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MP agenda depoimentos de Osmar Stabile sobre segurança e possível intervenção no Corinthians

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    Redação InfoTimão
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Presidente será ouvido nesta quinta-feira sobre empresas de segurança e, quatro dias depois, no inquérito civil que analisa uma eventual intervenção no clube.


Ministério Público agenda oitiva de presidente do Corinthians.
Ministério Público agenda oitiva de presidente do Corinthians. Foto: Cleiton Rodrigues / @crphoto.art

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, prestará dois depoimentos ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em um intervalo de quatro dias. As oitivas fazem parte de investigações diferentes que envolvem a administração do clube.


Nesta quinta-feira (6), Stabile será ouvido no procedimento que apura possíveis irregularidades na contratação de empresas responsáveis por serviços de segurança durante sua gestão.


Na segunda-feira (10), o presidente deverá comparecer presencialmente a uma segunda oitiva, desta vez no inquérito civil que analisa possíveis irregularidades administrativas, financeiras e institucionais no Corinthians e avalia se existem fundamentos para uma eventual intervenção judicial.


As informações sobre os agendamentos foram publicadas inicialmente pelo Meu Timão. Os depoimentos representam novas etapas das investigações e não significam que Stabile tenha sido condenado ou que uma intervenção no Corinthians já tenha sido determinada.


MP ouvirá Osmar Stabile sobre empresas de segurança


O depoimento desta quinta-feira integra o procedimento conduzido pelo promotor Cássio Conserino, que apura a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda.


A empresa prestou serviços de segurança e controle de acesso nas dependências do Corinthians entre setembro e outubro de 2025, período em que Osmar Stabile já comandava o clube.


Segundo os documentos analisados pelo Ministério Público, a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no segmento de segurança privada. A prestação dos serviços também teria ocorrido sem a assinatura de um contrato formal com o Corinthians.


Foram emitidas três notas fiscais nos valores de R$ 244.627,66, R$ 208.350 e R$ 223.650. Os documentos totalizam R$ 676.627,66 e apresentam descrições diferentes para os serviços, como assessoria, consultoria econômica e vigilância.


Stabile já deveria ter prestado depoimento anteriormente, mas a oitiva prevista para junho foi adiada após um pedido formal apresentado pela defesa do presidente.


Empresa foi aberta em nome de funcionário ligado ao Corinthians


A Mega Assessoria Operacional foi constituída em julho de 2025 em nome de Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, então gerente operacional do clube social.


Fernando afirmou inicialmente que abriu a empresa a pedido do então diretor administrativo Fábio Soares. O objetivo, segundo o funcionário, seria viabilizar o pagamento dos profissionais contratados emergencialmente para realizar a segurança das dependências do Corinthians.


Uma versão posterior atribuiu a iniciativa diretamente a Osmar Stabile. O clube, por sua vez, informou ao Ministério Público que a presidência havia encarregado Fernando e Fábio Soares de conduzirem a contratação emergencial.


As diferenças entre os relatos levaram a Promotoria a solicitar novos documentos e esclarecimentos para identificar quem autorizou a contratação, como os pagamentos foram realizados e qual foi a destinação dos valores.


O vínculo de Fernando com o Corinthians também passou a ser analisado após o surgimento de documentos posteriores ao período em que, inicialmente, o clube informou que ele teria trabalhado na instituição. O Ministério Público busca esclarecer a função exercida e o período exato de atuação do profissional.



O que diz Osmar Stabile sobre a contratação da Mega


Em manifestação anterior, Osmar Stabile afirmou que a substituição da estrutura de segurança ocorreu de maneira emergencial após a invasão ao prédio administrativo do Parque São Jorge, registrada em 31 de maio de 2025.


O presidente reconheceu que a empresa não estava homologada e que a contratação não cumpriu todos os protocolos internos do Corinthians. Segundo ele, o cenário exigia a troca imediata dos profissionais responsáveis pela segurança do Parque São Jorge, da Neo Química Arena e dos centros de treinamento.


Stabile também declarou que delegou a operação aos departamentos responsáveis e que não solicitou especificamente a abertura da Mega Assessoria.



Bear Security também passou a ser investigada


O procedimento passou a analisar também a contratação da Bear Security, responsável pela segurança pessoal de Osmar Stabile e de seus familiares desde julho de 2025.


Conforme revelou o Sport Insider, a empresa também não possuía autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada. A publicação apontou ainda que a companhia, fundada em janeiro de 2025 e sediada no Rio de Janeiro, tinha o Corinthians como único cliente formal registrado no período analisado.


A Bear Security emitiu 12 notas fiscais destinadas ao Corinthians, totalizando aproximadamente R$ 587 mil. Considerados em conjunto, os valores atribuídos às duas empresas superam R$ 1,26 milhão.


Em resposta à reportagem, o Corinthians informou que a contratação da Bear Security foi solicitada por Stabile em razão da relação de confiança do presidente com os profissionais. O clube também sustentou que o contrato passou pelo sistema interno de compliance.


Até o momento, não existe decisão judicial que reconheça irregularidades ou determine a responsabilização dos envolvidos. O procedimento permanece na fase de coleta de documentos e depoimentos.


Segunda oitiva envolve possível intervenção no Corinthians


Quatro dias depois do depoimento sobre as empresas de segurança, Osmar Stabile voltará a ser ouvido pelo Ministério Público em outro procedimento.


A oitiva presencial foi marcada pelo promotor Luiz Ambra Neto para segunda-feira (10) e integra o inquérito civil que analisa a situação administrativa, financeira e institucional do Corinthians.


A investigação ficou suspensa durante alguns meses porque o clube apresentou um recurso contra a abertura do procedimento. O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo rejeitou o pedido e autorizou a continuidade das diligências.


Com a retomada do inquérito, os promotores passaram a solicitar documentos e ouvir dirigentes, associados e outras pessoas ligadas ao Corinthians.



Intervenção judicial ainda não foi determinada


A continuidade do inquérito não significa que o Corinthians sofrerá uma intervenção judicial. O Ministério Público ainda avalia se existem elementos suficientes para adotar alguma medida perante a Justiça.


Caso os promotores entendam que há fundamentos, o MP-SP poderá apresentar uma ação civil pública solicitando providências relacionadas à administração do clube. Mesmo nesse cenário, a decisão final caberia ao Poder Judiciário, após a análise dos argumentos e das provas apresentadas pelas partes.


Os dois depoimentos de Osmar Stabile representam, portanto, novas etapas de investigações ainda em andamento. O primeiro buscará esclarecer as decisões tomadas na contratação das empresas de segurança. O segundo estará concentrado no cenário mais amplo de governança, finanças e funcionamento institucional do Corinthians.


O InfoTimão seguirá acompanhando os depoimentos e todos os desdobramentos das investigações que envolvem a administração do clube.

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