Romeu Tuma admite risco de eleição do Corinthians não acontecer e cita possível intervenção judicial

Presidente do Conselho Deliberativo sugere TAC com o MP-SP; pleito de 28 de novembro também é alvo de ação sobre taxas e reconhecimento facial

O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, admitiu nesta quarta-feira (30) a possibilidade de a eleição presidencial do clube, marcada para 28 de novembro, não acontecer na data prevista. Segundo o dirigente, o cenário dependeria de eventuais decisões judiciais envolvendo o processo eleitoral ou do alcance de uma possível intervenção judicial no clube.
Neste momento, porém, não há decisão judicial suspendendo ou cancelando a eleição do Corinthians. O pleito permanece previsto para 28 de novembro, enquanto diferentes questões relacionadas à governança do clube tramitam na Justiça e no Ministério Público de São Paulo.
“Sim, corre o risco de não acontecer a eleição. Tem muita situação correndo”, afirmou Tuma ao ser questionado sobre a possibilidade.
O dirigente relacionou sua avaliação principalmente ao inquérito civil do Ministério Público que analisa uma eventual intervenção judicial no Corinthians, à judicialização da reforma do Estatuto e a uma ação que questiona regras estabelecidas para as eleições deste ano.
Romeu Tuma sugere acordo entre Corinthians e Ministério Público
Durante a entrevista, Tuma defendeu que o presidente Osmar Stabile procure o Ministério Público para tentar construir uma solução institucional antes que o cenário avance para uma eventual ação judicial.
Na avaliação do presidente do Conselho Deliberativo, uma possibilidade seria a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelecesse mudanças a serem implementadas pelo próprio Corinthians.
Tuma afirmou que, se estivesse na posição de Stabile, faria um gesto ao Ministério Público e buscaria construir conjuntamente um caminho para atender às correções consideradas necessárias pelos promotores.
A possibilidade de um TAC existe dentro dos possíveis desdobramentos do inquérito. Conforme o InfoTimão mostrou ao detalhar o andamento da investigação do MP-SP, o procedimento não possui resultado previamente definido e pode terminar, entre outras possibilidades, sem ação judicial ou com uma solução negociada.
Como uma intervenção judicial poderia afetar o Corinthians?
O inquérito civil é conduzido pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital.
A investigação foi instaurada em dezembro de 2025, mas permaneceu paralisada por alguns meses durante a análise de um recurso do Corinthians. Em maio, o Conselho Superior do Ministério Público autorizou o prosseguimento do procedimento.
Desde então, o MP passou a analisar documentos e ouvir pessoas relacionadas à administração do clube. Osmar Stabile, por exemplo, prestou depoimento aos promotores em agosto.
Os próprios representantes do Ministério Público já ressaltaram, entretanto, que não existe neste momento certeza de que a investigação terminará em um pedido de intervenção.
Em agosto, Luiz Ambra Neto afirmou que a apuração seria conduzida de maneira técnica e sem vínculo com o calendário eleitoral do Corinthians. Caso o MP conclua pela necessidade de intervenção, ainda será preciso apresentar a questão ao Poder Judiciário, que decidirá se aceita ou não a medida.
O alcance de uma eventual intervenção também não é padronizado. Ela pode variar desde medidas de fiscalização e acompanhamento da administração até o afastamento de dirigentes ou a substituição temporária de determinados poderes, sempre conforme aquilo que for determinado pela Justiça. O InfoTimão já explicou em uma análise especial o que mudaria no Corinthians em uma intervenção judicial, quais seriam seus limites e os principais riscos envolvidos.
É essa diferença que torna importante separar a declaração de Tuma da situação jurídica atual: o presidente do Conselho admite que uma futura intervenção poderia afetar a eleição, mas uma intervenção não foi determinada até agora.
Quem comandaria o Corinthians em caso de intervenção?
Tuma também foi questionado sobre quem assumiria o controle do clube caso uma eventual intervenção tivesse alcance suficiente para impedir a eleição.
Segundo o dirigente, não é possível responder antecipadamente porque tudo dependeria dos poderes determinados pela Justiça.
O presidente do Conselho citou, como hipótese, a possibilidade de nomeação de um interventor com atribuições sobre diferentes estruturas do clube, mas ressaltou que o alcance poderia variar de acordo com a decisão judicial.
Esse ponto está alinhado ao que os próprios promotores já explicaram sobre o procedimento.
Caso o MP peça uma intervenção e a Justiça concorde, caberia ao Judiciário definir o alcance da medida, estabelecer as atribuições de um eventual interventor e determinar o período de duração. Portanto, não existe atualmente um modelo previamente estabelecido para o que aconteceria com a Presidência, o Conselho Deliberativo ou o processo eleitoral.
Reforma do Estatuto voltou a ser suspensa pela Justiça
Outro elemento citado por Tuma é a disputa judicial em torno da reforma do Estatuto do Corinthians.
Em 18 de setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu novamente a Assembleia Geral Extraordinária que estava marcada para o dia seguinte e levaria aos associados propostas de alteração das regras internas do clube.
Como mostrou o InfoTimão, o TJ-SP suspendeu a Assembleia na véspera da votação após recurso apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Guilherme Gonçalves Strenger e Alexandre Husni. Foi a quarta suspensão judicial do processo de reforma.
A disputa gira em torno do procedimento utilizado para encaminhar as mudanças estatutárias. Entre os temas envolvidos na reforma estão regras de governança, participação dos associados e aspectos que poderiam produzir efeitos sobre o sistema eleitoral do clube.
Para Tuma, a dificuldade de o Corinthians concluir internamente a reforma pode ser considerada pelo Ministério Público dentro da análise mais ampla sobre a capacidade das estruturas do clube de solucionar seus próprios problemas.
Essa interpretação, contudo, é do presidente do Conselho Deliberativo. O MP não afirmou que a suspensão da reforma, isoladamente, determinará ou tornará necessária uma intervenção.
Regras da eleição também são questionadas na Justiça
A disputa em torno do pleito de novembro ganhou ainda outra frente.
Uma ação judicial apresentada neste fim de setembro questiona pontos definidos pela Comissão Eleitoral do Corinthians para a eleição de 2026, incluindo taxas de inscrição e a exigência de reconhecimento facial dos associados aptos a votar.
Pelo regimento eleitoral, as candidaturas à Diretoria precisam recolher o equivalente a três mensalidades do título familiar, enquanto as chapas destinadas ao Conselho Deliberativo pagam o correspondente a 25 mensalidades do título individual. Os recursos fazem parte de um fundo destinado aos custos da eleição.
A ação sustenta que algumas dessas exigências seriam incompatíveis com as regras estatutárias e também contesta a obrigação de os eleitores manterem o reconhecimento facial cadastrado para participar da votação.
Neste momento, trata-se de um questionamento apresentado à Justiça. Não há, nas informações disponíveis, decisão determinando a retirada dessas exigências ou suspendendo o pleito por esse motivo.
Mandatos vitalícios também estão em disputa judicial
O ambiente jurídico em torno das eleições ganhou outro componente no fim de agosto.
A Justiça de São Paulo declarou ilegais os cargos vitalícios existentes no Conselho Deliberativo e também afastou, em primeira instância, a exigência de cinco anos de associação para que um sócio possa votar e ser votado.
O InfoTimão mostrou a decisão que determinou o fim dos mandatos vitalícios. As mudanças, contudo, não entraram imediatamente em vigor. O próprio juiz determinou efeito suspensivo enquanto o processo estiver sujeito a recurso, o que mantém, por enquanto, as regras atuais.
Assim, diferentes processos discutem elementos da estrutura política e eleitoral do Corinthians, mas isso não significa que todas essas decisões terão efeito sobre a eleição de novembro.
Eleição segue marcada para 28 de novembro
Apesar das disputas jurídicas, a eleição presidencial do Corinthians continua marcada para 28 de novembro, no Parque São Jorge.
Até o momento, cinco nomes anunciaram pré-candidaturas ou se colocaram publicamente na disputa: André Castro, Rozallah Santoro, André Negão, Sérgio Janikian e José Augusto Mendes.
O processo eleitoral definirá a administração que comandará o Corinthians no próximo triênio.
A menos de dois meses da votação, portanto, o pleito acontece em meio a três frentes jurídicas distintas que precisam ser separadas: o inquérito do Ministério Público sobre uma eventual intervenção, a disputa judicial envolvendo a reforma estatutária e a ação que questiona regras estabelecidas pela Comissão Eleitoral.
Até agora, nenhuma delas determinou a suspensão da eleição de 28 de novembro.
A possibilidade de o pleito não acontecer, levantada nesta quarta-feira, é uma avaliação de Romeu Tuma Júnior sobre os eventuais efeitos futuros dessas disputas caso novas decisões sejam tomadas.
E você, torcedor: como avalia o cenário institucional do Corinthians às vésperas da eleição presidencial? Deixe sua opinião nos comentários.
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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






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