Comissão de Ética expulsa ex-dirigentes da gestão Augusto Melo por envolvimento na invasão ao Parque São Jorge
- Redação InfoTimão

- 10 de jun.
- 6 min de leitura

Claudinei Alves e Valmir Costa foram desligados do quadro associativo do Corinthians; dupla ainda pode recorrer ao Conselho Deliberativo
As punições relacionadas aos acontecimentos de 31 de maio de 2025 continuam avançando dentro do Corinthians. Nesta segunda-feira (8), a Comissão de Ética dos Associados decidiu expulsar os ex-dirigentes Claudinei Alves e Valmir Costa, ambos integrantes da gestão de Augusto Melo, por envolvimento no episódio que buscou recolocar o ex-presidente no comando do clube após seu afastamento.
A decisão ainda não é definitiva. Os dois ex-dirigentes poderão recorrer ao plenário do Conselho Deliberativo (CD), que terá a palavra final sobre a manutenção ou não das punições.
As expulsões representam mais um desdobramento dos processos internos instaurados após a invasão ao Parque São Jorge, episódio que desencadeou uma série de investigações, julgamentos e punições envolvendo dirigentes, conselheiros e associados ligados ao antigo grupo político que comandava o Corinthians.
Quem são os ex-dirigentes expulsos
Claudinei Alves foi diretor das categorias de base do Corinthians desde o início da gestão de Augusto Melo, em 2024, até maio de 2025.
Já Valmir Costa ocupou funções como diretor adjunto da base e secretário-geral durante a administração do ex-presidente.
A dupla teve participação direta no processo de reformulação das categorias de base do clube e esteve envolvida em decisões administrativas importantes do departamento.
Durante o período em que atuaram na gestão, foram realizadas 87 contratações para as equipes Sub-17 e Sub-20 do Corinthians.
Nos bastidores políticos do Parque São Jorge, Claudinei chegou a ser citado em diferentes momentos como um dos nomes ligados ao grupo político de Augusto Melo para futuras disputas eleitorais dentro do clube, cenário que ajuda a dimensionar o peso político da decisão anunciada nesta segunda-feira.
Expulsões têm origem nos acontecimentos de maio de 2025
Segundo os órgãos internos do Corinthians, as punições estão relacionadas aos acontecimentos registrados em 31 de maio de 2025.
Naquela data, um grupo de associados e conselheiros ligados a Augusto Melo invadiu dependências do Parque São Jorge em uma tentativa de reverter o processo político que havia afastado o dirigente do comando do clube.
O episódio passou a ser tratado internamente como uma das maiores crises institucionais recentes do Corinthians e motivou a abertura de diversos procedimentos disciplinares.
Desde então, diferentes órgãos do clube vêm analisando individualmente a conduta dos envolvidos e deliberando sobre eventuais sanções.
Claudinei Alves contesta decisão e fala em injustiça
Após tomar conhecimento da decisão, Claudinei Alves utilizou suas redes sociais para se manifestar contra a expulsão.
No comunicado divulgado, o ex-dirigente afirmou possuir 27 anos de ligação com o Corinthians e negou qualquer participação em uma suposta invasão à sala da presidência.
"Fui acusado de invadir a sala presidencial, fato que jamais ocorreu."
Claudinei também questionou a proporcionalidade da punição aplicada.
Segundo ele, outros envolvidos nos mesmos acontecimentos receberam penalidades mais brandas, como advertências e suspensões temporárias.
"O que mais causa estranheza é observar que outras pessoas envolvidas nos mesmos acontecimentos receberam penalidades significativamente mais brandas. Diante disso, surge um questionamento legítimo: por qual motivo apenas eu fui submetido à penalidade máxima?"
O ex-diretor afirmou ainda que pretende recorrer da decisão e defender sua reputação pelas vias estatutárias disponíveis.
Ex-dirigente nega envolvimento direto no episódio
Ao longo do comunicado, Claudinei sustentou que sempre manteve uma relação respeitosa com funcionários, associados, dirigentes e conselheiros do Corinthians.
Ele também afirmou receber a decisão com tristeza, mas declarou estar tranquilo em relação à própria conduta.
"Recebo esta decisão com tristeza, mas também com a consciência tranquila de quem sempre procurou honrar o clube e respeitar sua história."
Até a publicação desta matéria, Valmir Costa não havia se manifestado publicamente sobre a decisão da Comissão de Ética dos Associados.
Entenda a diferença entre os processos em andamento
Embora estejam relacionados aos mesmos acontecimentos de 31 de maio de 2025, os processos em andamento dentro do Corinthians tramitam em instâncias diferentes.
Os casos de Claudinei Alves e Valmir Costa foram analisados pela Comissão de Ética dos Associados, órgão responsável por avaliar a conduta dos sócios do clube.
Já os casos de Augusto Melo, Maria Angela Ocampos, Paulo Juricic, Ronaldo Fernandez Tomé e outros integrantes do quadro político passaram pela Comissão de Ética e Disciplina, vinculada ao Conselho Deliberativo.
Apesar de distintos, ambos os processos têm origem nos mesmos acontecimentos e fazem parte das medidas adotadas pelo Corinthians para apurar responsabilidades relacionadas à tentativa de recondução de Augusto Melo ao poder.
Crise política segue produzindo novos desdobramentos
As expulsões de Claudinei Alves e Valmir Costa ocorreram no mesmo dia em que o Conselho Deliberativo julgou parte dos envolvidos no episódio.
Na noite desta segunda-feira, os conselheiros aprovaram a expulsão de Maria Angela Ocampos, primeira-secretária do Conselho Deliberativo, além de Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé.
Os três foram apontados pela Comissão de Ética e Disciplina como participantes das movimentações que buscavam reconduzir Augusto Melo ao comando do clube.
Já o julgamento de Mario Mello Junior acabou adiado após o conselheiro passar mal antes da leitura do parecer que analisaria sua situação.
Augusto Melo já foi expulso do quadro associativo
Os julgamentos desta semana acontecem poucos dias após a expulsão do próprio Augusto Melo.
O ex-presidente foi desligado do quadro associativo do Corinthians após o Conselho Deliberativo aprovar, por ampla maioria, o parecer elaborado pela Comissão de Ética e Disciplina.
Segundo os órgãos internos do clube, Augusto foi considerado o principal beneficiário da tentativa de reversão do processo que culminou em sua saída da presidência.
Outros casos ainda serão analisados
Apesar das decisões já tomadas, os processos relacionados aos acontecimentos de 31 de maio de 2025 ainda não foram encerrados.
Outros conselheiros seguem aguardando a análise definitiva dos pareceres elaborados pelos órgãos internos do clube, com punições que podem variar entre advertências, suspensões temporárias e expulsões.
As próximas votações deverão ser marcadas pelo presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão.
Expulsões reforçam avanço das punições ligadas à crise política
As expulsões de Claudinei Alves e Valmir Costa demonstram que os desdobramentos dos acontecimentos de 31 de maio de 2025 continuam avançando em diferentes instâncias do Corinthians.
Enquanto o Conselho Deliberativo analisa recursos e processos envolvendo conselheiros e ex-dirigentes, a Comissão de Ética dos Associados também segue avaliando a participação de sócios ligados ao episódio.
Com recursos pendentes e novos julgamentos previstos, a crise política iniciada em 2025 continua produzindo reflexos diretos na composição política do clube e no futuro de figuras que integraram a gestão de Augusto Melo.
Confira o comunicado de Claudinei Alves na íntegra
"COMUNICADO DE INDIGNAÇÃO Venho, por meio deste comunicado, expressar minha profunda indignação diante da decisão tomada contra minha pessoa no dia 08 de junho de 2026! São 27 anos de dedicação ao clube. Ao longo dessa trajetória, tive a honra de atuar em diferentes funções, incluindo os cargos de Diretor Adjunto e Diretor da Diretoria Executiva da Base. Não pretendo aqui discutir conquistas, derrotas, acertos ou erros de minha passagem pela instituição. Como qualquer pessoa que exerce função de gestão, estou sujeito a críticas, avaliações e julgamentos sobre meu trabalho. O que não posso aceitar é ser alvo de uma punição tão severa baseada em uma acusação que considero injusta e incompatível com minha conduta ao longo de quase três décadas de convivência dentro do clube.
Fui acusado de invadir a sala presidencial, fato que jamais ocorreu. Quem me conhece sabe da minha postura, do respeito que sempre mantive com todos os departamentos, conselheiros, associados, funcionários e dirigentes. Sempre fui um homem de clube, presente no dia a dia da instituição, construindo relacionamentos pautados pelo respeito e pela convivência harmoniosa.
O que mais causa estranheza é observar que outras pessoas envolvidas nos mesmos acontecimentos receberam penalidades significativamente mais brandas, como advertências ou suspensões. Diante disso, surge um questionamento legítimo: por qual motivo apenas eu fui submetido à penalidade máxima?
Não busco privilégios nem tratamento diferenciado. Defendo apenas que haja coerência, proporcionalidade, isonomia e justiça na aplicação de qualquer medida disciplinar. Todo associado tem o direito de ser julgado de forma imparcial, com base em fatos concretos e observando os princípios da ampla defesa e do contraditório.
Recebo esta decisão com tristeza, mas também com a consciência tranquila de quem sempre procurou honrar o clube e respeitar sua história. Permanecerei defendendo minha honra, minha reputação e a verdade dos fatos pelos meios adequados.
Deixo registrada minha indignação e meu sentimento de profunda injustiça diante do ocorrido.
Atenciosamente, CLAUDINEI ALVES."
O InfoTimão seguirá acompanhando os desdobramentos do caso e trará todas as atualizações sobre recursos, julgamentos e decisões dos órgãos internos do Corinthians.






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