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CBF reduz limite de estrangeiros no Brasileirão; veja como nova regra afeta o Corinthians

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Redação InfoTimão
há 2 minutos
7 min de leitura

Timão possui sete jogadores estrangeiros no atual elenco; limite cairá gradualmente de nove para cinco atletas por partida até 2030


Clubes aprovam proposta da CBF para reduzir limite de jogadores estrangeiros a partir de 2027.
Clubes aprovam proposta da CBF para reduzir limite de jogadores estrangeiros a partir de 2027. Foto: Thiago Ribeiro / Staff Images / CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os clubes das Séries A e B e as federações estaduais aprovaram, nesta segunda-feira (21), uma redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida no Campeonato Brasileiro.


A mudança começa em 2027 e fará o número máximo cair dos atuais nove para cinco atletas até 2030.


A nova regra não obriga o Corinthians a promover mudanças imediatas. O clube possui atualmente sete jogadores estrangeiros no elenco profissional e poderá relacionar até oito na próxima temporada. Caso mantivesse exatamente a formação atual, porém, o Timão atingiria o limite em 2028 e passaria a ter mais estrangeiros do que o permitido a partir de 2029.


O grupo alvinegro conta com Rodrigo Garro e Fabrizio Angileri, da Argentina; Pedro Milans, do Uruguai; André Carrillo, do Peru; Jesse Lingard, da Inglaterra; Zakaria Labyad, do Marrocos; e Memphis Depay, da Holanda.


Naturalmente, a composição do elenco deverá sofrer alterações até que todas as etapas da nova regra entrem em vigor. Ainda assim, a mudança passa a ser mais um fator a ser considerado pelo departamento de futebol do Corinthians nas próximas janelas de transferências.


Como ficará o limite de estrangeiros no Brasileirão?


Atualmente, cada clube pode relacionar até nove jogadores estrangeiros por partida nas competições nacionais. O número começará a diminuir já na próxima temporada.


Em 2027, serão permitidos oito estrangeiros. O limite cairá para sete em 2028, seis em 2029 e chegará aos cinco atletas por jogo em 2030.


A redução será gradual justamente para permitir que os clubes adaptem seus elencos, contratos e planejamentos de mercado à nova realidade.


A restrição, vale destacar, diz respeito à quantidade de estrangeiros presentes na súmula de cada partida, e não ao número total que uma equipe poderá manter sob contrato.


Segundo levantamento apresentado pela CBF, os clubes da Série A relacionam atualmente uma média de 5,4 estrangeiros por jogo, considerando um universo de 219 partidas analisadas.


Quem são os estrangeiros do Corinthians?


O Corinthians tem atualmente sete jogadores estrangeiros no elenco comandado por Fernando Diniz:


Rodrigo Garro e Fabrizio Angileri são argentinos; Pedro Milans é uruguaio; André Carrillo é peruano; Jesse Lingard nasceu na Inglaterra; Zakaria Labyad é marroquino; e Memphis Depay defende a Holanda.


Entre eles, apenas Labyad não está disponível neste momento. O meio-campista se recupera de cirurgia após sofrer uma lesão no menisco e uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, problemas que o tiraram do restante da temporada.


A quantidade atual coloca o Corinthians relativamente próximo do novo teto. Em 2027, com oito vagas, o clube ainda teria espaço para relacionar todos os sete estrangeiros.


Em 2028, os sete atuais preencheriam exatamente o limite permitido. Já em 2029, quando o máximo cair para seis, pelo menos um deles teria de ficar fora da relação de cada partida caso todos ainda integrassem o elenco. Em 2030, seriam necessárias duas ausências para atender ao teto de cinco.


Essa comparação, porém, serve apenas para dimensionar os efeitos da regra a partir da fotografia atual do elenco. Contratos terminam em períodos diferentes, jogadores podem deixar o clube e novas contratações deverão acontecer até lá.


Memphis, por exemplo, renovou recentemente seu contrato com o Corinthians até julho de 2028. Jesse Lingard, por sua vez, chegou ao clube em março desta temporada.


Por que a CBF decidiu diminuir o número de estrangeiros?


A redução surgiu a partir de discussões do Movimento dos Clubes Formadores durante reuniões do Grupo de Trabalho da Base Brasileira.


A CBF sustenta que o crescimento da participação de estrangeiros, principalmente jogadores mais experientes, aconteceu simultaneamente à diminuição do espaço destinado aos jovens brasileiros.


Entre 2020 e 2026, a participação de estrangeiros acima de 23 anos passou de 7,8% para 25% dos minutos disputados na Série A. No mesmo período, brasileiros Sub-23 caíram de 28,3% para 11,5%.


Quando brasileiros e estrangeiros são considerados juntos, jogadores Sub-23 representam atualmente somente 13,8% da minutagem do Campeonato Brasileiro.


O índice apresentado pela entidade é inferior ao encontrado nas principais ligas europeias utilizadas no estudo. Na França, os Sub-23 representam 38% dos minutos; na Inglaterra, 32%; na Espanha, 31%; e em Alemanha e Itália, 28%.


A idade média do Brasileirão também aumentou. O indicador passou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 anos em 2026.


Segundo a CBF, atletas mais jovens apresentam números superiores em ações de alta intensidade. Por isso, a entidade entende que ampliar novamente o espaço para jogadores em desenvolvimento pode contribuir esportivamente para a competição.


Regra de estrangeiros vinha aumentando no futebol brasileiro


A decisão representa uma mudança de direção depois de anos de ampliação do limite permitido no futebol nacional.


Em 2013, os clubes podiam relacionar somente três estrangeiros por partida. A quantidade passou para cinco a partir de 2014 e permaneceu nesse patamar até 2022.


O limite subiu para sete em 2023 e chegou aos atuais nove jogadores em 2024.


Agora, o processo será invertido: oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.


A utilização desses atletas também aumentou dentro de campo. Segundo os dados apresentados pela CBF, 95 estrangeiros atuaram na Série A em 2022, contra 162 em 2025.


Na atual edição, 146 estrangeiros já haviam entrado em campo até o momento do levantamento, enquanto outros 13 estavam inscritos e ainda poderiam ser utilizados.


Formação de jogadores também pesa financeiramente


A discussão apresentada pela CBF não envolve apenas o espaço concedido às categorias de base dentro de campo.


Entre 2016 e 2025, jogadores de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências internacionais consideradas no levantamento da entidade.


Na avaliação da confederação, oferecer menos oportunidades aos jovens também pode reduzir a capacidade dos clubes de formar, desenvolver, valorizar e posteriormente negociar seus talentos.


Esse aspecto ganha importância especial em clubes tradicionalmente formadores, como o Corinthians, que possui na venda de jogadores revelados nas categorias de base uma importante fonte potencial de receitas.


A proposta de redução dos estrangeiros foi aprovada por clubes e federações com apenas dois votos contrários.


Corinthians terá de reduzir estrangeiros?


Não imediatamente. Com sete estrangeiros no elenco atual, o Corinthians estará dentro do limite de oito jogadores previsto para 2027 e exatamente no teto de sete estrangeiros em 2028.


O primeiro impacto ocorreria em 2029 caso, hipoteticamente, o Timão mantivesse os mesmos sete atletas. Naquele ano, apenas seis poderiam aparecer simultaneamente na relação de uma partida do Brasileirão.


Na prática, porém, o principal efeito começa antes disso.


A nova regra passa a interferir nas decisões tomadas pelo executivo de futebol Marcelo Paz, pela diretoria e pela comissão técnica durante as próximas janelas.


Antes da contratação ou renovação de um jogador estrangeiro, o clube terá também de considerar a redução futura das vagas disponíveis.


A nacionalidade, portanto, passa a ser mais uma variável na montagem do elenco, ao lado de idade, posição, custo, duração de contrato e perspectiva esportiva.


Brasileirão também terá novas listas de inscrição


A CBF e os clubes também aprovaram uma mudança importante no sistema de inscrição do Campeonato Brasileiro.


As equipes continuarão podendo registrar 50 jogadores, mas os atletas serão divididos entre duas relações.


A Lista A será destinada ao elenco principal e terá um limite para jogadores acima de 23 anos. Já a Lista B será reservada aos Sub-23, sem a necessidade de que tenham sido formados nas categorias de base do próprio clube.


Assim como acontecerá com os estrangeiros, a transição será gradual.


Em 2027, serão 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B. Em 2028, a divisão passará para 29 e 21. No ano seguinte, serão 27 e 23.


A distribuição chegará a 25 jogadores em cada lista a partir de 2030.


A medida reforça o mesmo movimento pretendido com a redução dos estrangeiros: aumentar progressivamente o espaço destinado aos atletas mais jovens nos elencos das principais divisões nacionais.


Segundo a CBF, 33 dos 40 clubes que atualmente disputam as Séries A e B já possuem até 30 jogadores com mais de 23 anos inscritos, o que reduziria o impacto inicial da mudança.


CBF também aprova mudanças nos horários do Brasileirão


A reunião desta segunda-feira também aprovou uma reformulação na grade de dias e horários das Séries A e B.


Na primeira divisão, o domingo deverá concentrar a maior parte das partidas, tendo as 16h como horário-âncora.


Durante a semana, a quarta-feira ganhará protagonismo. A proposta prevê seis partidas no mesmo dia, criando o que a entidade chamou de "Super Quarta".


A nova distribuição também pretende eliminar algumas janelas. Os jogos às 19h durante a semana deverão deixar de existir, assim como partidas aos domingos à noite.


A medida busca reduzir a fragmentação atual. Segundo a CBF, somente entre 2023 e 2025 foram utilizadas 51 combinações diferentes de dias e horários na Série A.


As alterações de grade, contudo, ainda serão discutidas com as empresas detentoras dos direitos de transmissão, que possuem contratos em vigor. Portanto, os horários aprovados ainda não devem ser tratados como definitivamente implementados.


Nova regra entra no planejamento do Corinthians


Embora não exija uma mudança imediata, a redução progressiva transforma a utilização de estrangeiros em uma questão de planejamento para o Corinthians.


O clube montou parte importante de seu elenco atual recorrendo ao mercado internacional. Garro, Carrillo, Angileri e Memphis já estavam no Timão, enquanto Milans, Labyad e Lingard se juntaram ao grupo em 2026.


Ao mesmo tempo, a CBF pretende criar mais espaço para os jovens justamente em um momento no qual nomes formados no Corinthians, como Breno Bidon e Iago Machado, ganham protagonismo no elenco profissional.


A partir de 2027, portanto, Marcelo Paz e o departamento de futebol terão de administrar duas mudanças paralelas: a diminuição gradual das vagas para estrangeiros e o aumento obrigatório da presença de jogadores Sub-23 entre os inscritos.


Mais do que provocar uma reformulação imediata, as novas regras mudam os critérios para a construção do elenco do Corinthians nas próximas temporadas.


O InfoTimão seguirá acompanhando as mudanças previstas para o Campeonato Brasileiro de 2027, as definições sobre a nova grade de jogos e todos os impactos das regras aprovadas pela CBF no planejamento e na montagem do elenco do Corinthians para as próximas temporadas.

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