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Promotores do MP-SP explicam inquérito sobre intervenção no Corinthians e garantem atuação técnica

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    Redação InfoTimão
  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

Promotores classificam ato da torcida como “termômetro”, descartam influência política e estimam pelo menos mais dois meses de investigação


André Pascoal e Luiz Ambra Neto, promotores do Ministério Público, em entrevista coletiva.
André Pascoal e Luiz Ambra Neto, promotores do Ministério Público, em entrevista coletiva. Foto: Vitor Chicarolli / ge

Os promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal explicaram nesta quarta-feira (19) o andamento do inquérito civil que analisa uma eventual intervenção judicial no Corinthians. Em entrevista coletiva na sede do Ministério Público de São Paulo, os representantes do órgão reconheceram a aflição da torcida, mas garantiram que a investigação terá caráter exclusivamente técnico.


As declarações foram concedidas depois do ato realizado por centenas de corinthianos diante do MP-SP. Para os promotores, a mobilização funciona como um “termômetro” do impacto social provocado pela crise do clube e reforça a legitimidade do órgão para conduzir a apuração.


Apesar da repercussão, Luiz e André ressaltaram que a presença dos torcedores não interfere no conteúdo, no ritmo ou no possível resultado do inquérito. A investigação ainda deve durar pelo menos mais dois meses e não existe certeza de que o procedimento terminará com um pedido de intervenção.


Ato da torcida funciona como “termômetro”


Luiz Ambra Neto avaliou que a mobilização ajuda o Ministério Público a compreender a dimensão social do caso e demonstra que a situação do Corinthians desperta o interesse de um número expressivo de pessoas.

“É um termômetro muito interessante para avaliarmos o impacto que isso causa na sociedade e na torcida corintiana. Principalmente, para frisar a nossa legitimidade, para demonstrar que nós podemos fazer essa investigação e mostrar que isso interessa um número gigantesco de pessoas”, afirmou.

André Pascoal, por sua vez, reconheceu a preocupação dos corinthianos, mas descartou qualquer influência prática da mobilização sobre o trabalho dos promotores.

“Para efeito prático, não interferiu na nossa investigação. A transparência é importante em um caso como esse. Sabemos de toda a aflição da torcida com essa situação que está acontecendo”, declarou.

O ato reuniu Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra. Depois dos cânticos e da exibição de faixas, representantes das organizadas entraram na sede do órgão para conversar com os promotores.



Torcedores do Corinthians se reuniram em frente ao MP-SP.
Torcedores do Corinthians se reuniram em frente ao MP-SP. Foto: Matheus Pogiolli / Meu Timão

Investigação ainda está em estágio inicial no MP-SP


O inquérito civil foi instaurado em dezembro de 2025, mas permaneceu paralisado durante a análise de um recurso apresentado pelo Corinthians ao Conselho Superior do Ministério Público.


A autorização para o prosseguimento da investigação ocorreu somente em maio. Desde então, Luiz Ambra Neto e André Pascoal passaram a analisar documentos, solicitar informações e ouvir pessoas ligadas à administração e ao funcionamento institucional do clube.


Por causa do sigilo do procedimento e do estágio atual da apuração, os promotores afirmaram que ainda não podem revelar os elementos reunidos ou antecipar uma conclusão.

“Não é possível, no presente momento, reportar o que temos de apuração. Se já tivesse concluído, certamente iríamos nos manifestar, seja para um lado, seja para outro. Não podemos fazer esse juízo de valor, nem divulgar o que temos de informações”, explicou Luiz.

O Ministério Público estima que a investigação ainda deverá durar pelo menos dois meses. O período poderá ser ampliado conforme a necessidade de novas oitivas, entrega de documentos ou aprofundamento das análises.


Eleições não determinarão prazo do inquérito


A previsão aproxima o possível encerramento do inquérito das eleições do Corinthians, marcadas para o fim de 2026. Luiz Ambra Neto, entretanto, afastou qualquer relação entre o calendário político do clube e o trabalho do Ministério Público.


Segundo o promotor, a investigação não será acelerada ou retardada em função da disputa eleitoral. Caso os elementos necessários sejam reunidos antes, o MP-SP poderá concluir a apuração e adotar as providências consideradas cabíveis.

“Não há qualquer possibilidade de fazermos juízo de valor em relação a esta situação. Nossa atuação não tem caráter político. Vamos ter uma atuação absolutamente técnica. Se, eventualmente, essa apuração, que é complexa, for concluída antes, é possível. Caso entendamos que é caso de uma ação judicial para uma intervenção judicial, pode, sim, ser antes. Não há nem a certeza de que haverá essa ação. Isso depende de toda a nossa apuração”, afirmou.

A declaração reforça que o inquérito não possui um resultado previamente definido. Ao final do procedimento, o MP-SP poderá arquivar o caso, recomendar mudanças, propor um Termo de Ajustamento de Conduta ou apresentar uma ação civil pública.


Intervenção judicial não é uma sanção


Caso o Ministério Público conclua que existem fundamentos para pedir uma intervenção, a decisão não caberá aos promotores. O MP-SP poderá apresentar a ação, mas será responsabilidade da Justiça autorizar ou rejeitar a medida.


O Poder Judiciário também seria responsável por definir o alcance da intervenção, nomear um eventual interventor, fiscalizar sua atuação e determinar por quanto tempo o modelo permaneceria em vigor.


Luiz Ambra Neto ressaltou que uma intervenção não deve ser compreendida como punição ao Corinthians. O objetivo seria corrigir problemas identificados e criar condições para que o clube volte a funcionar com autonomia.

“A intervenção judicial não é uma sanção. Esse procedimento não aprecia a possibilidade de aplicar sanções. Na realidade, é um procedimento que busca tutelar os interesses do clube. Se, eventualmente, chegarmos a uma intervenção judicial, a ideia é tomar providências para que o clube possa regularizar os pontos que não estiverem de acordo e voltar a seguir com suas próprias pernas”, explicou.

Organizadas demonstraram preocupação com falsas expectativas


Depois do ato, lideranças das torcidas organizadas tiveram uma reunião com Luiz Ambra Neto e André Pascoal. Segundo o promotor, os representantes demonstraram preocupação em transmitir informações corretas e evitar que os torcedores criem a expectativa de uma intervenção imediata.


Durante a conversa, os integrantes do MP-SP explicaram que existem fatos graves que justificam a continuidade da investigação, mas que o material reunido ainda não permite antecipar qual caminho será adotado.

“Foi uma conversa justamente para explicar como funciona a intervenção. Há uma preocupação muito grande por parte dos dirigentes das organizadas em passar para as pessoas que os seguem a informação sem criar uma falsa expectativa. Isso eu achei muito importante. Como nós dizemos, o que podemos dizer é que há razões graves que justificam essa ação, mas não é possível dizer que vamos chegar no caminho A, B ou C. Isso foi passado para eles”, relatou Luiz.

O encontro, portanto, não representou a confirmação de que o Ministério Público pedirá uma intervenção. A decisão dependerá do conjunto de documentos, depoimentos e demais elementos reunidos ao longo do inquérito.


E você, Fiel, o que achou das explicações apresentadas pelos promotores? Deixe sua opinião nos comentários.


O InfoTimão acompanhará os próximos passos da investigação e todos os desdobramentos políticos e jurídicos envolvendo o Corinthians.


InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

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