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Polícia Civil encerra caso Nike no Corinthians sem indiciar suspeitos, mas aponta falhas graves no clube

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    Redação InfoTimão
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura
A polícia investigou os possíveis desvios de materiais esportivos no Corinthians.
A polícia investigou os possíveis desvios de materiais esportivos no Corinthians. Foto: Divulgação / Nike

Investigação da Drade não encontrou provas suficientes para confirmar furto qualificado, mas relatório expôs vulnerabilidades históricas nos controles internos do Corinthians


A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito que investigava um suposto esquema de desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians sem indiciar qualquer suspeito. O relatório final da Drade (Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva), assinado pelo delegado Cesar Antonio Borges Saad em 20 de maio de 2026, afirma que não foram produzidas provas suficientes para caracterizar crime de furto qualificado ou atuação de organização criminosa voltada ao desvio patrimonial dentro do clube.


A informação foi divulgada inicialmente pelo Sport Insider e confirmada pelo InfoTimão.


Apesar da ausência de indiciamentos, o relatório expôs fragilidades relevantes nos mecanismos de controle interno do Corinthians, especialmente nos processos ligados ao estoque, rastreabilidade, inventário e distribuição de produtos esportivos fornecidos pela Nike.


Caso Nike provocou desgaste político e pressão interna no Corinthians


A investigação gerou forte repercussão nos bastidores do Parque São Jorge nos últimos meses e ampliou o clima de tensão política dentro do clube. O caso passou a envolver disputas internas, questionamentos sobre governança administrativa e cobranças por modernização dos controles patrimoniais.


As suspeitas ganharam força após reportagens sobre possível circulação irregular de peças esportivas destinadas ao futebol profissional do Corinthians, além da abertura de apurações internas conduzidas pela própria diretoria alvinegra.


Durante a investigação, a Polícia Civil ouviu dirigentes, ex-funcionários, representantes da fornecedora esportiva e pessoas ligadas à comercialização de itens do Corinthians em plataformas digitais. Também foram anexados documentos internos, trocas de e-mails, notificações extrajudiciais, relatórios administrativos e levantamentos de inteligência policial.


Polícia afirma não ter encontrado provas de furto ou organização criminosa


Ao fim das diligências, a Drade concluiu que não foram encontrados elementos suficientes para individualizar autoria criminosa relacionada ao suposto desvio de materiais esportivos do Corinthians.


O relatório também destacou que não surgiram evidências concretas da existência de uma organização estruturada voltada à comercialização irregular de itens fornecidos pela Nike ao clube.


Segundo a investigação, embora tenham sido identificadas falhas administrativas relevantes, não houve comprovação material que sustentasse responsabilização criminal por furto qualificado por abuso de confiança.


Auditoria interna apontou falhas e riscos nos controles do clube


Um dos principais documentos anexados ao inquérito foi a auditoria interna determinada pelo presidente Osmar Stabile e coordenada por Marcelo Munhoz, diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians.


O levantamento identificou:

  • nove relatos de não conformidade;

  • sete riscos operacionais;

  • 15 recomendações de melhoria nos processos internos.


O documento, porém, deixou claro que a auditoria não possuía caráter conclusivo sobre eventual desvio patrimonial, limitando-se a apontar vulnerabilidades relevantes na gestão dos materiais esportivos.


Armando Mendonça admitiu falhas históricas nos sistemas de controle


O vice-presidente Armando Mendonça também prestou depoimento durante a investigação.


Segundo o relatório, o dirigente reconheceu que o Corinthians possuía falhas históricas nos mecanismos de controle de estoque e admitiu que os sistemas de inventário não eram plenamente eficazes.


Armando afirmou ainda ter sugerido anteriormente:

  • auditorias independentes;

  • implementação de assinaturas digitais;

  • criação de controles formais;

  • reforço na rastreabilidade dos materiais esportivos.


Após a divulgação da conclusão do inquérito, Armando Mendonça se manifestou publicamente por meio de nota oficial.

“A conclusão da Polícia Civil coloca ponto final em toda esta armadilha política que foi criada internamente. Um trabalho que foi feito de forma irresponsável e que não visava melhorar os procedimentos do Corinthians. Tinha como única intenção prejudicar a minha imagem. Irei até as últimas consequências para reparar o dano que me foi causado”, afirmou o dirigente.

CT do Corinthians ficou sem sistema formal de controle de materiais


Outro depoimento considerado relevante pela Polícia Civil foi o de Rafael Salomão, ex-encarregado do almoxarifado Nike do Parque São Jorge e ex-gerente administrativo do Corinthians.


Segundo ele, após uma mudança estrutural realizada em abril de 2024, o almoxarifado do Centro de Treinamento do futebol profissional passou a operar sem sistema adequado de controle de entrada e saída de materiais.


De acordo com Salomão, as falhas foram comunicadas ao setor administrativo do clube, à Ernst & Young e ao vice-presidente Armando Mendonça.


O ex-funcionário afirmou ainda que a situação só começou a ser regularizada em 1º de junho de 2025, quando um sistema formal passou a operar no CT. Mesmo assim, gargalos operacionais e ausência de padronização seguiram presentes durante os meses seguintes.


Nike diz que responsabilidade sobre materiais era do Corinthians


A Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil, também foi ouvida durante a investigação.


Renato Guerios de Aguiar, diretor de marketing da empresa, explicou à Polícia Civil que os materiais esportivos eram fornecidos mediante solicitações formais do Corinthians e que, após a entrega, a responsabilidade sobre armazenamento, controle e distribuição passava a ser exclusivamente do clube.


Segundo o executivo, a Nike não identificou indícios de comercialização irregular ou desvio dos materiais fornecidos ao Corinthians.


Ele também declarou que a empresa não possui mecanismos de rastreamento dos produtos após a entrega.


Polícia investigou anúncios em plataformas digitais


A investigação ainda analisou a comercialização de materiais do Corinthians em plataformas digitais e redes sociais.


Entre os ouvidos esteve Marcio Uehara Yamaguchi, responsável pelo perfil “@marcinhocolecionador”. Em depoimento, ele afirmou atuar apenas como colecionador e disse adquirir itens por meio de trocas, compras em plataformas como OLX, Mercado Livre e Facebook Marketplace, além de contatos com familiares de atletas.


Marcio negou qualquer participação em esquema de desvio de materiais esportivos.


Outro ouvido foi Italo Bruno Gonçalves Ramos, ex-observador técnico do Corinthians. Ele confirmou ter anunciado um uniforme da comissão técnica em uma plataforma digital, mas afirmou que a peça era de uso pessoal e havia sido obtida durante o período em que trabalhou no clube.


Segundo Italo, o item possuía inclusive identificação nominal em etiqueta. O ex-funcionário também negou envolvimento em irregularidades.


Como começou a investigação?


A apuração do "caso Nike" teve origem após pedido do Ministério Público, motivado por reportagens publicadas na imprensa e por procedimentos internos instaurados no próprio Corinthians.


O objetivo era investigar, em tese:

  • possível subtração de materiais esportivos fornecidos pela Nike;

  • eventual comercialização paralela dos itens;

  • falhas nos mecanismos de controle e estoque do clube.


Com o avanço da investigação, a Polícia Civil reuniu:

  • documentos administrativos;

  • relatórios internos;

  • requisições de materiais;

  • trocas de e-mails;

  • depoimentos de dirigentes e ex-funcionários;

  • levantamentos de inteligência policial.


Investigação termina sem crime comprovado, mas expõe fragilidade interna no Corinthians


Mesmo sem apontar responsabilização criminal, o relatório final da Drade reforçou a existência de problemas estruturais importantes nos mecanismos internos de controle patrimonial do Corinthians.


A investigação destacou fragilidades relacionadas:

  • ao fluxo de requisições;

  • aos inventários periódicos;

  • à rastreabilidade dos materiais;

  • à documentação de entradas e saídas;

  • ao controle operacional dos estoques.


O caso também aumentou a pressão interna por modernização administrativa e maior profissionalização dos processos de governança no clube.


Agora, o relatório foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que decidirão se o caso será definitivamente arquivado ou se novas diligências serão solicitadas.


O InfoTimão acompanha diariamente os bastidores, a política, as finanças e todas as informações do Corinthians com cobertura jornalística, apuração responsável e conteúdo otimizado para a Fiel em todas as plataformas.

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