Corinthians se manifesta após MP-SP cobrar responsáveis por pagamentos do Fiel da Sorte

Clube afirma que rescindiu contrato com a Incentiva antes da primeira requisição do Ministério Público; nova cobrança busca identificar responsáveis por fiscalização e pagamentos

O Corinthians se manifestou nesta quarta-feira (14) após receber uma nova requisição do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre os pagamentos realizados à Incentiva, empresa responsável pela operação do programa Fiel da Sorte.
Segundo o clube, o documento foi recebido na última terça-feira (13) e será respondido dentro do prazo estabelecido. A nova cobrança do MP-SP busca identificar, entre outros pontos, quem fiscalizava o contrato, quem autorizava as despesas e como os pagamentos à empresa eram realizados.
Em nota oficial, o Corinthians afirmou que o contrato foi celebrado em abril de 2023, durante a gestão anterior, e que a atual diretoria posteriormente identificou descumprimentos relacionados à prestação de contas e à apresentação de relatórios mensais previstos no acordo.
Ainda segundo o clube, após notificações sem resposta, o vínculo foi rescindido em junho de 2026 “por culpa exclusiva da contratada”, antes da primeira requisição do Ministério Público sobre o caso. O Corinthians também informou que adotou medidas judiciais para tentar obter a documentação que considera pendente.
A nova etapa da apuração ocorre depois de o MP-SP abrir investigação sobre os aproximadamente R$ 6,9 milhões pagos pelo Corinthians no Fiel da Sorte.
MP quer identificar quem fiscalizava contrato e autorizava pagamentos
A nova requisição concedeu prazo de dez dias para que o Corinthians apresente informações mais detalhadas sobre a execução financeira do contrato.
O Ministério Público quer saber quem era responsável por fiscalizar o cumprimento das obrigações da Incentiva, quais pessoas autorizavam os pagamentos, de que forma os valores eram transferidos e quem efetivamente recebia os recursos.
A apuração também busca esclarecer movimentações realizadas por transferência bancária e Pix, além da cadeia interna de aprovação das despesas.
A nova cobrança surgiu após a análise de arquivos eletrônicos encaminhados ao procedimento e amplia o foco da investigação. Se inicialmente uma das principais dúvidas era compreender os serviços prestados e a destinação dos valores, agora o MP-SP procura também reconstruir quem, dentro da estrutura administrativa do Corinthians, acompanhava e autorizava a execução contratual.
O objetivo, neste momento, é identificar responsabilidades funcionais e verificar se os mecanismos internos de controle foram devidamente utilizados.
Nova requisição menciona 36 notas fiscais
Entre os documentos analisados pelo Ministério Público estão 36 notas fiscais emitidas entre agosto de 2023 e maio de 2026.
Esse número, entretanto, não deve ser confundido automaticamente com a quantidade de pagamentos efetivamente realizados.
As informações conhecidas anteriormente sobre o contrato apontam 34 prestações pagas pelo Corinthians entre agosto de 2023 e abril de 2026, abrangendo períodos das gestões de Duilio Monteiro Alves, Augusto Melo e Osmar Stabile.
Os pagamentos somaram aproximadamente R$ 7,6 milhões em valores brutos, enquanto cerca de R$ 6,9 milhões líquidos teriam sido efetivamente recebidos pela Incentiva.
A distinção é relevante porque a existência de 36 notas fiscais na documentação analisada pelo MP-SP não significa, por si só, que todas elas tenham resultado em pagamentos.
É justamente a reconstrução detalhada dessa movimentação financeira que agora está entre os objetivos da nova requisição.
Corinthians diz ter rescindido contrato antes da primeira cobrança do MP
Na manifestação divulgada nesta quarta-feira, o Corinthians procura destacar a cronologia das medidas adotadas pela atual administração.
Segundo o clube, o contrato com a Incentiva havia sido firmado em abril de 2023 e previa, entre outras obrigações, a apresentação de prestações de contas e relatórios mensais sobre a operação do Fiel da Sorte.
A atual diretoria afirma que identificou o descumprimento dessas obrigações, notificou a empresa e, diante da falta de resposta, decidiu rescindir unilateralmente o contrato em junho de 2026.
O Corinthians sustenta que essa decisão foi tomada antes de qualquer requisição do Ministério Público relacionada ao caso.
O clube também informa que posteriormente adotou medidas judiciais para obter os documentos que afirma não ter recebido e para preservar eventuais direitos decorrentes do encerramento do vínculo.
A expressão “culpa exclusiva da contratada”, utilizada na nota, corresponde à posição jurídica apresentada pelo Corinthians e não representa, até o momento, uma conclusão definitiva da Justiça sobre a responsabilidade pelo rompimento.
Incentiva já contestou versão apresentada pelo clube
A empresa responsável pelo Fiel da Sorte apresentou anteriormente uma versão diferente sobre o encerramento da relação contratual.
Quando o caso veio a público, a Incentiva afirmou que não havia sido comunicada da rescisão unilateral e sustentou que a campanha permaneceu operacional, com entregas, até o final de maio de 2026.
A divergência entre as partes é um dos elementos que cercam a apuração e reforça a importância dos documentos agora cobrados pelo Ministério Público.
O MP-SP busca justamente reunir registros capazes de demonstrar quais serviços foram efetivamente prestados, quais obrigações contratuais foram cumpridas e como os pagamentos foram fiscalizados ao longo da relação entre clube e empresa.
Corinthians é tratado como vítima, mas MP apura responsabilidades individuais
Outro ponto relevante da investigação é a distinção entre o Corinthians enquanto instituição e as pessoas que participaram da execução do contrato.
Segundo as informações relacionadas à nova requisição, o clube é tratado como vítima enquanto pessoa jurídica.
Isso, porém, não impede que o Ministério Público procure identificar se dirigentes, funcionários ou responsáveis por determinadas áreas deixaram de cumprir obrigações de fiscalização, autorização ou acompanhamento dos pagamentos.
Em outras palavras, a investigação pode reconhecer eventual prejuízo ao Corinthians e, ao mesmo tempo, apurar se houve responsabilidades individuais na forma como o contrato foi administrado.
Essa etapa é justamente o que explica a cobrança por nomes, funções e registros relacionados às autorizações financeiras.
Caso também será compartilhado com inquérito sobre intervenção judicial
As informações obtidas na investigação do Fiel da Sorte também deverão ser encaminhadas à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável por outra apuração relacionada à situação institucional do Corinthians.
A conexão entre os procedimentos significa que elementos obtidos no caso do Fiel da Sorte poderão ser considerados dentro de uma avaliação institucional mais ampla.
Isso não significa que o contrato com a Incentiva, isoladamente, determine ou resulte automaticamente em uma intervenção judicial no Corinthians.
Uma eventual medida desse tipo dependeria do conjunto de elementos reunidos pelo Ministério Público, de eventual ação apresentada ao Judiciário e, posteriormente, de decisão da Justiça.
O InfoTimão também publicou um especial explicando como uma eventual intervenção judicial poderia funcionar no Corinthians e quais seriam seus possíveis efeitos.
O que era o Fiel da Sorte?
O Fiel da Sorte foi anunciado pelo Corinthians em 2023 como uma iniciativa vinculada ao programa Fiel Torcedor.
Entre seus produtos estava a chamada “rabiscadinha”, uma espécie de raspadinha digital oferecida aos associados. Cada integrante do programa tinha direito a receber unidades gratuitas mensalmente.
A divulgação da iniciativa deixou de aparecer nos canais ligados ao clube a partir de 2024, mas os pagamentos à Incentiva continuaram nos anos seguintes.
O contrato previa remuneração calculada de acordo com a quantidade de sócios adimplentes que haviam aderido ao Fiel Torcedor depois do início da parceria, com um valor mensal por associado.
Conforme já mostrou o InfoTimão em reportagem sobre o início da investigação, o caso passou a gerar questionamentos justamente pela continuidade dos pagamentos, pela dificuldade em obter relatórios detalhados sobre a operação e pelas dúvidas sobre a entrega efetiva dos serviços contratados.
Confira a nota do Corinthians na íntegra
“O Sport Club Corinthians Paulista esclarece que recebeu, na última terça-feira (13), nova requisição de informações do Ministério Público do Estado de São Paulo a respeito do programa de sorteios ‘Fiel da Sorte’, e que prestará todos os esclarecimentos dentro do prazo concedido. O contrato em questão foi celebrado por gestão anterior, em abril de 2023. Constatado o descumprimento, pela empresa contratada, do dever de prestar contas e de apresentar os relatórios mensais previstos no instrumento, a atual diretoria notificou a empresa e, ante a ausência de resposta, rescindiu o contrato por culpa exclusiva da contratada — providências adotadas em junho de 2026, antes de qualquer requisição do Ministério Público sobre o tema. Diante da recusa da empresa em apresentar a documentação, o Clube adotou também as medidas judiciais cabíveis para obtê-la e para resguardar seus direitos. Por fim, o Sport Club Corinthians Paulista reforça seu total interesse no esclarecimento e na resolução do caso, mantendo-se à disposição do Ministério Público e dos demais órgãos competentes para colaborar com todas as informações e documentos que se façam necessários, contribuindo de forma transparente com o Poder Público para a completa apuração dos fatos.”
A nova requisição representa mais um avanço em uma investigação que deixou de observar apenas quanto foi pago e quais serviços teriam sido entregues para tentar reconstruir também quem acompanhou, autorizou e executou financeiramente o contrato dentro do Corinthians.
O clube afirma que colaborará com a apuração e sustenta que a atual gestão já havia tomado providências antes da primeira cobrança do Ministério Público. Agora, a documentação solicitada deverá ajudar a esclarecer como um contrato que movimentou aproximadamente R$ 6,9 milhões líquidos foi fiscalizado ao longo de três administrações diferentes.
E você, torcedor: o que espera que seja esclarecido sobre o contrato do Fiel da Sorte e os pagamentos realizados pelo Corinthians? Deixe sua opinião nos comentários.
Continue acompanhando o InfoTimão para todos os desdobramentos sobre política, finanças e administração do Corinthians.
InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.






Comentários