Após denúncia do MP, Armando Mendonça vira alvo de pedido de impeachment no Corinthians
- Redação InfoTimão
- há 1 dia
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Conselheiros e associados acionam o Conselho Deliberativo após denúncia do Ministério Público no caso dos materiais da Nike; pedido amplia pressão sobre um dos principais integrantes da atual diretoria
A crise política do Corinthians ganhou mais um capítulo nos bastidores do Parque São Jorge. Um grupo de conselheiros e associados protocolou um pedido de impeachment contra o segundo vice-presidente Armando Mendonça, poucos dias após o dirigente ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no desdobramento da investigação sobre o suposto desvio de materiais esportivos da Nike.
A informação foi divulgada inicialmente pelo Meu Timão.
Os autores da representação defendem a abertura de um procedimento ético-disciplinar e pedem o afastamento cautelar do dirigente até a conclusão dos processos relacionados ao caso.
Segundo os signatários, os fatos apontados pelo Ministério Público e por órgãos internos do clube revelariam condutas incompatíveis com o exercício do cargo de vice-presidente.
O pedido amplia a pressão sobre um dos principais integrantes da atual diretoria e adiciona mais um capítulo ao cenário de instabilidade política vivido pelo Corinthians em 2026.
Por que o caso de Armando preocupa o Corinthians
Diferentemente de um funcionário ou dirigente sem função estatutária, Armando Mendonça ocupa o cargo de segundo vice-presidente do Corinthians, uma das posições mais relevantes da estrutura administrativa do clube.
Além de integrar a atual diretoria, Armando participa de decisões estratégicas e é uma das principais figuras da administração alvinegra.
Por isso, a combinação entre uma denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público e um pedido de impeachment protocolado dentro do clube amplia significativamente o impacto político do caso.
A situação também aumenta a pressão sobre a gestão de Osmar Stabile, que já enfrenta questionamentos em outras frentes administrativas e políticas.
Pedido se apoia na denúncia apresentada pelo Ministério Público
O principal fundamento da representação é a denúncia apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo.
Na última semana, Armando Mendonça foi denunciado pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.
Segundo os autores do pedido, os fatos narrados pelo Ministério Público justificam a abertura imediata de procedimento disciplinar interno.
No documento, os signatários afirmam que o vice-presidente tem sido alvo de "múltiplas denúncias que revelam um padrão sistemático de conduta incompatível com o exercício do cargo".
Ao todo, a representação reúne 15 assinaturas entre conselheiros e associados.
Caso Nike está no centro das acusações
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Armando Mendonça teria se apropriado de 131 itens esportivos da Nike entre junho e outubro de 2025.
Entre os materiais citados estão:
100 camisas;
9 blusas;
9 calças;
6 pares de tênis;
4 shorts;
2 malas;
1 mochila.
A acusação também sustenta que o dirigente tentou retirar outras 19 camisas especiais da NFL e teria retirado mais oito camisas comemorativas sem a formalização exigida pelos controles internos do clube.
Segundo o Ministério Público, Armando teria utilizado o acesso aos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Dr. Joaquim Grava em razão da posição que ocupa na estrutura administrativa do Corinthians.
Até o momento, não existe condenação judicial contra o dirigente, e as acusações seguem sob análise do Poder Judiciário.
Linha do tempo do caso Nike
O pedido de impeachment protocolado contra Armando Mendonça é resultado de uma sequência de acontecimentos que se intensificou ao longo dos últimos meses.
2025: auditoria interna do Corinthians identifica inconsistências relacionadas ao controle de materiais esportivos;
O caso passa a ser analisado pelas autoridades competentes;
O Ministério Público realiza diligências complementares e amplia as investigações;
Junho de 2026: Armando Mendonça é denunciado por quatro crimes;
Dias depois, conselheiros e associados protocolam pedido de impeachment junto ao Conselho Deliberativo;
Próximo passo: análise da representação por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do CD.
A evolução do caso mostra como uma investigação inicialmente administrativa passou a produzir reflexos políticos e institucionais dentro do clube.
Ligação gravada também embasa pedido de afastamento
Outro ponto central da representação envolve a acusação de coação no curso do processo.
Os autores destacam uma ligação gravada por Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Corinthians e um dos responsáveis pela auditoria interna que investigou o desaparecimento dos materiais esportivos.
Segundo o Ministério Público, Armando teria adotado postura intimidatória durante a conversa, questionando a condução das investigações e fazendo referências ao impacto que as apurações poderiam gerar para outros colaboradores do clube.
O documento protocolado pelos conselheiros afirma que a conduta demonstraria incompatibilidade com o exercício da função de vice-presidente.
Em um dos trechos da representação, os signatários afirmam que o episódio evidencia uma postura considerada inadequada para alguém que ocupa posição de liderança dentro da instituição.
Os autores utilizam a gravação não como prova de eventual responsabilidade criminal, tema que será analisado pela Justiça, mas como elemento que, na avaliação deles, demonstraria incompatibilidade ética com o exercício do cargo.
Por esse motivo, o episódio passou a ocupar posição central nos argumentos utilizados para justificar o pedido de afastamento cautelar do dirigente.
Áudios divulgados reforçam argumentos utilizados na denúncia e no pedido de impeachment
Nos últimos dias, o Blog do Paulinho divulgou trechos da gravação mencionada tanto na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo quanto no pedido de impeachment protocolado por conselheiros e associados do Corinthians.
O material corresponde à ligação realizada por Armando Mendonça ao diretor de tecnologia Marcelo Munhoes, responsável por uma das auditorias internas que investigaram o desaparecimento de materiais esportivos do clube.
Segundo o Ministério Público, a conversa é um dos elementos utilizados para sustentar a acusação de coação no curso do processo, enquanto os autores da representação interna afirmam que o conteúdo reforça a alegação de incompatibilidade entre a conduta atribuída ao dirigente e o exercício do cargo de vice-presidente.
Ao longo da gravação, reproduzida parcialmente pelo Blog do Paulinho, Armando questiona o trabalho de auditoria, critica o vazamento de informações para a imprensa e faz referências à repercussão que as investigações poderiam causar dentro da estrutura administrativa do Corinthians.
Em alguns trechos destacados pela publicação, o dirigente também menciona retiradas de materiais esportivos e cita o presidente Osmar Stabile ao comentar procedimentos relacionados à distribuição de itens do clube.
Os diálogos integram o conjunto de documentos e provas que vêm sendo analisados pelas autoridades e pelos órgãos internos do Corinthians. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito das acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Documento cita outras polêmicas envolvendo o vice-presidente
Além dos desdobramentos do caso Nike, os autores da representação também relembram outros episódios envolvendo Armando Mendonça.
Entre eles está a abertura de procedimento interno relacionado a declarações consideradas ofensivas direcionadas a torcedores do Corinthians após a conquista da Copa do Brasil de 2025.
O documento também menciona posicionamentos públicos adotados pelo dirigente durante o processo político que culminou no afastamento do então presidente Augusto Melo.
Segundo os signatários, o conjunto dos episódios demonstraria comportamento incompatível com os princípios de governança previstos pelo Estatuto Social do Corinthians e pela Lei Geral do Esporte (LGE).
Grupo amplia ofensiva contra integrantes da atual gestão
O pedido contra Armando Mendonça não acontece de forma isolada.
O mesmo grupo de conselheiros e associados tem atuado em outras frentes relacionadas à fiscalização da atual administração do Corinthians.
Recentemente, os signatários protocolaram um novo pedido de impeachment contra Osmar Stabile, relacionado às contratações das empresas Mega Assessoria Operacional Ltda e Bear Security.
Além disso, outro pedido de impeachment contra o presidente já tramita nos órgãos internos do clube e encontra-se em fase de defesa após análise preliminar da Comissão de Ética e Disciplina.
Na prática, os movimentos demonstram uma ofensiva política e institucional voltada ao aumento da fiscalização sobre integrantes da atual diretoria.
O que acontece agora
O pedido de impeachment será analisado por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.
A partir dessa avaliação, caberá aos órgãos internos do Corinthians decidir se a representação possui elementos suficientes para abertura de procedimento disciplinar.
Caso o processo avance, Armando Mendonça terá direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme previsto pelo Estatuto Social do clube.
Neste momento, o protocolo da representação não implica qualquer punição automática ao dirigente.
Corinthians vive sequência inédita de processos internos
A representação contra Armando Mendonça surge em um dos períodos mais turbulentos da história recente do Parque São Jorge.
Nas últimas semanas, o Corinthians viu a expulsão dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo do quadro associativo, acompanhou a saída definitiva de Duílio Monteiro Alves da vida política do clube e passou a conviver com pedidos de impeachment envolvendo integrantes da atual gestão.
Agora, a denúncia do Ministério Público contra o segundo vice-presidente e o pedido de afastamento protocolado por conselheiros acrescentam um novo capítulo à crise institucional que domina os bastidores alvinegros.
Independentemente dos desdobramentos futuros, o caso reforça o debate sobre governança, compliance, transparência e mecanismos de controle dentro do Corinthians.
Em poucas semanas, o clube assistiu a expulsões, renúncias, investigações, denúncias criminais e pedidos de impeachment envolvendo diferentes dirigentes. O cenário ajuda a dimensionar a intensidade das mudanças que vêm remodelando a política do Corinthians em 2026.
O InfoTimão acompanha de perto todos os bastidores políticos, administrativos e esportivos do Corinthians, trazendo informação com responsabilidade, contexto e profundidade para a Fiel Torcida.


