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Cássio revela depressão na saída do Corinthians e conta por que recusou renovação

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Redação InfoTimão
há 1 hora
5 min de leitura

Ídolo alvinegro revelou que buscou tratamento em 2024, contou que recebeu proposta para permanecer por mais dois anos e relembrou defesa histórica contra o Vasco


Cássio revela os motivos que o fizeram deixar o Corinthians.
Cássio revela os motivos que o fizeram deixar o Corinthians. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Ídolo do Corinthians, Cássio revelou novos detalhes sobre um dos momentos mais delicados de sua trajetória no clube. O goleiro contou que enfrentava depressão na reta final de sua passagem pelo Parque São Jorge, precisou recorrer a terapia, acompanhamento psiquiátrico e medicação e decidiu deixar o Timão mesmo após receber uma proposta para renovar seu contrato por mais dois anos.


Em entrevista ao Charla Podcast, Cássio afirmou que sua situação pessoal em 2024 era mais complexa do que se percebia externamente. Na época, o goleiro convivia com críticas, cobrança acumulada e um período esportivamente difícil do Corinthians depois de mais de uma década como uma das principais referências do elenco.


“Eu estava em depressão quando saí do Corinthians. Cheguei a um ponto em que tive que buscar ajuda, fazer terapia, ir ao psiquiatra e tomar remédio”, revelou.

A condição vivida naquele período, segundo Cássio, foi determinante para sua percepção de que o ciclo no Corinthians havia chegado ao fim.


Cássio revela depressão antes de deixar o Corinthians


Ao recordar a saída do Corinthians, Cássio mencionou críticas de que teria deixado o clube “pela porta de trás”. Para o goleiro, porém, esse tipo de leitura não levava em consideração tudo o que enfrentava naquele momento.


O camisa 12 afirmou que o desgaste não esteve ligado a um episódio específico, mas a um conjunto de fatores acumulados ao longo do tempo.


“Acho que foi o contexto geral. Perdi um pouco a capacidade de administrar as críticas e as coisas que estavam acontecendo”, explicou.

Depois de mais de 12 anos no Parque São Jorge, Cássio também passou a se cobrar pelo momento vivido pelo Corinthians. Acostumado a disputar títulos e assumir protagonismo em grandes decisões, o goleiro sentia que já não conseguia contribuir da maneira que considerava necessária.


“Naquele momento, acho que eu não conseguia mais estar lá para agregar”, afirmou.

A percepção fez com que buscasse ajuda profissional e, ao mesmo tempo, começasse a considerar o encerramento de sua passagem pelo clube.


Corinthians ofereceu renovação por mais dois anos a Cássio


A decisão de sair não aconteceu por falta de interesse do Corinthians em sua permanência.


Cássio revelou que, depois de receber uma proposta do Cruzeiro, o clube alvinegro apresentou uma oferta para renovar seu contrato por mais duas temporadas.


Segundo o goleiro, Augusto Melo, então presidente do Corinthians, também deixou claro que desejava sua continuidade.


“O Augusto deixou muito claro para mim: ‘Enquanto eu estiver aqui, eu quero você aqui’”, relembrou.

Mesmo diante da possibilidade de permanecer no clube onde havia construído sua história, Cássio entendeu que precisava encerrar o ciclo.


“O Corinthians foi muito honesto comigo. Falei para o presidente: ‘Eu não consigo mais te ajudar. Não estou conseguindo ajudar’”, contou.

A decisão, portanto, partiu da avaliação do próprio goleiro de que já não conseguia entregar ao Corinthians aquilo que esperava de si mesmo.


Saída de Cássio encerrou trajetória de mais de 12 anos


Cássio deixou oficialmente o Corinthians em maio de 2024, após um acordo para a rescisão antecipada do contrato, que originalmente iria até o final daquela temporada.

Pouco depois, acertou sua transferência para o Cruzeiro.


A despedida encerrou uma trajetória iniciada em 2012 e marcada por protagonismo, títulos e identificação com a torcida.


Sua última partida pelo Corinthians aconteceu diante do Argentinos Juniors, pela Copa Sul-Americana. Após o confronto, Cássio já havia falado publicamente sobre o momento difícil que atravessava e sobre a cobrança que carregava naquele período.


Ao todo, foram 712 jogos com a camisa do Corinthians, sendo 710 como titular. Cássio somou 316 vitórias, 217 empates e 179 derrotas ao longo de sua passagem pelo clube.


Mas nenhum número explica sozinho a dimensão alcançada pelo goleiro no Parque São Jorge.


Defesa contra Diego Souza foi treinada “mil vezes”


Durante a entrevista, Cássio também voltou a um dos lances que ajudaram a transformar sua trajetória no Corinthians.


Questionado sobre a defesa mais importante da carreira, o goleiro apontou o duelo contra Diego Souza, do Vasco, pelas quartas de final da Libertadores de 2012.


Com o jogo empatado por 0 a 0 no Pacaembu, o atacante ficou frente a frente com Cássio depois de avançar livre em direção ao gol. O camisa 12 conseguiu fazer a defesa e evitou o que poderia ter mudado completamente o rumo daquela campanha.


Pouco depois, Paulinho marcou de cabeça e colocou o Corinthians nas semifinais.


O detalhe revelado por Cássio é que aquele tipo de ação havia sido repetido inúmeras vezes nos treinamentos com o preparador de goleiros Mauri Lima.


“Esta defesa eu fiz umas mil vezes nos treinamentos”, contou.

Segundo o goleiro, Mauri trabalhava frequentemente situações de confronto direto com o atacante, estimulando Cássio a explorar velocidade e envergadura para diminuir o espaço de finalização.


“Toda véspera de jogo, ele fazia 20 bolas. Era tipo um cara a cara com o atacante. Fiz mil vezes este treino para fazer uma defesa”, explicou.

O lance se tornou uma das imagens mais emblemáticas da campanha que terminou com o primeiro título da Libertadores da história do Corinthians, conquistado de forma invicta.


Libertadores transformou relação de Cássio com a Fiel


A partir daquela campanha, a relação entre Cássio e a torcida corinthiana ganhou uma nova dimensão.


O goleiro contou que, por ter um perfil mais reservado, demorou a compreender o tamanho da idolatria que havia construído.


“Depois dessa defesa, eu, que sou mais tranquilo e reservado, ia no shopping e as pessoas se ajoelhavam, beijavam a minha mão”, relembrou.

Cássio também citou uma participação em um programa de Serginho Groisman depois do Mundial de Clubes, quando a cantora Luiza Possi repetiu o gesto.


“Eu não entendia nada. A torcida do Corinthians é muito apaixonada”, afirmou.

A conexão foi consolidada ainda em 2012, quando, além da Libertadores, o Corinthians conquistou o Mundial de Clubes diante do Chelsea, no Japão, com Cássio como um dos grandes protagonistas da decisão.


Cássio conquistou nove títulos pelo Corinthians


A trajetória de Cássio no Corinthians terminou com nove títulos oficiais.


O goleiro conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2012, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista em 2013, os Campeonatos Brasileiros de 2015 e 2017 e outros três títulos paulistas, em 2017, 2018 e 2019.


Ao longo de mais de 12 temporadas, participou de 11 finais e deixou o clube também com três assistências registradas, marca incomum para a posição.


Os números ajudam a dimensionar a passagem, mas os episódios decisivos explicam ainda melhor a idolatria construída.


Mais de dois anos depois da despedida, Cássio revelou que sua saída do Corinthians aconteceu em meio a um quadro de depressão e mesmo diante de uma proposta para permanecer no clube por outras duas temporadas.


O encerramento do ciclo aconteceu em um dos momentos mais delicados de sua vida profissional e pessoal, mas não alterou o peso do legado construído desde 2012.


Cássio deixou o Corinthians com 712 jogos, nove títulos e participação direta em algumas das maiores conquistas da história do clube. Se a despedida ocorreu em circunstâncias dolorosas, a trajetória permanece marcada pelas noites em que suas defesas ajudaram a transformar pressão em títulos e um goleiro em ídolo da Fiel.


O InfoTimão seguirá acompanhando as histórias e os personagens que marcaram a trajetória do Corinthians.

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