Torcida do Corinthians protesta no Parque São Jorge e exige intervenção judicial
- Redação InfoTimão

- há 6 horas
- 5 min de leitura
Centenas participam da terceira mobilização em quatro dias e entoam: “Por bem, por mal, intervenção judicial”

Pela terceira vez em apenas quatro dias, a torcida do Corinthians se mobilizou para pedir uma intervenção judicial e protestar contra a política interna do clube. Na manhã deste sábado (22), centenas de corinthianos se concentraram diante do portão principal do Parque São Jorge, na Zona Leste de São Paulo.
Os participantes levaram faixas cobrando a saída de dirigentes, mudanças na estrutura política e uma “limpeza” no Corinthians. A principal palavra de ordem resumiu o tom do ato: “Por bem, por mal, intervenção judicial.”
A mobilização contou com o apoio de Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra, organizadas que anunciaram no início da semana uma sequência de atos no Ministério Público de São Paulo, na Neo Química Arena e no Parque São Jorge.
Confira alguns momentos da manifestação:
Faixas e cânticos miram dirigentes e Conselho
A concentração começou ao som do verso “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”, do samba “Reunião de Bacana”. Depois, os manifestantes espalharam faixas pedindo intervenção judicial e a saída das pessoas chamadas por eles de “ratazanas”, expressão utilizada em referência às figuras políticas do clube.
Quatro nomes foram citados diretamente: o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o presidente do Conselho Deliberativo Romeu Tuma Júnior e o conselheiro André Negão.
“Fora todo mundo, diretoria omissa, conselheiro vagabundo” e “alô, Conselho, respeita a gente” estiveram entre os cânticos direcionados à administração e às principais instâncias políticas do Corinthians.
A reforma do Estatuto e as eleições previstas para o fim do ano também apareceram nas palavras de ordem. Os torcedores cantaram “não é mole, não, arruma a casa ou não vai ter eleição” e “ei, você aí, reforma o Estatuto ou a Fiel invadir”.
Parte das cobranças foi direcionada aos sócios do clube social, acusados pelos participantes de omissão diante da crise. Outros coros adotaram tom mais contundente, como “intervenção ou guerra” e “vamos expulsar os ratos com intervenção”.
As expressões reproduzidas representam palavras de ordem entoadas pelos manifestantes e não conclusões da reportagem sobre os dirigentes ou associados citados.
O protesto amplia uma sequência de mobilizações contra Osmar Stabile e em defesa de uma intervenção judicial que ganhou força nas redes sociais e passou a ocupar diferentes pontos da cidade de São Paulo.
Terceira mobilização da Torcida do Corinthians em quatro dias
O ato no Parque São Jorge encerrou a agenda de três mobilizações convocada pelas organizadas para esta semana.
Na quarta-feira (19), centenas de torcedores se reuniram diante da sede do MP-SP, no Centro de São Paulo. A ação foi apresentada como pacífica e simbólica, fechou temporariamente um trecho da Rua Riachuelo e terminou com uma reunião entre lideranças das torcidas e os promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal.
Na quinta (20), a cobrança chegou à Neo Química Arena. Durante a vitória sobre o Rosario Central, pela Libertadores, foram exibidas no Setor Norte faixas com mensagens como “sem intervenção não há reconstrução” e “intervenção judicial já”.
A sequência foi concluída neste sábado justamente na sede social e administrativa do Corinthians, onde se concentra grande parte das decisões políticas do clube.
Além das ações presenciais, campanhas como #IntervençãoFiel, Movimento Libertação Já, Salvem o Corinthians e #ForaStabile utilizam abaixo-assinados e as redes sociais para mobilizar a Fiel por mudanças na administração alvinegra.

Dívida e crise política alimentam insatisfação
Os participantes relacionam a mobilização ao acúmulo de crises políticas, administrativas e financeiras vivido pelo Corinthians nos últimos anos.
O balanço financeiro de 2025 registrou déficit de R$ 143,4 milhões e dívida bruta de R$ 2,723 bilhões. O montante inclui R$ 2,081 bilhões em obrigações do clube e R$ 642 milhões referentes ao financiamento da Neo Química Arena.
O Corinthians também enfrenta três transfer bans que impedem o registro de jogadores. As pendências somam aproximadamente R$ 21,5 milhões, sendo duas punições aplicadas pela Fifa e uma relacionada à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, ligada à CBF.
No campo político, a administração de Osmar Stabile é alvo de investigações do Ministério Público. No último dia 10, o presidente foi ouvido pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal no inquérito civil que analisa a situação institucional do Corinthians.
Intervenção dependeria de decisão da Justiça
Apesar da pressão pública, os atos e abaixo-assinados não determinam automaticamente uma intervenção no clube.
O inquérito foi instaurado em dezembro de 2025, mas ficou paralisado até maio durante a análise de um recurso apresentado pelo Corinthians. Os promotores estimam que a apuração ainda deverá durar pelo menos dois meses, embora não exista prazo definitivo para sua conclusão.
Depois da mobilização diante do MP-SP, Luiz Ambra Neto e André Pascoal afirmaram que o ato funciona como um “termômetro” da aflição da torcida, mas garantiram uma atuação técnica e sem influência do calendário eleitoral.
Ainda não existe certeza de que o Ministério Público apresentará uma ação. Mesmo que o órgão peça a intervenção, somente a Justiça poderá autorizar a medida, definir os poderes de um eventual interventor e estabelecer o período de atuação.
O InfoTimão explicou em uma análise especial como funcionaria uma intervenção judicial no Corinthians e quais seriam seus riscos, limites e possíveis efeitos.

Semana reúne classificação, protestos e novo atrito com Memphis
A mobilização ocorreu dois dias depois de o Corinthians vencer o Rosario Central por 1 a 0 e avançar às quartas de final da Libertadores. Breno Bidon marcou o gol da classificação após cobrança de falta de Memphis Depay.
Na sexta-feira (21), Memphis lançou a música “Don’t Panic”, na qual aborda a renovação contratual, os vazamentos de informações e os desgastes com dirigentes. O videoclipe termina com imagens do Parque São Jorge em chamas.
Antes do protesto deste sábado, o atacante afirmou que a produção havia sido gravada meses antes, classificou o vídeo como uma manifestação artística e rejeitou qualquer associação com atos de violência. Memphis também pediu que a mensagem não fosse interpretada de maneira equivocada e defendeu que a mobilização ocorresse pacificamente.
Horas depois, o Corinthians divulgou uma nota informando que adotaria as medidas contratuais e legais cabíveis. Segundo apuração do InfoTimão, a diretoria decidiu multar o jogador em parte de seus vencimentos por considerar que as imagens não preservaram a identidade institucional do clube.
Dentro de campo, o Corinthians volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O Timão visita o Coritiba neste domingo (23), às 19h30, no Couto Pereira, pela 24ª rodada.
As equipes estão separadas por apenas um ponto. O Corinthians ocupa a nona colocação, com 32, enquanto o Coritiba aparece logo atrás, com 31.
E você, Fiel, como avalia a mobilização realizada no Parque São Jorge? Deixe sua opinião nos comentários.
O InfoTimão acompanhará os próximos passos da investigação e todos os desdobramentos políticos, administrativos e financeiros do Corinthians.
InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






Comentários