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Oswaldo Brandão: a história do técnico com mais jogos pelo Corinthians

Foto do escritor: Redação InfoTimão
Redação InfoTimão
29 de jul.
7 min de leitura

Mestre dirigiu o Timão em cinco passagens e comandou o último título antes do jejum e a conquista que encerrou os 23 anos de espera


Oswaldo Brandão, o treinador com mais jogos na história do Timão.
Oswaldo Brandão, o treinador com mais jogos na história do Timão. Foto: Arquivo Corinthians

Nenhum treinador comandou o Corinthians mais vezes do que Oswaldo Brandão. Em cinco passagens pelo Parque São Jorge, o Mestre esteve à frente do Timão em 435 partidas e participou de alguns dos capítulos mais importantes da história alvinegra.


Brandão dirigiu o Corinthians na conquista do Campeonato Paulista de 1954, o último título antes do maior jejum vivido pelo clube. Vinte e três anos depois, retornou para conduzir justamente o time que encerrou aquela espera, na inesquecível decisão de 1977.


Entre uma conquista e outra, trabalhou com diferentes gerações, comandou alguns dos maiores jogadores da história corinthiana e construiu uma relação marcada pela liderança, pelo carisma e pela capacidade de recuperar equipes em momentos de enorme cobrança.


Mais do que um recordista, Oswaldo Brandão tornou-se um personagem fundamental para compreender a trajetória esportiva e emocional do Corinthians.


Quem foi Oswaldo Brandão


Oswaldo Brandão nasceu em 18 de setembro de 1916, na cidade de Taquara, no Rio Grande do Sul. Antes de se tornar treinador, iniciou sua trajetória no futebol como jogador.


Defendeu o Internacional entre o fim da década de 1930 e o início dos anos 1940. Depois, transferiu-se para o então Palestra Itália, posteriormente rebatizado como Palmeiras. Uma lesão encerrou sua carreira dentro de campo, mas abriu o caminho para uma trajetória muito mais longa e vitoriosa à beira do gramado.


Brandão começou a trabalhar como treinador ainda na década de 1940. Passou por clubes como Palmeiras e Portuguesa antes de chegar ao Corinthians, em 1954, contratado pelo presidente Alfredo Ignácio Trindade.


Começava naquele momento uma relação de quase três décadas com o clube do Parque São Jorge.


Da esquerda para a direita: Edu, Wladimir, Solito, Basílio, Ruço e o treinador Oswaldo Brandão.
Da esquerda para a direita: Edu, Wladimir, Solito, Basílio, Ruço e o treinador Oswaldo Brandão. Foto: Acervo Corinthians

A chegada ao Corinthians e os títulos de 1954


Oswaldo Brandão encontrou um dos elencos mais talentosos da história do Corinthians. A equipe contava com nomes como Gylmar, Roberto Belangero, Luizinho, Baltazar e Cláudio Christóvam de Pinho, maior artilheiro da história alvinegra.


Logo em sua primeira temporada, o treinador comandou o Timão na conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1954. O título confirmou a força de uma geração que já havia acumulado importantes resultados no início daquela década.


O maior objetivo, entretanto, era o Campeonato Paulista. A edição de 1954 possuía um significado especial por celebrar o IV Centenário da cidade de São Paulo. Conquistar aquela taça representava garantir um lugar definitivo na história do futebol paulista.


A confirmação aconteceu em 6 de fevereiro de 1955, quando o Corinthians empatou por 1 a 1 com o Palmeiras, no Pacaembu. Luizinho marcou o gol alvinegro que assegurou matematicamente o título estadual de 1954.


O Timão não conquistava apenas mais um campeonato. Levantava uma das taças mais simbólicas de sua história. O que ninguém poderia imaginar naquele momento era que o clube levaria mais de duas décadas para voltar a ser campeão.


O treinador que esteve nas duas pontas do jejum


Após a primeira passagem, encerrada em 1958, Oswaldo Brandão retornou ao Parque São Jorge entre 1964 e 1966. Nesse período, conquistou novamente o Torneio Rio-São Paulo, em uma edição dividida com Botafogo, Santos e Vasco.


Brandão voltou a trabalhar no Corinthians em 1968, mas ainda não conseguiu recolocar o clube no caminho dos títulos estaduais. A cobrança aumentava a cada temporada, enquanto a conquista de 1954 ficava cada vez mais distante.


O treinador seguiu construindo uma carreira vitoriosa em outros clubes e também recebeu oportunidades na Seleção Brasileira. Seu caminho, porém, voltaria a cruzar com o do Corinthians no momento mais delicado da longa espera alvinegra.


Treino no Parque São Jorge em 10 de fevereiro de 1955. Em pé, da esquerda para a direita: Oswaldo Brandão, Cerri (ou Cherry), Olavo, Alan, idário, Valmir e Goiano. Agachados: Nonô, Cláudio, Paulo Pedra, Nardo e Simão. Foto: arquivo pessoal de Valmir
Treino no Parque São Jorge em 10 de fevereiro de 1955. Em pé, da esquerda para a direita: Oswaldo Brandão, Cerri (ou Cherry), Olavo, Alan, Idário, Valmir e Goiano. Agachados: Nonô, Cláudio, Paulo Pedra, Nardo e Simão. Foto: arquivo pessoal de Valmir

O retorno para encerrar os 23 anos de espera


Em 1977, após deixar o comando da Seleção Brasileira, Oswaldo Brandão recebeu um convite do presidente Vicente Matheus para retornar ao Corinthians.


O desafio era enorme. O clube acumulava frustrações, carregava as marcas da derrota na decisão estadual de 1974 e convivia com uma cobrança que ultrapassava jogadores, treinadores e dirigentes. Encerrar o jejum havia se transformado em uma obsessão coletiva.


Brandão conhecia o peso daquela espera de uma maneira diferente. Afinal, ele próprio havia sido o treinador da última equipe campeã.


O Mestre assumiu o comando de um elenco que tinha jogadores como Tobias, Zé Maria, Wladimir, Ruço, Basílio, Vaguinho, Geraldão e Romeu. Não era apenas uma equipe que precisava vencer partidas. Era um grupo encarregado de superar um trauma que atravessava gerações de torcedores.


Durante a campanha, o treinador precisou recorrer a uma de suas principais características: a capacidade de controlar o ambiente e recuperar a confiança dos jogadores.


Após uma derrota para o Guarani em um momento decisivo do campeonato, Brandão reuniu-se com o elenco no vestiário e não permitiu a entrada de outras pessoas, incluindo o presidente Vicente Matheus. Na conversa reservada, reforçou aos jogadores que a conquista ainda dependia deles.


A resposta apareceu dentro de campo. O Corinthians venceu os compromissos seguintes, recuperou a confiança e avançou até a decisão contra a Ponte Preta. Mais do que um episódio curioso, a reunião tornou-se uma demonstração da influência de Brandão sobre o grupo que entraria para a história.


A previsão sobre o gol de Basílio


A final do Campeonato Paulista de 1977 precisou de três partidas. Depois de uma vitória para cada lado nos dois primeiros confrontos, Corinthians e Ponte Preta voltaram ao Morumbi em 13 de outubro para o duelo decisivo.


Um dos relatos mais conhecidos daquela conquista envolve Oswaldo Brandão e Basílio.


Adepto do espiritismo kardecista, o treinador teria chamado o meio-campista antes da partida e afirmado que ele seria o autor do gol do título. A história foi contada pelo próprio Basílio e passou a integrar a memória daquela decisão.


Aos 36 minutos do segundo tempo, após uma sequência de finalizações dentro da área, a bola sobrou para o camisa 8. Basílio chutou para o gol e marcou o tento que encerrou os 23 anos de espera.


O apito final transformou o Morumbi em um dos cenários mais emocionantes da história do Corinthians. Basílio tornou-se o Pé de Anjo, enquanto Brandão voltou a ser campeão pelo clube mais de duas décadas depois de sua primeira conquista estadual.


Fausto Silva empunha o microfone da Pan ao lado de João Avelino (de camisa branca) em busca de ouvir o vitorioso técnico Oswaldo Brandão após a conquista corintiana em 13 de outubro de 1977.
Fausto Silva empunha o microfone da Pan ao lado de João Avelino (de camisa branca) em busca de ouvir o vitorioso técnico Oswaldo Brandão após a conquista corintiana em 13 de outubro de 1977. Foto: Tardes de Pacaembu

Oswaldo Brandão em números pelo Corinthians


Oswaldo Brandão trabalhou no Corinthians em cinco períodos: de 1954 a 1958, entre 1964 e 1966, em 1968, de 1977 a 1978 e entre 1980 e 1981.


Embora existam pequenas divergências entre os acervos históricos, o número tradicionalmente adotado pelo Corinthians é de 435 partidas, referência utilizada pelo InfoTimão. A marca mantém Brandão isolado como o treinador que mais vezes dirigiu a equipe alvinegra. Tite, segundo colocado, comandou o clube em 378 oportunidades.


O Mestre conquistou quatro dos títulos mais importantes de sua trajetória corinthiana: os Campeonatos Paulistas de 1954 e 1977 e os Torneios Rio-São Paulo de 1954 e 1966.


Os troféus estaduais ocupam um espaço especial nessa história. O primeiro marcou a consagração de uma das melhores gerações do clube. O segundo encerrou o período mais doloroso vivido pela torcida.


O estilo paizão de Oswaldo Brandão


Oswaldo Brandão ficou conhecido pelo estilo próximo dos jogadores. Mais do que transmitir orientações técnicas, procurava conhecer os problemas do elenco e ajudar os atletas também fora de campo.


A postura fez com que recebesse a definição de “paizão”. Brandão sabia conversar, cobrar e proteger o grupo. Sua liderança não estava baseada apenas na autoridade do cargo, mas na confiança construída com quem trabalhava ao seu lado.


O treinador também se destacava pela maneira pausada e didática de falar. Em uma época na qual os departamentos de futebol possuíam estruturas muito menores, Brandão acumulava funções que atualmente seriam divididas entre diferentes profissionais.


Era treinador, conselheiro, gestor de pessoas e uma das principais referências do vestiário.


Seu perfil ajuda a explicar a longevidade da carreira e o respeito conquistado em clubes rivais. No Parque São Jorge, porém, sua história ganhou um significado particular. Foi ali que seu trabalho se confundiu com a própria memória do clube.


O grande presidente corintiano Vicente Matheus conversando no gramado do Parque São Jorge com o saudoso Oswaldo Brandão. Foto integrante do livro "Matheus, o Senhor Corinthians", escrito por Marlene Matheus.
O grande presidente corintiano Vicente Matheus conversando no gramado do Parque São Jorge com o saudoso Oswaldo Brandão. Foto integrante do livro "Matheus, o Senhor Corinthians", escrito por Marlene Matheus.

A última passagem pelo Corinthians


Oswaldo Brandão retornou ao Corinthians pela última vez em 1980. O cenário era diferente daquele encontrado três anos antes, e o treinador não conseguiu repetir o sucesso da passagem anterior.


Sua última partida no comando da equipe aconteceu em 15 de julho de 1981, no empate por 3 a 3 com o Juventus, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.


O time da Mooca abriu três gols de vantagem, mas o Corinthians reagiu e chegou ao empate com gols de Paulinho, Zenon e Biro-Biro. Mesmo com a recuperação, Brandão deixou o cargo em meio aos protestos de parte da torcida.


A despedida difícil não apagou o que havia sido construído. Entre o fim de 1985 e o início de 1986, ele ainda retornou ao Parque São Jorge para trabalhar como supervisor.


Fora do Corinthians, também exerceu a função de comentarista esportivo e permaneceu ligado ao futebol durante os últimos anos de vida.


A eternização do Mestre


Oswaldo Brandão morreu em 29 de julho de 1989, aos 72 anos, na cidade de São Paulo. Sua trajetória, entretanto, já estava definitivamente incorporada à história do Corinthians.


Décadas depois de sua última partida, nenhum treinador conseguiu superar o número de jogos acumulado pelo Mestre no comando alvinegro.


O recorde dimensiona sua longevidade. Os títulos revelam sua competência. Mas a posição ocupada por Brandão na memória corinthiana está ligada principalmente aos momentos nos quais foi chamado para liderar o clube.


Comandou o time histórico de Gylmar, Cláudio, Luizinho e Baltazar. Foi campeão do IV Centenário. Retornou durante a maior espera vivida pela torcida, suportou a cobrança e conduziu o elenco que devolveu a alegria à Fiel em 1977.


Esteve no último título antes da espera e no primeiro depois dela.


Oswaldo Brandão não foi apenas o treinador que mais vezes comandou o Corinthians. Foi um líder, um símbolo de diferentes gerações e um dos personagens que ajudaram a construir a identidade alvinegra.


Para você, torcedor, qual momento melhor representa a importância de Oswaldo Brandão para a história do Corinthians?


Deixe sua opinião nos comentários e acompanhe o InfoTimão para mais conteúdos sobre os personagens que construíram o legado do clube.

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