Corinthians banca Diniz, elenco pede permanência e técnico admite pior recorte da carreira

Marcelo Paz encerra especulações sobre mudança no comando após derrota para o Fluminense; jogadores procuram diretoria em apoio ao treinador, que fala em tristeza e revolta com sequência negativa

A derrota para o Fluminense não provocará uma mudança no comando do Corinthians. Minutos antes da entrevista coletiva de Fernando Diniz, neste domingo (20), o executivo de futebol Marcelo Paz fez um pronunciamento para confirmar publicamente a permanência do treinador mesmo depois de mais um resultado negativo no Campeonato Brasileiro.
A manifestação aconteceu após o revés por 3 a 1 diante do Fluminense, na Neo Química Arena, que levou o Corinthians à sexta derrota consecutiva no Nacional e ao sétimo compromisso seguido sem vitória na temporada.
Segundo Paz, a decisão foi tomada pela diretoria de futebol em conjunto com o presidente Osmar Stabile. O executivo também revelou um elemento importante dos bastidores: jogadores do elenco procuraram voluntariamente os dirigentes para defender a continuidade do trabalho de Diniz.
“A decisão é de continuidade, de acreditar no trabalho.”
Paz explicou que o posicionamento já estava definido antes mesmo da partida e que o resultado diante do Fluminense não mudaria a convicção da direção. O objetivo do pronunciamento foi justamente encerrar as especulações sobre uma possível troca no comando técnico.
Jogadores procuram diretoria e pedem permanência de Diniz
Marcelo Paz revelou que a manifestação de apoio do elenco não nasceu de uma consulta feita pelos próprios dirigentes.
Segundo o executivo, os jogadores procuraram espontaneamente a diretoria para afirmar que seguem confiando em Fernando Diniz e acreditam que o Corinthians pode superar a crise mantendo a atual comissão técnica.
“Os jogadores nos procuraram voluntariamente [...] para dizer que nós vamos sair juntos dessa.”
Paz afirmou ainda que os atletas deixaram claro que não querem uma mudança no comando e entendem que todos precisam dividir a responsabilidade pelo momento vivido pelo clube.
O executivo também pediu desculpas à Fiel pelos resultados recentes e reconheceu que diretoria, comissão técnica e elenco não estão entregando aquilo que a torcida espera.
A manifestação ocorre poucos dias depois de outro momento importante nos bastidores. Na sexta-feira, capitães do elenco, dirigentes, Fernando Diniz e lideranças das torcidas organizadas se reuniram no CT Dr. Joaquim Grava.
Na ocasião, os jogadores expuseram parte das dificuldades enfrentadas diariamente no clube e também reafirmaram confiança no trabalho da comissão técnica.
Marcelo Paz volta a bancar trabalho de Fernando Diniz
Não foi a primeira manifestação pública de respaldo da diretoria nos últimos dias.
Depois da eliminação para o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores, Marcelo Paz já havia descartado uma mudança de treinador e defendido a continuidade do trabalho.
A nova derrota no Brasileirão aumentou a pressão, mas não modificou o posicionamento.
Paz afirmou que o Corinthians precisa aproveitar a pausa da Data Fifa para fortalecer o elenco e mencionou retornos importantes para a sequência da temporada. O dirigente destacou principalmente a expectativa pela volta de Yuri Alberto e o processo de retorno de André Ramalho.
“A gente precisa, acima de tudo, voltar a vencer jogos.”
Com dez rodadas restantes, o objetivo declarado pela diretoria é tirar o Corinthians da posição em que se encontra e voltar a pontuar regularmente no campeonato.

Diniz diz que Corinthians jogou melhor que o Fluminense
Com sua continuidade já confirmada antes mesmo de começar a entrevista coletiva, Fernando Diniz iniciou a análise defendendo a atuação do Corinthians.
Na visão do treinador, o Timão jogou melhor que o Fluminense, inclusive no primeiro tempo, apesar de ter ido para o intervalo perdendo por 1 a 0.
Diniz também reclamou de um lance em que entendeu ter ocorrido um pênalti não marcado para o Corinthians.
A avaliação foi ainda mais positiva em relação à segunda etapa. O Timão empatou com Gustavo Henrique, aumentou significativamente o volume ofensivo e teve oportunidades para buscar a virada antes de sofrer o segundo gol em um contra-ataque.
“Já era para a gente ter feito o segundo, o terceiro, até o quarto gol, e acabamos tomando o segundo.”
Segundo Diniz, o gol de Hulk no momento de maior pressão corinthiana teve grande impacto sobre a equipe diante do cenário emocional já carregado pelos resultados recentes.
Diniz admite pior recorte da carreira
Questionado sobre como avalia o trabalho desenvolvido no Corinthians, Fernando Diniz reconheceu a gravidade do momento.
O treinador fez questão de separar o início de sua trajetória no clube da sequência vivida nas últimas semanas. Segundo ele, o Corinthians teve um começo acima das expectativas, mas despencou posteriormente em termos de resultados.
Foi nesse contexto que Diniz fez uma das declarações mais fortes da coletiva:
“Esse recorte de 40 dias com certeza é o pior trabalho, talvez, da minha carreira.”
Na sequência, ponderou que sua avaliação era bastante diferente quando considerado o período anterior à queda recente. O treinador definiu a trajetória como uma “montanha-russa”, com uma ascensão rápida seguida por uma queda brusca nos resultados.
“Os resultados estão péssimos, estão muito ruins nesse momento.”
Mesmo reconhecendo a fase, Diniz voltou a defender que os placares não traduzem integralmente as atuações apresentadas pelo Corinthians e citou jogos nos quais acredita que sua equipe produziu o suficiente para obter resultados melhores.
“Tristeza muito profunda” e “revolta muito grande”
Outro momento marcante aconteceu quando Diniz foi questionado sobre uma aparente mudança em sua postura durante as entrevistas coletivas.
O treinador respondeu que evita demonstrar publicamente toda a indignação que sente porque entende que também precisa impedir que o ambiente interno fique ainda mais pesado.
A resposta, porém, revelou o impacto pessoal provocado pela sequência negativa.
“Eu tenho uma tristeza muito profunda e uma revolta muito grande.”
Diniz afirmou estar frustrado, revoltado e triste e admitiu dificuldade para compreender plenamente como o Corinthians chegou ao atual cenário.
Segundo ele, a postura mais controlada nas entrevistas não representa conformismo.
“Não é um incômodo. É uma tristeza e uma revolta.”
O treinador explicou que não pretende utilizar as entrevistas para aumentar a pressão sobre um ambiente que já considera suficientemente difícil.
Diniz fala sobre ambiente pesado no Corinthians
Os problemas fora das quatro linhas também apareceram novamente.
Diniz foi questionado sobre os relatos feitos pelos jogadores durante a reunião com as torcidas organizadas no CT Dr. Joaquim Grava.
O treinador reconheceu que o departamento de futebol convive com consequências de dificuldades institucionais acumuladas pelo Corinthians ao longo dos últimos anos.
Entre os problemas mencionados por Diniz estão transfer bans, atrasos salariais e as próprias dificuldades dentro de campo.
Por outro lado, o técnico rejeitou qualquer interpretação de que esse cenário tenha provocado falta de comprometimento dos atletas. Segundo ele, os jogadores seguem trabalhando, correndo e tentando encontrar soluções para a fase negativa.
Diniz também classificou como “extremamente legítima” a cobrança apresentada pelas organizadas durante o encontro.
Apoio do elenco deixa treinador feliz
Fernando Diniz também foi informado durante a coletiva sobre a revelação feita por Marcelo Paz de que jogadores procuraram a diretoria para defender sua continuidade.
O treinador disse que os atletas não haviam conversado com ele sobre a iniciativa depois da partida, mas demonstrou satisfação.
“Obviamente que eu fico feliz e é muito bom que seja assim.”
Para Diniz, o movimento indica que o grupo acredita no trabalho desenvolvido pela comissão técnica e na possibilidade de superar o atual momento sem uma troca no comando.
Yuri Alberto ganha peso nos planos para reação
Um dos jogadores mais mencionados no pós-jogo foi Yuri Alberto.
O centroavante permanece em recuperação, mas existe expectativa de que volte a ficar disponível depois da pausa para a Data Fifa.
Na visão de Fernando Diniz, a importância de Yuri vai muito além da capacidade de marcar gols.
O técnico destacou a imposição física do camisa 9, sua movimentação e principalmente a maneira como sua presença interfere no posicionamento das defesas adversárias.
“Ele é um jogador diferente.”
Diniz estimou, de memória, que o aproveitamento da equipe com Yuri em campo durante seu trabalho esteja próximo de 65%, mas ressaltou principalmente aspectos que não aparecem diretamente nas estatísticas.
Segundo o treinador, mesmo em períodos nos quais não viveu grande fase artilheira, a presença do centroavante ajudava o Corinthians a se aproximar das vitórias.
Diniz explica uso de Memphis como centroavante
O treinador também detalhou algumas das escolhas envolvendo Memphis Depay.
Segundo Diniz, a utilização do holandês mais centralizado aconteceu também por questões físicas. Quando voltou a ficar à disposição, atuar como centroavante representava uma posição com menor exigência em determinadas ações.
O treinador destacou ainda que Memphis desempenha a função pela seleção holandesa, embora tenha reconhecido que não considera a posição a melhor para explorar todas as características do camisa 10.
Diniz entende que o jogador apresentou evolução física nos últimos compromissos e estava mais inteiro tanto na decisão diante do Estudiantes quanto contra o Fluminense. O desgaste apareceu principalmente na reta final da partida deste domingo.
Por que Diniz demorou para mexer no time?
Fernando Diniz também foi questionado sobre o momento escolhido para realizar suas substituições.
Quando o Corinthians pressionava o Fluminense depois do empate, o técnico optou por manter a formação mesmo percebendo sinais de desgaste de Memphis e Breno Bidon.
A justificativa foi direta:
“Eu mexo no time quando eu acho que o time vai melhorar.”
Segundo Diniz, não havia motivo para interromper um período no qual o Corinthians estava criando chances e se aproximava do segundo gol apenas para utilizar as substituições disponíveis.
O cenário mudou após o segundo gol do Fluminense, quando o adversário passou a ter condições de se fechar e explorar ainda mais os contra-ataques. Foi então que Diniz promoveu as entradas de Pedro Raul e Lingard.
Data Fifa vira oportunidade para tentar reconstruir o Corinthians
A sequência de partidas será interrompida agora pela Data Fifa.
O período sem jogos surge como uma oportunidade importante para Fernando Diniz trabalhar uma equipe que chega à pausa acumulando derrotas, problemas físicos e pressão crescente.
O treinador rejeitou a ideia de que exista uma fragilidade emocional permanente no elenco. Na sua avaliação, o Corinthians demonstrou capacidade de reação em diferentes situações recentes, inclusive diante do próprio Fluminense antes de sofrer o segundo gol.
Diniz reconheceu o impacto daquele lance sobre os jogadores, mas não vê o aspecto anímico como um problema irrecuperável.
O treinador também destacou que futebol não pode ser explicado apenas por questões táticas. Para ele, o ambiente, o comportamento e o aspecto emocional exercem influência ainda maior sobre aquilo que acontece dentro de campo.
“Não adianta falar para acreditar”
Já perto do encerramento da entrevista, Diniz foi questionado diretamente sobre o que poderia dizer aos torcedores para fazê-los acreditar que o Corinthians será diferente depois da Data Fifa.
A resposta não trouxe promessa. O treinador reconheceu que, diante da sequência de resultados negativos, simplesmente pedir confiança à Fiel não é suficiente.
“Não adianta falar para acreditar agora.”
Diniz afirmou que internamente existe uma convicção muito forte de que o trabalho pode dar certo. Admitiu, porém, que essa confiança precisará ser transferida para o torcedor por meio daquilo que acontecer dentro de campo.
Em outras palavras, o treinador colocou sobre o próprio Corinthians a responsabilidade de reconstruir essa relação por meio dos resultados.
Confira a entrevista completa:
A manifestação de Marcelo Paz elimina, ao menos neste momento, qualquer dúvida sobre o comando técnico: Fernando Diniz seguirá à frente do Corinthians depois da Data Fifa.
A decisão conta com o respaldo da diretoria, do presidente Osmar Stabile e, segundo o executivo, também do próprio elenco.
Esse respaldo, porém, vem acompanhado de uma realidade que ninguém tentou esconder neste domingo. Os resultados são ruins, a pressão aumentou e o Corinthians precisa reagir no Campeonato Brasileiro.
Diniz reconheceu viver talvez o pior recorte de sua carreira. Paz pediu desculpas à torcida. Os jogadores assumiram responsabilidade e defenderam a continuidade do treinador.
Depois das palavras, os dez jogos finais do Brasileirão serão responsáveis por mostrar se a convicção interna conseguirá, enfim, produzir a reação que até agora não apareceu nos resultados.
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