Justiça alerta sobre intervenção no Corinthians após divergência no RCE e clube se manifesta
- Redação InfoTimão

- 26 de mar.
- 5 min de leitura

Clube responde à Justiça após questionamentos sobre R$ 149 milhões em receitas e diz já ter prestado esclarecimentos no processo
O Corinthians se manifestou oficialmente após ser intimado pela Justiça de São Paulo a explicar inconsistências na declaração de receitas apresentada no Regime Centralizado de Execuções (RCE), mecanismo utilizado pelo clube para organizar o pagamento de dívidas judiciais.
A decisão foi assinada pelo juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, e trouxe um alerta direto: caso as explicações não sejam satisfatórias, poderá ser nomeado um observador judicial ou até um interventor judicial no clube.
O clube já havia sido alvo de pedido de intervenção judicial por parte de torcedores, associados e conselheiros.
Caso coloca pressão sobre o Corinthians em momento-chave do RCE
A possibilidade de intervenção judicial no Corinthians coloca o clube em um dos momentos mais sensíveis de sua reestruturação financeira. O RCE passa a ser questionado justamente no início da execução dos pagamentos, ampliando a pressão de credores e da própria Justiça.
A intimação ocorreu após apontamentos da Laspro, responsável pela condução do plano, que identificou divergências relevantes nos números apresentados pelo clube.
O Corinthians declarou cerca de R$ 64,2 milhões como receitas válidas para o cálculo da parcela de março. No entanto, a análise técnica indicou que o total movimentado em fevereiro foi de aproximadamente R$ 213,4 milhões.
A diferença, de R$ 149,2 milhões, passou a ser o centro do questionamento dentro do processo do RCE do Corinthians. No despacho, o magistrado foi direto:
“A resistência no fornecimento de documentos e a apresentação de declarações de receitas inconsistentes acarretarão a nomeação de observador judicial ou interventor judicial, para garantir a efetividade e a lisura deste processo.”
O ponto que fez a Justiça questionar o Corinthians
A divergência não envolve, até o momento, acusação de fraude, mas sim a forma como as receitas do Corinthians foram classificadas.
O clube considerou como base de cálculo receitas operacionais, como patrocínio, direitos de transmissão, matchday, sócio torcedor, publicidade e arena.
Por outro lado, valores ligados a operações financeiras, transferências e negociação de atletas, que somam R$ 149,2 milhões, não foram incluídos na base apresentada.
A interpretação da Laspro é que esses valores precisam ser melhor esclarecidos e podem impactar diretamente o cálculo das parcelas ou serem destinados a mecanismos como o leilão reverso, previsto no Regime Centralizado de Execuções.
O tema já havia sido revelado anteriormente pelo InfoTimão, quando a divergência veio à tona no processo. Relembre o caso completo neste conteúdo especial.
Pressão de credores aumenta tensão no processo
O caso também mobilizou credores do Corinthians, que passaram a questionar os critérios adotados no plano de pagamentos do RCE.
Entre eles estão empresas como a Link Assessoria, ligada ao empresário André Cury, e a Pix Star, relacionada à antiga patrocinadora do clube.
Alguns pedidos chegaram a solicitar a suspensão do RCE do Corinthians, mas a Justiça optou por manter o andamento e ampliar a análise, intimando outras partes envolvidas, além da administradora judicial e do Ministério Público.
Como funciona o plano de pagamento do Corinthians
O Regime Centralizado de Execuções (RCE) foi homologado como alternativa para organizar o pagamento das dívidas do Corinthians.
O modelo prevê:
Percentual mínimo de 4% das receitas no primeiro ano
5% no segundo ano
6% a partir do terceiro
Além disso:
30% dos valores são destinados a credores preferenciais
70% a credores comuns
O plano envolve valores elevados e é considerado peça-chave para a reestruturação financeira do Corinthians.
Corinthians divulga nota oficial e contesta interpretação
Após a repercussão da decisão, o Corinthians publicou nota oficial afirmando que já havia apresentado os esclarecimentos antes mesmo da intimação judicial.
Confira a nota na íntegra:
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que, no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (RCE) (Processo nº 1189761-87.2024.8.26.0100), foi proferida, em 25 de março de 2026 (às 17h57min), decisão judicial que, dentre outros pontos, determinou a intimação do Clube para prestar esclarecimentos acerca de supostas inconsistências relacionadas à declaração de receitas do mês de fevereiro de 2026, com advertência quanto à eventual nomeação de observador judicial ou interventor em caso de resistência ou inconsistências persistentes.
Contudo, é importante esclarecer que, em momento anterior à referida decisão, o Clube já havia apresentado, tempestiva e formalmente e nos autos do processo, todos os esclarecimentos solicitados pela Administração Judicial.
Com efeito, no dia 24 de março de 2026, às 21h41min, o Sport Club Corinthians Paulista protocolou petição nos autos (fls. 10.332/10.339), detalhando a composição das receitas apontadas e esclarecendo, de maneira técnica e fundamentada, as divergências identificadas, incluindo, entre outros pontos, a distinção entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e receitas provenientes de negociação de atletas.
Antes mesmo do protocolo da referida manifestação, o Clube também realizou reunião com a Administração Judicial, oportunidade em que foram prestados esclarecimentos adicionais e reforçado o compromisso com a transparência e a cooperação no âmbito do RCE.
Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal.
O Sport Club Corinthians Paulista reafirma que sempre atuou de forma diligente, transparente e colaborativa no âmbito do Regime Centralizado de Execuções, mantendo diálogo constante com a Administração Judicial e fornecendo toda a documentação necessária sempre que solicitado.
O clube lamenta o desencontro de informações e repudia o alarmismo e a campanha de descrédito promovida por influenciadores digitais que desconsideram a seriedade e a relevância de um trabalho fundamental para a reestruturação financeira da instituição, prejudicando a comunicação correta entre instituição e torcida.
O Corinthians reitera, ainda, que permanece à inteira disposição do Juízo, da Administração Judicial e dos demais interessados para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo.
São Paulo, 26 de março de 2026 Sport Club Corinthians Paulista”
Próximos passos e impacto no clube
Com a intimação formal, a Justiça analisará os esclarecimentos apresentados pelo Corinthians nos autos do processo.
Caso as explicações não sejam consideradas suficientes, o processo pode avançar para medidas mais rigorosas, incluindo a nomeação de um interventor judicial no Corinthians.
A forma como o clube conduzirá essa etapa será determinante para a credibilidade do RCE e para a confiança no processo de reestruturação financeira do Corinthians.
O InfoTimão segue acompanhando de perto todos os desdobramentos do Regime Centralizado de Execuções (RCE) e da situação financeira do Corinthians, trazendo informação com responsabilidade, contexto e precisão para a Fiel.






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