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Corinthians avança em negociação com Fever e estuda pré-contrato antes da eleição

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Redação InfoTimão
há 2 dias
8 min de leitura

Plataforma global de bilheteria pode antecipar recursos para quitar pendências com jogadores; próximo presidente decidiria sobre continuidade do acordo


Corinthians avança em negociação com ticketeira e prevê dinheiro para quitar dívidas com elenco.
Corinthians avança em negociação com ticketeira e prevê dinheiro para quitar dívidas com elenco. Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

O Corinthians está em negociações avançadas com a Fever, plataforma global de entretenimento e tecnologia especializada na comercialização de ingressos, para estabelecer uma parceria comercial que também poderá incluir patrocínio no uniforme alvinegro. A diretoria comandada por Osmar Stabile trabalha com a possibilidade de assinar um pré-contrato antes da eleição presidencial de novembro, permitindo a antecipação de receitas que seriam utilizadas para reduzir pendências financeiras com jogadores do elenco profissional.


A informação foi divulgada inicialmente pelo Meu Timão. Segundo a publicação, a intenção da atual administração é deixar as condições do negócio encaminhadas, mas reservar ao próximo presidente do Corinthians a decisão sobre sua continuidade. O modelo em discussão prevê o recebimento antecipado de valores referentes a luvas e patrocínio na camisa, embora as quantias envolvidas não tenham sido divulgadas.


A operação, entretanto, possui uma condição que poderá produzir efeitos para a próxima gestão. Caso o pré-contrato seja formalizado e o novo presidente opte por não dar continuidade ao acordo, o Corinthians poderá ser obrigado a pagar uma multa pela desistência, conforme as condições estabelecidas entre as partes.


As tratativas acontecem em um momento de dificuldades financeiras e de reorganização das receitas comerciais do clube. Além de atrasos nos direitos de imagem do elenco masculino, o Corinthians possui pendências relacionadas a férias e premiações, enquanto busca recursos para cumprir compromissos de curto prazo.


A possível chegada da Fever também levanta questionamentos sobre o futuro da estrutura tecnológica utilizada atualmente para a venda de ingressos e o relacionamento com os torcedores, serviços que envolvem a OneFan, responsável pela operação do Fiel Torcedor e pelo aplicativo Universo SCCP.


Corinthians negocia pré-contrato com Fever antes da eleição presidencial


O formato discutido entre Corinthians e Fever procura conciliar dois objetivos da atual administração: encaminhar uma nova parceria comercial e obter recursos antes da definição do próximo comando do clube.


A eleição presidencial está prevista para 28 de novembro, quando será escolhido o presidente responsável pelo mandato de 2027 a 2029. Diante da proximidade da votação, a gestão de Osmar Stabile avalia a formalização de um instrumento preliminar, deixando parte das condições negociadas para posterior decisão do dirigente eleito.


Segundo o Meu Timão, as conversas envolvem tanto a área de bilheteria quanto a possibilidade de exposição da marca Fever no uniforme do Corinthians. Os valores, o prazo contratual e a propriedade específica da camisa que poderia ser ocupada pela empresa ainda não foram divulgados.


Um dos pontos centrais da proposta é a antecipação financeira. O modelo permitiria que o Corinthians recebesse recursos relacionados a luvas, pagamento normalmente associado à formalização de determinados acordos comerciais, e valores de patrocínio antes da eventual implementação integral da parceria.


Em contrapartida, a assinatura de um pré-contrato poderá estabelecer obrigações jurídicas para o clube. Caso a próxima administração decida não prosseguir com o negócio, poderá ser aplicada uma penalidade financeira prevista no instrumento.


Isso significa que a decisão sobre a continuidade da parceria poderá ficar com o próximo presidente, mas a possibilidade de desistência não necessariamente estará livre de custos.


Sem acesso aos documentos em negociação, ainda não é possível determinar o valor da eventual multa, quais condições permitiriam o encerramento do compromisso ou se os recursos antecipados estariam sujeitos a alguma obrigação de devolução.


Também não há confirmação de que um pré-contrato tenha sido assinado. Até o momento, as informações disponíveis indicam negociações avançadas, e não a conclusão definitiva da parceria.


Fever é parceira da Fórmula 1.
Fever é parceira da Fórmula 1. Imagem: Divulgação / F1

Antecipação de receitas pode ajudar Corinthians a quitar direitos de imagem


A possibilidade de receber recursos da Fever surge em um período de pressão sobre o caixa alvinegro, especialmente pelas obrigações pendentes com o elenco profissional masculino.



A obrigação mensal é estimada pela Diretoria Financeira em aproximadamente R$ 10 milhões, valor que ajuda a dimensionar as dificuldades enfrentadas pela administração. A estimativa, entretanto, não permite afirmar automaticamente que o saldo devedor consolidado seja de R$ 30 milhões, já que os contratos possuem condições individuais e o clube não divulgou um demonstrativo definitivo.


Além dos direitos de imagem, existem pendências relacionadas às férias dos atletas durante a pausa para a Copa do Mundo e às premiações estabelecidas pelo desempenho na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.


Após a partida contra o Vasco, Osmar Stabile afirmou que a diretoria trabalhava para realizar pagamentos parciais e negou a existência de uma crise de relacionamento com os jogadores. O presidente não apresentou, porém, um cronograma definitivo nem informou quais valores seriam destinados a cada obrigação.


A situação também foi comentada pelo gerente de futebol Júlio César, que reconheceu o desconforto provocado pelos atrasos e a necessidade de preservar o ambiente de trabalho. O InfoTimão repercutiu as declarações do dirigente em reportagem sobre os bastidores do departamento de futebol.


É nesse contexto que a negociação com a Fever ganha importância. A entrada de recursos poderia ampliar a disponibilidade imediata de caixa e permitir a regularização de parte das pendências acumuladas.


A antecipação, contudo, ainda não representa uma receita garantida nem confirma a quitação dos valores devidos aos atletas. O resultado dependerá da formalização do acordo, do montante disponibilizado e da destinação definida pelo Corinthians.


A operação também terá de ser considerada no planejamento financeiro dos próximos anos. Recursos recebidos antecipadamente podem aliviar necessidades imediatas, mas, dependendo de sua natureza contratual, poderão reduzir entradas futuras ou criar obrigações comerciais para a administração seguinte.


O que pode mudar para a OneFan e o Fiel Torcedor?


A negociação com a Fever também chama atenção por envolver um segmento no qual o Corinthians já mantém contratos com outras empresas.


Atualmente, a OneFan participa da gestão do Fiel Torcedor, dos serviços de bilheteria e do aplicativo Universo SCCP. O clube também possui vínculo com a Ligatech, responsável por serviços relacionados ao controle de acesso à Neo Química Arena.


A possível entrada de uma nova fornecedora de tecnologia de ingressos exigirá a avaliação dessas relações contratuais, especialmente se a parceria envolver atividades já desempenhadas pelas empresas atuais.


Por enquanto, não há confirmação de substituição da OneFan, mudança de plataforma ou alteração nos benefícios do Fiel Torcedor. A compra de ingressos e os procedimentos de acesso ao estádio continuam sujeitos às regras e aos canais oficiais atualmente utilizados pelo Corinthians.


A discussão sobre uma reformulação da operação de bilheteria, entretanto, não começou com a Fever.



Naquela ocasião, a proposta da empresa norte-americana envolvia R$ 100 milhões em antecipação de recebíveis no primeiro ano, R$ 150 milhões no segundo e R$ 40 milhões em patrocínio direto, dentro de um contrato previsto para cinco temporadas.


Em contrapartida, a Ticketmaster receberia percentuais sobre a arrecadação com ingressos e com o programa de sócio-torcedor.


A oferta foi retirada em fevereiro após o vazamento de informações estratégicas, embora as conversas tenham sido retomadas posteriormente. O episódio também levou à abertura de uma investigação interna no Conselho Deliberativo para apurar a divulgação dos documentos.


Os valores discutidos com a Ticketmaster não correspondem à negociação atual com a Fever, cujas condições financeiras continuam desconhecidas.


O histórico demonstra que o Corinthians já buscava alternativas para obter receitas antecipadas e reorganizar sua operação de bilheteria antes do surgimento das tratativas com a plataforma espanhola.


Também evidencia a necessidade de avaliar os contratos vigentes. Eventuais mudanças na operação poderão envolver custos de encerramento ou compensações, dependendo das obrigações assumidas com OneFan e Ligatech.


Para a Fiel Torcida, o principal ponto de atenção será compreender se uma futura parceria trará alterações na compra de ingressos, nos benefícios do programa de sócio-torcedor e na experiência de acesso à Neo Química Arena.


Até que um acordo seja formalizado e suas condições sejam divulgadas, não existe mudança anunciada nesses serviços.


Fever mantém parceria com o Barcelona.
Fever mantém parceria com o Barcelona. Imagem: Divulgação / Barcelona

Quem é a Fever? Empresa tem acordos com Fórmula 1, Barcelona e Atlético de Madrid


A Fever é uma plataforma de tecnologia voltada à descoberta, divulgação e comercialização de experiências de entretenimento, incluindo shows, exposições, eventos culturais, atrações turísticas e competições esportivas.


De origem espanhola, a companhia iniciou suas atividades na década de 2010 e consolidou sua atuação digital a partir de 2014. Com sede em Madri, mantém operações em diferentes mercados e oferece soluções voltadas à venda de ingressos, distribuição de experiências e relacionamento com consumidores.


Segundo dados institucionais, a Fever está presente em mais de 55 países e 500 cidades, com um catálogo que reúne milhares de experiências culturais e de entretenimento.


No esporte, um dos principais movimentos recentes foi o acordo anunciado em junho de 2026 com a Fórmula 1. A empresa foi escolhida como fornecedora oficial de tecnologia de bilheteria da categoria em uma parceria global de cinco anos, que entrará em vigor a partir de 2027 e envolverá a comercialização de ingressos oficiais e experiências de hospitalidade.


A Fever também mantém acordos com dois importantes clubes do futebol espanhol.


Com o Barcelona, atua como parceira oficial de tecnologia de bilheteria em um contrato válido até junho de 2030, enquanto no Atlético de Madrid participa da comercialização de ingressos e experiências oferecidas aos torcedores no estádio Riyadh Air Metropolitano, em um vínculo de cinco temporadas.


As parcerias demonstram a experiência internacional da companhia em operações que combinam tecnologia, bilheteria e serviços comerciais. Entretanto, não significam que o Corinthians esteja negociando necessariamente o mesmo modelo adotado pela Fórmula 1 ou pelos clubes espanhóis.


As condições de uma eventual parceria alvinegra dependerão do escopo negociado, da estrutura contratual existente e das decisões administrativas relacionadas à próxima gestão.


Fever também é fornecedora oficial do Atlético de Madrid.
Fever também é fornecedora oficial do Atlético de Madrid. Foto: Divulgação / Atlético de Madrid

Possível parceria dependerá de decisão da próxima gestão do Corinthians


As conversas com a Fever acontecem em uma fase de transição política e administrativa no Corinthians, com a eleição presidencial marcada para 28 de novembro.


A diretoria de Osmar Stabile busca encaminhar uma alternativa comercial que poderá gerar recursos ainda em 2026, enquanto a administração seguinte ficará responsável por avaliar os termos definitivos da parceria e seus efeitos para os próximos anos.


A negociação também envolve decisões que vão além de uma eventual troca de fornecedor. Estão em discussão a exploração comercial de serviços vinculados à bilheteria, a possibilidade de patrocínio no uniforme e as consequências financeiras de um compromisso preliminar.


Esses elementos exigem atenção porque a antecipação de receitas pode ajudar o Corinthians a enfrentar obrigações imediatas, mas também estabelecer compromissos que se estendam para além do mandato de Stabile.


Uma eventual parceria precisará ainda considerar os contratos já existentes com empresas responsáveis pelo relacionamento com os associados e pela operação de ingressos, além de esclarecer quais serviços seriam assumidos pela Fever.


Para o torcedor, permanece a expectativa de saber se a possível chegada da plataforma poderá melhorar a experiência de compra, o funcionamento do Fiel Torcedor e os processos de acesso à Neo Química Arena. Por enquanto, entretanto, nenhuma mudança foi anunciada.


A negociação coloca o Corinthians diante de uma decisão que ultrapassa a busca por recursos imediatos. Ao mesmo tempo em que procura reduzir pendências financeiras ainda em 2026, a atual administração discute um modelo capaz de estabelecer compromissos para o próximo mandato, cuja extensão dependerá das condições efetivamente formalizadas.


Até o momento, não foram divulgados valores, prazo contratual, espaço específico de patrocínio ou condições definitivas de implementação da eventual parceria com a Fever.


O InfoTimão seguirá acompanhando as negociações, os desdobramentos da eleição presidencial e as possíveis mudanças na gestão da bilheteria e dos serviços destinados à torcida corinthiana.


E você, torcedor: como avalia a possibilidade de o Corinthians antecipar receitas por meio de um pré-contrato que poderá criar obrigações para a próxima gestão? Deixe sua opinião nos comentários.


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