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Corinthians acumula R$ 27,3 milhões em parcelas atrasadas com a União; acordo segue vigente

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Redação InfoTimão
há 16 horas
7 min de leitura

Clube chega a quatro prestações em aberto na transação tributária de R$ 679 milhões; PGFN afirma que acordo permanece regular neste momento


Corinthians não paga parcelas atrasadas de acordo por dívida bilionária com a União.
Corinthians não paga parcelas atrasadas de acordo por dívida bilionária com a União. Foto: Marcos Ribolli / ge

O Corinthians chegou a quatro parcelas atrasadas no acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O clube não quitou a prestação de setembro, vencida no último dia 30, e acumula agora R$ 27.326.394,64 em pagamentos em aberto relacionados à negociação que reorganizou uma dívida bilionária com a União.


O atraso engloba aproximadamente R$ 8,008 milhões em débitos previdenciários e R$ 19,318 milhões em obrigações não previdenciárias. As prestações são atualizadas pela taxa Selic.


Apesar de o próprio acordo prever a falta de pagamento de três parcelas como uma das hipóteses de rescisão, a transação não foi encerrada. Procurada sobre a situação, a PGFN informou que o acordo com o Corinthians permanece regular neste momento e evitou antecipar possíveis desdobramentos.


O Corinthians, por sua vez, afirmou contar com a relação mantida com a Procuradoria para solucionar a situação da forma mais rápida possível.


A informação sobre a quarta prestação em aberto foi divulgada inicialmente pelo ge.


Corinthians chegou a quatro meses sem pagar acordo com a PGFN


O novo atraso amplia uma situação que já vinha sendo acompanhada pelo InfoTimão.


Na ocasião, estavam pendentes as prestações de junho, julho e agosto, e uma nova parcela venceria em 30 de setembro. O pagamento também não foi realizado.


Com isso, o valor em aberto passou de R$ 20.494.795,98 para R$ 27.326.394,64.

Cada mês representa aproximadamente R$ 2,002 milhões na frente previdenciária e outros R$ 4,830 milhões na parcela não previdenciária, antes das atualizações financeiras aplicáveis.


A gestão Osmar Stabile havia pago as quatro primeiras prestações do acordo firmado em fevereiro, mas deixou de realizar os pagamentos a partir de junho.


Por que o acordo continua válido mesmo com quatro parcelas atrasadas?


Esse é o principal ponto para compreender a situação do Corinthians.


O termo firmado com a PGFN prevê que a falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas constitui hipótese de rescisão prevista no acordo.

Isso, porém, não significa que a transação seja automaticamente encerrada no momento em que o terceiro vencimento deixa de ser pago.


As regras aplicáveis à transação tributária estabelecem um procedimento para situações de descumprimento. O contribuinte é comunicado sobre a ocorrência de uma hipótese de rescisão e pode regularizar sua situação ou apresentar defesa administrativa dentro do prazo previsto.


O Corinthians já havia sido notificado em agosto em razão dos atrasos existentes naquele momento. Mesmo depois do vencimento de setembro, entretanto, a PGFN informou que a transação segue regular.


A Procuradoria também afirmou que não comentaria cenários futuros.


Assim, o Corinthians está atualmente em uma situação que exige cuidado na terminologia: existem quatro prestações vencidas e uma hipótese contratual de rescisão, mas o acordo de R$ 679 milhões continua vigente.


Corinthians pede mais prazo para regularizar parcelas


Segundo as informações apuradas sobre a negociação, a diretoria solicitou à União mais prazo para regularizar as prestações.


A PGFN, por sua vez, informou publicamente que a transação permanece regular neste momento, sem detalhar eventual nova data para pagamento ou confirmar publicamente uma prorrogação formal dos vencimentos.


O clube busca reorganizar seus compromissos em um momento de forte pressão financeira e apresentou à Procuradoria o cenário enfrentado em outras frentes.

Entre elas está a negociação relacionada à Neo Química Arena.



Segundo dirigentes, a interrupção daquele pagamento foi discutida com o banco enquanto as partes analisam uma proposta que poderia utilizar os naming rights e outros ativos comerciais para quitar a obrigação da Arena.


As duas situações, porém, são independentes. A suspensão da prestação da Arena não significa automaticamente que os recursos serão destinados à PGFN, assim como a negociação com a Caixa não modifica por si só as obrigações assumidas pelo Corinthians na transação tributária.


O que acontece se o Corinthians perder o acordo?


Uma eventual rescisão teria consequências muito superiores aos R$ 27,3 milhões atualmente vencidos.


O acordo firmado com a PGFN concedeu benefícios para reorganizar débitos que, antes da transação, alcançavam aproximadamente R$ 1,2 bilhão.


Caso a transação seja definitivamente rescindida, o Corinthians perde os benefícios obtidos na negociação e a cobrança dos créditos remanescentes poderá ser retomada conforme as condições aplicáveis, com abatimento dos valores já pagos pelo clube.


Também podem voltar a ser utilizados mecanismos judiciais e extrajudiciais de cobrança e garantias previstas no acordo. Além disso, uma rescisão impediria o Corinthians de celebrar uma nova transação tributária por dois anos, inclusive envolvendo outros débitos.


Por isso, preservar a negociação possui relevância muito maior do que simplesmente evitar o pagamento imediato das quatro parcelas vencidas.


Como funciona o acordo de R$ 679 milhões


A transação tributária foi formalizada em fevereiro de 2026 depois de negociações iniciadas anteriormente.


Como o InfoTimão mostrou ao detalhar o acordo com a PGFN, o Corinthians conseguiu reorganizar uma dívida que estava na casa de R$ 1,2 bilhão, envolvendo diferentes modalidades de obrigações tributárias.


O acordo prevê estruturas distintas de pagamento. Os débitos previdenciários possuem prazo de até 60 parcelas, enquanto os não previdenciários foram distribuídos em até 120 prestações.


As obrigações relacionadas ao FGTS também foram estruturadas em até 60 parcelas, com condições específicas de desconto, enquanto determinados créditos de contribuição social tiveram previsão de pagamento à vista com redução prevista na negociação.


Um cuidado importante é diferenciar o percentual de desconto aplicado a multas, juros e encargos do efeito final sobre toda a dívida.


A transação produziu uma redução relevante no passivo, mas isso não significa que 46,6% de todo o principal devido pelo Corinthians tenha simplesmente sido perdoado.


O valor consolidado da negociação ficou próximo de R$ 679 milhões.


Parque São Jorge está entre as garantias


Para celebrar a transação, o Corinthians também apresentou garantias à União.

Entre elas estão valores relacionados à Timemania e o próprio Parque São Jorge, sede social do clube.


O imóvel foi avaliado em aproximadamente R$ 602,2 milhões dentro da estrutura da negociação.


A utilização do patrimônio como garantia posteriormente gerou questionamentos internos sobre o procedimento adotado para formalizar a operação.


Conselheiros passaram a discutir se a oferta do Parque São Jorge deveria ter sido submetida previamente a instâncias internas do clube de acordo com as exigências estatutárias.


O tema também foi citado em um pedido de impeachment contra Osmar Stabile.


Esses questionamentos, porém, fazem parte da disputa institucional dentro do Corinthians e não alteram, por si só, a validade atual da transação informada pela PGFN.


Acordo também gerou discussão nas contas de 2025


A negociação tributária teve impacto relevante na apresentação das demonstrações financeiras do Corinthians.


Embora o contrato tenha sido formalmente assinado em 2026, os efeitos da operação foram reconhecidos pelo clube nas contas referentes a 2025.


A transação contribuiu para uma redução de aproximadamente R$ 217,428 milhões na dívida bruta apresentada contabilmente.


O tratamento recebeu ressalvas durante a análise das contas.


O Conselho de Orientação do Corinthians e documentos relacionados à auditoria independente apontaram questionamentos sobre o reconhecimento dos efeitos da negociação antes da assinatura definitiva do contrato.


Esse episódio ajuda a dimensionar a importância do acordo para a fotografia financeira apresentada pelo clube.


Uma eventual perda dos benefícios, portanto, poderia gerar consequências não apenas sobre o fluxo de pagamentos, mas também sobre a estrutura de passivos apresentada pelo Corinthians, embora qualquer efeito contábil concreto dependa do momento e das condições de uma eventual rescisão.


Atrasos acontecem em meio à pressão sobre o caixa


A dificuldade para manter as parcelas da PGFN em dia ocorre em um dos momentos financeiros mais delicados da história recente do Corinthians.



O clube também apresentou capital circulante líquido negativo em aproximadamente R$ 663,4 milhões, resultado da diferença entre R$ 479,559 milhões em ativos circulantes e R$ 1,143 bilhão em passivos circulantes.


Ao mesmo tempo, o Corinthians precisa administrar uma série de outras obrigações esportivas, trabalhistas, tributárias e financeiras.


No futebol masculino, a diretoria acumula pendências relacionadas a direitos de imagem, férias e premiações, enquanto o salário registrado em CLT chegou a sofrer atraso durante setembro antes de ser regularizado.


O cenário ajuda a contextualizar a necessidade de reorganização do fluxo financeiro, mas não elimina as obrigações assumidas na transação com a União.


Risco vai além dos R$ 27,3 milhões vencidos


As quatro parcelas em aberto representam uma pressão imediata sobre o Corinthians, mas o maior risco está no tamanho da negociação que o clube tenta preservar.


A transação permitiu reorganizar uma obrigação que antes alcançava aproximadamente R$ 1,2 bilhão e estabelecer condições para pagamento de cerca de R$ 679 milhões ao longo dos próximos anos.


É justamente esse conjunto de benefícios que estaria em jogo em uma eventual rescisão.


Por enquanto, porém, o cenário precisa ser separado em duas partes: o Corinthians efetivamente possui quatro prestações atrasadas e R$ 27,3 milhões em aberto, mas a PGFN afirma que a transação continua regular neste momento.


O próximo passo dependerá das conversas entre clube e Procuradoria e da capacidade do Corinthians de regularizar as obrigações ou encontrar uma solução dentro das regras do acordo.


E você, torcedor: o risco de perder o acordo com a União preocupa mais do que o valor das quatro parcelas atualmente atrasadas? Deixe sua opinião nos comentários.


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InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

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