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HBO anuncia série sobre a Democracia Corinthiana, movimento histórico do Corinthians

  • Foto do escritor: Redação InfoTimão
    Redação InfoTimão
  • 17 de jun.
  • 5 min de leitura

Produção terá oito episódios e vai retratar um dos períodos mais marcantes da história do Timão, com foco em Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves


Movimento que nasceu no Corinthians marcou a história dentro e fora dos gramados.
Movimento que nasceu no Corinthians marcou época dentro e fora dos gramados. Foto: Reprodução / Corinthians

A HBO anunciou a produção de uma nova série original inspirada na Democracia Corinthiana, movimento que marcou a história do Corinthians, do futebol brasileiro e da luta pela redemocratização do país nos anos 1980. A obra será produzida pela Maria Farinha Filmes e já iniciou sua fase de pré-produção, incluindo o processo de seleção de elenco.


Com oito episódios, a série vai acompanhar a trajetória de quatro personagens centrais do período: Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves. Juntos, eles ajudaram a transformar os bastidores do Corinthians em um espaço de participação coletiva em plena ditadura militar, quando o Brasil ainda vivia sem eleições diretas para presidente.


Mais do que uma produção sobre futebol, a série promete revisitar um dos capítulos mais simbólicos da história alvinegra: o momento em que o Time do Povo levou para dentro do clube um debate que também tomava conta das ruas do país.


O que foi a Democracia Corinthiana?


A Democracia Corinthiana foi um movimento histórico surgido no Corinthians no início dos anos 1980, durante a ditadura militar no Brasil. Dentro do clube, jogadores, comissão técnica e funcionários passaram a participar de decisões importantes do departamento de futebol, em um modelo de gestão coletiva considerado revolucionário para a época.


Na prática, temas como concentração, regras internas, contratações e decisões do cotidiano eram debatidos e votados pelo grupo. Em um período no qual o país ainda não escolhia seu presidente por voto direto, o Corinthians criou, dentro do futebol, um ambiente em que todos tinham voz.


O movimento teve como principais símbolos Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zenon e Zé Maria, além do diretor de futebol Adílson Monteiro Alves, figura fundamental para abrir espaço às ideias dos atletas dentro da estrutura do clube.


A Democracia Corinthiana também teve impacto esportivo. O Corinthians conquistou o Campeonato Paulista de 1982 e voltou a ser campeão estadual em 1983, transformando aquele período em um dos mais marcantes da história alvinegra.


Mais do que um modelo interno de gestão, a Democracia Corinthiana se tornou um símbolo da luta por liberdade, participação popular e redemocratização do Brasil. Por isso, até hoje, é lembrada como um dos momentos em que o Corinthians ultrapassou os limites do futebol e se conectou diretamente com a história política e social do país.


Jogadores do Corinthians vestem uniforme em favor do voto popular nas eleições.
Jogadores do Corinthians vestem uniforme em favor do voto popular nas eleições. Foto: Acervo Corinthians

Série terá criação de Moara Passoni e direção geral de Aly Muritiba


A série foi criada e desenvolvida por Moara Passoni, que também assina como uma das produtoras executivas e roteirista-chefe. A direção ficará a cargo de Passoni e Maria Farkas, enquanto a direção geral será de Aly Muritiba.


A produção executiva, pela Warner Bros. Discovery, fica a cargo de Mariano Cesar, Anouk Aaron e Vanessa Miranda. Pela Maria Farinha Filmes, assinam a produção Mariana Oliva, Ana Lúcia Villela, Estela Renner, Luana Lobo e Marcos Nisti.


A trama será inspirada em acontecimentos reais e pretende mostrar como o grupo liderado por Sócrates, ao lado de Casagrande, Wladimir e do dirigente Adílson Monteiro Alves, deu vida a um modelo inédito de participação no futebol brasileiro.


No Corinthians, decisões importantes passaram a ser discutidas coletivamente, dando voz a jogadores, comissão técnica e funcionários. A série deve abordar não apenas os bastidores esportivos, mas também os dilemas pessoais, políticos e sociais enfrentados pelos personagens em um período decisivo da história do Brasil.


O Corinthians que votava antes do Brasil voltar a votar


A força simbólica da Democracia Corinthiana está justamente no contraste com o período em que ela surgiu. Enquanto o Brasil ainda vivia sob um regime autoritário, o Corinthians passou a defender, dentro de seu próprio departamento de futebol, uma lógica baseada em debate, participação e voto.


Em um ambiente historicamente marcado por hierarquias rígidas, o Timão criou uma experiência rara: um time que votava, discutia e decidia em conjunto.


As decisões coletivas não se limitavam a assuntos políticos. Elas faziam parte da rotina do elenco. O grupo discutia regras internas, concentração, viagens, horários e outros temas ligados ao funcionamento do futebol. Era uma forma de autogestão dentro de um clube de massa, algo incomum até mesmo para os padrões atuais do esporte.


Essa experiência ajudou a construir uma das frases mais fortes associadas ao período: o Corinthians votava antes mesmo de o Brasil voltar a votar para presidente.


Corinthians nos anos 80 durante a Democracia Corinthiana.
Corinthians nos anos 80 durante a Democracia Corinthiana. Foto: Acervo Corinthians

Movimento também marcou época dentro de campo


A Democracia Corinthiana não ficou apenas no campo das ideias. Depois de um período ruim em 1981, o Corinthians se reorganizou e voltou a ser protagonista.


Sob o comando de Mário Travaglini, o Timão chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro e conquistou o Campeonato Paulista de 1982, título que se tornou um dos grandes símbolos do movimento. No ano seguinte, o clube voltou a levantar o estadual, consolidando o bicampeonato paulista de 1982 e 1983 como uma das marcas esportivas mais fortes daquela geração.


A força do time dentro de campo ajudou a ampliar ainda mais o alcance da mensagem. O Corinthians não apenas vencia. O Corinthians dizia algo ao país.

Em um momento de repressão política, o clube estampava em sua identidade uma palavra que representava o desejo de milhões de brasileiros: democracia.


Diretas Já e o legado de Sócrates


A partir de 1984, a Democracia Corinthiana passou a se conectar de forma ainda mais direta com a campanha das Diretas Já, movimento que defendia o retorno das eleições diretas para presidente da República.


Sócrates, principal símbolo daquela geração, participou de comícios e se tornou uma das vozes mais importantes do futebol brasileiro em defesa da redemocratização. O ídolo alvinegro chegou a afirmar que permaneceria no Corinthians caso a Emenda Dante de Oliveira, que propunha o retorno do voto direto para presidente, fosse aprovada.


A proposta, porém, acabou rejeitada no Congresso Nacional. Pouco depois, Sócrates deixou o Corinthians para atuar na Fiorentina, da Itália.


A saída do camisa 8, a transferência de Casagrande para o São Paulo e a derrota política de Adílson Monteiro Alves na sucessão presidencial do Corinthians contribuíram para o enfraquecimento do movimento. Ainda assim, a Democracia Corinthiana permaneceu como um dos maiores legados da história do clube.


"Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia" foi um dos lemas do movimento.
"Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia" foi um dos lemas do movimento. Foto: Acervo Corinthians

Washington Olivetto, cultura e identidade popular


A Democracia Corinthiana também contou com apoio de nomes importantes fora das quatro linhas. O publicitário Washington Olivetto, torcedor corinthiano, teve papel marcante na comunicação do movimento e ajudou a transformar aquela experiência em uma marca reconhecida nacionalmente.


A iniciativa também ganhou simpatia de artistas, jornalistas e intelectuais. Nomes como Rita Lee e Juca Kfouri passaram a ser associados à memória do período, reforçando a conexão entre futebol, cultura e política.


Esse alcance ajudou a Democracia Corinthiana a se tornar algo maior do que uma experiência interna do Corinthians. O movimento virou um símbolo nacional de resistência, liberdade e participação popular.


História do Corinthians ganha nova projeção


A chegada da Democracia Corinthiana às telas da HBO recoloca o Corinthians no centro de uma discussão que vai além do esporte. A série tem potencial para apresentar a novas gerações uma das experiências mais importantes de união entre futebol, política, cultura e sociedade no Brasil.


Para a Fiel, será a chance de ver uma parte fundamental da identidade corinthiana retratada em uma grande produção. Para quem conhece pouco sobre o tema, será uma oportunidade de entender por que aquele Corinthians dos anos 1980 se tornou uma referência que atravessou décadas.


Mais de quatro décadas depois, a história de Sócrates, Casagrande, Wladimir, Adílson Monteiro Alves e de tantos outros personagens volta a ganhar projeção nacional.

O Corinthians foi time. Foi voz. Foi voto. Foi resistência.


Foi Democracia Corinthiana.


Anota aí, Fiel: a HBO vai contar uma das histórias mais fortes do Corinthians. E quando a história do Timão é contada direito, o Brasil inteiro precisa assistir.


Acompanhe o InfoTimão para mais notícias, bastidores e atualizações sobre o Corinthians.

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