top of page

Corinthians atrasa R$ 20,5 milhões, é notificado pela PGFN e pode perder acordo de R$ 679 milhões

Foto do escritor: Redação InfoTimão
Redação InfoTimão
há 6 horas
6 min de leitura

Clube acumula três parcelas em atraso, tenta regularizar pendências com a União e busca preservar renegociação que reduziu dívida de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões.


Corinthians atrasa parcelas e põe acordo com PGFN em risco.
Corinthians atrasa parcelas e põe acordo com PGFN em risco. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

O Corinthians foi notificado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) após deixar de pagar três parcelas consecutivas da transação tributária firmada com a União no início de 2026. As prestações referentes a junho, julho e agosto estão em aberto e somam R$ 20.494.795,98.


A informação sobre a inadimplência foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo.


Segundo apuração do InfoTimão, o Corinthians reconhece que os pagamentos estão atrasados e mantém contato com a PGFN na tentativa de regularizar a situação e preservar o acordo.


A negociação é considerada estratégica para as finanças alvinegras. Como mostrou o InfoTimão na ocasião em que o Corinthians oficializou a transação tributária com a PGFN, uma dívida de aproximadamente R$ 1,2 bilhão com a União foi renegociada para cerca de R$ 679 milhões, após a aplicação de descontos e a definição de prazos que chegam a dez anos.


O atraso de três prestações consecutivas coloca o Corinthians em uma das hipóteses previstas para a rescisão da transação, embora isso não signifique que o acordo já tenha sido encerrado.


Corinthians acumula R$ 20,5 milhões em parcelas atrasadas


Os valores pendentes estão divididos entre débitos previdenciários e não previdenciários.


Na parcela referente às obrigações previdenciárias, o Corinthians precisa desembolsar R$ 2.001.982,48 por mês. Como os pagamentos de junho, julho e agosto não foram realizados, o débito acumulado nessa frente chegou a R$ 6.005.947,44.


Já as prestações relacionadas aos débitos não previdenciários são de R$ 4.829.616,18 mensais. As três parcelas em atraso representam outros R$ 14.488.848,54.


Somadas, as pendências alcançam R$ 20.494.795,98.


O Corinthians havia cumprido as quatro primeiras parcelas da transação, referentes aos meses de fevereiro, março, abril e maio, antes de interromper os pagamentos.


Os valores ainda estão sujeitos às atualizações previstas no acordo.


Corinthians tenta evitar rescisão do acordo com a PGFN


A falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas está entre as situações que podem levar à rescisão de uma transação tributária.


Isso, porém, não representa o encerramento automático do acordo.


O processo prevê uma etapa de notificação e possibilidade de regularização da situação antes de uma eventual rescisão definitiva. É nesse cenário que o Corinthians trabalha neste momento.


Segundo apurou o InfoTimão, o clube mantém diálogo com a PGFN e busca uma solução para os pagamentos pendentes. Pessoas ouvidas pela reportagem apontam que a relação construída entre as partes ao longo da negociação tem sido positiva, e a intenção da diretoria é preservar os termos firmados no início do ano.


A manutenção do acordo é particularmente importante diante do tamanho dos benefícios obtidos na renegociação da dívida.


O que acontece se o Corinthians perder o acordo?


Caso a transação seja definitivamente rescindida, o Corinthians pode perder os descontos e demais benefícios conquistados durante a renegociação.


Nesse cenário, o débito volta a ser cobrado sem as vantagens concedidas pelo acordo, com abatimento dos valores que já tiverem sido efetivamente pagos pelo clube.


Também podem ser retomados os procedimentos administrativos e judiciais de cobrança relacionados às dívidas incluídas na negociação.


Outra consequência prevista é a impossibilidade de celebrar uma nova transação tributária pelo período de dois anos, inclusive em relação a outros débitos.


Por isso, a regularização das parcelas em aberto ganhou caráter de prioridade dentro do clube.


Próxima parcela vence em 30 de setembro


Além dos aproximadamente R$ 20,5 milhões já acumulados, o Corinthians terá uma nova obrigação financeira nos próximos dias.


A próxima prestação da transação vence em 30 de setembro.


Somados os valores atuais dos débitos previdenciários e não previdenciários, o desembolso mensal gira em torno de R$ 6,83 milhões.


Caso essa parcela também não seja paga, a pendência relacionada às quatro prestações poderá ultrapassar R$ 27,3 milhões, antes das atualizações previstas contratualmente.


O vencimento aumenta a pressão sobre o caixa alvinegro justamente enquanto a diretoria tenta solucionar os pagamentos anteriores e manter em vigor uma das maiores renegociações de dívida já realizadas pelo clube.


Acordo reduziu dívida de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões


A transação tributária foi formalizada no início de 2026 e abrangeu débitos acumulados pelo Corinthians ao longo de aproximadamente duas décadas.


Antes do acordo, o montante negociado estava na casa de R$ 1,2 bilhão, considerando obrigações não previdenciárias, previdenciárias e relacionadas ao FGTS.


Com a transação, foi concedido um desconto de 46,6%, reduzindo para aproximadamente R$ 679 milhões o valor previsto para pagamento.


Quando anunciou a negociação, o Corinthians informou que o impacto esperado sobre sua dívida bruta seria de aproximadamente R$ 200 milhões, considerando os efeitos contábeis relacionados às obrigações renegociadas.


Os pagamentos foram divididos em diferentes modalidades.


Os débitos previdenciários foram parcelados em 60 vezes, enquanto os não previdenciários serão pagos em até 120 prestações. As obrigações relacionadas ao FGTS também foram parceladas em 60 vezes, com desconto, enquanto determinados créditos de contribuição social tiveram previsão de pagamento à vista mediante abatimento.


A construção do acordo começou ainda em 2024 e avançou nos anos seguintes até sua formalização.


Parque São Jorge está entre as garantias da negociação


Para firmar a transação com a União, o Corinthians apresentou garantias para assegurar o cumprimento das obrigações assumidas.


Entre elas estão valores que o clube tem a receber por meio da Timemania e bens relacionados ao Parque São Jorge, sede social alvinegra localizada no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.


O patrimônio foi considerado na negociação por um valor aproximado de R$ 602,2 milhões.


A inclusão do Parque São Jorge entre as garantias posteriormente passou a ser questionada internamente e tornou-se um dos principais pontos de um pedido de impeachment contra Osmar Stabile que avançou nos órgãos internos do Corinthians.


Autores da representação sustentam que a utilização do patrimônio na operação deveria ter passado previamente por procedimentos e aprovações previstos no Estatuto Social do Corinthians.


A alegação faz parte da disputa política interna e não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade na operação.


Transação também gerou questionamentos nas contas de 2025


A renegociação com a União também entrou no centro das discussões durante a análise das demonstrações financeiras do Corinthians referentes a 2025.


Apesar de a transação ter sido formalizada em 2026, seus efeitos contábeis foram considerados no exercício anterior. O balanço de 2025 divulgado pelo Corinthians apontou déficit milionário e dívida superior a R$ 2,7 bilhões, mesmo após os efeitos da renegociação com a União.


O tema provocou questionamentos durante a apreciação das contas e foi alvo de ressalvas do Conselho de Orientação (Cori).


A operação resultou em uma redução aproximada de R$ 217,4 milhões na dívida bruta contabilizada pelo clube, tornando sua manutenção ainda mais relevante para a estrutura financeira apresentada pelo Corinthians.


Atrasos aumentam pressão sobre situação financeira do Corinthians


A inadimplência com a União ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira no Parque São Jorge.



A dificuldade de caixa também tem provocado atrasos em compromissos ligados ao futebol.


O clube acumula dois meses de direitos de imagem pendentes com jogadores do elenco masculino, além de férias e premiações relacionadas à Libertadores e ao Campeonato Brasileiro. Os salários referentes a agosto também chegaram a ficar atrasados por mais de uma semana antes de serem pagos. O Corinthians regularizou os vencimentos CLT antes da decisão contra o Estudiantes, mas manteve outras pendências com o elenco.


Nesse contexto, a pendência com a PGFN adiciona um problema de dimensão ainda maior.


Mais do que os R$ 20,5 milhões atualmente em aberto, o Corinthians trabalha para evitar que os atrasos comprometam uma transação que reduziu significativamente um passivo originalmente calculado em cerca de R$ 1,2 bilhão.


Com uma nova parcela de aproximadamente R$ 6,8 milhões vencendo em 30 de setembro, a diretoria terá poucos dias para avançar na regularização das obrigações e preservar as condições conquistadas no acordo com a União.


E você, torcedor, como avalia a situação financeira do Corinthians e os novos atrasos registrados pelo clube? Deixe sua opinião nos comentários e continue acompanhando o InfoTimão para todas as notícias e bastidores do Timão.


InfoTimão, informação de corinthiano para corinthiano.

Comentários


bottom of page