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Gustavo Henrique diz que Corinthians está “totalmente desorganizado” e banca Fernando Diniz

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Redação InfoTimão
há 2 horas
7 min de leitura

Autor do gol diante do Fluminense admite luta contra o rebaixamento, assume responsabilidade do elenco e defende permanência de Fernando Diniz


Gustavo Henrique marcou o gol do Corinthians na derrota para o Fluminense.
Gustavo Henrique marcou o gol do Corinthians na derrota para o Fluminense. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Autor do único gol do Corinthians na derrota por 3 a 1 para o Fluminense, Gustavo Henrique deixou a Neo Química Arena neste domingo (20) com um discurso franco sobre a crise vivida pelo clube.


Na zona mista, o zagueiro reconheceu o ambiente pesado provocado pelos resultados, assumiu a parcela de responsabilidade dos jogadores, defendeu a permanência de Fernando Diniz e admitiu que a luta contra o rebaixamento é a realidade imediata do Corinthians.


Mas Gustavo foi além dos problemas dentro das quatro linhas.


Questionado sobre aquilo que mais incomoda no atual momento, o defensor lamentou que o clube esteja, novamente, próximo da zona de rebaixamento e fez uma avaliação contundente sobre a situação institucional.

“Praticamente é o terceiro ano brigando para não cair. Isso me incomoda muito. Não é realidade do Corinthians, não é a história do Corinthians.”

Na sequência, completou:

“É lógico que o clube está totalmente desorganizado há muito tempo.”

Apesar da crítica, Gustavo fez questão de afastar qualquer tentativa de usar os problemas externos como justificativa para os resultados do futebol. Segundo o zagueiro, os atletas seguem trabalhando e também precisam responder pelo momento vivido em campo.


“Não tem como o clima estar bom”


A declaração aconteceu depois de mais uma tarde frustrante em Itaquera.


Com o revés para o Fluminense, o Corinthians chegou à sexta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro e completou sete partidas sem vencer na temporada, poucos dias depois da eliminação diante do Estudiantes nas quartas de final da Libertadores.


Perguntado sobre o ambiente encontrado pelas torcidas organizadas durante a reunião realizada na sexta-feira no CT Dr. Joaquim Grava, Gustavo não tentou minimizar a situação.

“É ruim pelas derrotas que a gente tem no Campeonato Brasileiro. É ruim pela eliminação que a gente teve. Não tem como ser bom nesse momento.”

O defensor contou que a conversa aconteceu de maneira respeitosa. Os jogadores apresentaram sua visão sobre os problemas enfrentados no dia a dia, enquanto os representantes das organizadas fizeram as cobranças que consideravam necessárias.

“Todo mundo está muito incomodado com a situação, tanto a torcida como nós.”

Na avaliação do zagueiro, diretoria, comissão técnica e jogadores precisam compreender suas respectivas responsabilidades e encontrar uma saída conjuntamente.


Confira a entrevista complata de Gustavo Henrique:



Gustavo Henrique banca Fernando Diniz


O respaldo do elenco a Fernando Diniz também apareceu de maneira clara na zona mista.



Gustavo confirmou a confiança interna.

“A gente acredita no trabalho do professor. O professor é um cara que se entrega muito no dia a dia, é um cara que tenta nos ajudar o máximo, não só na parte de futebol, como na parte de vida mesmo.”

O zagueiro também relacionou parte das dificuldades recentes à sequência de problemas físicos enfrentados pelo elenco justamente em um momento decisivo da temporada.


Para ele, a Data Fifa permitirá que Diniz tenha mais tempo para trabalhar e recupere opções importantes para as dez partidas restantes no Brasileirão.

“É um momento difícil, onde a gente precisa se juntar.”

Gustavo ressaltou, porém, que as ausências não podem ser utilizadas como desculpa para os resultados.


“Cabe um voto de confiança” a Fernando Diniz


Na entrevista concedida posteriormente às emissoras de televisão, Gustavo aprofundou sua posição sobre o futuro do treinador.


Questionado sobre o movimento feito pelos próprios jogadores junto à diretoria, disse acreditar que uma troca neste momento da temporada poderia não ser positiva.

“Acredito que talvez a troca de treinador agora não seria tão boa assim para o elenco. Faltam apenas 10 jogos.”

O defensor lembrou que Diniz também teve períodos positivos à frente da equipe e mencionou novamente a possibilidade de trabalhar com um grupo mais completo depois da Data Fifa.

“Eu acho que cabe um voto de confiança com o nosso treinador.”

Na avaliação de Gustavo, a dedicação demonstrada diariamente pelo técnico e os bons momentos já apresentados pela equipe sustentam a tentativa de reação com a atual comissão.


Responsabilidade não é apenas do treinador


Gustavo rejeitou, entretanto, a ideia de transferir toda a responsabilidade da crise para Fernando Diniz.


Questionado sobre até que ponto o treinador deveria responder pelas seis derrotas consecutivas no Brasileirão, foi direto:

“Responsabilidade é de todo mundo.”

Para o zagueiro, jogadores, comissão técnica e diretoria precisam reconhecer suas respectivas parcelas.

“Quando está ganhando é muito fácil. São nesses momentos difíceis que a gente tem que assumir a responsabilidade.”

Gustavo disse ainda que a frustração demonstrada pela torcida também existe dentro do elenco. Segundo ele, o grupo projetava disputar a parte superior do Campeonato Brasileiro e sonhava em chegar às fases finais da Libertadores.


A realidade, porém, tornou-se outra.


Dez partidas viram “10 finais” e “10 guerras”


O próprio Gustavo admitiu que a prioridade mudou.


Antes preocupado em se aproximar das primeiras colocações, o Corinthians entra nas dez rodadas finais com a necessidade imediata de afastar o risco de rebaixamento.

“Vão ser 10 finais para a gente, vão ser 10 guerras.”

Na sequência, estabeleceu a ordem dos objetivos:

“A gente precisa sair dessa zona que incomoda muito, que é a zona de rebaixamento, para depois pensar numa possível Libertadores.”

O Corinthians chega à pausa da Data Fifa apenas três pontos acima do Z4.


Na entrevista às TVs, Gustavo confirmou que a realidade da classificação já foi assimilada internamente. Embora ainda tenha citado a possibilidade de uma arrancada na reta final, deixou claro que qualquer ambição maior depende primeiro de afastar o risco de queda.

“O primeiro passo é sair logo dessa situação.”  

Gustavo Henrique: “A torcida está com razão”


A relação com a Fiel também ocupou parte importante das entrevistas.


A torcida realizou protestos antes e depois da partida contra o Fluminense, depois de uma semana já marcada pelas cobranças provocadas pela eliminação continental.

Gustavo afirmou compreender completamente as manifestações.

“A torcida está com razão.”

O defensor lembrou que os corinthianos têm acompanhado e apoiado o time mesmo durante os momentos mais complicados e reconheceu ser difícil pedir ainda mais paciência diante dos últimos resultados.

“Eles nos apoiam em todos os momentos.”

Segundo o zagueiro, o elenco precisará da arquibancada durante a reta final, ainda que os jogadores precisem primeiro oferecer motivos para recuperar a confiança perdida.

“Eles estão no direito deles de cobrar.”

“Não tem traição, não tem picuinha”


Gustavo também fez uma defesa enfática da união e do comprometimento do grupo.


Perguntado pelo InfoTimão sobre por que o torcedor ainda poderia confiar nos jogadores, rejeitou a existência de problemas internos que estejam prejudicando deliberadamente o trabalho.

“Isso aqui é um elenco que não está de sacanagem. Não tem traição, não tem picuinha, não tem jogador dando migué no treino.”

Na sequência, ressaltou:

“Está todo mundo trabalhando, a gente se dedica ao máximo.”

Para Gustavo, é justamente essa dedicação que torna a sequência de derrotas ainda mais difícil de compreender internamente.


O defensor garantiu ainda que o grupo permanece unido mesmo diante do aumento da pressão.


Na entrevista às TVs, quando questionado diretamente se poderia garantir a união do elenco, não hesitou:

“Com certeza. Garanto, garanto. Ainda mais nessas derrotas, é onde a gente se fecha mais.”

Segundo ele, não existe outra alternativa neste momento senão aumentar a união do grupo para tentar interromper a queda.  


Gustavo cobra reorganização estrutural do Corinthians


As declarações mais duras, porém, foram dirigidas à situação estrutural do clube.

Além de afirmar ao InfoTimão que o Corinthians está “totalmente desorganizado há muito tempo”, Gustavo desenvolveu o assunto durante a entrevista às emissoras.


O defensor lembrou que o clube convive há anos com crises políticas e dificuldades financeiras e relacionou a falta de organização às dificuldades esportivas.

“É muito difícil um clube, quando não está organizado, conquistar alguma coisa.”

Gustavo ponderou que vencer já é difícil mesmo para instituições organizadas e que o desafio se torna ainda maior quando diferentes problemas se acumulam.

Ao mesmo tempo, ressaltou o tamanho do potencial corinthiano:

“Isso aqui tem tudo para ser um dos maiores clubes do mundo.”

O zagueiro explicou que se referia principalmente à necessidade de o Corinthians voltar a apresentar força financeira e estrutural compatível com sua grandeza esportiva e popular.


Para ele, o torcedor é quem mais sofre ao acompanhar a distância entre aquilo que o clube poderia representar e a realidade vivida atualmente.


“Uma potência que precisa se estruturar novamente”


O diagnóstico também apareceu de forma ainda mais ampla na conversa com o InfoTimão.


Gustavo afirmou considerar triste o que vem acontecendo com o Corinthians diante do tamanho de sua história.

“A história do Corinthians é muito grande, é uma potência muito grande que precisa se estruturar novamente.”

O zagueiro lembrou que as dificuldades esportivas não surgiram nesta temporada e mencionou a sequência de anos em que o clube deixou de disputar regularmente as principais conquistas.


Ainda assim, voltou a colocar os jogadores dentro da responsabilidade pelo cenário atual.


Para ele, os problemas administrativos e financeiros ajudam a compreender o contexto, mas não retiram a obrigação de quem está em campo entregar resultados.


Lesões também pesaram na queda de rendimento


Gustavo Henrique citou ainda a quantidade de problemas físicos sofridos pelo Corinthians durante a temporada.


O zagueiro mencionou principalmente a ausência de Yuri Alberto e outros jogadores que vinham oferecendo alternativas importantes ao longo das partidas.

“Não é desculpa. Não estou aqui para dar desculpa nenhuma.”

Apesar da ressalva, reconheceu que perder jogadores considerados decisivos reduziu as opções da comissão técnica e afetou o rendimento.


A Data Fifa, nesse sentido, é encarada como uma oportunidade para recuperar parte do grupo e permitir a Fernando Diniz trabalhar com mais alternativas antes das dez rodadas finais.


Corinthians precisa recuperar força na Neo Química Arena


Outro desafio admitido por Gustavo é reconstruir a força do Corinthians como mandante.


O zagueiro falou também a partir da experiência de quem enfrentou o Timão na Neo Química Arena antes de vestir a camisa alvinegra.

“Quando eu vinha jogar aqui, o empate já era muito para a gente.”

Para Gustavo, atuar em Itaquera já representou um dos maiores desafios para os adversários no futebol brasileiro.


Agora, o Corinthians precisa recuperar justamente essa característica.

“A gente precisa resgatar isso.”

O defensor entende que voltar a vencer regularmente diante da Fiel terá papel fundamental para afastar o clube da zona de rebaixamento e permitir que novos objetivos sejam traçados.


Data Fifa vira ponto de reconstrução


O Corinthians terá agora pouco mais de duas semanas sem partidas oficiais.

Depois de uma sequência marcada pela eliminação na Libertadores, seis derrotas consecutivas no Brasileiro e crescente pressão dentro e fora de campo, a pausa aparece como uma oportunidade para tentar reorganizar ao menos o futebol.


Gustavo Henrique não tentou esconder o tamanho da crise. Reconheceu a luta contra o rebaixamento, respaldou Fernando Diniz, defendeu o comprometimento do elenco e admitiu que os problemas do Corinthians ultrapassam as quatro linhas.


Se o clube está, nas palavras do próprio zagueiro, “totalmente desorganizado há muito tempo”, as dez rodadas finais mostrarão se o futebol conseguirá encontrar alguma estabilidade antes que essa desorganização produza uma consequência ainda mais grave dentro de campo.


Acompanhe o InfoTimão para todos os desdobramentos do Corinthians durante a Data Fifa e a preparação para a sequência do Campeonato Brasileiro.

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