit de R$ 14,930 milhões. Em apenas doze meses, portanto, houve uma variação superior a R$ 182 milhões entre os resultados dos dois períodos. À primeira vista, o tamanho do rombo pode sugerir uma deterioração completa das finanças corinthianas. No entanto, a própria diretoria argumenta que parte relevante desse resultado decorre de fatores extraordinários e de decisões estratégicas tomadas ao longo do primeiro semestre. Administração aponta três fatores para explicar o rombo Nos comentários que acompanham o balancete, a diretoria identifica três acontecimentos que, juntos, explicam a maior parte da diferença entre o resultado realizado e aquele inicialmente previsto no orçamento. O primeiro deles foi o pagamento da premiação ao elenco pela conquista da Copa do Brasil de 2025, processado na folha salarial de janeiro e quitado de forma parcelada ao longo dos meses seguintes. O segundo fator envolve os impostos incidentes sobre a remessa internacional destinada ao pagamento da dívida com o Santos Laguna, do México, relacionada à contratação do zagueiro Félix Torres. A operação gerou despesas adicionais com IRRF e IOF, não contempladas na peça orçamentária original. O terceiro ponto, considerado pela própria administração como o principal responsável pelo desvio das metas financeiras, foi a não realização das vendas de atletas previstas para a primeira janela de transferências. O orçamento elaborado pelo clube previa arrecadação líquida de R$ 75 milhões com negociações de jogadores até abril. Entretanto, a diretoria decidiu preservar o elenco principal durante a disputa da Libertadores, apostando que uma valorização esportiva dos atletas poderia resultar em propostas ainda maiores na janela do meio do ano. Segundo os cálculos apresentados no próprio documento, apenas esses três fatores representam um impacto superior a R$ 113 milhões sobre o resultado do quadrimestre. Sem eles, o déficit acumulado cairia para R$ 54,447 milhões, desempenho que seria, inclusive, melhor do que a previsão orçamentária originalmente estabelecida. Essa explicação ajuda a compreender por que a diretoria mantém um discurso relativamente otimista, apesar dos números negativos. Para os gestores, o desempenho financeiro do primeiro semestre não representa necessariamente uma ruptura definitiva do planejamento, mas sim um efeito temporário de decisões que deverão produzir impacto positivo na segunda metade da temporada. Entretanto, essa estratégia também aumenta a responsabilidade da próxima janela de transferências, que passa a concentrar grande parte das expectativas para o cumprimento das metas financeiras do exercício. Receitas cresceram acima do orçamento, mas não impediram o avanço da crise Embora o déficit seja o dado que mais chama atenção no balancete, outro indicador revela um cenário aparentemente contraditório: o Corinthians arrecadou mais do que previa seu próprio orçamento. Entre janeiro e abril, o clube registrou R$ 273,159 milhões em receitas operacionais brutas, valor cerca de R$ 30 milhões superior aos R$ 243,123 milhões projetados para o período. O desempenho demonstra que a capacidade de geração de receitas permaneceu elevada mesmo em meio ao cenário de instabilidade administrativa e financeira. O principal destaque ficou por conta dos patrocínios, que renderam R$ 91,237 milhões, superando com folga os R$ 80,773 milhões previstos no orçamento. A receita proveniente dos direitos de transmissão também apresentou desempenho acima das expectativas, alcançando R$ 81,692 milhões. Outro ponto positivo foi o crescimento das receitas da marca e outras operações comerciais, que atingiram R$ 46,260 milhões, valor significativamente superior aos R$ 28,478 milhões projetados inicialmente. Na prática, os números mostram que o Corinthians continua sendo uma das marcas de maior capacidade de geração de receita do futebol brasileiro. O problema, entretanto, não está na arrecadação, mas na velocidade com que os custos e as obrigações financeiras continuam crescendo. Folha salarial continua sendo a maior despesa do Corinthians Se as receitas evoluíram acima da expectativa, as despesas seguiram praticamente o mesmo ritmo. O balancete aponta que os custos e despesas operacionais consumiram R$ 272,190 milhões apenas nos quatro primeiros meses do ano, praticamente anulando toda a receita operacional líquida obtida pelo clube no período. O maior peso continua sendo a folha de pagamento. Somente a rubrica Pessoal alcançou R$ 198,076 milhões, representando aproximadamente 73% de todos os custos operacionais registrados até abril. O valor é superior tanto ao orçamento elaborado para o período quanto ao gasto registrado no mesmo intervalo de 2025. Além da folha salarial, também impactaram o resultado: Despesas gerais e administrativas: R$ 43,364 milhões; Serviços de terceiros: R$ 18,083 milhões; Despesas com jogos: R$ 12,666 milhões. Mesmo com alguns gastos ficando abaixo do orçamento, o conjunto das despesas continuou pressionando fortemente o fluxo financeiro do clube. Como consequência, o EBITDA recorrente permaneceu negativo em R$ 13,375 milhões, indicando que a operação cotidiana do Corinthians ainda não consegue gerar caixa suficiente para sustentar sua estrutura sem recorrer a receitas extraordinárias ou negociações de atletas. Resultado financeiro continua pesando nas contas Outro fator que ajuda a explicar o déficit acumulado é o peso das despesas financeiras. O Corinthians desembolsou R$ 77,615 milhões com despesas financeiras apenas no primeiro quadrimestre de 2026. Embora o valor seja inferior ao previsto no orçamento, ele continua representando um dos maiores fatores de pressão sobre o resultado final do clube. Esses gastos estão ligados principalmente a juros de empréstimos, financiamentos, renegociações de dívidas e demais compromissos financeiros assumidos ao longo dos últimos anos. Na prática, parte significativa do dinheiro arrecadado pelo Corinthians continua sendo direcionada para honrar compromissos passados, reduzindo a capacidade de investimento no presente. Passivo total cresce e reforça desafios financeiros do Corinthians O balanço patrimonial mostra que o passivo total do Corinthians voltou a crescer de forma significativa no primeiro quadrimestre de 2026. Somando o passivo circulante e o passivo não circulante, o clube registrava aproximadamente R$ 3,36 bilhões em passivos ao final de abril. No encerramento de 2025, esse montante era de cerca de R$ 2,76 bilhões. É importante destacar que esse valor não corresponde à dívida financeira do Corinthians, mas ao conjunto de obrigações registradas no passivo do balanço patrimonial. Nele estão incluídos empréstimos, financiamentos, parcelamentos tributários, fornecedores, provisões e outras contas de natureza contábil. Entre as principais rubricas do passivo aparecem: Receitas a realizar: R$ 1,153 bilhão; Parcelamentos tributários: R$ 895,3 milhões; Provisões para contingências: R$ 436,8 milhões; Empréstimos e financiamentos: R$ 365,7 milhões. A rubrica Receitas a realizar foi uma das que mais cresceram no período, passando de aproximadamente R$ 680 milhões no encerramento de 2025 para R$ 1,153 bilhão em abril de 2026. Segundo o balanço, trata-se de uma conta que integra o passivo patrimonial do clube e, por sua natureza contábil, não deve ser interpretada automaticamente como dívida financeira. Os números reforçam que o Corinthians segue convivendo com um elevado volume de obrigações registradas em seu balanço, ao mesmo tempo em que busca reorganizar sua situação financeira por meio do aumento de receitas, renegociação de passivos e revisão do planejamento para o restante da temporada. Patrimônio líquido negativo se aproxima de R$ 1 bilhão Outro indicador que preocupa é a evolução do chamado passivo a descoberto, conhecido tecnicamente como patrimônio líquido negativo. Na prática, esse indicador mostra que as obrigações do Corinthians continuam sendo muito superiores ao valor de seus ativos contábeis. Em abril de 2026, o patrimônio líquido negativo atingiu R$ 942,8 milhões. No encerramento de 2025, esse valor era de R$ 774,2 milhões. Há apenas um ano, em abril de 2025, o indicador estava em R$ 410,8 milhões negativos. Também cresceu o déficit acumulado da história do clube, que passou de R$ 1,244 bilhão para R$ 1,414 bilhão. Esses números evidenciam que o desafio do Corinthians vai muito além do resultado de um único exercício. A recuperação financeira dependerá não apenas da geração de receitas, mas também da capacidade de controlar despesas, reduzir o ritmo de crescimento da dívida e reconstruir gradualmente seu patrimônio líquido. Caixa diminui enquanto contas a receber aumentam Se por um lado a dívida cresceu, por outro o caixa disponível diminuiu. O Corinthians encerrou abril com R$ 14,538 milhões em caixa e equivalentes de caixa. No fim de 2025, o clube possuía R$ 26,019 milhões, enquanto em abril do ano passado o saldo era de R$ 28,552 milhões. Em contrapartida, as contas a receber aumentaram de maneira expressiva. Somando os valores registrados no ativo circulante e no não circulante, o Corinthians já possui mais de R$ 1,2 bilhão em direitos a receber futuramente. Na prática, isso significa que o clube possui recursos contratados para entrar no caixa ao longo dos próximos anos, mas continua convivendo com uma necessidade imediata de liquidez para cumprir compromissos do presente. É justamente nesse contexto que a próxima janela de transferências passa a assumir um papel central na estratégia financeira da diretoria, tema que será aprofundado na sequência desta reportagem. Próxima janela de transferências passa a ser decisiva para o equilíbrio financeiro Se os números do balancete ajudam a explicar o passado recente, eles também deixam claro qual será um dos principais desafios do Corinthians para o restante da temporada. A própria administração admite que o cumprimento das metas financeiras de 2026 dependerá diretamente da realização de negociações de atletas na próxima janela de transferências. O orçamento elaborado pelo clube previa arrecadação líquida de R$ 75 milhões com vendas de jogadores ainda no primeiro quadrimestre. No entanto, a diretoria optou por adiar essas negociações para preservar o elenco durante a disputa da Conmebol Libertadores e buscar uma valorização maior dos principais ativos do futebol profissional. Segundo o documento oficial, a expectativa agora é arrecadar aproximadamente 25 milhões de euros líquidos na janela do meio da temporada, montante considerado suficiente para recolocar o planejamento financeiro dentro das metas estabelecidas para o exercício. Na prática, isso significa que o sucesso financeiro do Corinthians em 2026 passa, inevitavelmente, pelo mercado de transferências. Breno Bidon desponta como principal ativo do Corinthians Dentro desse cenário, Breno Bidon ganhou protagonismo também fora das quatro linhas. Conforme apurado pelo InfoTimão, o volante é tratado internamente como o principal ativo do elenco com potencial para gerar a maior receita em uma futura negociação. A avaliação da diretoria leva em consideração uma combinação de fatores que costuma despertar interesse do mercado europeu: idade, formação nas categorias de base do clube, sequência entre os profissionais, convocações frequentes para as seleções brasileiras de base e elevado potencial de valorização. Nos últimos meses, o meio-campista esteve no radar de clubes do futebol europeu e continua sendo acompanhado de perto por equipes do exterior. Embora o Corinthians mantenha o discurso de que não pretende negociar seus principais jogadores abaixo do valor considerado ideal, existe o entendimento interno de que uma transferência relevante poderá ser necessária para aproximar o clube das metas financeiras previstas no orçamento. Neste momento, Bidon reúne as características que o colocam como o atleta com maior capacidade de gerar uma negociação de impacto sem representar, necessariamente, uma venda motivada por necessidade imediata de caixa. Yuri Alberto e André Luiz também aparecem no radar do mercado Além de Breno Bidon, outros jogadores do elenco também despertam interesse de clubes estrangeiros. O atacante Yuri Alberto segue sendo um dos nomes mais valorizados do futebol brasileiro e voltou a receber consultas do mercado internacional ao longo da temporada. Já André Luiz, após assumir papel importante no elenco principal, também entrou no radar de equipes europeias e aparece entre os atletas acompanhados por departamentos de scouting do exterior. Internamente, entretanto, existe uma diferença importante entre os cenários. Enquanto Yuri Alberto representa uma peça considerada praticamente insubstituível dentro do projeto esportivo atual, Breno Bidon reúne um perfil que tradicionalmente desperta maior apetite dos clubes europeus: jovem, formado em casa, com margem de evolução e potencial de valorização futura. Essa combinação faz com que o camisa 7 seja visto como o principal nome capaz de gerar uma venda significativa caso chegue uma proposta compatível com as expectativas financeiras do Corinthians. Diretoria aposta na valorização esportiva dos ativos O próprio balancete revela que a ausência de vendas no primeiro semestre não ocorreu por falta de interesse do mercado. Segundo a administração, a decisão foi estratégica. A prioridade da diretoria foi manter a base do elenco durante a disputa da Libertadores, entendendo que uma campanha sólida na principal competição sul-americana poderia aumentar o valor de mercado de diversos atletas e potencializar futuras negociações. Sob essa ótica, abrir mão de uma venda antecipada poderia representar uma oportunidade de gerar receitas ainda maiores alguns meses depois. Por outro lado, essa estratégia também aumentou a pressão sobre a janela do meio do ano. Caso as negociações previstas não se concretizem, o clube terá maior dificuldade para cumprir as metas financeiras estabelecidas para 2026. Janela de transferências deixa de ser apenas esportiva Historicamente, o mercado da bola costuma ser analisado apenas pelo impacto técnico dentro de campo. No Corinthians de 2026, porém, a próxima janela assume uma importância muito mais ampla. Cada negociação passa a representar não apenas uma reposição de elenco ou uma oportunidade esportiva, mas também um elemento decisivo para o equilíbrio financeiro do clube. A eventual venda de um ativo importante poderá gerar recursos para reforçar o caixa, reduzir a necessidade de novas operações de crédito, aliviar parte da pressão sobre o fluxo financeiro e aproximar o resultado do exercício das metas estabelecidas pela administração. Da mesma forma, a permanência dos principais jogadores dependerá diretamente da capacidade do Corinthians de encontrar outras fontes de receita ou concluir operações financeiras que permitam sustentar o planejamento esportivo sem comprometer ainda mais as contas. Janela será acompanhada dentro e fora de campo A expectativa é que a abertura da janela de transferências marque um dos períodos mais importantes da temporada para o Corinthians. Enquanto a comissão técnica acompanha os possíveis impactos esportivos de eventuais saídas, a diretoria financeira observa o mercado com outro objetivo: transformar negociações em instrumentos capazes de reduzir a pressão sobre um orçamento que começou o ano significativamente abaixo do esperado. Nesse contexto, cada proposta recebida pelo clube tende a ser analisada não apenas pelo aspecto técnico, mas também pelo peso que poderá exercer sobre a recuperação financeira da instituição. Por isso, o mercado do meio do ano deve representar muito mais do que uma simples janela de transferências. Para o Corinthians, ele poderá definir boa parte do sucesso ou das dificuldades do planejamento financeiro de 2026. Revisão orçamentária será determinante para o restante da temporada O balancete divulgado pelo Corinthians contempla apenas os quatro primeiros meses de 2026. Por isso, a própria administração já confirmou que realizará uma revisão do orçamento durante o meio do exercício, conforme previsto no estatuto do clube. A atualização servirá para adequar as projeções financeiras à realidade encontrada no primeiro semestre e redefinir metas para os meses finais do ano. Na prática, essa revisão deverá considerar fatores que ainda não estavam refletidos no orçamento original, como o desempenho esportivo da equipe, as operações financeiras realizadas ao longo do semestre, os acordos firmados para solucionar disputas internacionais e, principalmente, o comportamento da próxima janela de transferências. A expectativa é que parte do déficit registrado até abril seja compensada ao longo do segundo semestre caso o clube consiga cumprir sua meta de arrecadação com negociações de atletas. Dívidas internacionais também pressionam o planejamento financeiro O desafio da diretoria não está restrito aos números apresentados no balancete. Nos últimos meses, o Corinthians passou a enfrentar uma sequência de processos internacionais que aumentaram a necessidade de liquidez imediata e exigiram a busca por novas alternativas de financiamento. O clube precisou estruturar uma operação financeira para quitar a dívida com o Talleres, referente à contratação de Rodrigo Garro, além de seguir trabalhando para resolver pendências envolvendo José Martínez, Talles Magno e Charles. Esses casos não aparecem isoladamente do restante das contas. Pelo contrário: fazem parte do mesmo contexto de reorganização financeira vivido pelo Corinthians e ajudam a explicar por que a diretoria vem priorizando a renegociação de passivos, a busca por crédito e a reorganização do fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, a resolução dessas pendências é considerada fundamental para reduzir riscos esportivos, preservar a capacidade de atuação do clube no mercado e recuperar sua credibilidade perante parceiros internacionais. O desafio vai além de aumentar receitas Um dos aspectos mais interessantes revelados pelo balancete é que o principal problema financeiro do Corinthians não está, necessariamente, na capacidade de arrecadação. Os números mostram que o clube continua gerando receitas relevantes e, inclusive, superiores às projeções elaboradas no início do ano. Isso demonstra a força comercial da marca Corinthians, impulsionada por contratos de patrocínio, direitos de transmissão, licenciamentos e demais fontes tradicionais de receita. O grande desafio está em transformar esse potencial de arrecadação em geração efetiva de caixa e equilíbrio operacional. Enquanto as despesas continuarem crescendo em ritmo semelhante e o serviço da dívida seguir consumindo parcela significativa dos recursos disponíveis, qualquer aumento de receita tende a produzir impacto limitado sobre o resultado final. Essa é uma característica comum em processos de reestruturação financeira: arrecadar mais é importante, mas controlar custos, reduzir endividamento e melhorar o fluxo de caixa costuma ser ainda mais determinante para a recuperação de longo prazo. O segundo semestre pode definir o rumo financeiro de 2026 O documento divulgado pelo Corinthians deixa claro que o clube chega à metade da temporada diante de uma série de decisões estratégicas. A concretização das vendas previstas para a janela internacional, a redução das pressões jurídicas envolvendo dívidas internacionais, o controle das despesas operacionais e a revisão do orçamento passam a representar fatores decisivos para o resultado financeiro do exercício. Ao mesmo tempo, a diretoria terá de encontrar um equilíbrio delicado entre duas necessidades que caminham em sentidos opostos: manter um elenco competitivo para disputar títulos e gerar recursos suficientes para reduzir a pressão sobre as contas do clube. Esse desafio explica por que o mercado de transferências será acompanhado com tanta atenção pelos dirigentes nos próximos meses. Mais do que reforçar ou reformular o elenco, a janela poderá definir parte importante do planejamento financeiro do Corinthians para 2026. Análise InfoTimão O balancete do primeiro quadrimestre oferece um diagnóstico importante sobre o momento vivido pelo Corinthians. Os números mostram um clube que continua extremamente forte na geração de receitas, mas que ainda convive com consequências de decisões financeiras tomadas ao longo dos últimos anos. O aumento do déficit, o crescimento do endividamento, a redução do caixa e a evolução do patrimônio líquido negativo reforçam que a recuperação financeira não será construída apenas com novas receitas ou renegociações pontuais. Ela dependerá de uma combinação de fatores: disciplina orçamentária, redução gradual das obrigações financeiras, resolução das pendências internacionais, fortalecimento das receitas recorrentes e decisões estratégicas no mercado de transferências. Nesse contexto, a próxima janela deixa de representar apenas uma oportunidade esportiva e passa a assumir papel central no futuro financeiro do clube. A capacidade do Corinthians de transformar ativos esportivos em receitas sem comprometer sua competitividade poderá definir não apenas o fechamento das contas de 2026, mas também o ritmo da reconstrução financeira nos próximos anos. Anota aí Principais números do balancete (até abril de 2026) Déficit acumulado: R$ 168,048 milhões. Receita operacional bruta: R$ 273,159 milhões. Custos e despesas operacionais: R$ 272,190 milhões. Caixa disponível: R$ 14,5 milhões. Passivos totais: aproximadamente R$ 3,36 bilhões. Passivo a descoberto: R$ 942,8 milhões. Meta de vendas de atletas em 2026: € 25 milhões líquidos. O InfoTimão acompanha diariamente os bastidores políticos, financeiros e esportivos do Corinthians, trazendo informação, contexto e análise para que a Fiel compreenda não apenas os fatos, mas também os impactos de cada decisão dentro e fora de campo.

  • Gaviões da Fiel criticam suspensão da reforma do Estatuto e classificam decisão como "ataque à democracia"

    Gaviões da Fiel divulgam nota contra a suspensão da votação da reforma do Estatuto do Corinthians. Imagem: Fotos Fiel Torcida Principal torcida organizada do Corinthians entra oficialmente no debate sobre a reforma estatutária, critica liminar da Justiça e afirma que decisão ameaça avanços na democratização do clube A suspensão da Assembleia Geral (AG) que votaria a reforma do Estatuto do Corinthians ganhou um novo desdobramento político nesta quarta-feira. Os Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube, divulgaram uma nota oficial criticando a decisão da Justiça de São Paulo, classificando a liminar como um "ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados". O posicionamento foi publicado um dia após o desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), conceder tutela de urgência suspendendo a Assembleia Geral marcada para o próximo dia 20. Na manifestação, a organizada também direciona críticas aos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito e Guilherme Gonçalves Strenger, além do advogado Alexandre Husni, autores do recurso que levou à suspensão da votação. Segundo os Gaviões, a medida representa uma tentativa de impedir mudanças estruturais no Corinthians e preservar um modelo político que, na visão da torcida organizada, precisa ser reformulado. Por que a manifestação dos Gaviões é relevante? A nota marca a entrada oficial da principal torcida organizada do Corinthians em um dos debates políticos mais importantes vividos pelo clube nos últimos anos. Ao longo da tramitação da reforma do Estatuto, os Gaviões da Fiel participaram ativamente das discussões promovidas pelo clube e defenderam publicamente a aprovação da proposta. Segundo a própria organizada, representantes estiveram presentes em dez das onze audiências públicas realizadas para debater o texto, ausentando-se apenas de um encontro em razão do retorno da caravana que acompanhou o Corinthians na decisão da Supercopa, em Brasília. Com a suspensão da Assembleia, os Gaviões passaram a pressionar publicamente pela retomada da votação e pela continuidade do processo de reforma estatutária. "Ataque à democracia" No comunicado, a organizada afirma que a decisão judicial impede que os associados exerçam o direito de votar uma proposta debatida durante meses nas instâncias internas do clube. "Essa decisão representa um ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados, que lutam por uma reforma estatutária urgente, necessária e há muito esperada." Na avaliação dos Gaviões, a suspensão representa um retrocesso institucional para o Corinthians. Organizada critica autores do recurso A nota também faz críticas diretas aos responsáveis pela ação judicial que resultou na suspensão da Assembleia. Segundo os Gaviões, os conselheiros vitalícios autores do recurso estariam utilizando instrumentos jurídicos para impedir mudanças na estrutura política do clube. "Por artifícios jurídicos, tentam perpetuar um sistema falido que há décadas coloca interesses pessoais acima do Corinthians." Em outro trecho, a organizada afirma: "A postura se repete: blindagem de privilégios, conivência com o passado e resistência a qualquer avanço que reduza o poder que acumulam há décadas." Gaviões defendem ampliação da participação do Fiel Torcedor Um dos principais pontos destacados pelos Gaviões envolve a possibilidade de ampliação da participação política da torcida por meio da criação do Associado de Futebol. Segundo a organizada, a suspensão da Assembleia pode impedir que uma das principais mudanças previstas na reforma que abriria caminho para o voto do Fiel Torcedor nas eleições presidenciais passe a valer já em 2026. Na avaliação da torcida organizada, além do aspecto democrático, a medida também teria impacto financeiro para o clube ao estimular novas associações. "Com o bloqueio à reforma estatutária, os fiéis torcedores provavelmente não poderão votar na eleição para presidente em 2026." Gaviões também questionam participação dos conselheiros Outro ponto levantado pela organizada diz respeito ao processo de elaboração da reforma. Segundo a nota, grande parte dos conselheiros vitalícios que agora contestam judicialmente o projeto sequer participou das discussões promovidas ao longo das onze audiências públicas realizadas pelo clube. A manifestação utiliza esse argumento para defender que o texto submetido aos associados foi amplamente debatido antes da convocação da Assembleia Geral. O que motivou a decisão da Justiça? A manifestação dos Gaviões ocorre um dia após o Tribunal de Justiça de São Paulo suspender a Assembleia Geral que votaria a reforma do Estatuto. Ao conceder a tutela de urgência, o desembargador Mauricio Campos da Silva Velho apontou a existência de "indícios relevantes de descumprimento de regramento procedimental" durante a tramitação da proposta. A decisão menciona possíveis irregularidades relacionadas ao artigo 97, alínea "M", do Estatuto Social do Corinthians, dispositivo que atribui ao Conselho de Orientação (Cori) a competência para propor alterações estatutárias ao Conselho Deliberativo. É importante destacar que a decisão possui caráter liminar e não analisa o mérito da reforma estatutária, restringindo-se, neste momento, à regularidade do procedimento que levou a proposta até a Assembleia Geral. Entenda o caso A disputa judicial envolvendo a reforma do Estatuto do Corinthians se arrasta desde o início de 2026. A primeira Assembleia Geral convocada para deliberar sobre o tema foi suspensa por decisão liminar obtida pelo conselheiro Felipe Ezabella. Posteriormente, o projeto retornou aos órgãos internos do clube. O Conselho Deliberativo voltou a apreciar a proposta, aprovou o texto-base e os destaques e autorizou a convocação de uma nova Assembleia Geral para o próximo dia 20. Nos últimos dias, diferentes decisões judiciais reconheceram a validade da convocação da Assembleia e garantiram o direito de voto aos associados inscritos até a data da convocação. Entretanto, novo recurso apresentado pelos conselheiros Ademir de Carvalho Benedito, Guilherme Gonçalves Strenger e pelo advogado Alexandre Husni levou o Tribunal de Justiça de São Paulo a suspender cautelarmente a votação. O processo segue em tramitação e ainda será analisado pelo Tribunal antes da definição sobre uma nova data para realização da Assembleia. Debate sobre a reforma ganha novo ator político A manifestação dos Gaviões da Fiel coloca oficialmente a principal torcida organizada do Corinthians entre os protagonistas do debate sobre a reforma do Estatuto, tema que continua mobilizando diferentes setores da vida política do clube. Enquanto a organizada defende a realização da Assembleia e sustenta que a reforma representa um avanço institucional, a decisão judicial permanece em vigor até que o mérito do recurso seja analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Até lá, a Assembleia Geral segue suspensa e sem nova data para realização. Confira a nota dos Gaviões da Fiel na íntegra "O Gaviões da Fiel Torcida manifesta sua indignação diante da tutela de urgência que suspendeu a Assembleia Geral de Associados do Sport Club Corinthians Paulista, agendada para o próximo dia 20. Essa decisão representa um ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados, que lutam por uma reforma estatutária urgente, necessária e há muito esperada. É preciso dar nome aos responsáveis por esse retrocesso: os desembargadores Ademir Benedito e Guilherme Strenger, e o advogado Alexandre Husni. Por artifícios jurídicos, tentam perpetuar um sistema falido que há décadas coloca interesses pessoais acima do Corinthians. Não é a primeira vez que esses mesmos três conselheiros vitalícios já votaram contra os interesses da Nação Corinthiana. A postura se repete: blindagem de privilégios, conivência com o passado e resistência a qualquer avanço que reduza o poder que acumulam há décadas. As consequências são gravíssimas e vão além do campo democrático. Com o bloqueio à reforma estatutária, os fiéis torcedores provavelmente não poderão votar na eleição para presidente em 2026. Esse bloqueio também impede novos sócios fiéis torcedores, impacto financeiro direto para um clube que já não tem dinheiro para pagar os salários do mês. O Corinthians não pode ser refém de conselheiros vitalícios que se colocam acima do povo. A maioria deles sequer participou das onze audiências públicas sobre a reforma. O Gaviões esteve em dez delas, ausente apenas em uma por retornar de caravana em Brasília após o título da Supercopa. O Gaviões seguirá de forma imparável na luta por um Corinthians melhor. Nenhuma liminar, nenhum artifício e nenhum conselheiro vitalício será capaz de deter a vontade de 35 milhões de corinthianos. Este episódio reforça que cada corinthiano precisa participar da vida política do clube, porque quando o povo se omite, três pessoas decidem pelo destino de todos. O Corinthians é do povo. A Diretoria Gaviões da Fiel Torcida" O InfoTimão seguirá acompanhando todos os desdobramentos da disputa judicial, bem como as manifestações dos diferentes grupos envolvidos na discussão sobre o futuro da reforma do Estatuto do Corinthians.

  • HBO anuncia série sobre a Democracia Corinthiana, movimento histórico do Corinthians

    Produção terá oito episódios e vai retratar um dos períodos mais marcantes da história do Timão, com foco em Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves Movimento que nasceu no Corinthians marcou época dentro e fora dos gramados. Foto: Reprodução / Corinthians A HBO anunciou a produção de uma nova série original inspirada na Democracia Corinthiana, movimento que marcou a história do Corinthians, do futebol brasileiro e da luta pela redemocratização do país nos anos 1980. A obra será produzida pela Maria Farinha Filmes e já iniciou sua fase de pré-produção, incluindo o processo de seleção de elenco. Com oito episódios, a série vai acompanhar a trajetória de quatro personagens centrais do período: Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves. Juntos, eles ajudaram a transformar os bastidores do Corinthians em um espaço de participação coletiva em plena ditadura militar, quando o Brasil ainda vivia sem eleições diretas para presidente. Mais do que uma produção sobre futebol, a série promete revisitar um dos capítulos mais simbólicos da história alvinegra: o momento em que o Time do Povo levou para dentro do clube um debate que também tomava conta das ruas do país. O que foi a Democracia Corinthiana? A Democracia Corinthiana foi um movimento histórico surgido no Corinthians no início dos anos 1980, durante a ditadura militar no Brasil. Dentro do clube, jogadores, comissão técnica e funcionários passaram a participar de decisões importantes do departamento de futebol, em um modelo de gestão coletiva considerado revolucionário para a época. Na prática, temas como concentração, regras internas, contratações e decisões do cotidiano eram debatidos e votados pelo grupo. Em um período no qual o país ainda não escolhia seu presidente por voto direto, o Corinthians criou, dentro do futebol, um ambiente em que todos tinham voz. O movimento teve como principais símbolos Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zenon e Zé Maria, além do diretor de futebol Adílson Monteiro Alves, figura fundamental para abrir espaço às ideias dos atletas dentro da estrutura do clube. A Democracia Corinthiana também teve impacto esportivo. O Corinthians conquistou o Campeonato Paulista de 1982 e voltou a ser campeão estadual em 1983, transformando aquele período em um dos mais marcantes da história alvinegra. Mais do que um modelo interno de gestão, a Democracia Corinthiana se tornou um símbolo da luta por liberdade, participação popular e redemocratização do Brasil. Por isso, até hoje, é lembrada como um dos momentos em que o Corinthians ultrapassou os limites do futebol e se conectou diretamente com a história política e social do país. Jogadores do Corinthians vestem uniforme em favor do voto popular nas eleições. Foto: Acervo Corinthians Série terá criação de Moara Passoni e direção geral de Aly Muritiba A série foi criada e desenvolvida por Moara Passoni, que também assina como uma das produtoras executivas e roteirista-chefe. A direção ficará a cargo de Passoni e Maria Farkas, enquanto a direção geral será de Aly Muritiba. A produção executiva, pela Warner Bros. Discovery, fica a cargo de Mariano Cesar, Anouk Aaron e Vanessa Miranda. Pela Maria Farinha Filmes, assinam a produção Mariana Oliva, Ana Lúcia Villela, Estela Renner, Luana Lobo e Marcos Nisti. A trama será inspirada em acontecimentos reais e pretende mostrar como o grupo liderado por Sócrates, ao lado de Casagrande, Wladimir e do dirigente Adílson Monteiro Alves, deu vida a um modelo inédito de participação no futebol brasileiro. No Corinthians, decisões importantes passaram a ser discutidas coletivamente, dando voz a jogadores, comissão técnica e funcionários. A série deve abordar não apenas os bastidores esportivos, mas também os dilemas pessoais, políticos e sociais enfrentados pelos personagens em um período decisivo da história do Brasil. O Corinthians que votava antes do Brasil voltar a votar A força simbólica da Democracia Corinthiana está justamente no contraste com o período em que ela surgiu. Enquanto o Brasil ainda vivia sob um regime autoritário, o Corinthians passou a defender, dentro de seu próprio departamento de futebol, uma lógica baseada em debate, participação e voto. Em um ambiente historicamente marcado por hierarquias rígidas, o Timão criou uma experiência rara: um time que votava, discutia e decidia em conjunto. As decisões coletivas não se limitavam a assuntos políticos. Elas faziam parte da rotina do elenco. O grupo discutia regras internas, concentração, viagens, horários e outros temas ligados ao funcionamento do futebol. Era uma forma de autogestão dentro de um clube de massa, algo incomum até mesmo para os padrões atuais do esporte. Essa experiência ajudou a construir uma das frases mais fortes associadas ao período: o Corinthians votava antes mesmo de o Brasil voltar a votar para presidente. Corinthians nos anos 80 durante a Democracia Corinthiana. Foto: Acervo Corinthians Movimento também marcou época dentro de campo A Democracia Corinthiana não ficou apenas no campo das ideias. Depois de um período ruim em 1981, o Corinthians se reorganizou e voltou a ser protagonista. Sob o comando de Mário Travaglini, o Timão chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro e conquistou o Campeonato Paulista de 1982, título que se tornou um dos grandes símbolos do movimento. No ano seguinte, o clube voltou a levantar o estadual, consolidando o bicampeonato paulista de 1982 e 1983 como uma das marcas esportivas mais fortes daquela geração. A força do time dentro de campo ajudou a ampliar ainda mais o alcance da mensagem. O Corinthians não apenas vencia. O Corinthians dizia algo ao país. Em um momento de repressão política, o clube estampava em sua identidade uma palavra que representava o desejo de milhões de brasileiros: democracia. Diretas Já e o legado de Sócrates A partir de 1984, a Democracia Corinthiana passou a se conectar de forma ainda mais direta com a campanha das Diretas Já, movimento que defendia o retorno das eleições diretas para presidente da República. Sócrates, principal símbolo daquela geração, participou de comícios e se tornou uma das vozes mais importantes do futebol brasileiro em defesa da redemocratização. O ídolo alvinegro chegou a afirmar que permaneceria no Corinthians caso a Emenda Dante de Oliveira, que propunha o retorno do voto direto para presidente, fosse aprovada. A proposta, porém, acabou rejeitada no Congresso Nacional. Pouco depois, Sócrates deixou o Corinthians para atuar na Fiorentina, da Itália. A saída do camisa 8, a transferência de Casagrande para o São Paulo e a derrota política de Adílson Monteiro Alves na sucessão presidencial do Corinthians contribuíram para o enfraquecimento do movimento. Ainda assim, a Democracia Corinthiana permaneceu como um dos maiores legados da história do clube. "Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia" foi um dos lemas do movimento. Foto: Acervo Corinthians Washington Olivetto, cultura e identidade popular A Democracia Corinthiana também contou com apoio de nomes importantes fora das quatro linhas. O publicitário Washington Olivetto, torcedor corinthiano, teve papel marcante na comunicação do movimento e ajudou a transformar aquela experiência em uma marca reconhecida nacionalmente. A iniciativa também ganhou simpatia de artistas, jornalistas e intelectuais. Nomes como Rita Lee e Juca Kfouri passaram a ser associados à memória do período, reforçando a conexão entre futebol, cultura e política. Esse alcance ajudou a Democracia Corinthiana a se tornar algo maior do que uma experiência interna do Corinthians. O movimento virou um símbolo nacional de resistência, liberdade e participação popular. História do Corinthians ganha nova projeção A chegada da Democracia Corinthiana às telas da HBO recoloca o Corinthians no centro de uma discussão que vai além do esporte. A série tem potencial para apresentar a novas gerações uma das experiências mais importantes de união entre futebol, política, cultura e sociedade no Brasil. Para a Fiel, será a chance de ver uma parte fundamental da identidade corinthiana retratada em uma grande produção. Para quem conhece pouco sobre o tema, será uma oportunidade de entender por que aquele Corinthians dos anos 1980 se tornou uma referência que atravessou décadas. Mais de quatro décadas depois, a história de Sócrates, Casagrande, Wladimir, Adílson Monteiro Alves e de tantos outros personagens volta a ganhar projeção nacional. O Corinthians foi time. Foi voz. Foi voto. Foi resistência. Foi Democracia Corinthiana. Anota aí, Fiel: a HBO vai contar uma das histórias mais fortes do Corinthians. E quando a história do Timão é contada direito, o Brasil inteiro precisa assistir. Acompanhe o InfoTimão para mais notícias, bastidores e atualizações sobre o Corinthians.

  • Corinthians recusa oferta da Turquia por Gui Negão e mantém joia apesar de meta milionária de vendas

    Gui Negão é um dos nomes cobiçados pelo mercado no elenco do Corinthians. Foto: Rodrigo Coca / Corinthians O Corinthians recusou mais uma investida do mercado internacional pelo atacante Gui Negão, de 19 anos. Desta vez, o interessado foi o Erzurumspor FK, da Turquia, que procurou a diretoria alvinegra com uma proposta de empréstimo com obrigação de compra pelo centroavante. Os valores da negociação não foram divulgados. A informação foi publicada inicialmente pelo Meu Timão. A decisão do Corinthians passa não apenas pela avaliação esportiva do jogador, mas também pelo modelo apresentado. Mesmo em meio à necessidade de arrecadar com transferências em 2026, o clube entende que Gui Negão é um ativo com potencial de valorização e não pretende liberá-lo em uma operação considerada pouco vantajosa neste momento. Clube turco buscava reforço após acesso à elite O Erzurumspor FK vive um momento de reconstrução no futebol turco. Campeão da segunda divisão nacional na temporada 2025/26, o clube garantiu retorno à elite após cinco anos e já se movimenta no mercado para reforçar o elenco. Um dos focos da equipe turca é o setor ofensivo, o que motivou a investida por Gui Negão. O atacante corinthiano, apesar de não ter sequência recente no time principal, segue sendo visto como um nome jovem, com experiência profissional e margem de crescimento. Ainda assim, o Corinthians optou por não avançar. A avaliação interna é de que uma saída por empréstimo, mesmo com obrigação de compra, não atende ao patamar esperado pelo clube para negociar uma de suas principais joias da base. Gui Negão já teve proposta milionária recusada Essa não é a primeira vez que Gui Negão desperta interesse do exterior. Em 2024, quando ainda defendia o Sub-20, o Corinthians recusou uma proposta de 14 milhões de euros, cerca de R$ 88,7 milhões na cotação da época, feita pelo Montpellier, da França. Na ocasião, o atacante ainda não havia se consolidado no elenco profissional, mas já era tratado internamente como um jogador de alto potencial. Desde então, passou a ser monitorado por clubes europeus e se tornou uma das principais crias recentes do Corinthians. A nova recusa mostra que, mesmo diante de um cenário financeiro delicado, o clube não pretende aceitar qualquer formato de negociação por atletas jovens que possam render valores maiores no futuro. Da base ao profissional Gui Negão está no Corinthians desde 2016, quando deixou o Elite Itaquerense para atuar na equipe de futsal do clube. Depois, fez a transição para o futebol de campo e percorreu as principais categorias de formação até chegar ao Sub-20. O atacante foi vice-campeão da Copinha de 2025 e recebeu suas primeiras oportunidades no elenco principal sob o comando de Dorival Júnior. A promoção definitiva aconteceu após a Copa do Mundo de Clubes, em julho de 2025. Pelo profissional, Gui Negão soma 36 partidas, com seis gols marcados e duas assistências. No período, participou de 16 vitórias, 15 derrotas e cinco empates. Decisivo em título, mas sem espaço com Diniz O melhor momento de Gui Negão no time principal aconteceu durante a campanha do título da Copa do Brasil de 2025. O atacante teve papel importante nas quartas de final contra o Athletico-PR, quando marcou dois gols e deu uma assistência. Depois da conquista, porém, o centroavante perdeu espaço entre os titulares e não conseguiu manter sequência. Em março de 2026, sofreu um estiramento muscular na coxa durante um treino com a Seleção Brasileira Sub-20 e retornou às atividades apenas em maio. Mesmo recuperado, Gui Negão não entra em campo desde o dia 22 de março. Desde então, acumulou seis partidas consecutivas no banco de reservas sem ser utilizado por Fernando Diniz. Recentemente, o treinador justificou a ausência afirmando que outros jogadores do setor ofensivo estavam em estágio físico mais avançado nos treinamentos. A pausa para a Copa do Mundo, portanto, pode representar uma nova chance para o atacante recuperar espaço durante a intertemporada. Contrato longo e multa milionária protegem o Corinthians Em agosto de 2025, Gui Negão renovou seu contrato com o Corinthians até 30 de junho de 2030. Na mesma ocasião, o clube aumentou de forma significativa os valores da multa rescisória. Para transferências nacionais, a multa passou de R$ 40 milhões para R$ 140 milhões. Já para negociações internacionais, o valor foi definido em 100 milhões de euros, quantia que atualmente supera a casa dos R$ 600 milhões. O vínculo longo dá ao Corinthians maior poder de negociação. Por isso, a diretoria entende que não há necessidade de aceitar propostas que não representem um retorno esportivo ou financeiro compatível com o potencial do jogador. Corinthians precisa vender, mas avalia caso a caso A recusa acontece em meio a um dos principais desafios financeiros do Corinthians para 2026. Com dívida superior a R$ 2,7 bilhões, o clube estabeleceu no orçamento a meta de arrecadar R$ 151 milhões com venda de atletas. Nos últimos meses, o Corinthians recebeu propostas ou sondagens por nomes como Hugo Souza, Matheuzinho, André Luiz e Yuri Alberto. Além deles, Breno Bidon segue bem avaliado no mercado europeu e já foi alvo de consultas de clubes do exterior. Mesmo com a necessidade de gerar receita, a diretoria tem avaliado cada caso de forma individual. No entendimento do clube, vender por necessidade não pode significar aceitar negociações que reduzam o valor de mercado de atletas considerados estratégicos. Pausa pode ser importante para Gui Negão O elenco do Corinthians está de férias durante a pausa para a Copa do Mundo. A reapresentação está marcada para o dia 25 de junho, no CT Joaquim Grava, quando terá início a intertemporada comandada por Fernando Diniz. A sequência de 2026 reserva compromissos decisivos pela Copa do Brasil, pela Libertadores e pelo Campeonato Brasileiro. Para Gui Negão, o período de treinos pode ser determinante para voltar a brigar por minutos no setor ofensivo. No mercado, o nome do atacante segue em evidência. Dentro do Corinthians, porém, a mensagem é clara: Gui Negão pode até ser negociado no futuro, mas não em qualquer condição. Anota aí, Fiel! Em um momento em que precisa vender jogadores para cumprir metas financeiras, o Corinthians decidiu segurar Gui Negão e preservar uma das principais apostas recentes da base. A recusa ao Erzurumspor mostra que o clube quer transformar necessidade em estratégia e não em desvalorização de patrimônio. O InfoTimão seguirá acompanhando os movimentos do mercado e os próximos passos de Gui Negão no elenco alvinegro.

  • Andressa Alves reencontra Arthur Elias na Seleção após oito anos e projeta desafio da Copa do Mundo no Brasil

    Andressa Alves rapidamente se tornou um dos pilares das Brabas e retornou à Seleção Brasileira Feminina. Foto: João Brandino O período de treinamentos da Seleção Brasileira Feminina, realizado em Itu, no interior de São Paulo, marcou um reencontro especial para Andressa Alves. Oito anos após a última parceria profissional, a meio-campista do Corinthians voltou a trabalhar com Arthur Elias, agora à frente da equipe principal da Amarelinha. Convocada para as atividades preparatórias visando à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, a camisa das Brabas destacou a evolução da estrutura oferecida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), comentou sua adaptação ao estilo de trabalho do treinador e projetou os desafios de disputar um Mundial em casa. A apresentação aconteceu no último domingo (14), ao lado de outras seis atletas do Corinthians: as goleiras Nicole Ramos e Ana Morganti, a lateral-direita/atacante Ivana Fuso, a meio-campista Ana Vitória e as atacantes Jaqueline e Jhonson. Ao todo, 29 jogadoras participam do período de treinamentos promovido entre os dias 15 e 20 de junho. Arthur Elias e Andressa Alves voltam a trabalhar juntos após oito anos O reencontro entre atleta e treinador resgata uma parceria iniciada ainda em 2013, quando Arthur Elias comandava o Centro Olímpico, uma das principais equipes do futebol feminino brasileiro na época. Desde então, ambos seguiram trajetórias de destaque. Arthur Elias acumulou títulos por Corinthians e Seleção Brasileira, enquanto Andressa construiu uma carreira internacional, com passagens por clubes da Europa e participações em grandes competições pela Amarelinha. Agora, os dois voltam a dividir o dia a dia na equipe nacional. Durante entrevista à CBF, Andressa comentou a adaptação ao modelo de jogo implantado pelo treinador e ressaltou que diferentes metodologias contribuem para o crescimento das atletas. "Cada um tem seu estilo, completamente diferente. A gente se adapta. O bom é que, quando todo mundo abraça a ideia dele, dá muito certo. A gente está vendo os resultados que tivemos recentemente." Segundo a meio-campista, a experiência adquirida ao longo da carreira facilita o processo de assimilação das ideias propostas pela comissão técnica. Andressa destaca evolução da estrutura da Seleção Brasileira Além dos aspectos técnicos, a jogadora do Corinthians chamou atenção para as mudanças estruturais vividas pela Seleção Brasileira Feminina nos últimos anos. Para Andressa, o investimento da CBF elevou o nível de suporte oferecido às atletas e contribuiu diretamente para a evolução do rendimento dentro de campo. "Eu acho que a forma que a CBF está tratando a Seleção Feminina mudou muito. Evoluiu para termos alto rendimento, porque hoje temos tudo ao nosso dispor, como nutricionista. Antes era difícil esse acesso. Então impactou como a gente performa." A atleta destacou que a profissionalização da estrutura proporciona melhores condições para preparação física, recuperação e desempenho ao longo das temporadas. Meio-campista projeta Copa do Mundo no Brasil A Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para acontecer entre os dias 24 de junho e 25 de julho, será a primeira edição do torneio disputada em território brasileiro. Para Andressa Alves, atuar diante da torcida será motivo de orgulho, mas também exigirá equilíbrio emocional diante da expectativa criada em torno da Seleção. "Dentro de campo, o desafio vai ser controlar o emocional, porque jogar dentro do país é um momento mágico, mas de muita responsabilidade. O Brasil vai como um dos favoritos e isso é um peso muito grande." A meio-campista também lembrou sua experiência em competições internacionais, como os Jogos Olímpicos de 2016, e ressaltou a importância de chegar ao Mundial preparada para lidar com a pressão de representar o país em casa. Assista a entrevista da Andressa para a CBF TV Corinthians mantém protagonismo na Seleção Brasileira Feminina A convocação para o período de treinamentos reforça, mais uma vez, a importância do Corinthians como uma das principais bases da Seleção Brasileira Feminina. Além de Andressa Alves, outras seis atletas das Brabas participam das atividades comandadas por Arthur Elias em Itu: Nicole Ramos, Ana Morganti, Ivana Fuso, Ana Vitória, Jaqueline e Jhonson. A forte presença alvinegra nas convocações evidencia a qualidade do elenco corinthiano e reforça o protagonismo do clube no cenário nacional, especialmente no ciclo de preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Enquanto representa a Seleção Brasileira, Andressa amplia a participação das Brabas no projeto da Amarelinha e reforça a tradição do Corinthians em formar e reunir atletas de destaque no futebol feminino. O elenco comandado por Emily Lima segue em período de férias e tem reapresentação marcada para o dia 25 de junho, no CT Dr. Joaquim Grava. O próximo compromisso oficial das Brabas será diante da Ferroviária, em 17 de julho, pelo Campeonato Paulista Feminino. O InfoTimão acompanha diariamente o Corinthians Feminino com cobertura completa das Brabas, bastidores, mercado da bola, categorias de base e seleções nacionais. Continue acompanhando o portal para mais informações exclusivas sobre o Time do Povo.

  • Curaçao, seleção goleada pela Alemanha na Copa do Mundo, já levou 6 a 0 do Corinthians

    Menor país a disputar uma Copa do Mundo, Curaçao foi vítima do Timão em excursão histórica de 1981, com direito a hat-trick de Sócrates. Levantamento do Meu Timão. Sócrates comemorava seus gols com o punho cerrado. Foto: Agência Estado A Seleção de Curaçao entrou para a história da Copa do Mundo de 2026 antes mesmo de a bola rolar. Nesta terça-feira, o país caribenho recebeu o certificado do Guinness World Records por se tornar a nação menos populosa a disputar um Mundial, com 156.115 habitantes no momento da classificação. Dentro de campo, porém, a estreia foi dura. Pelo Grupo E, Curaçao foi goleado pela Alemanha por 7 a 1, em partida que colocou o país ainda mais em evidência no noticiário esportivo internacional. Mas essa não foi a primeira vez que a seleção caribenha sofreu uma goleada elástica diante de um adversário de peso. Há quase 45 anos, Curaçao também foi vítima do Corinthians. Em 2 de dezembro de 1981, o Timão enfrentou a então seleção local em Willemstad, capital de Curaçao, e venceu por 6 a 0, encerrando de forma invicta uma excursão pelo México, Guatemala e Caribe. Corinthians fez 6 a 0 em Curaçao com show de Sócrates O amistoso foi disputado no Centro Esportivo de Curaçao e marcou o último compromisso do Corinthians naquela viagem internacional. O time comandado por Mário Travaglini não encontrou dificuldades e construiu uma goleada com protagonismo de um dos maiores ídolos da história alvinegra. A escalação inicial do Corinthians teve: César; Zé Maria, Rondinelli, Wágner e Wladimir; Biro-Biro, Sócrates e Zenon; Eduardo Amorim, Mário e Joãozinho. Durante a partida, também entraram Luís Cláudio, Gomes, Paulinho e Caçapava. O grande nome do jogo foi Sócrates, que marcou três vezes. Os outros gols da vitória corinthiana foram anotados por Zenon, Mário e Paulinho. Sócrates liderou o Corinthians no início dos anos 80 e deixou seu nome na história do clube alvinegro. Foto: Acervo / Gazeta Press Adversário ainda representava as Antilhas Holandesas Na época, Curaçao ainda não atuava oficialmente com esse nome nas competições da Fifa. O território fazia parte das Antilhas Holandesas, seleção que reunia atletas de ilhas ligadas ao Reino dos Países Baixos. A mudança ocorreria apenas décadas depois. Curaçao passou a competir de forma independente no cenário internacional após a dissolução das Antilhas Holandesas e, posteriormente, tornou-se sucessora da antiga seleção nas competições organizadas pela Fifa. Por isso, o amistoso de 1981 aparece historicamente ligado à seleção local de Curaçao, mesmo antes da atual estrutura esportiva do país. Excursão internacional terminou invicta A goleada sobre Curaçao fechou uma excursão positiva do Corinthians fora do Brasil. Ao todo, o Timão disputou cinco jogos, com quatro vitórias e um empate, além de 11 gols marcados e apenas um sofrido. A viagem começou no México, onde o Corinthians conquistou o Troféu Feira de Hidalgo, em Pachuca. Na estreia, venceu o Independiente, da Argentina, por 2 a 1. Depois, bateu o América, do México, por 2 a 0. Na sequência, o elenco alvinegro seguiu para a Guatemala. Por lá, venceu o Comunicaciones por 1 a 0 e empatou sem gols com o Aurora. O encerramento veio justamente com a goleada por 6 a 0 sobre Curaçao. O retorno ao Brasil foi registrado pelo jornal A Tribuna, na edição de 4 de dezembro de 1981, que destacou a campanha invicta do Corinthians na excursão e a boa arrecadação obtida pelo clube com os amistosos internacionais. Jornal registra a excursão do Corinthians em 1981. Foto: Acervo Corinthians Base daquele time marcaria época no Corinthians A excursão aconteceu em um momento de transição no Parque São Jorge. O Corinthians vinha de uma temporada abaixo das expectativas em 1981, sem alcançar as fases decisivas do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Paulista. Ainda assim, aquele elenco reunia nomes que pouco tempo depois seriam símbolos de uma das fases mais marcantes da história alvinegra. Jogadores como Sócrates, Wladimir, Biro-Biro, Zenon e Zé Maria integrariam a base ligada à Democracia Corinthiana, movimento que marcou o futebol brasileiro no início dos anos 1980, dentro e fora de campo. Mais do que uma geração competitiva, aquele grupo ficou associado à participação política, à defesa de decisões coletivas no clube e ao debate pela redemocratização do Brasil em meio ao período final da ditadura militar. Relembre alguns gols do Doutor De vítima do Corinthians a estreante em Copa do Mundo Quase 45 anos depois da goleada sofrida para o Corinthians, Curaçao vive o capítulo mais importante de sua história no futebol. A seleção chegou à Copa do Mundo de 2026 como estreante e ainda passou a carregar o feito simbólico de ser o menor país, em população, a disputar o torneio. A estreia contra a Alemanha terminou com derrota pesada, mas também colocou Curaçao no centro das atenções. Para a Fiel, o momento atual serve como resgate de uma curiosidade histórica: antes de encarar gigantes em uma Copa do Mundo, a seleção caribenha já havia cruzado o caminho do Timão. E, naquele encontro, quem fez história foi o Corinthians. Jogos do Corinthians na excursão de 1981 18/11/1981 — Independiente 1 x 2 CorinthiansTroféu Feira de Hidalgo 20/11/1981 — América-MEX 0 x 2 CorinthiansTroféu Feira de Hidalgo 26/11/1981 — Comunicaciones 0 x 1 CorinthiansAmistoso 29/11/1981 — Aurora 0 x 0 CorinthiansAmistoso 02/12/1981 — Seleção de Curaçao 0 x 6 CorinthiansAmistoso Anota aí, Fiel: Curaçao pode ter entrado para a história da Copa do Mundo em 2026, mas no almanaque alvinegro a seleção caribenha já aparecia há décadas como vítima de uma goleada do Corinthians, com show de Sócrates. Para mais notícias, curiosidades históricas e bastidores do Timão, siga acompanhando o InfoTimão.

  • Justiça suspende Assembleia Geral que votaria reforma do Estatuto do Corinthians

    Faixa da torcida do Corinthians durante protesto no Parque São Jorge que pede direito a voto em reforma do Estatuto. Foto: Matheus Poggiolli / Meu Timão TJ-SP concede tutela de urgência, aponta indícios de irregularidades no rito da proposta e interrompe votação prevista para o próximo dia 20 A Justiça de São Paulo suspendeu, nesta terça-feira, a Assembleia Geral dos associados do Corinthians que votaria, no próximo 20 de junho, a proposta de reforma do Estatuto Social do clube. A decisão interrompe, ao menos temporariamente, um dos processos institucionais mais importantes da atual gestão e reacende a disputa jurídica em torno da tramitação da reforma. A tutela de urgência foi concedida pelo desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ao analisar Agravo de Instrumento apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger. Ao deferir o pedido, o magistrado apontou a existência de "indícios relevantes de descumprimento de regramento procedimental" previsto no próprio Estatuto do Corinthians e determinou a suspensão da Assembleia até nova deliberação do Tribunal. A decisão possui natureza liminar e não julga o mérito definitivo da reforma estatutária, limitando-se à análise da regularidade do procedimento adotado até a convocação da Assembleia Geral. Por que essa decisão é importante? A suspensão impede que os associados deliberem, neste momento, sobre uma das principais propostas de mudança institucional debatidas pelo Corinthians nos últimos anos. A reforma do Estatuto Social vem sendo tratada como prioridade pelos órgãos políticos do clube desde o fim de 2025 e prevê alterações em diferentes aspectos da governança corinthiana. Com a decisão do Tribunal, todo o processo fica temporariamente paralisado até que a discussão judicial seja analisada de forma mais aprofundada. O que motivou a suspensão da Assembleia? Segundo o desembargador, há elementos suficientes para justificar a suspensão cautelar da votação até que o Tribunal examine o mérito do recurso. O principal ponto discutido envolve a interpretação do artigo 97, alínea "M", do Estatuto Social do Corinthians, que estabelece competir ao Conselho de Orientação (Cori): "Propor ao Conselho Deliberativo, com as respectivas indicações, qualquer alteração deste Estatuto." Na avaliação do magistrado, existem indícios de que esse procedimento pode não ter sido integralmente observado durante a tramitação da proposta. Ao conceder a tutela de urgência, o desembargador ressaltou que a medida tem caráter cautelar e busca preservar a regularidade do processo até que o Tribunal analise definitivamente os argumentos apresentados pelas partes. Entenda o ponto jurídico da discussão A controvérsia não envolve o conteúdo da reforma do Estatuto, mas sim o caminho percorrido até que a proposta chegasse à Assembleia Geral. Os autores do recurso sustentam que o procedimento interno previsto pelo Estatuto não foi integralmente observado, especialmente quanto ao papel exercido pelo Conselho de Orientação (Cori) e pelas deliberações do Conselho Deliberativo. Assim, o Tribunal analisará se a proposta foi regularmente constituída antes de ser submetida à votação dos associados. O que alegam os autores do recurso No Agravo de Instrumento, os conselheiros afirmam que a tramitação da reforma estatutária apresentou vícios desde sua origem. Segundo eles, o Conselho Deliberativo, em novembro de 2025, apenas reconheceu a conveniência de promover uma futura reforma do Estatuto, sem que houvesse um anteprojeto, minuta ou texto-base formalmente submetido aos conselheiros. Na interpretação dos autores, houve confusão entre a aprovação da necessidade de reformar o Estatuto e a aprovação de um texto concreto de alteração. Outro argumento diz respeito ao papel do Conselho de Orientação (Cori). Segundo os recorrentes, o órgão não teria aprovado o anteprojeto posteriormente encaminhado ao Conselho Deliberativo, embora o Estatuto lhe atribua competência para propor alterações estatutárias. Os autores também sustentam que o próprio Conselho Deliberativo rejeitou o texto-base durante votação realizada em 29 de abril, mas que, mesmo assim, a proposta continuou sua tramitação até a convocação da Assembleia Geral. Na avaliação dos conselheiros, esses fatos configurariam vícios insanáveis, que não poderiam ser convalidados nem mesmo por eventual aprovação dos associados. O que dizia a decisão de primeira instância A decisão do Tribunal altera, em caráter provisório, o entendimento adotado anteriormente pelo juiz Rafael Viotti Schlobach, da 3ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé. Ao analisar pedido liminar apresentado pelo mesmo grupo de conselheiros, o magistrado havia negado a suspensão da Assembleia. Na ocasião, Schlobach entendeu que as alegações não encontravam respaldo suficiente nas provas apresentadas e destacou que a Assembleia Geral é o órgão máximo e soberano do clube para deliberar sobre alterações estatutárias, conforme previsto no artigo 59 do Código Civil. O juiz também considerou que o requisito estatutário relacionado ao reconhecimento da necessidade da reforma havia sido atendido na deliberação realizada pelo Conselho Deliberativo em novembro de 2025. Além disso, reconheceu que Leonardo Pantaleão, então presidente em exercício do Conselho Deliberativo, possuía competência estatutária para convocar a Assembleia. O entendimento, contudo, foi reformado provisoriamente pelo Tribunal, que optou por suspender a votação até a análise definitiva do recurso. Cronologia da disputa pela reforma do Estatuto A judicialização da reforma estatutária acompanha praticamente toda a tramitação do projeto. Novembro de 2025 O Conselho Deliberativo aprova a necessidade de promover uma reforma do Estatuto. Abril de 2026 A primeira Assembleia Geral convocada para votar a proposta é suspensa por liminar obtida pelo conselheiro Felipe Ezabella. Maio de 2026 O projeto retorna aos órgãos internos. O Conselho Deliberativo volta a discutir o tema, aprova o texto-base e os destaques e autoriza a convocação de nova Assembleia Geral. Junho de 2026 Um grupo de associados ligado aos movimentos Voz Corinthiana e Família Corinthians obtém decisão judicial reconhecendo a validade da convocação da Assembleia. Na sequência, Felipe Ezabella volta ao Judiciário pedindo que apenas os destaques fossem submetidos à votação. O pedido é rejeitado. Outra decisão garante o direito de voto aos associados inscritos até a data da convocação da Assembleia, permitindo a participação de sócios com menos de cinco anos de vínculo com o clube. Agora, o recurso apresentado pelos conselheiros Ademir Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger resulta na suspensão da Assembleia pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O que muda com a decisão? Com a concessão da tutela de urgência: a Assembleia Geral do próximo dia 20 não será realizada; não há nova data definida para a votação; a proposta de reforma permanece sem apreciação dos associados; o Estatuto atualmente em vigor continua produzindo efeitos normalmente. O processo seguirá sua tramitação no Tribunal de Justiça. O que acontece agora? A parte contrária será intimada para apresentar manifestação. Na sequência, o mérito do recurso será analisado pela 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que decidirá se mantém ou revoga a suspensão. Somente após essa análise será possível definir se a Assembleia poderá ser realizada e em quais condições. Novo capítulo da disputa pela reforma do Estatuto A decisão do Tribunal representa mais um capítulo da disputa política e jurídica envolvendo a reforma do Estatuto do Corinthians, tema que mobiliza diferentes correntes internas desde o ano passado. Enquanto os autores do recurso sustentam que houve descumprimento do rito previsto no Estatuto Social, os defensores da proposta afirmam que todas as etapas foram regularmente observadas e que caberia aos associados deliberar sobre o futuro da reforma. Até que o mérito seja apreciado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a Assembleia Geral permanece suspensa e sem nova data para realização. O InfoTimão procurou o Corinthians para comentar a decisão do Tribunal. Caso o clube se manifeste oficialmente, esta matéria será atualizada. O InfoTimão seguirá acompanhando todos os desdobramentos do processo, incluindo eventual manifestação oficial do Corinthians, novas decisões judiciais e a definição sobre a realização da Assembleia Geral que decidirá o futuro da reforma do Estatuto.

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