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Gaviões da Fiel criticam suspensão da reforma do Estatuto e classificam decisão como "ataque à democracia"

  • Foto do escritor: Redação InfoTimão
    Redação InfoTimão
  • 17 de jun.
  • 6 min de leitura
Gaviões da Fiel divulgam nota contra a suspensão da votação da reforma do Estatuto do Corinthians.
Gaviões da Fiel divulgam nota contra a suspensão da votação da reforma do Estatuto do Corinthians. Imagem: Fotos Fiel Torcida

Principal torcida organizada do Corinthians entra oficialmente no debate sobre a reforma estatutária, critica liminar da Justiça e afirma que decisão ameaça avanços na democratização do clube


A suspensão da Assembleia Geral (AG) que votaria a reforma do Estatuto do Corinthians ganhou um novo desdobramento político nesta quarta-feira. Os Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube, divulgaram uma nota oficial criticando a decisão da Justiça de São Paulo, classificando a liminar como um "ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados".


O posicionamento foi publicado um dia após o desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), conceder tutela de urgência suspendendo a Assembleia Geral marcada para o próximo dia 20.


Na manifestação, a organizada também direciona críticas aos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito e Guilherme Gonçalves Strenger, além do advogado Alexandre Husni, autores do recurso que levou à suspensão da votação.


Segundo os Gaviões, a medida representa uma tentativa de impedir mudanças estruturais no Corinthians e preservar um modelo político que, na visão da torcida organizada, precisa ser reformulado.


Por que a manifestação dos Gaviões é relevante?


A nota marca a entrada oficial da principal torcida organizada do Corinthians em um dos debates políticos mais importantes vividos pelo clube nos últimos anos.


Ao longo da tramitação da reforma do Estatuto, os Gaviões da Fiel participaram ativamente das discussões promovidas pelo clube e defenderam publicamente a aprovação da proposta.


Segundo a própria organizada, representantes estiveram presentes em dez das onze audiências públicas realizadas para debater o texto, ausentando-se apenas de um encontro em razão do retorno da caravana que acompanhou o Corinthians na decisão da Supercopa, em Brasília.


Com a suspensão da Assembleia, os Gaviões passaram a pressionar publicamente pela retomada da votação e pela continuidade do processo de reforma estatutária.


"Ataque à democracia"


No comunicado, a organizada afirma que a decisão judicial impede que os associados exerçam o direito de votar uma proposta debatida durante meses nas instâncias internas do clube.

"Essa decisão representa um ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados, que lutam por uma reforma estatutária urgente, necessária e há muito esperada."

Na avaliação dos Gaviões, a suspensão representa um retrocesso institucional para o Corinthians.


Organizada critica autores do recurso


A nota também faz críticas diretas aos responsáveis pela ação judicial que resultou na suspensão da Assembleia.


Segundo os Gaviões, os conselheiros vitalícios autores do recurso estariam utilizando instrumentos jurídicos para impedir mudanças na estrutura política do clube.

"Por artifícios jurídicos, tentam perpetuar um sistema falido que há décadas coloca interesses pessoais acima do Corinthians."

Em outro trecho, a organizada afirma:

"A postura se repete: blindagem de privilégios, conivência com o passado e resistência a qualquer avanço que reduza o poder que acumulam há décadas."

Gaviões defendem ampliação da participação do Fiel Torcedor


Um dos principais pontos destacados pelos Gaviões envolve a possibilidade de ampliação da participação política da torcida por meio da criação do Associado de Futebol.


Segundo a organizada, a suspensão da Assembleia pode impedir que uma das principais mudanças previstas na reforma que abriria caminho para o voto do Fiel Torcedor nas eleições presidenciais passe a valer já em 2026.


Na avaliação da torcida organizada, além do aspecto democrático, a medida também teria impacto financeiro para o clube ao estimular novas associações.

"Com o bloqueio à reforma estatutária, os fiéis torcedores provavelmente não poderão votar na eleição para presidente em 2026."

Gaviões também questionam participação dos conselheiros


Outro ponto levantado pela organizada diz respeito ao processo de elaboração da reforma.


Segundo a nota, grande parte dos conselheiros vitalícios que agora contestam judicialmente o projeto sequer participou das discussões promovidas ao longo das onze audiências públicas realizadas pelo clube.


A manifestação utiliza esse argumento para defender que o texto submetido aos associados foi amplamente debatido antes da convocação da Assembleia Geral.


O que motivou a decisão da Justiça?


A manifestação dos Gaviões ocorre um dia após o Tribunal de Justiça de São Paulo suspender a Assembleia Geral que votaria a reforma do Estatuto.


Ao conceder a tutela de urgência, o desembargador Mauricio Campos da Silva Velho apontou a existência de "indícios relevantes de descumprimento de regramento procedimental" durante a tramitação da proposta.


A decisão menciona possíveis irregularidades relacionadas ao artigo 97, alínea "M", do Estatuto Social do Corinthians, dispositivo que atribui ao Conselho de Orientação (Cori) a competência para propor alterações estatutárias ao Conselho Deliberativo.


É importante destacar que a decisão possui caráter liminar e não analisa o mérito da reforma estatutária, restringindo-se, neste momento, à regularidade do procedimento que levou a proposta até a Assembleia Geral.


Entenda o caso


A disputa judicial envolvendo a reforma do Estatuto do Corinthians se arrasta desde o início de 2026.


A primeira Assembleia Geral convocada para deliberar sobre o tema foi suspensa por decisão liminar obtida pelo conselheiro Felipe Ezabella.


Posteriormente, o projeto retornou aos órgãos internos do clube. O Conselho Deliberativo voltou a apreciar a proposta, aprovou o texto-base e os destaques e autorizou a convocação de uma nova Assembleia Geral para o próximo dia 20.


Nos últimos dias, diferentes decisões judiciais reconheceram a validade da convocação da Assembleia e garantiram o direito de voto aos associados inscritos até a data da convocação.


Entretanto, novo recurso apresentado pelos conselheiros Ademir de Carvalho Benedito, Guilherme Gonçalves Strenger e pelo advogado Alexandre Husni levou o Tribunal de Justiça de São Paulo a suspender cautelarmente a votação.


O processo segue em tramitação e ainda será analisado pelo Tribunal antes da definição sobre uma nova data para realização da Assembleia.


Debate sobre a reforma ganha novo ator político


A manifestação dos Gaviões da Fiel coloca oficialmente a principal torcida organizada do Corinthians entre os protagonistas do debate sobre a reforma do Estatuto, tema que continua mobilizando diferentes setores da vida política do clube.


Enquanto a organizada defende a realização da Assembleia e sustenta que a reforma representa um avanço institucional, a decisão judicial permanece em vigor até que o mérito do recurso seja analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.


Até lá, a Assembleia Geral segue suspensa e sem nova data para realização.


Confira a nota dos Gaviões da Fiel na íntegra


"O Gaviões da Fiel Torcida manifesta sua indignação diante da tutela de urgência que suspendeu a Assembleia Geral de Associados do Sport Club Corinthians Paulista, agendada para o próximo dia 20. Essa decisão representa um ataque frontal à democracia e à vontade legítima dos associados, que lutam por uma reforma estatutária urgente, necessária e há muito esperada.


É preciso dar nome aos responsáveis por esse retrocesso: os desembargadores Ademir Benedito e Guilherme Strenger, e o advogado Alexandre Husni. Por artifícios jurídicos, tentam perpetuar um sistema falido que há décadas coloca interesses pessoais acima do Corinthians. Não é a primeira vez que esses mesmos três conselheiros vitalícios já votaram contra os interesses da Nação Corinthiana. A postura se repete: blindagem de privilégios, conivência com o passado e resistência a qualquer avanço que reduza o poder que acumulam há décadas.


As consequências são gravíssimas e vão além do campo democrático. Com o bloqueio à reforma estatutária, os fiéis torcedores provavelmente não poderão votar na eleição para presidente em 2026. Esse bloqueio também impede novos sócios fiéis torcedores, impacto financeiro direto para um clube que já não tem dinheiro para pagar os salários do mês.


O Corinthians não pode ser refém de conselheiros vitalícios que se colocam acima do povo. A maioria deles sequer participou das onze audiências públicas sobre a reforma. O Gaviões esteve em dez delas, ausente apenas em uma por retornar de caravana em Brasília após o título da Supercopa.


O Gaviões seguirá de forma imparável na luta por um Corinthians melhor. Nenhuma liminar, nenhum artifício e nenhum conselheiro vitalício será capaz de deter a vontade de 35 milhões de corinthianos. Este episódio reforça que cada corinthiano precisa participar da vida política do clube, porque quando o povo se omite, três pessoas decidem pelo destino de todos.


O Corinthians é do povo. A Diretoria Gaviões da Fiel Torcida"


O InfoTimão seguirá acompanhando todos os desdobramentos da disputa judicial, bem como as manifestações dos diferentes grupos envolvidos na discussão sobre o futuro da reforma do Estatuto do Corinthians.

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