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Corinthians sofre transfer ban por dívida de Charles e chega a quatro bloqueios ativos

  • Foto do escritor: Redação InfoTimão
    Redação InfoTimão
  • há 4 dias
  • 6 min de leitura

Nova punição da Fifa tem duração de três janelas; clube também possui dois outros bloqueios internacionais e uma sanção aplicada pela CBF


Corinthians acumula punições e problemas iniciados na gestão Augusto Melo e que seguem na Gestão Osmar Stabile.
Corinthians acumula punições e problemas iniciados na gestão Augusto Melo e que seguem na Gestão Osmar Stabile. Foto: Reprodução.

O Corinthians recebeu nesta terça-feira mais um transfer ban da Fifa e passou a acumular quatro bloqueios simultâneos que impedem o registro de jogadores. A nova punição, válida por três janelas de transferências, foi provocada por uma dívida relacionada à contratação do volante Charles junto ao Midtjylland, da Dinamarca.


Agora, o clube possui três sanções impostas pela Fifa e uma aplicada pela Confederação Brasileira de Futebol no processo da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Enquanto ao menos uma delas estiver ativa, o Timão não poderá inscrever reforços.


A sequência amplia os obstáculos financeiros e esportivos enfrentados pela diretoria justamente no momento em que o clube busca novas receitas, avalia possíveis contratações e negocia a renovação de Memphis Depay.


Dívida por Charles provoca nova punição da Fifa


O novo transfer ban teve origem na última parcela da contratação de Charles, anunciada pelo Corinthians em julho de 2024.


A negociação, fechada durante a gestão de Augusto Melo, estabeleceu o pagamento de 1,6 milhão de euros ao Midtjylland. O valor foi dividido em três parcelas.

Parcela

Valor

Vencimento

Primeira

400 mil euros

Após a assinatura do contrato

Segunda

400 mil euros

20 de agosto de 2024

Terceira

800 mil euros

15 de março de 2025

O Corinthians quitou as duas primeiras prestações. Embora tenha solicitado o adiamento de um dia para realizar o primeiro pagamento, o clube cumpriu a nova data aceita pelo Midtjylland e também transferiu normalmente a segunda parcela.


A inadimplência ocorreu na terceira e última prestação, de 800 mil euros, vencida em março de 2025.


O contrato previa que o atraso de qualquer parcela geraria uma compensação adicional de 200 mil euros, além da incidência de juros de 12% ao ano. Em caso de novos descumprimentos, a penalidade poderia aumentar.


Midtjylland acionou a Fifa após novas cobranças


Depois do vencimento da última parcela, o Midtjylland entrou em contato com o Corinthians para cobrar o pagamento e concedeu novos prazos para que o débito fosse regularizado.


Sem receber o valor, o clube dinamarquês formalizou a cobrança e colocou o Corinthians em mora. A exigência passou a incluir os 800 mil euros da parcela, a penalidade contratual de 200 mil euros e os juros previstos no acordo.


Diante da permanência da dívida, o Midtjylland apresentou uma reclamação à Fifa em maio de 2025.


O clube dinamarquês venceu a disputa em outubro daquele ano. O Corinthians ainda recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas não conseguiu reverter a decisão e foi novamente derrotado em maio de 2026.


Com o encerramento do recurso, a sanção passou a ser aplicada por três períodos de registro.


Quanto o Corinthians precisa pagar


Os valores determinados no processo envolvem pagamentos ao Midtjylland e à própria Fifa.

Destino

Valor devido

Midtjylland

1 milhão de euros, além de juros de 12% ao ano

Fifa

85 mil dólares

Total aproximado

R$ 6,2 milhões, sem considerar integralmente os juros

O montante destinado ao clube dinamarquês reúne os 800 mil euros da parcela principal e os 200 mil euros da penalidade contratual.


Já os 85 mil dólares devidos à Fifa correspondem a uma multa de 60 mil dólares e a 25 mil dólares referentes aos custos do processo.


Considerando a dívida com o Midtjylland e os valores determinados pela entidade internacional, o total se aproxima de R$ 6,2 milhões, sem incluir integralmente os juros de 12% ao ano incidentes sobre o débito com o clube dinamarquês.


Corinthians passa a acumular quatro transfer bans


A punição relacionada à contratação de Charles é o quarto transfer ban ativo do Corinthians na temporada. Três foram aplicados pela Fifa e um pela CBF.


Corinthians acumula 3 punições na FIFA.
Corinthians acumula 3 punições na FIFA. Foto: Reprodução / Site Fifa

Philadelphia Union


O primeiro bloqueio entrou em vigor em 21 de maio e está relacionado ao atraso no pagamento ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação de José Martínez.


A dívida é estimada em aproximadamente R$ 7,7 milhões, e a punição foi estabelecida por três períodos de transferências.


Multa disciplinar da Fifa


O segundo bloqueio internacional foi registrado em 13 de julho e decorre do não pagamento de uma multa disciplinar de 225 mil dólares, cerca de R$ 1,15 milhão.


A cobrança foi aplicada porque o Corinthians não cumpriu decisões relacionadas às pendências com Philadelphia Union e Midtjylland, além do processo envolvendo o empréstimo de Talles Magno junto ao New York City FC.



Acordo da CNRD


O terceiro transfer ban foi aplicado pela CBF após o Corinthians atrasar a quinta parcela do acordo firmado na CNRD.


A prestação possui valor aproximado de R$ 8 milhões, e a punição nacional foi determinada pelo período de seis meses.


Como o InfoTimão mostrou anteriormente, aquele bloqueio havia feito o Corinthians chegar ao terceiro transfer ban ativo. Agora, a nova decisão relacionada a Charles elevou o total para quatro.



Os quatro transfer bans ativos do Corinthians

Data

Órgão

Origem

Situação

21 de maio

Fifa

Dívida com o Philadelphia Union por José Martínez

Três janelas

13 de julho

Fifa

Multa disciplinar não paga

Até a retirada da punição

18 de julho

CBF/CNRD

Atraso de parcela de aproximadamente R$ 8 milhões

Seis meses

Terça-feira

Fifa

Dívida com o Midtjylland por Charles

Três janelas

Cada processo possui origem e exigências próprias. A regularização de uma pendência não encerra automaticamente as demais.


Para voltar a registrar atletas, o Corinthians precisará obter a retirada ou a suspensão de todos os bloqueios ativos.


Reforços dependem da retirada de todas as punições


O Corinthians pode continuar conversando com clubes, representantes e jogadores, mas não poderá registrar novos atletas enquanto existir ao menos um transfer ban ativo.


Isso significa que qualquer avanço por Arthur Melo, Wesley ou outro possível reforço ficará condicionado à solução de todos os processos. O clube pode negociar valores, salários e condições contratuais, mas não poderá inscrever os jogadores para disputar partidas oficiais.


A restrição também vale para atletas livres no mercado. O cenário contrasta com uma declaração recente de Marcelo Paz. O executivo de futebol afirmou que o Corinthians não atravessaria a janela de transferências sob transfer ban.


Desde então, o clube passou de um para quatro bloqueios simultâneos.


Renovação de Memphis ocorre no mesmo cenário financeiro


O cenário financeiro também envolve a negociação para a renovação de Memphis Depay.


As conversas possuem condições próprias e não devem ser tratadas como consequência direta dos transfer bans. As tratativas envolvem pontos como duração contratual, modelo de remuneração, direitos de marketing e a forma de pagamento das pendências existentes com o atacante.


No entanto, a negociação acontece dentro do mesmo ambiente de restrição de caixa e necessidade de reorganização dos compromissos do departamento de futebol.


Enquanto tenta ampliar o vínculo de Memphis, o Corinthians também precisa quitar dívidas, retirar quatro bloqueios e buscar novas receitas para cumprir suas obrigações na temporada.


Internamente, existe a expectativa de que a abertura da janela aqueça o mercado e permita ao clube receber propostas por jogadores. A diretoria trabalha com uma meta de aproximadamente R$ 150 milhões em vendas, mas ainda não confirmou ofertas oficiais suficientes para atender às necessidades financeiras do Timão.


Pendências atravessam gestões e aumentam necessidade de receitas


A nova punição mostra como compromissos assumidos em uma administração podem continuar produzindo efeitos nas gestões seguintes.


A contratação de Charles foi concluída em julho de 2024, durante a presidência de Augusto Melo, mas a dívida, os recursos apresentados e a aplicação do transfer ban passaram a exigir providências já na gestão de Osmar Stabile.


O mesmo contexto aparece em outras pendências que deram origem aos bloqueios atuais. São obrigações firmadas ou acumuladas anteriormente que não foram regularizadas dentro dos prazos estabelecidos e agora precisam ser enfrentadas pela administração em exercício.


No caso de Charles, uma parcela principal de 800 mil euros passou a incluir uma penalidade de 200 mil euros, juros de 12% ao ano e custos processuais. O episódio demonstra como o atraso no cumprimento dos acordos pode elevar os valores originalmente previstos e obrigar o clube a agir de maneira emergencial.


Com quatro transfer bans ativos, o Corinthians precisa destinar novas receitas não apenas ao funcionamento do futebol e ao pagamento dos compromissos correntes, mas também à regularização de dívidas que já acumulam multas, juros e despesas jurídicas.


A situação torna o clube ainda mais dependente da entrada de recursos por vendas de jogadores, acordos comerciais e outras fontes de receita. Ao mesmo tempo, a diretoria precisa conduzir a renovação de Memphis Depay e avaliar possíveis reforços sem poder registrá-los enquanto as sanções permanecerem vigentes.


Enquanto os quatro transfer bans estiverem ativos, qualquer movimentação do Corinthians no mercado seguirá limitada às negociações de bastidores. A retirada das punições dependerá de soluções diferentes para processos nacionais e internacionais, em um momento no qual o clube também precisa manter suas obrigações correntes e financiar o restante da temporada.


O InfoTimão seguirá acompanhando as tratativas com os credores, o processo de renovação de Memphis Depay e os impactos dos quatro transfer bans no planejamento do Corinthians.

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