SAFiel diz que projeto não avança mais na gestão Stabile e relata falta de diálogo com presidência

Idealizadores afirmam que presidência deixou de responder após discussão sobre dívida da Arena, mas dizem que proposta seguirá ativa para próxima gestão

Os idealizadores da SAFiel consideram praticamente encerrada a possibilidade de o projeto avançar durante a atual gestão do Corinthians. Em entrevista ao Meu Timão, Carlos Teixeira e Eduardo Salusse afirmaram que o diálogo com a presidência de Osmar Stabile foi interrompido nas últimas semanas e que, diante da proximidade da eleição de novembro, não enxergam ambiente para retomar as tratativas neste mandato.
Teixeira foi mais categórico ao tratar o atual ciclo como uma “página virada”. Salusse adotou tom um pouco mais cauteloso e afirmou que esse é o cenário mais provável, embora tenha evitado classificar a situação como absolutamente definitiva.
A posição representa uma mudança importante em relação ao cenário de agosto, quando Corinthians e SAFiel chegaram a realizar uma longa reunião no Parque São Jorge e iniciaram uma etapa de questionamentos técnicos sobre a proposta.
Segundo os empresários, porém, a relação esfriou depois que Stabile passou a condicionar publicamente um avanço do projeto à solução da dívida da Neo Química Arena. A SAFiel afirma ter aceitado discutir a exigência, formalizado pedidos para avançar nas tratativas e, posteriormente, deixado de receber respostas diretas da presidência.
Apesar do impasse com a atual administração, os idealizadores garantem que não pretendem abandonar o projeto e defendem que uma eventual decisão definitiva sobre a transformação do futebol em SAF deve passar pelos associados do Corinthians.
SAFiel considera ciclo com gestão Stabile praticamente encerrado
Carlos Teixeira afirmou que o grupo já trabalha com a percepção de que a proposta não avançará mais sob a atual presidência.
Segundo ele, a falta de comunicação institucional e o pouco tempo restante até a eleição de 28 de novembro reduziram drasticamente a possibilidade de evolução das conversas.
Eduardo Salusse apresentou avaliação semelhante.
O empresário relatou que o grupo não mantém comunicação relevante com a presidência há aproximadamente três ou quatro semanas e afirmou que o período restante do mandato dificilmente seria suficiente para concluir as etapas necessárias.
Ao mesmo tempo, Salusse deixou uma pequena margem para uma eventual mudança de cenário e afirmou que a SAFiel permanece preparada caso o Corinthians decida retomar o diálogo antes da eleição.
A distinção é importante: os idealizadores consideram o avanço na atual gestão altamente improvável, mas não anunciaram formalmente o encerramento definitivo da SAFiel ou a retirada da proposta.
Reunião no Parque São Jorge abriu nova fase das conversas
O relacionamento entre as partes chegou a avançar significativamente no fim de agosto.
Corinthians e representantes da SAFiel se reuniram no Parque São Jorge em um encontro que durou mais de quatro horas e teve participação de dirigentes e presidentes de órgãos internos do clube.
Na ocasião, o InfoTimão mostrou que a reunião representava uma retomada do diálogo entre Corinthians e SAFiel, depois de meses de discussões públicas sobre o modelo.
Entre os participantes estavam Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, Miguel Marques, presidente do Conselho de Orientação, além de outros dirigentes.
Carlos Teixeira afirmou agora que o encontro terminou com uma extensa lista de questionamentos técnicos e com um pedido de Stabile para que as conversas seguintes fossem conduzidas de maneira reservada.
O empresário estimou que cerca de 200 perguntas tenham surgido ao longo do processo.
Posteriormente, porém, a SAFiel recebeu 108 questionamentos formais do Corinthians, reunidos pelo clube para análise da proposta.
O grupo respondeu a todos em um documento de 56 páginas, como o InfoTimão mostrou ao detalhar as respostas encaminhadas pela SAFiel.
Assim, enquanto Teixeira fala em aproximadamente 200 perguntas surgidas no processo de discussão, o número formal documentado posteriormente foi de 108 questionamentos respondidos pela SAFiel.
“Desafio” sobre dívida da Arena mudou relação entre as partes
Na versão apresentada pelos idealizadores, o ponto de inflexão aconteceu depois da reunião.
Teixeira relatou que Stabile havia solicitado confidencialidade nas conversas, mas posteriormente passou a tratar publicamente de uma condição para que a SAFiel avançasse: uma solução para o financiamento da Neo Química Arena.
Segundo Teixeira, o grupo foi surpreendido pela manifestação pública, mas decidiu analisar a exigência e anunciou que estava disposto a aceitá-la.
A SAFiel passou, então, a defender que poderia buscar uma solução para a dívida da Arena desde que existissem condições jurídicas e contratuais para a operação.
O ponto de divergência apareceu posteriormente.
De acordo com Teixeira, Stabile teria defendido que a SAFiel primeiro solucionasse a obrigação com a Caixa para, somente depois, avançar para a formalização do contrato com o Corinthians.
Na avaliação do empresário, essa sequência seria inviável do ponto de vista jurídico, financeiro e empresarial porque exigiria o desembolso de um valor elevado sem a existência prévia de um instrumento contratual que desse segurança à operação.
Essa avaliação pertence aos representantes da SAFiel e não deve ser confundida com uma conclusão do InfoTimão sobre a intenção da presidência.
SAFiel diz que formalizou resposta, mas deixou de receber retorno de Stabile
Depois de aceitar publicamente discutir a condição relacionada à Arena, a SAFiel afirma ter encaminhado documentos para formalizar o movimento.
O grupo enviou e-mail ao Corinthians detalhando as providências que considerava necessárias e, diante da ausência de resposta, também protocolou uma correspondência no clube.
Naquele período, o InfoTimão mostrou que a SAFiel pediu autorização para negociar diretamente com a Caixa uma solução para a dívida da Arena.
A solicitação também envolvia abertura de um ambiente de informações, mecanismos de confidencialidade e condições para avançar na análise técnica do projeto.
Teixeira afirma que, depois desses movimentos, não houve novo contato direto por parte de Stabile.
Salusse fez uma diferenciação dentro da estrutura institucional do Corinthians.
Segundo ele, Romeu Tuma Júnior confirmou o recebimento dos documentos e informou que encaminharia a questão ao Conselho Deliberativo, enquanto Miguel Marques também acusou recebimento da documentação.
A reclamação dos idealizadores, portanto, é direcionada principalmente à Presidência do Corinthians, e não a todos os órgãos do clube.
Corinthians seguiu outra rota para tentar quitar Arena
Embora a SAFiel afirme que o diálogo sobre o estádio tenha esfriado, a diretoria do Corinthians continuou buscando diretamente uma solução para o financiamento.
Nas últimas semanas, o clube apresentou à Caixa uma proposta para utilizar os naming rights da Arena e outros ativos comerciais como parte de uma operação destinada a encerrar uma dívida de aproximadamente R$ 630 milhões.
As conversas avançaram a ponto de o clube suspender o pagamento da terceira prestação trimestral de 2026 enquanto negocia com o banco.
Segundo dirigentes, a parcela de aproximadamente R$ 28 milhões vencida em setembro foi pausada em entendimento com a Caixa, como o InfoTimão mostrou nesta semana.
A iniciativa atual é conduzida diretamente pela administração corinthiana e não significa que a proposta anteriormente discutida com a SAFiel tenha sido retomada.
São caminhos distintos para tentar resolver uma das principais obrigações financeiras do clube.
Idealizadores defendem decisão final dos associados
Apesar do impasse com Stabile, Teixeira e Salusse afirmam que não consideram a posição da atual presidência suficiente para encerrar definitivamente a SAFiel.
A tese defendida pelo grupo é de que uma transformação dessa natureza deve passar pelos poderes internos do Corinthians e, ao final do processo, ser submetida aos associados.
Salusse afirmou que o grupo aceitará a rejeição caso os sócios, reunidos em Assembleia Geral, decidam não seguir com a proposta.
Essa é a interpretação institucional apresentada pela SAFiel. A implementação de uma SAF, entretanto, depende de uma série de aprovações estatutárias, jurídicas e regulatórias antes de qualquer eventual mudança de controle do futebol.
O que a SAFiel propõe para o Corinthians?
A proposta apresentada pela SAFiel prevê inicialmente a captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de alcançar até R$ 3 bilhões.
Os recursos seriam destinados principalmente à reorganização das dívidas do futebol, investimentos esportivos, infraestrutura, fortalecimento da governança e apoio ao clube social.
O modelo também prevê participação de torcedores no capital da sociedade, com investimentos a partir de R$ 250 e limites de participação por CPF.
Investidores externos poderiam participar por meio de ações sem direito a voto caso fosse necessário complementar a captação.
Outro ponto defendido pelo projeto é a preservação de elementos considerados essenciais à identidade corinthiana, como nome, cores, símbolos e escudo.
O plano prevê ainda mecanismos que poderiam permitir ao Corinthians retomar o controle da operação em determinadas situações de descumprimento de obrigações ou descaracterização institucional.
A efetivação, porém, está distante de ser automática. O processo exigiria análise dos órgãos internos, due diligence independente, valuation, etapas regulatórias, registro de fundos ou ofertas, estruturação da governança e, ao final, aprovação dos associados em Assembleia Geral.
Projeto previa até um ano entre aceitação e início das operações
O cronograma apresentado pela SAFiel estabelece aproximadamente 360 dias entre a aceitação formal da proposta e o início das operações.
Após a eventual assinatura, o projeto prevê a instalação de um sistema virtual para início das diligências em até 30 dias.
A due diligence e o valuation do Corinthians seriam concluídos em aproximadamente 180 dias, com participação prevista de uma empresa classificada entre as chamadas Big Four.
Na sequência viriam etapas relacionadas à Comissão de Valores Mobiliários, apresentação do projeto ao mercado, período de reservas e definição de conselheiros independentes e do CEO.
A votação final pelos associados seria prevista para aproximadamente 300 dias depois da aceitação, seguida da chamada de capital.
A instalação completa da governança e o início das operações ocorreriam, no planejamento apresentado pelo grupo, por volta do 360º dia.
Essa própria sequência ajuda a explicar por que os idealizadores consideram improvável um avanço relevante antes do fim do mandato atual.
SAFiel promete manter projeto ativo após eleição
O impasse com a atual presidência não significa, segundo Teixeira e Salusse, o encerramento da SAFiel.
Os idealizadores afirmam que continuarão trabalhando na proposta e pretendem mantê-la no debate institucional do Corinthians independentemente do resultado da eleição de novembro.
O grupo entende que uma eventual nova administração poderá reabrir as conversas e retomar etapas que ficaram paralisadas.
Por enquanto, o cenário é outro.
Uma negociação que ganhou força com uma reunião de mais de quatro horas no Parque São Jorge, avançou para 108 questionamentos formais e uma tentativa de construir uma solução para a dívida da Arena, terminou em um período sem diálogo direto entre os idealizadores e a presidência.
Para a atual gestão, os representantes da SAFiel consideram a janela praticamente fechada.
Para o projeto, entretanto, dizem que a discussão continuará aberta.
E você, torcedor: como avalia o futuro da SAFiel após o impasse com a atual diretoria? Deixe sua opinião nos comentários.
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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






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