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Justiça rejeita prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians

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Redação InfoTimão
há 2 horas
6 min de leitura

Juíza também nega afastamento do dirigente e restrições solicitadas pelo MP-SP; defesa não consegue afastar promotor do caso Nike


Armando Mendonça tem pedido de prisão preventiva negado pela Justiça.
Armando Mendonça tem pedido de prisão preventiva negado pela Justiça. Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo rejeitou, na noite desta quinta-feira (22), o pedido de prisão preventiva de Armando Mendonça, segundo vice-presidente do Corinthians, apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na ação penal que apura supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. A decisão também negou as medidas cautelares alternativas solicitadas pela Promotoria.


A determinação foi proferida pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, que considerou insuficientes os elementos apresentados para relacionar Mendonça ao desligamento de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians e testemunha considerada relevante para a acusação.


Além da prisão, o Ministério Público havia solicitado o afastamento do dirigente de seu cargo estatutário, a proibição de frequentar as dependências do Corinthians e a restrição de contato com dirigentes e testemunhas envolvidos no processo. Todos os pedidos foram indeferidos.


A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Tiago Salazar e confirmada pelo InfoTimão.


Na mesma decisão, a magistrada também rejeitou uma nova tentativa da defesa de Mendonça de afastar o promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pela acusação, mantendo o entendimento anterior de que não foram demonstrados elementos suficientes para reconhecer sua suspeição.


A decisão não representa a absolvição de Armando Mendonça, que se tornou réu em junho de 2026 e continuará respondendo às acusações relacionadas ao chamado caso Nike.


Justiça aponta falta de elementos para relacionar Mendonça à demissão de testemunha


O principal fundamento utilizado pela juíza Amanda Eiko Sato para rejeitar a prisão preventiva foi a ausência de elementos concretos que demonstrassem a participação de Armando Mendonça no desligamento de Marcelo Munhoes.


O ex-diretor de Tecnologia participou da auditoria interna que identificou inconsistências no controle e na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians. Ele também figura entre as testemunhas previstas para a audiência de instrução da ação penal, marcada para 10 de novembro.


Na avaliação da magistrada, as informações apresentadas pelo Ministério Público não demonstraram que Mendonça tenha determinado, solicitado ou influenciado a saída de Munhoes. A decisão considerou que o desligamento partiu da Presidência do Corinthians, em meio ao contexto político-eleitoral vivido pelo clube.


Esse cenário ganhou repercussão após a divulgação de um comunicado oficial do Corinthians sobre a saída de integrantes da administração envolvidos no processo eleitoral para o triênio de 2027 a 2029. As eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo estão marcadas para 28 de novembro.


A magistrada também entendeu que a proximidade entre a demissão de Munhoes e a audiência judicial não seria suficiente, isoladamente, para demonstrar uma tentativa de interferência na produção de provas. Outro ponto considerado foi a ausência de elementos indicando que Mendonça tivesse procurado o ex-diretor com o objetivo de constrangê-lo ou influenciar seu depoimento.


Diante dessas circunstâncias, a juíza concluiu que não estavam demonstrados os requisitos necessários para decretar a prisão preventiva ou impor as demais restrições solicitadas.


O entendimento, entretanto, se limita à necessidade das medidas cautelares analisadas neste momento do processo. A decisão não estabelece uma conclusão definitiva sobre todas as circunstâncias da demissão nem sobre as acusações criminais que seguem em julgamento.


MP-SP apontava risco de intimidação de testemunhas



Na manifestação encaminhada à 25ª Vara Criminal, o promotor Cássio Roberto Conserino argumentou que o desligamento de Marcelo Munhoes, ocorrido semanas antes da audiência de instrução, poderia representar uma tentativa de intimidação de testemunhas e comprometer o andamento da ação penal.


Segundo a Promotoria, o ex-diretor teve participação importante na identificação das inconsistências posteriormente utilizadas como elementos da denúncia contra Armando Mendonça.


O Ministério Público sustentou que sua demissão poderia afetar não apenas o próprio depoimento, mas também gerar insegurança entre outros funcionários do Corinthians que ainda deverão prestar esclarecimentos à Justiça.


A manifestação também mencionou o apoio público do presidente Osmar Stabile a Mendonça, apontando a proximidade entre os acontecimentos como circunstância que justificaria uma investigação mais aprofundada sobre uma possível interferência no processo.


Além de solicitar a prisão e as medidas cautelares, Conserino informou a abertura de um novo procedimento investigatório para esclarecer as circunstâncias do desligamento de Munhoes e verificar a eventual participação de Mendonça ou de outras pessoas em condutas destinadas a interferir na instrução criminal.


A rejeição das medidas pela Justiça não significa, por si só, o encerramento dessa apuração específica, que poderá ter novos desdobramentos conforme os elementos reunidos pelo Ministério Público.


Justiça também rejeita pedido da defesa contra promotor Cássio Conserino


A decisão teve outro desdobramento relevante: a juíza Amanda Eiko Sato voltou a rejeitar a tentativa da defesa de Armando Mendonça de afastar Cássio Roberto Conserino da condução da ação penal.


Conforme reportagem anterior do InfoTimão sobre o pedido de suspeição, os advogados do vice-presidente questionaram, em julho, a imparcialidade do representante do Ministério Público e solicitaram a anulação da denúncia e dos atos processuais praticados por ele.


Entre os argumentos apresentados estavam o fato de Conserino ser torcedor do Corinthians, sua participação em eventos relacionados ao clube e manifestações públicas realizadas nas redes sociais.


Em agosto, a magistrada afastou a hipótese de suspeição. Posteriormente, a defesa apresentou um pedido de reconsideração, acrescentando fatos relacionados ao desligamento de integrantes da diretoria, à solicitação de prisão preventiva, a contatos do promotor com testemunha e a manifestações jornalísticas reunidas pelos advogados.


A juíza, entretanto, entendeu que os novos elementos não demonstraram interesse pessoal de Conserino no resultado da ação, inimizade ou animosidade externa ao processo que justificassem seu afastamento.


A magistrada também ressaltou que a apresentação de pedidos de prisão preventiva e outras medidas cautelares integra as atribuições do Ministério Público e está sujeita ao controle judicial. Assim, eventual discordância sobre a interpretação dos fatos não caracteriza, por si só, motivo para reconhecer a suspeição do promotor.


Em manifestação anterior, Conserino havia negado agir com parcialidade. O representante do MP-SP afirmou que recebeu o caso por distribuição eletrônica e sustentou que sua atuação em investigações envolvendo dirigentes de diferentes administrações do Corinthians demonstra independência em relação às disputas políticas internas.


O promotor também reconheceu ser torcedor corinthiano, mas afirmou que essa condição não interfere no exercício de suas funções institucionais.


Dessa forma, a Justiça rejeitou, na mesma decisão, tanto as medidas restritivas solicitadas pelo Ministério Público contra Armando Mendonça quanto o pedido da defesa para afastar o promotor responsável pela acusação.


Relembre o caso Nike e as acusações contra Armando Mendonça


A ação penal teve origem nas suspeitas de irregularidades relacionadas ao controle e à retirada de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians.


Uma auditoria interna de 94 páginas, solicitada pela gestão de Osmar Stabile e conduzida com a participação de Marcelo Munhoes, identificou falhas nos registros de estoque, inconsistências nos procedimentos de distribuição e retiradas de produtos acima das cotas previstas entre 2024 e 2025.


O relatório também apontou movimentações atribuídas a Armando Mendonça que foram consideradas irregulares pelos responsáveis pela apuração, conclusões contestadas pelo dirigente desde o início das investigações.


Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia criminal contra o vice-presidente, recebida pela Justiça em junho. Conforme publicou o InfoTimão na ocasião, Armando Mendonça tornou-se réu na ação penal relacionada aos materiais da Nike.


O dirigente responde a acusações de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.


Segundo o Ministério Público, Mendonça teria se apropriado indevidamente de 131 itens esportivos, além de estar envolvido em episódios relacionados a camisas especiais com identificação da NFL. A Promotoria também sustenta que o dirigente teria praticado atos destinados a intimidar funcionários envolvidos na auditoria interna.


Armando Mendonça nega as acusações. Em manifestações anteriores, afirmou que as movimentações de materiais possuíam justificativas administrativas, contestou as conclusões da auditoria e atribuiu parte dos questionamentos a disputas políticas internas.


O recebimento da denúncia pela Justiça não representa condenação. A responsabilidade criminal do dirigente ainda será analisada durante a instrução processual e o julgamento de mérito, com garantia do direito de defesa e do contraditório.


O que acontece agora com o processo contra o vice-presidente do Corinthians?


Com a rejeição da prisão preventiva e das medidas cautelares alternativas, Armando Mendonça permanece em liberdade, sem a imposição das restrições solicitadas pelo Ministério Público nesta etapa da ação penal.


O processo, entretanto, continua em andamento e terá um novo capítulo importante em 10 de novembro, quando está prevista a audiência de instrução destinada à produção de provas e à oitiva de testemunhas relacionadas às acusações.


Marcelo Munhoes está entre os envolvidos nessa fase, enquanto o Ministério Público também poderá prosseguir com a apuração específica sobre as circunstâncias de seu desligamento do Corinthians.


A decisão desta quinta-feira representa um resultado favorável à defesa de Armando Mendonça em relação ao pedido de prisão e às medidas restritivas solicitadas, mas não encerra as acusações relacionadas aos materiais esportivos fornecidos pela Nike.


Com a audiência de instrução se aproximando, o processo entra em uma etapa importante para o esclarecimento dos fatos, enquanto os possíveis reflexos da investigação continuam presentes nos bastidores políticos e administrativos do Corinthians.


O InfoTimão seguirá acompanhando os desdobramentos judiciais do caso e seus reflexos na administração do clube.


E você, torcedor: como avalia a decisão judicial e os desdobramentos do caso Nike nos bastidores do Corinthians? Deixe sua opinião nos comentários.


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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

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