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Armando Mendonça pede afastamento de promotor e anulação de denúncia no caso Nike

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Redação InfoTimão
18 de jul.
4 min de leitura
Defesa questiona a imparcialidade de Cássio Conserino e solicita a suspensão do processo enquanto a Justiça analisa o pedido.
Defesa questiona a imparcialidade de Cássio Conserino e solicita a suspensão do processo enquanto a Justiça analisa o pedido. Foto: Reprodução / Instagram

A defesa de Armando Mendonça, segundo vice-presidente do Corinthians, protocolou uma exceção de suspeição para pedir o afastamento do promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), da ação penal relacionada ao chamado caso Nike.


Em uma petição de 21 páginas, os advogados questionam a imparcialidade do promotor e solicitam a suspensão do processo enquanto o pedido é analisado. A medida também busca a anulação da denúncia e dos atos praticados diretamente por Conserino, além do encaminhamento do caso a outro integrante do Ministério Público.


A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Marco Bello Jr., da TMC.

Armando tornou-se réu em junho, depois que a Justiça de São Paulo recebeu a acusação apresentada pelo MP-SP. O novo movimento da defesa procura, portanto, invalidar uma denúncia que já foi aceita e retirar Conserino da condução do caso.


Defesa questiona atuação de Cássio Conserino


Os advogados de Armando sustentam que o promotor teria ultrapassado os limites de sua atuação institucional ao se envolver em assuntos políticos relacionados ao Corinthians.


Para embasar o pedido, a petição reúne publicações feitas por Cássio Conserino nas redes sociais e imagens que, segundo a defesa, demonstrariam sua presença em um evento ligado à SAFiel, projeto favorável à transformação do futebol do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).


A argumentação apresentada pelos advogados é de que essas manifestações colocariam em dúvida a imparcialidade necessária para a atuação no processo. Em um dos trechos mais contundentes do documento, a defesa afirma que “o Corinthians não precisa de um promotor de Justiça para chamar de seu”.


A presença no evento e o conteúdo das publicações são utilizados pela defesa como elementos para sustentar a suspeição. Até o momento, entretanto, não existe decisão judicial reconhecendo falta de imparcialidade ou qualquer irregularidade na atuação de Conserino.


Suposta investigação paralela entra no pedido


Outro argumento apresentado pelos advogados envolve a produção de elementos adicionais após a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil.


O delegado responsável pela apuração entendeu que não havia elementos suficientes para caracterizar a prática de crime. O Ministério Público, porém, divergiu dessa conclusão e decidiu apresentar a denúncia à Justiça.


Segundo a versão da defesa, Conserino teria produzido novos elementos sem comunicar os advogados de Armando. A petição questiona a regularidade dessa movimentação e aponta a possível existência de uma investigação paralela.


Diante disso, os defensores solicitam que o Juízo das Garantias informe se foi comunicado sobre a abertura ou continuidade desse procedimento.


As afirmações sobre uma eventual apuração paralela integram os argumentos apresentados pela defesa de Armando e ainda deverão ser examinadas pela Justiça.


Armando Mendonça tornou-se réu no caso Nike


A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra Armando Mendonça em 23 de junho. A decisão foi tomada pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda.


Com o recebimento da acusação, o dirigente passou formalmente à condição de réu por apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo.


Segundo o Ministério Público, Armando teria se apropriado de 131 itens esportivos pertencentes ao Corinthians entre junho e outubro de 2025. A acusação também atribui ao dirigente uma tentativa de retirada de outros materiais e supostos atos de intimidação contra pessoas envolvidas na auditoria interna realizada pelo clube.


Na decisão que recebeu a denúncia, a magistrada rejeitou as medidas cautelares solicitadas pelo MP-SP, entre elas restrições à presença e à atuação do vice-presidente nas dependências do Corinthians.


Armando nega ter cometido qualquer crime. O dirigente contesta as conclusões da auditoria interna do clube e os fundamentos utilizados pelo Ministério Público para apresentar a acusação.


Justiça decidirá permanência do promotor no processo


Cássio Conserino poderá se manifestar nos autos antes de a Justiça decidir sobre a exceção de suspeição. Caberá ao Poder Judiciário avaliar se os elementos apresentados pela defesa são suficientes para afastar o promotor e invalidar algum dos atos praticados no processo.


Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública de Conserino sobre o novo pedido apresentado pelos advogados de Armando Mendonça.


Enquanto não houver uma decisão, permanecem válidos o recebimento da denúncia e a condição de réu do vice-presidente. O pedido de suspeição também não suspende nem anula automaticamente a ação penal.


O recebimento da denúncia significa que a Justiça identificou elementos suficientes para o início do processo, mas não representa condenação. Armando poderá apresentar sua defesa, produzir provas e contestar as acusações ao longo da ação penal.


O embate acrescenta um novo capítulo à crise política e jurídica enfrentada pelo Corinthians, que convive com investigações, processos internos e disputas entre diferentes grupos nos bastidores do Parque São Jorge.



Acompanhe o InfoTimão para ficar por dentro dos próximos desdobramentos políticos, administrativos e jurídicos do Corinthians.

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