Promotor do MP passa mais de quatro horas no Parque São Jorge em investigação sobre ex-presidentes do Corinthians
- Redação InfoTimão
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A investigação sobre possíveis irregularidades financeiras em gestões recentes do Corinthians ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (12). O promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo, esteve no Parque São Jorge para analisar documentos relacionados às apurações que envolvem os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.
A visita faz parte da fase de coleta de provas do processo que investiga movimentações financeiras e o uso de recursos do clube em administrações anteriores. As declarações do promotor foram concedidas em entrevista à ESPN.
Conserino permaneceu aproximadamente quatro horas e meia na sede social do Corinthians acompanhado por representantes do departamento jurídico do clube.
“Foi muito produtiva. Conseguimos delinear uma linha de raciocínio para exteriorizar as provas necessárias para demonstração da materialidade delituosa”, afirmou o promotor à ESPN.
Entenda o caso investigado pelo Ministério Público
O Ministério Público de São Paulo investiga possíveis irregularidades financeiras envolvendo gestões recentes do Corinthians.
As apurações incluem duas frentes principais:
uso de cartões corporativos do clube para despesas sem relação com a função institucional da presidência
movimentações financeiras registradas em planilhas que indicariam retiradas de dinheiro em espécie
No caso que envolve Duílio Monteiro Alves, a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e o ex-presidente se tornou réu por apropriação indébita, após investigação sobre despesas realizadas com o cartão corporativo do clube entre 2021 e 2023.
Outra frente da investigação analisa retiradas de dinheiro vivo que teriam ocorrido durante gestões anteriores, com valores que ultrapassariam R$ 3 milhões, segundo documentos analisados pelos promotores.
As investigações seguem em andamento e o Corinthians afirma colaborar com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
Investigação analisa retiradas de dinheiro e planilhas financeiras
Uma das frentes da investigação envolve planilhas que indicariam adiantamentos e retiradas de dinheiro em espécie durante gestões anteriores do clube.
Segundo Conserino, o Corinthians se comprometeu a fornecer documentação bancária e fiscal que pode ajudar a esclarecer a origem dessas movimentações.
“O Corinthians se comprometeu a abrir o sigilo bancário e fiscal e entregar a documentação que revela a retirada do dinheiro em consonância com a planilha que já foi exteriorizada na investigação, que denota no mandato do ex-presidente Andrés Sánchez a retirada de R$ 3,5 milhões em dinheiro em pecúnia”, explicou o promotor à ESPN.
A apuração também analisa registros que indicariam a participação de operadores nas movimentações financeiras investigadas.
Parte dos documentos ainda não foi localizada
Durante a análise inicial realizada no Parque São Jorge, o Ministério Público teve acesso a alguns documentos produzidos por órgãos internos do clube, como Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo.
No entanto, parte dos registros que fundamentaram decisões sobre aprovação ou reprovação de contas em determinados períodos não foi localizada naquele momento.
Segundo o promotor, a ausência desses documentos não ocorreu por falta de colaboração da atual gestão do Corinthians.
“Não conseguimos acesso às documentações que ensejaram a aprovação das respectivas contas. Não por culpa do Corinthians, pelo contrário, eles foram bastante colaborativos”, afirmou Conserino à ESPN.
Entre os documentos analisados estavam pareceres do Conselho Fiscal referentes aos anos 2021, 2024 e 2025, além de registros de alguns exercícios do Conselho Deliberativo.
Corinthians promete enviar novos documentos ao Ministério Público
Após a reunião no Parque São Jorge, ficou acordado que o Corinthians enviará novas remessas de documentos ao Ministério Público nos próximos dias.
Segundo Conserino, o cronograma estabelecido prevê:
até cinco dias para envio de pareceres e documentos internos adicionais
até dez dias para entrega de registros bancários que comprovem retiradas de dinheiro citadas nas planilhas analisadas
De acordo com o promotor, as movimentações investigadas teriam sido operacionalizadas por Denilson Grilo e João Odair de Souza, citados na investigação.
Promotor do MP afirma que o Corinthians aparece como principal vítima
Durante a visita ao Parque São Jorge, Conserino também afirmou que, na visão do Ministério Público, o clube aparece como o principal prejudicado pelos fatos investigados.
“A vítima maior de tudo isso é o Corinthians. O clube precisa entender que pode buscar reparação em caso de eventual condenação”, afirmou o promotor à ESPN.
Segundo ele, o Ministério Público atua no caso como representante da sociedade e na defesa do patrimônio coletivo.
Gestão Osmar Stabile promete transparência nas investigações
O vice-presidente jurídico do Corinthians, Pedro Soares, acompanhou o promotor durante a visita e reforçou o compromisso da atual gestão com a transparência.
Segundo ele, a administração liderada pelo presidente Osmar Stabile pretende colaborar integralmente com as autoridades.
“O comprometimento da gestão Osmar Stabile é de transparência total, não só com o Ministério Público, mas com toda a nação corintiana”, afirmou o dirigente.
Ainda segundo Soares, o clube pretende colaborar com as investigações preservando a imagem institucional do Corinthians.
Cronologia da investigação envolvendo ex-dirigentes do Corinthians
As investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre possíveis irregularidades financeiras em gestões recentes do Corinthians vêm avançando desde 2025 e já geraram diferentes desdobramentos.
MP pede afastamento de ex-presidentes
Em 2025, o Ministério Público solicitou à Justiça o afastamento temporário de ex-presidentes do Corinthians de cargos em órgãos do clube, como Conselho Deliberativo e Conselho de Orientação (Cori), diante de suspeitas de irregularidades administrativas.
Investigação sobre cartões corporativos
Com o avanço das apurações, promotores passaram a investigar despesas realizadas com cartões corporativos do Corinthians durante gestões anteriores, incluindo gastos que, segundo a denúncia, não teriam relação com as funções institucionais da presidência.
Justiça torna Duílio Monteiro Alves réu
Na última semana, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou Duílio Monteiro Alves réu por apropriação indébita.
Segundo a acusação, o ex-presidente teria utilizado o cartão corporativo do clube para pagar despesas pessoais, incluindo gastos em hotéis, restaurantes, lojas e outros estabelecimentos.
Investigação também analisa retiradas de dinheiro em espécie
Outra frente da investigação envolve repasses em dinheiro vivo realizados pelo Corinthians a um ex-chefe de segurança do clube, conhecido como “Caveira”.
Planilhas analisadas pelo Ministério Público indicam que os pagamentos teriam ultrapassado R$ 3 milhões entre 2018 e 2023, levantando questionamentos sobre a ausência de documentação que comprove a destinação desses valores.
Investigação segue em andamento
Com a nova etapa de coleta de documentos, o Ministério Público busca reunir elementos que possam confirmar as irregularidades apontadas nas denúncias.
A expectativa é que os documentos prometidos pelo Corinthians nos próximos dias ajudem a esclarecer a origem das movimentações financeiras e eventuais responsabilidades dentro das gestões investigadas.
O caso segue em apuração pelas autoridades.
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