Esportes da Sorte pede rescisão de contrato com Corinthians, que discorda dos termos

Patrocinadora tenta encerrar vínculo suspenso sem pagar multa; clube contesta os termos e aguarda desdobramentos da proibição das bets

O Corinthians recebeu uma notificação da Esportes da Sorte comunicando a intenção de rescindir o contrato de patrocínio máster, atualmente suspenso em razão da medida provisória que proibiu a operação das casas de apostas no Brasil. A empresa pretende encerrar o vínculo sem o pagamento de multa rescisória, mas a diretoria alvinegra discorda dessa interpretação e mantém negociações para definir o futuro da parceria.
A comunicação foi encaminhada no início desta semana e representa um novo capítulo nas discussões sobre o acordo, renovado em fevereiro de 2026 e com validade prevista até dezembro de 2029. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL Esporte e confirmada pelo InfoTimão, que apurou que a patrocinadora apresentou exigências à diretoria corinthiana, algumas delas rejeitadas pelo clube.
Apesar do impasse, os departamentos jurídicos das duas partes seguem em contato para buscar um entendimento. O Corinthians sustenta que o contrato deve permanecer suspenso enquanto não houver uma definição sobre os efeitos da nova legislação. A Esportes da Sorte, por sua vez, considera existir fundamento para o rompimento sem penalidade financeira.
O clube reforça que mantém um bom relacionamento com a patrocinadora, apesar das divergências contratuais. Até o momento, não há confirmação de rescisão definitiva, e uma eventual saída dependerá da interpretação das cláusulas do acordo, das condições negociadas entre as partes e dos desdobramentos da proibição das apostas no país.
A discussão acontece às vésperas de uma audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para 3 de novembro. O encontro debaterá os efeitos da medida provisória sobre diferentes setores da economia, incluindo os contratos de patrocínio do futebol brasileiro.
Esportes da Sorte quer rescindir contrato sem multa; Corinthians contesta
A nova notificação marca uma mudança na posição formal da Esportes da Sorte em relação ao contrato com o Corinthians. Até então, a empresa havia comunicado os possíveis impactos das restrições impostas ao mercado de apostas e interrompido as ativações publicitárias previstas na parceria.
Agora, a patrocinadora manifesta a intenção de encerrar definitivamente o vínculo, sob o argumento de que as alterações na legislação inviabilizaram o cumprimento das obrigações contratuais.
O entendimento não é compartilhado pela diretoria corinthiana. Para o clube, a suspensão das atividades da empresa no Brasil não significa, necessariamente, que o contrato possa ser encerrado de maneira imediata e sem compensação financeira.
Como a medida provisória ainda depende de apreciação pelo Congresso Nacional e pode sofrer alterações em decorrência de decisões judiciais, o Corinthians considera que a manutenção da suspensão é, neste momento, o caminho mais adequado para preservar seus direitos contratuais.
Em caso de rescisão definitiva, o clube entende que a Esportes da Sorte deverá arcar com a multa prevista no acordo. O valor dessa eventual penalidade não foi divulgado, e as partes ainda discutem quais condições devem prevalecer diante das mudanças regulatórias.
Segundo apuração do InfoTimão, a patrocinadora apresentou exigências para encaminhar a solução contratual, mas a diretoria não concordou com parte delas. Mesmo com a divergência, os representantes jurídicos permanecem em negociação, sem anúncio de rompimento ou de um novo entendimento.
A solução dependerá da aplicação das regras sobre as apostas, da redação das cláusulas contratuais e dos efeitos de eventuais decisões que modifiquem ou mantenham a proibição atualmente em vigor.
Contrato até 2029 coloca pelo menos R$ 480 milhões em risco
O impasse envolve uma das principais fontes de receita comercial previstas no planejamento financeiro do Corinthians para as próximas temporadas.
Em fevereiro de 2026, o clube renovou o contrato com a Esportes da Sorte até 31 de dezembro de 2029, ampliando os valores estabelecidos na parceria iniciada em 2024.
O acordo prevê remuneração anual assegurada de aproximadamente R$ 150 milhões, considerando valores fixos e outras entregas previstas contratualmente. Com bonificações e metas esportivas, o montante poderia alcançar R$ 200 milhões por temporada.
Com a interrupção das ativações publicitárias e a possibilidade de encerramento definitivo do vínculo, a diretoria passou a avaliar o impacto da perda dessas receitas sobre o orçamento alvinegro.
Conforme apurou anteriormente o InfoTimão, o Corinthians calcula que pelo menos R$ 480 milhões em receitas previstas para 2027, 2028 e 2029 estejam ameaçados. O montante considera o período restante do contrato e pode ser maior em razão das bonificações estabelecidas.
Os R$ 480 milhões, entretanto, não representam uma perda financeira já concretizada nem correspondem ao valor de uma eventual multa rescisória. Trata-se de uma projeção de receitas futuras associadas à manutenção do vínculo nos moldes originalmente estabelecidos.
O impacto efetivo dependerá do resultado das negociações, da situação jurídica da Esportes da Sorte e da capacidade do Corinthians de substituir, integral ou parcialmente, os valores que deixarem de ser recebidos.
Há ainda uma particularidade relacionada a 2026. O Corinthians já havia antecipado receitas do patrocínio referentes a outubro, novembro e parte de dezembro, utilizando esses recursos para reforçar o fluxo de caixa em um período de dificuldades financeiras.
Uma eventual rescisão também exigirá a definição de como serão tratados os pagamentos antecipados, as obrigações já cumpridas e as entregas comerciais interrompidas após a proibição das apostas.
Sem acesso integral às cláusulas contratuais, não é possível estabelecer se haverá devolução de valores, compensações ou outros ajustes financeiros.
O cenário ganha relevância diante da situação econômica do Corinthians, que encerrou o primeiro semestre com déficit de aproximadamente R$ 246 milhões e endividamento total próximo de R$ 2,8 bilhões. O InfoTimão já detalhou como a antecipação de receitas e a ameaça ao contrato com a Esportes da Sorte aumentaram a pressão sobre o caixa alvinegro.
Medida provisória provocou suspensão do patrocínio da Esportes da Sorte
A situação começou a mudar em setembro, quando o Governo Federal publicou uma medida provisória para proibir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos on-line.
A MP 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, estabeleceu um período de transição para o encerramento das operações e a retirada das marcas de casas de apostas das propriedades comerciais dos clubes.
Como mostrou o InfoTimão na cobertura da publicação da medida provisória, as restrições passaram a produzir efeitos diretos sobre as operações dessas empresas e sua presença publicitária no futebol brasileiro.
Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos destinados à oferta de apostas de quota fixa devem permanecer indisponíveis, conforme o cronograma estabelecido pelo Governo Federal.
No Corinthians, a mudança levou à suspensão das ativações da Esportes da Sorte na camisa e em outras propriedades comerciais previstas no acordo de patrocínio.
A empresa já havia enviado uma comunicação preventiva ao clube em setembro, alertando sobre os possíveis efeitos de alterações na legislação. Na ocasião, entretanto, a notificação não representava uma solicitação definitiva de rescisão.
A nova comunicação tem natureza diferente: diante da proibição em vigor, a patrocinadora passou a defender formalmente o encerramento do contrato.
A medida provisória, porém, ainda enfrenta etapas importantes de tramitação no Congresso Nacional. Até 30 de outubro, a MP 1.394/2026 aguardava a instalação da comissão mista responsável por analisá-la, conforme os registros legislativos.
O prazo inicial de deliberação vai até 23 de novembro, com início do regime de urgência previsto para 9 de novembro. A medida possui força de lei durante sua vigência, mas pode sofrer alterações, ser aprovada pelo Congresso ou perder eficácia caso não seja convertida em lei dentro dos prazos constitucionais.
Esse cenário ajuda a explicar por que o Corinthians considera prematuro tratar o vínculo com a Esportes da Sorte como definitivamente encerrado.
Paralelamente, entidades ligadas ao setor de apostas recorreram ao Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da proibição.
O resultado dessas discussões poderá influenciar a interpretação das condições contratuais, embora não determine automaticamente a solução do impasse entre Corinthians e Esportes da Sorte.
Corinthians participará de audiência no STF em 3 de novembro
A situação terá um novo desdobramento institucional na próxima terça-feira, 3 de novembro, quando o Supremo Tribunal Federal realizará uma audiência pública para discutir os impactos da medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil.
O encontro foi convocado pelo ministro Luiz Fux no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), e terá início às 10h, na sala de sessões da Segunda Turma do STF, em Brasília.
A ação questiona a constitucionalidade da MP 1.394/2026, e a audiência foi organizada para reunir diferentes perspectivas sobre os efeitos da legislação. Estão previstas manifestações de representantes do Governo Federal, entidades empresariais, associações do setor de apostas, pesquisadores e instituições esportivas.
O Corinthians está entre os clubes convidados a apresentar suas considerações sobre os impactos das restrições no futebol brasileiro.
Também foram convidados representantes de outras equipes e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de entidades ligadas à indústria, ao comércio e ao mercado publicitário.
A audiência não terá como objeto específico o contrato entre Corinthians e Esportes da Sorte. Seu objetivo será debater os efeitos mais amplos da medida provisória e reunir informações que poderão subsidiar futuras decisões judiciais sobre a proibição das apostas.
Por isso, não há garantia de que o encontro resulte em uma decisão imediata sobre a validade da MP ou sobre a continuidade do patrocínio corinthiano.
Ainda assim, os argumentos apresentados e eventuais encaminhamentos do STF poderão influenciar as negociações entre o clube e a patrocinadora, especialmente se houver alterações nas restrições atualmente impostas ao setor.
Enquanto o debate jurídico prossegue, os departamentos jurídicos do Corinthians e da Esportes da Sorte permanecem responsáveis por discutir as condições para manutenção da suspensão ou eventual encerramento do contrato.
Shopee ocupa espaço máster enquanto Corinthians negocia futuro do patrocínio
Com a retirada da Esportes da Sorte do uniforme, o Corinthians precisou reorganizar sua estratégia comercial para uma das propriedades mais valiosas da camisa alvinegra.
A primeira alternativa foi a Jota.ai, empresa de inteligência artificial que ocupou o espaço máster no confronto contra o Internacional, em 7 de outubro, mediante pagamento de R$ 1 milhão.
Posteriormente, a companhia acertou sua permanência no clube até o fim de 2026 por meio de outra propriedade comercial, a barra frontal do uniforme, em acordo de R$ 2 milhões. Somadas, as duas operações representam R$ 3 milhões em receitas comerciais conhecidas.
Na sequência, o Corinthians oficializou a Shopee como patrocinadora máster para os nove jogos restantes do Campeonato Brasileiro, garantindo a exposição da marca até o encerramento da temporada.
A parceria contempla o espaço principal da camisa, presença nos painéis de LED da Neo Química Arena, ações nos canais digitais do clube e iniciativas comerciais voltadas à venda de produtos alvinegros.
Os valores financeiros do contrato com a Shopee não foram divulgados.
A chegada das duas empresas permitiu ao Corinthians manter a exploração comercial de propriedades que ficaram disponíveis após a suspensão das ativações da Esportes da Sorte. Entretanto, os novos acordos possuem duração e condições diferentes da parceria originalmente prevista até 2029.
O clube conseguiu soluções comerciais para a reta final de 2026, mas ainda não definiu como recompor, nas próximas três temporadas, as receitas originalmente projetadas com a Esportes da Sorte.
Essa distinção é especialmente importante porque o Corinthians já havia incluído os valores do patrocínio renovado em seu planejamento financeiro de médio prazo.
A possibilidade de uma rescisão definitiva, portanto, coloca a diretoria diante de duas frentes simultâneas: buscar uma solução jurídica e financeira para o contrato suspenso e estruturar novas parcerias comerciais capazes de sustentar o orçamento das próximas temporadas.
A audiência pública do STF, a tramitação da medida provisória no Congresso Nacional e as negociações entre os departamentos jurídicos serão relevantes para esclarecer os próximos passos de um vínculo que continua representando valores expressivos para o Corinthians, mesmo sem ativações publicitárias em andamento.
O InfoTimão seguirá acompanhando as negociações entre Corinthians e Esportes da Sorte, os desdobramentos da MP 1.394/2026 e a audiência pública marcada para 3 de novembro.
E você, torcedor: como avalia a possibilidade de encerramento do contrato com a Esportes da Sorte? Deixe sua opinião nos comentários.
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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






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