Agente de André Luiz critica Corinthians por negociação frustrada e aponta falta de experiência do clube no mercado europeu
- Redação InfoTimão

- há 8 horas
- 7 min de leitura
Diogo Silva questiona avaliação do clube após propostas de Milan, Forest e Olympiacos; Stabile e Marcelo Paz explicam posição alvinegra

O agente de André Luiz criticou a postura do Corinthians nas negociações envolvendo o meio-campista ao longo de 2026. Diogo Silva apontou falta de experiência da diretoria no mercado europeu, classificou a recusa da proposta do Milan como um erro e questionou as contrapropostas apresentadas recentemente ao Nottingham Forest e ao Olympiacos.
As declarações foram concedidas depois de o Corinthians encerrar a principal janela europeia sem negociar nenhum jogador. O Nottingham Forest apresentou uma oferta por André, mas não respondeu à contraproposta alvinegra antes do fechamento do mercado inglês, na última terça-feira, dia 1º de setembro.
O Olympiacos também procurou o clube e teve uma proposta recusada. Apesar de algumas janelas ainda permanecerem abertas, o agente trabalha com a permanência de André até o fim da temporada. A diretoria, por outro lado, não descarta analisar novas ofertas durante setembro.
Agente aponta erro do Corinthians no mercado europeu
Responsável pela gestão da carreira de André Luiz, Diogo Silva questionou a avaliação feita pelo Corinthians sobre o valor do jogador e a preparação do clube para a janela de transferências.
Em entrevista ao ge, o empresário afirmou que a diretoria não soube estabelecer uma referência compatível com o mercado e perdeu oportunidades importantes de gerar receita.
“Houve um erro de avaliação na proposta do Milan”, declarou Diogo.
Segundo o agente, a dificuldade poderá se repetir enquanto o departamento de futebol não contar com profissionais capazes de compreender a dinâmica das negociações europeias. Para ele, o preço de um jogador é determinado pelas propostas efetivamente apresentadas, e não somente pelas comparações e expectativas construídas internamente pelo clube vendedor.
Diogo também criticou as respostas encaminhadas pelo Corinthians ao Nottingham Forest e ao Olympiacos. Na avaliação do empresário, as contrapropostas ficaram muito distantes dos valores oferecidos e foram formuladas “para não vender”.
O representante entende que o Corinthians foi o principal prejudicado pelo encerramento das conversas, especialmente porque o clube atravessa uma grave crise financeira e precisava gerar receitas com transferências.

Nottingham Forest não respondeu à contraproposta
O Nottingham Forest demonstrou interesse em André Luiz durante a reta final da janela inglesa. O clube da Premier League buscava uma reposição para Elliott Anderson, negociado com o Manchester City, e incluiu o meio-campista corinthiano entre as alternativas avaliadas.
O InfoTimão acompanhou as negociações entre Corinthians e Nottingham Forest, marcadas por informações divergentes sobre os valores, as moedas e a composição das ofertas.
Inicialmente, o jornal britânico Daily Mail indicou um investimento de 13,6 milhões de libras, aproximadamente R$ 95,5 milhões. Posteriormente, o UOL publicou que as conversas poderiam envolver um pacote de até 18,6 milhões de euros, sendo 13,6 milhões fixos e outros 5 milhões condicionados ao cumprimento de metas.
Já o Meu Timão informou que o Forest havia estabelecido um limite de 16 milhões de libras, aproximadamente R$ 112 milhões na cotação daquele período. Os termos formalizados entre os clubes, contudo, não haviam sido confirmados de maneira independente.
Após o fechamento da janela, o executivo de futebol Marcelo Paz apresentou a versão do Corinthians. Segundo o dirigente, a proposta efetivamente recebida do Nottingham Forest foi de 12 milhões de euros, cerca de R$ 71,6 milhões, sem bônus por metas.
O clube considerou o valor insuficiente e encaminhou uma contraproposta. O Forest não apresentou uma nova oferta antes do encerramento do prazo para registrar jogadores na Inglaterra.
O que dizem Stabile e Marcelo Paz
Marcelo Paz afirmou que a proposta do Nottingham Forest chegou por intermédio de Diogo Silva no dia 22 de agosto, às 20h28. O Corinthians respondeu às 21h54 da mesma noite, menos de uma hora e meia depois.
O executivo não revelou os valores pedidos pelo clube, mas rebateu a avaliação de que teria faltado agilidade na condução das conversas. Segundo Paz, a contraproposta foi enviada rapidamente.
“Depois, não veio mais nada”, afirmou o dirigente.
O relato representa a posição oficial do departamento de futebol diante das críticas do empresário. Pessoas próximas à presidência sustentam que o Corinthians não deveria aceitar uma proposta considerada baixa, ainda mais sem bônus futuros capazes de elevar o valor da operação.
O presidente Osmar Stabile também se manifestou após o fechamento da janela inglesa. Em entrevista à Rádio Energia 97, o mandatário confirmou a ausência de uma resposta positiva do Forest.
“Fizemos a contraproposta e não responderam até hoje. Por enquanto, não será vendido por essa janela para a Europa”, declarou Stabile.
Com o fechamento da janela inglesa, ficou inviabilizado o registro de André pelo Nottingham Forest neste período. O presidente, entretanto, não garantiu a permanência do volante até dezembro. Stabile ressaltou que outros mercados continuam abertos e podem apresentar propostas durante as próximas semanas.
A posição difere parcialmente da projeção feita pelo agente. Diogo Silva afirmou que André deve permanecer no Corinthians até o fim da temporada porque o objetivo esportivo do jogador é atuar em uma das cinco principais ligas europeias, cujas janelas já foram encerradas.

Recusa ao Milan volta ao centro da discussão
As críticas do empresário retomaram uma negociação ocorrida no início da temporada. Em março, o Milan apresentou uma proposta que poderia alcançar 17 milhões de euros, aproximadamente R$ 104 milhões na cotação daquele período.
O modelo previa 15 milhões de euros fixos e outros 2 milhões condicionados ao cumprimento de metas. A operação envolveria os 70% dos direitos econômicos pertencentes ao Corinthians e chegou a uma etapa avançada.
Segundo Diogo Silva, mais de 28 e-mails foram trocados entre as partes, e os documentos já estavam redigidos quando a diretoria decidiu interromper o negócio.
Na ocasião, o Corinthians reavaliou a transferência após a repercussão negativa entre os torcedores e as críticas públicas de Dorival Júnior. Posteriormente, Osmar Stabile recusou oficialmente a proposta do Milan e manteve o meio-campista no elenco.
A diretoria justificou a decisão como uma escolha esportiva voltada à disputa da Libertadores. O entendimento era de que André poderia ganhar protagonismo, valorizar-se durante a temporada e render cifras superiores na janela seguinte.
O jogador efetivamente conquistou mais espaço com Fernando Diniz. A valorização projetada, entretanto, ainda não se transformou em uma proposta aceita pelo Corinthians.
Corinthians defende avaliação feita por André Luiz
Antes da abertura da janela, o InfoTimão revelou que André Luiz e Breno Bidon eram tratados como os principais ativos do Corinthians.
Naquele momento, a avaliação interna era de que as conversas pelo camisa 49 deveriam começar somente diante de valores próximos de 20 milhões de euros. O clube considerava a idade, a participação no time profissional, o potencial de evolução e a possibilidade de uma futura revenda.
André também despertou outras movimentações ao longo da temporada. Em julho, a Juventus realizou uma sondagem pelo meio-campista, mas não apresentou uma proposta capaz de fazer as tratativas avançarem.
A diretoria sustenta que não deveria reduzir significativamente sua avaliação apenas por causa da necessidade imediata de caixa. Para o clube, aceitar uma oferta considerada insuficiente poderia comprometer o potencial de receita futura com um dos principais jogadores formados no Terrão.
O agente, por outro lado, argumenta que a avaliação precisa considerar os valores que o mercado está disposto a pagar. O desacordo expõe duas visões diferentes sobre o melhor momento e o patamar adequado para negociar André.
Olympiacos também teve proposta recusada
Além do Nottingham Forest, o Olympiacos apresentou uma proposta de 10 milhões de euros, aproximadamente R$ 59,7 milhões, mais bônus por metas. O Corinthians também considerou os valores insuficientes e encaminhou uma contraproposta.
O clube grego pertence a Evangelos Marinakis, empresário que também controla o Nottingham Forest. Apesar da ligação entre as duas equipes e de a janela da Grécia permanecer aberta até 15 de setembro, a negociação com o Olympiacos é considerada difícil neste momento.
Outros mercados, como os da Turquia e da Arábia Saudita, ainda possuem prazo para realizar contratações. Essas possibilidades explicam por que Stabile e a diretoria não tratam a permanência de André como definitiva.
O estafe do jogador, entretanto, não considera esses destinos prioritários. A intenção é construir uma transferência para uma das principais ligas da Europa, mesmo que seja necessário aguardar a próxima janela.
Negociações frustradas ampliam problema financeiro
O encerramento da principal janela europeia sem uma venda relevante aumenta a distância entre a arrecadação efetiva do Corinthians e os valores projetados para 2026.
O orçamento previa aproximadamente R$ 151 milhões em receitas relacionadas à negociação de jogadores, direitos econômicos e mecanismo de solidariedade da Fifa.
No primeiro semestre, o clube havia projetado R$ 75 milhões líquidos com vendas, mas obteve somente R$ 2,978 milhões depois dos gastos vinculados às operações.
Nos comentários que acompanham o balanço, a diretoria afirmou que postergou as transferências para preservar o elenco na Libertadores. A expectativa passou a ser a obtenção de aproximadamente 25 milhões de euros líquidos durante a janela do meio do ano.
Até o momento, porém, o Corinthians não concretizou nenhuma venda capaz de gerar uma entrada próxima ao valor previsto. A frustração com as negociações contribuiu para o déficit de R$ 246 milhões registrado no primeiro semestre.
O clube também apresentou um endividamento total de R$ 2,8 bilhões, patrimônio líquido negativo superior a R$ 1 bilhão e dificuldades para cumprir compromissos de curto prazo.
Esse cenário dá contexto às críticas feitas pelo agente de André. Ao mesmo tempo, a diretoria argumenta que a crise financeira não deve obrigar o Corinthians a negociar um de seus principais ativos por um valor abaixo do considerado adequado.
André Luiz avança na recuperação de lesão
Enquanto o futuro permanece em discussão, André segue em recuperação de uma lesão muscular de grau 2 na parte posterior da coxa direita. O problema aconteceu no dia 6 de agosto, durante a vitória sobre o Internacional pela Copa do Brasil.
No final de agosto, o volante voltou ao gramado e realizou exercícios acompanhado pela fisioterapia. André ainda precisa avançar para a transição física antes de ser reintegrado integralmente aos treinamentos comandados por Fernando Diniz.
O meio-campista estreou pelo time profissional em setembro de 2025, na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense. Desde então, disputou 47 partidas, sendo 31 como titular, marcou sete gols e distribuiu duas assistências.
André também integrou os elencos campeões da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa do Brasil de 2026, participando das duas decisões. Antes da lesão, havia se consolidado entre os titulares e ampliado sua importância esportiva no planejamento do Corinthians.
Com o fechamento das principais janelas europeias, o estafe trabalha com a permanência até dezembro. A situação ainda dependerá, contudo, de eventuais propostas apresentadas por clubes de mercados que continuam abertos e do interesse do jogador em avaliar esses destinos.
E você, torcedor, considera que o Corinthians acertou ao manter a avaliação estabelecida por André Luiz ou deveria ter aceitado uma das propostas recebidas? Deixe sua opinião nos comentários.
O InfoTimão seguirá acompanhando a recuperação de André Luiz, as movimentações do mercado e qualquer nova proposta envolvendo o meio-campista do Corinthians.






Comentários