Organizadas do Corinthians reúnem centenas de pessoas em ato por intervenção judicial no MP-SP
- Redação InfoTimão

- há 7 horas
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Lideranças das organizadas foram recebidas pela Promotoria, mobilização fechou a Rua Riachuelo e hashtag alcançou o primeiro lugar no X

Centenas de torcedores do Corinthians se reuniram na tarde desta quarta-feira (19) diante da sede do Ministério Público de São Paulo, no Centro da capital, para demonstrar apoio ao trabalho do órgão e cobrar seriedade na análise de uma possível intervenção judicial no clube.
A mobilização reuniu Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra. A ação começou por volta das 14h30 e chegou a fechar temporariamente o trecho da Rua Riachuelo onde fica a sede do MP-SP.
As organizadas ressaltaram que o encontro não tinha caráter de confronto ou desordem. O movimento foi apresentado como um “ato pacífico e simbólico”, destinado a apoiar a investigação e cobrar providências diante da situação política, administrativa e financeira do Corinthians.
A presença no MP-SP foi a primeira das três mobilizações anunciadas pelas organizadas para esta semana. As próximas ações acontecerão durante a decisão contra o Rosario Central, pela Conmebol Libertadores, e diante do Parque São Jorge.
Lideranças das organizadas se reúnem com promotor
Durante o ato, representantes das torcidas organizadas entraram na sede do Ministério Público para conversar com Luiz Ambra Neto. Entre eles estava Alê Domenico, presidente dos Gaviões da Fiel.
Luiz Ambra Neto é um dos promotores responsáveis pelo inquérito civil que analisa a situação institucional do Corinthians. A investigação também é conduzida por André Pascoal.
A reunião teve como objetivo apresentar o posicionamento das organizadas, demonstrar apoio ao trabalho da Promotoria e reforçar o pedido para que o órgão analise com rigor os documentos e as denúncias envolvendo a administração do clube.
Até o fechamento desta matéria, as organizadas e o Ministério Público não haviam divulgado detalhes sobre o conteúdo da conversa ou eventuais compromissos assumidos durante o encontro.
O ex-atacante Dinei, campeão brasileiro e mundial pelo Corinthians, também compareceu ao ato e acompanhou a mobilização da Fiel.

Torcedores entoam gritos por intervenção judicial
Do lado de fora da sede do MP-SP, os corinthianos levaram faixas pedindo “socorro” ao órgão e entoaram diferentes gritos em defesa de uma intervenção judicial.
“Intervenção ajuda nós, o seu trabalho será a nossa voz” e “ô, ô, ô, queremos intervenção no Timão” estiveram entre as palavras de ordem entoadas durante o ato.
Os torcedores também cobraram a divulgação de contratos e direcionaram críticas aos dirigentes. “Não é mole não, revelem os contratos para expulsar esses ladrões”, “alô, cambada de ratos, nós vamos te expulsar”, “se gritar pega ladrão, não sobra um” e “olha que legal, os ratos vão sair com a intervenção judicial” foram outros gritos entoados.
A mobilização dá sequência aos protestos contra Osmar Stabile e aos pedidos por intervenção judicial que se espalharam por São Paulo nos últimos dias.
Hashtag alcança o primeiro lugar no X
O movimento também ganhou força nas redes sociais. Durante o ato, a hashtag #IntervençãoJudicialJá alcançou o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do X, antigo Twitter.
Integrantes da mobilização espalharam pela Rua Riachuelo um QR Code direcionado à campanha organizada pelo Movimento Libertação Já. A iniciativa busca reunir assinaturas em defesa de uma intervenção judicial temporária no Corinthians.
A campanha se soma a outras iniciativas independentes da torcida. O InfoTimão mostrou anteriormente como a #IntervençãoFiel, o Salvem o Corinthians e o movimento #ForaStabile passaram a mobilizar torcedores por mudanças na administração e na estrutura política do clube.
Um abaixo-assinado pode demonstrar apoio popular, ampliar a repercussão da pauta e ser apresentado ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. As assinaturas, entretanto, não obrigam o MP-SP a entrar com uma ação nem determinam automaticamente o afastamento de dirigentes.

Inquérito foi instaurado em dezembro de 2025
O inquérito civil que analisa uma eventual intervenção no Corinthians foi instaurado em dezembro de 2025. O andamento ficou suspenso após um recurso apresentado pelo clube contra a abertura do procedimento.
Em maio, o Conselho Superior do Ministério Público rejeitou o recurso e autorizou a continuidade da investigação. Desde então, os promotores passaram a analisar documentos e ouvir pessoas ligadas à administração e ao funcionamento institucional do Corinthians.
No dia 10 de agosto, Osmar Stabile prestou depoimento a Luiz Ambra Neto e André Pascoal. O presidente foi questionado sobre as situações administrativa e financeira do clube, as providências adotadas diante de diferentes denúncias e a disponibilidade de documentos complementares.
O inquérito não possui prazo determinado para ser encerrado. A expectativa é que o procedimento ainda dure pelo menos dois meses, período no qual outras pessoas poderão ser chamadas para prestar esclarecimentos.
Ao final da investigação, o Ministério Público poderá arquivar o caso, propor um Termo de Ajustamento de Conduta, recomendar mudanças ou apresentar uma ação à Justiça. Mesmo que o órgão peça uma intervenção, somente o Poder Judiciário poderá determinar a medida e estabelecer o seu alcance.
O InfoTimão explicou em uma análise especial como funcionaria uma intervenção judicial no Corinthians e quais seriam seus riscos, limites e possíveis efeitos.

Crise financeira e investigações ampliam mobilização
A situação financeira aparece como um dos principais motores da mobilização. O balanço de 2025 registrou déficit de R$ 143,4 milhões e dívida bruta de R$ 2,723 bilhões.
O Corinthians também permanece impedido de registrar jogadores por causa de três transfer bans. Dois bloqueios foram aplicados pela Fifa, enquanto o terceiro está relacionado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, ligada à CBF.
No cenário político, a administração de Osmar Stabile também aparece em investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Uma das apurações envolve o pagamento de aproximadamente R$ 676,6 mil à Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa que prestou serviços relacionados à segurança sem possuir autorização da Polícia Federal para atuar formalmente no setor.
Outra frente analisa a contratação da Bear Security, responsável pela segurança particular de Osmar Stabile e de seus familiares. A empresa recebeu aproximadamente R$ 586,9 mil dos cofres do Corinthians.
Os procedimentos permanecem em andamento e ainda não existe uma decisão judicial que reconheça irregularidades ou determine a responsabilização dos envolvidos.
Mobilizações continuarão na Libertadores e no Parque São Jorge
A sequência de mobilizações continuará nesta quinta-feira (20), quando o Corinthians enfrentará o Rosario Central, às 21h30, na Neo Química Arena, pelo jogo de volta das oitavas de final da Libertadores.
As organizadas afirmaram que apoiarão os jogadores na busca pela classificação, mas manterão as cobranças contra a administração nas arquibancadas. Depois do empate por 0 a 0 na Argentina, uma vitória por qualquer placar coloca o Timão nas quartas de final. Uma nova igualdade levará a decisão para os pênaltis.
No sábado (22), a Fiel foi convocada para uma manifestação diante do Parque São Jorge, a partir das 10h. Segundo as organizadas, o objetivo será pedir a saída de pessoas que ainda fazem mal ao Corinthians.
E você, Fiel, o que espera da investigação conduzida pelo MP-SP? Deixe sua opinião nos comentários.
O InfoTimão acompanhará os próximos atos, o andamento das investigações e toda a repercussão política no Parque São Jorge.
InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






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