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Justiça aceita denúncia do MP e torna Armando Mendonça réu por suposto desvio de materiais da Nike no Corinthians

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    Redação InfoTimão
  • há 48 minutos
  • 5 min de leitura
Vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça se torna réu na Justiça.
Vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça se torna réu na Justiça. Foto: Reprodução

Juíza recebe ação penal contra o vice-presidente licenciado do Corinthians, mas rejeita pedidos de afastamento do quadro associativo e outras medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público


A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Armando Mendonça, segundo vice-presidente licenciado do Corinthians, tornando o dirigente réu na ação penal que apura o suposto desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.


A decisão foi proferida nesta terça-feira pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda, que entendeu haver elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal após a denúncia apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino.


Ao mesmo tempo em que recebeu a denúncia, a magistrada rejeitou a maior parte das medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público, entendendo que o afastamento voluntário de Armando Mendonça do cargo reduz, neste momento, os riscos apontados pela acusação.


A decisão da juíza não analisa se Armando é culpado ou inocente. O recebimento da denúncia representa apenas o chamado juízo de admissibilidade da peça acusatória, ou seja, a avaliação inicial de que existem elementos mínimos para abertura da ação penal.


O que significa virar réu?


O recebimento da denúncia não representa condenação.


Na prática, a Justiça reconhece que há elementos mínimos para que a acusação apresentada pelo Ministério Público seja formalmente processada.


A partir desse momento, acusação e defesa passam a produzir provas perante a Justiça, com apresentação de argumentos, documentos, oitivas de testemunhas e demais atos processuais.


Somente ao final do processo haverá julgamento sobre eventual condenação ou absolvição.


Por que a Justiça recebeu a denúncia?


Na decisão, a juíza destacou que o inquérito policial e os elementos apresentados pelo Ministério Público demonstram a existência do chamado "lastro probatório mínimo", requisito necessário para a abertura da ação penal.


Ao fundamentar a decisão, Amanda Eiko Sato afirmou que estão presentes a prova da materialidade e os indícios de autoria suficientes para permitir o prosseguimento do processo.

"Os elementos cognitivos fornecidos pelo inquérito policial evidenciam o lastro probatório mínimo indispensável à instauração do processo penal, porquanto presentes a prova da materialidade e indícios de autoria da prática dos delitos descritos na denúncia."

Com isso, a magistrada recebeu formalmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Armando Mendonça.


Justiça rejeita medidas cautelares pedidas pelo MP


Embora tenha aceitado a denúncia, a Justiça não acolheu os pedidos de medidas cautelares formulados pelo MP-SP.


Entre as solicitações rejeitadas estavam:

  • a suspensão temporária de Armando Mendonça do quadro associativo do Corinthians;

  • a proibição de frequentar as dependências do clube;

  • a proibição de manter contato com dirigentes, funcionários e testemunhas;

  • a produção de novas provas periciais solicitadas pelo Ministério Público.


Segundo a juíza, o afastamento voluntário do dirigente da vice-presidência reduz, neste momento, a necessidade de restrições adicionais.


A magistrada também entendeu que não há elementos suficientes para concluir que Armando exerça influência sobre testemunhas ou colaboradores envolvidos no processo.


Em relação às novas perícias requeridas pela Promotoria, Amanda Eiko Sato observou que esse tipo de prova deveria ter sido produzido durante a fase investigativa e ressaltou que eventual apuração precisa de valores financeiros pertence à esfera cível, e não ao processo criminal.


O que acontece agora?


Com o recebimento da denúncia, Armando Mendonça será citado oficialmente para apresentar sua defesa no prazo de dez dias.


Na sequência, terá início a fase de instrução processual, com a produção de provas, a oitiva das testemunhas indicadas pelas partes e os demais atos previstos no Código de Processo Penal.


Somente após essa etapa a Justiça analisará o mérito da ação para decidir se absolve ou condena o dirigente.


Relembre a denúncia do Ministério Público


Na denúncia apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, o Ministério Público acusa Armando Mendonça dos crimes de:

  • apropriação indébita qualificada e continuada;

  • tentativa de apropriação indébita qualificada;

  • furto qualificado mediante abuso de confiança;

  • coação no curso do processo.


Segundo o MP-SP, o dirigente teria se apropriado de 131 itens de materiais esportivos fornecidos pela Nike entre junho e outubro de 2025.


A acusação também sustenta que Armando tentou retirar outras 19 camisas especiais da NFL, além de ter subtraído outras oito unidades sem registro formal no sistema interno do Corinthians.


Outro ponto central da denúncia envolve a suposta intimidação de testemunhas durante as investigações conduzidas inicialmente pelo clube.


De acordo com o Ministério Público, uma ligação gravada de aproximadamente 39 minutos entre Armando Mendonça e o diretor de tecnologia do Corinthians, Marcelo Munhoes, integra o conjunto probatório do processo.


Na conversa, segundo a Promotoria, o dirigente teria feito ameaças, questionado a auditoria interna e mencionado que parte dos materiais retirados poderia ter sido destinada a autoridades como forma de obtenção de favores.


O InfoTimão publicou anteriormente todos os detalhes da denúncia apresentada pelo Ministério Público, incluindo os crimes imputados, os áudios anexados ao processo e os pedidos formulados pela Promotoria.


O que diz Armando Mendonça?


Em nota encaminhada após a decisão judicial, Armando Mendonça afirmou receber a abertura da ação penal com "serenidade, firmeza e confiança".


O dirigente voltou a negar qualquer irregularidade envolvendo os materiais esportivos do Corinthians.

"Jamais desviei 131 materiais do Sport Club Corinthians Paulista, jamais me apropriei de qualquer bem e jamais obtive benefício pessoal em prejuízo do clube."

Armando também ressaltou que o recebimento da denúncia não representa reconhecimento de culpa.

"A existência de uma acusação não significa reconhecimento de culpa nem validação das conclusões equivocadas que lhe deram origem."

Por fim, afirmou confiar na Justiça e disse que apresentará sua defesa "de forma técnica e documental", sustentando que demonstrará sua inocência durante a tramitação do processo.


Caso também gera impactos políticos


A abertura da ação penal ocorre poucos dias após Armando Mendonça solicitar licença de 30 dias do cargo de segundo vice-presidente do Corinthians.


Nos últimos dias, o dirigente também passou a enfrentar pedidos de impeachment protocolados por associados e conselheiros, além de manifestações públicas dos Gaviões da Fiel defendendo seu afastamento definitivo.


Paralelamente, o caso passou a produzir reflexos sobre a própria diretoria do clube.


O presidente Osmar Stabile tornou-se alvo de um terceiro pedido de impeachment após manifestação do Ministério Público questionar sua atuação institucional no processo envolvendo Armando Mendonça.


Com o recebimento da denúncia pela Justiça, o caso entra agora em uma nova fase, deixando de ser apenas uma investigação criminal para se transformar oficialmente em uma ação penal.


Confira a manifestação de Armando Mendonça na íntegra


"Ninguém recebe com naturalidade a notícia de que passa a responder a uma acusação criminal, especialmente quando tem plena convicção de que se trata de uma acusação injusta, infundada e baseada em premissas equivocadas.


Encaro este momento com serenidade, firmeza e confiança. Esta será a oportunidade para demonstrar, enfim, de forma técnica e documental, que jamais desviei 131 materiais do Sport Club Corinthians Paulista, jamais me apropriei de qualquer bem e jamais obtive benefício pessoal em prejuízo do clube.


É importante esclarecer que, até aqui, não houve análise definitiva do mérito dos fatos. A existência de uma acusação não significa reconhecimento de culpa nem validação das conclusões equivocadas que lhe deram origem.


O próprio Sport Club Corinthians Paulista já se posicionou sobre o caso, rechaçando acusações infundadas e deixando claro que o documento interno utilizado como base para a denúncia jamais concluiu pela existência de desvio, apropriação ou qualquer conduta ilícita de minha parte.


Respeito as instituições, respeito o processo e confio na Justiça.Minha defesa será exercida no campo próprio, com responsabilidade, serenidade e absoluto compromisso com a verdade."


O InfoTimão seguirá acompanhando todos os desdobramentos do processo judicial, bem como eventuais manifestações da defesa, do Ministério Público e do Corinthians ao longo da tramitação da ação.

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