Diniz aponta arbitragem decisiva na eliminação e elogia reação do Corinthians
- Redação InfoTimão
- há 23 horas
- 6 min de leitura
Treinador contesta decisões nos dois jogos contra o Internacional, explica estratégia ofensiva, projeta Memphis e aborda problemas financeiros e gramado

Fernando Diniz apontou a arbitragem como um fator decisivo para a eliminação do Corinthians na Copa do Brasil. Após a vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, que não evitou a eliminação, na noite desta quinta-feira (6), na Neo Química Arena, o treinador contestou decisões tomadas nos dois confrontos das oitavas de final.
O resultado em Itaquera não foi suficiente para reverter a derrota por 2 a 0 sofrida no Beira-Rio. Com o placar de 3 a 2 no agregado, o atual campeão se despediu da competição nacional.
Durante a entrevista coletiva, Diniz também reconheceu os erros cometidos pelo Corinthians, destacou os méritos do Internacional e elogiou a entrega da equipe e o apoio da Fiel. O técnico ainda explicou a estratégia adotada, demonstrou confiança na renovação de Memphis Depay e falou sobre os transfer bans, as dificuldades financeiras e o gramado da Neo Química Arena.
Veja a coletiva de Fernando Diniz
Diniz considera arbitragem decisiva no confronto
A principal reclamação de Fernando Diniz envolveu o critério adotado pela arbitragem ao longo dos dois jogos. No Beira-Rio, o treinador entendeu que o Corinthians deveria ter recebido um pênalti em lance envolvendo Matheus Bidu.
Na partida de volta, a contestação foi direcionada principalmente a uma possível falta em Kaio César na jogada que terminou com o gol de Bernabei. Na avaliação de Diniz, o árbitro Felipe Fernandes de Lima havia marcado infrações menos intensas durante o confronto, mas deixou o lance seguir.
“Lá foi pênalti claro no Bidu e aqui foi claríssima a falta. Como aquilo no Kaio César não é falta? O que mata a arbitragem é a falta de critério. Existe muita falta de critério de um árbitro para o outro e no mesmo árbitro, dentro do mesmo jogo, como aconteceu hoje”, declarou.
O treinador também mencionou uma disputa envolvendo Gustavo Henrique na área do Internacional. Segundo Diniz, o zagueiro estava sendo segurado e, ao tentar se desvencilhar da marcação, teve uma falta ofensiva assinalada contra ele.
Diniz ainda reclamou da administração dos acréscimos e da ausência de advertências aos jogadores do Internacional por retardarem o reinício da partida. O árbitro indicou nove minutos, mas, na avaliação do técnico, deveria ter compensado as novas paralisações ocorridas durante o período adicional.
“A arbitragem hoje foi decisiva e, lá em Porto Alegre, também. Nesse confronto, a arbitragem foi decisiva”, afirmou.
Apesar do posicionamento firme, Diniz reconheceu que a eliminação não pode ser explicada somente pelas decisões da arbitragem. O técnico admitiu que o Corinthians poderia ter apresentado mais no confronto de ida e destacou os méritos da equipe gaúcha.
“A gente tem coisas para melhorar. Nós erramos, eu errei, os jogadores erraram, todo mundo errou. Poderíamos ter feito mais coisas, mas hoje, principalmente, a gente se esforçou no limite máximo”, ponderou.
Diniz exalta jogadores e apoio da Fiel
Fernando Diniz elogiou a postura apresentada pelo Corinthians na Neo Química Arena. Depois de uma atuação abaixo das expectativas em Porto Alegre, o treinador avaliou que a equipe demonstrou coragem, entrega e insistência para buscar a classificação até os últimos minutos.
O Timão voltou a ficar à frente com Pedro Raul depois de sofrer o empate no segundo tempo e esteve perto do terceiro gol quando Matheuzinho acertou a trave na reta final.
“Os jogadores estão de parabéns. A torcida está mais de parabéns ainda. Acho que o time representou bem a torcida. Lá em Porto Alegre faltou, mas hoje não deixamos faltar vontade, coragem e insistência”, destacou.
Para o treinador, a equipe conseguiu reproduzir dentro de campo a postura demonstrada pela Fiel nas arquibancadas.
“A gente jogou como a torcida é. Jogou o tempo todo acreditando que dava, insistindo, na raça e na vontade”, completou.
Estratégia do Corinthians explorou os lados do campo
Questionado sobre a quantidade de cruzamentos e a utilização de Kaio César pelo lado direito, Diniz explicou que a estratégia foi definida a partir da postura defensiva esperada do Internacional.
Segundo o treinador, a equipe gaúcha formava uma linha de cinco defensores, protegida por três meio-campistas, enquanto os dois atacantes também auxiliavam na marcação. Diante de um bloco tão fechado, insistir pelo centro aumentaria o risco de perda da posse e de contra-ataques.
“A gente já imaginava que o jogo seria esse, com uma linha de cinco, três volantes e os dois atacantes ajudando na marcação. Eram dez jogadores o tempo todo atrás da linha da bola”, explicou.
Por isso, o Corinthians procurou construir as jogadas pelos lados. Diniz ressaltou que os dois gols, a finalização de Breno Bidon no primeiro tempo e a bola de Matheuzinho na trave nasceram de cruzamentos ou de rebotes originados por jogadas laterais.
“Se o meio está muito fechado, além de ser difícil furar por dentro, você tem uma chance de tomar o contra-ataque. O jogo teria muitas jogadas terminando pelos lados. Acho que a gente soube usar bem isso”, analisou.
O técnico também observou que vários cruzamentos não ganharam a altura desejada, problema que já havia aparecido nos treinamentos. Diniz não soube determinar se a dificuldade estava relacionada à bola ou às condições do campo.
Apesar do volume produzido pelo Corinthians, o Internacional marcou em sua primeira finalização certa. Bernabei recebeu pelo lado esquerdo e acertou um chute que tocou no travessão antes de entrar.
“O futebol não segue uma lógica formal de que, se você jogar melhor, atacar mais e chutar mais, vai ganhar. O Inter praticamente deu aquele chute no gol. Era um chute difícil, mais difícil do que algumas chances que a gente perdeu, mas acertou”, avaliou Diniz.
Diniz demonstra confiança na renovação de Memphis
Fernando Diniz também falou sobre a situação de Memphis Depay, que retornou ao Brasil nesta semana. O jogador passou por novos exames e testes físicos sem que fossem constatados problemas, mas ainda aguarda a formalização da renovação e a conclusão do registro.
O treinador afirmou estar ansioso para trabalhar com o camisa 10 e demonstrou confiança em um desfecho positivo nos próximos dias. Diniz ressaltou que teve contato com Memphis no campo durante apenas quatro ou cinco dias desde que assumiu o Corinthians.
“O mais importante para mim é que a gente está muito próximo de contar com ele. Desde que chegou ao Corinthians, ele foi um dos jogadores mais decisivos. É um cara que tem um brilho diferente e vai nos ajudar muito”, declarou.
“Estou ansioso pela renovação. Está muito perto de acontecer. Acredito que, nos próximos dias, ele vai acertar e a gente poderá trabalhar junto. Ele vai dar peso, qualidade e experiência para o nosso time”, acrescentou.
A expectativa do treinador reforça a importância esportiva da negociação. O Corinthians enfrentou o Internacional sem Yuri Alberto, lesionado, e teve Pedro Raul como referência ofensiva. O camisa 18 marcou o segundo gol alvinegro e encerrou um longo período sem balançar as redes.
Diniz aborda dívidas e transfer bans do Corinthians
Ao ser questionado sobre os problemas enfrentados pelo Corinthians fora de campo, Diniz afirmou que conhecia as dificuldades financeiras do clube antes de aceitar o cargo. O treinador defendeu o esforço do presidente Osmar Stabile e da diretoria para conciliar a redução das dívidas com a manutenção de uma equipe competitiva.
Segundo Diniz, as restrições financeiras afetam diretamente as possibilidades do departamento de futebol. O clube precisa administrar o pagamento dos salários e os valores necessários para solucionar os transfer bans que impedem o registro de jogadores.
“Sem dinheiro, a gente tem muito menos possibilidades. Tem hora que você precisa escolher entre pagar o transfer ban ou pagar salário. O dinheiro é um só”, afirmou.
O técnico ressaltou que a situação não pode servir como acomodação e defendeu a criação de soluções para recuperar a capacidade financeira do Corinthians.
“Ninguém está acomodado. É justamente o contrário. Precisamos criar soluções para sair dos transfer bans e ter uma folga financeira para pagar os salários em dia, porque os jogadores precisam receber em dia”, prosseguiu.
Treinador acredita em recuperação do gramado
Diniz voltou a comentar as condições do gramado da Neo Química Arena. O treinador afirmou que o departamento de futebol foi surpreendido pela situação apresentada depois da troca realizada durante a paralisação do calendário.
A empresa responsável pela manutenção trabalha no estádio desde sua inauguração e, segundo o treinador, apresentou ao clube a expectativa de que o campo volte a ser uma referência no futebol brasileiro.
“Infelizmente, entregou o campo em péssimas condições, tratando-se do melhor campo que havia no futebol brasileiro. A promessa é de que vai ficar bom, melhor do que estava quando parou, e voltar a ser o melhor campo do Brasil”, disse.
Diniz reconheceu que os problemas financeiros, administrativos e estruturais não facilitam o trabalho, mas afirmou que dirigentes, comissão técnica e jogadores estão empenhados em encontrar soluções.
Corinthians volta as atenções ao Brasileirão e à Libertadores
Eliminado da Copa do Brasil, o Corinthians volta a campo neste domingo (9), às 18h30, contra o Red Bull Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Na sequência, o Timão enfrenta o Rosario Central, na quinta-feira (13), às 21h30, no Gigante de Arroyito, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.
O InfoTimão seguirá acompanhando as repercussões da eliminação, a situação de Memphis, os bastidores do clube e a preparação da equipe para os próximos compromissos da temporada.


