MP denuncia vice-presidente do Corinthians por quatro crimes em caso dos materiais da Nike
- Redação InfoTimão
- há 11 minutos
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Ministério Público acusa Armando Mendonça de apropriação indébita, tentativa de apropriação, furto mediante abuso de confiança e coação no curso do processo; órgão também pede medidas cautelares e indenização ao clube
A crise polÃtica e administrativa do Corinthians atingiu mais um integrante da alta cúpula do clube. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o segundo vice-presidente Armando Mendonça por quatro crimes no desdobramento da investigação que apura o suposto desvio de materiais esportivos da Nike, ampliando a lista de dirigentes e ex-dirigentes envolvidos em investigações e processos nos últimos meses.
A denúncia, apresentada nesta quarta-feira pelo promotor Cássio Roberto Conserino, acusa o dirigente de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu medidas cautelares que incluem o afastamento de Armando dos quadros associativos do clube, proibição de frequentar dependências do Corinthians e restrições de contato com testemunhas ligadas ao caso.
A informação foi divulgada inicialmente pela ESPN. A denúncia tem como base o inquérito policial, a auditoria interna realizada pelo Corinthians e diligências complementares conduzidas pelo próprio Ministério Público.
O peso polÃtico da denúncia contra Armando Mendonça
A denúncia atinge diretamente um dos principais integrantes da atual estrutura de poder do Timão.
Armando Mendonça ocupa o cargo de segundo vice-presidente do Corinthians e integra a diretoria eleita para o mandato iniciado em 2024.
Além de participar das decisões estratégicas da atual administração, o dirigente é considerado uma figura influente nos bastidores polÃticos do Parque São Jorge e mantém proximidade com diferentes grupos que atuam na vida institucional do clube.
Por isso, o avanço do caso para a esfera criminal amplia a repercussão polÃtica da investigação e adiciona um novo elemento ao já conturbado cenário vivido pelo Corinthians.
A denúncia também ganha relevância porque surge em um momento de intensa turbulência institucional, marcado por expulsões de ex-presidentes, pedidos de impeachment e disputas internas envolvendo diferentes correntes polÃticas.
Quais crimes são atribuÃdos a Armando Mendonça
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Armando Mendonça teria praticado quatro condutas distintas durante os fatos investigados.
O órgão acusa o dirigente de:
Apropriação indébita qualificada e continuada;
Tentativa de apropriação indébita qualificada;
Furto qualificado mediante abuso de confiança;
Coação no curso do processo.
De acordo com a acusação, os fatos teriam ocorrido em razão da posição ocupada por Armando dentro da estrutura administrativa do Corinthians, circunstância considerada relevante pelo Ministério Público na formulação da denúncia.
Denúncia acusa Armando de se apropriar de mais de 130 itens da Nike
Segundo o documento apresentado pelo MP, Armando Mendonça teria se apropriado de 131 itens esportivos da Nike entre junho e outubro de 2025.
Entre os materiais citados pela denúncia estão:
100 camisas;
9 blusas;
9 calças;
6 pares de tênis;
4 shorts;
2 malas;
1 mochila.
A acusação sustenta que os produtos pertenciam ao Corinthians e que as retiradas ocorreram sem a formalização exigida pelos procedimentos internos do clube.
Segundo a denúncia, Armando teria se beneficiado do acesso privilegiado aos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Dr. Joaquim Grava em razão do cargo que ocupa.
Camisas da NFL também aparecem na denúncia
A investigação também aborda materiais relacionados aos eventos da NFL realizados na Neo QuÃmica Arena.
Segundo o Ministério Público, Armando Mendonça tentou retirar outras 19 camisas especiais da NFL que permaneceram armazenadas após o empate por 1 a 1 entre Corinthians e Palmeiras, disputado em agosto de 2025.
A denúncia sustenta que a tentativa não foi concluÃda porque o pedido acabou cancelado após o inÃcio das apurações internas conduzidas pelo Corinthians.
Além disso, o MP afirma que outras oito camisas comemorativas relacionadas ao evento entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, realizado na Neo QuÃmica Arena em setembro de 2025, teriam sido retiradas sem a formalização necessária no sistema interno do clube.
Por esse motivo, o órgão também atribui ao dirigente o crime de furto qualificado mediante abuso de confiança.
Como o caso dos materiais da Nike chegou ao Ministério Público
A investigação teve origem a partir de questionamentos internos relacionados ao controle de materiais esportivos fornecidos ao Corinthians.
Ao longo das apurações, o clube realizou uma auditoria interna para verificar a movimentação dos produtos armazenados nos almoxarifados do Parque São Jorge e do CT Dr. Joaquim Grava.
As conclusões do trabalho foram encaminhadas às autoridades competentes e passaram a integrar o inquérito policial que investigou o caso.
Posteriormente, o Ministério Público realizou diligências complementares, analisou documentos, ouviu envolvidos e utilizou os elementos produzidos durante a auditoria para embasar a denúncia apresentada nesta semana.
A partir de agora, caberá ao Poder Judiciário decidir se os fatos narrados pelo MP justificam a abertura de uma ação penal.
Acusação inclui tentativa de intimidação durante a investigação
Um dos pontos mais sensÃveis da denúncia envolve a acusação de coação no curso do processo.
Segundo o Ministério Público, Armando Mendonça teria adotado uma série de condutas destinadas a intimidar funcionários e colaboradores envolvidos na auditoria interna que identificou as supostas irregularidades.
Entre os episódios citados está uma ligação telefônica realizada para Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Corinthians e um dos responsáveis pelos trabalhos de auditoria.
De acordo com a denúncia, a conversa teve duração de 39 minutos e apresentou trechos considerados pelo Ministério Público como tentativas de constrangimento e pressão sobre os responsáveis pelas investigações.
Segundo a acusação, Armando questionou o trabalho realizado, afirmou que ninguém o retiraria do cargo de vice-presidente e sugeriu que a continuidade das apurações poderia trazer consequências para outros funcionários do clube.
Para o promotor Cássio Conserino, as atitudes tinham como objetivo desacreditar os trabalhos de auditoria e desencorajar o avanço das investigações internas.
Ministério Público também cita notificações extrajudiciais
Outro ponto destacado na denúncia envolve o envio de notificações extrajudiciais a Marcelo Munhoes e Reginaldo Prados do Nascimento, responsáveis pela auditoria.
Segundo o Ministério Público, os documentos exigiam retratação e revisão das conclusões apresentadas no relatório.
Na avaliação da Promotoria, a iniciativa teria ultrapassado o exercÃcio regular de um direito e buscado intimidar pessoas que já colaboravam com as investigações.
O órgão também menciona uma reunião com representantes da Nike na qual Armando teria adotado postura considerada hostil em relação aos responsáveis pela auditoria.
MP descarta acordo e pede avanço do processo
Um dos pontos que chamam atenção na denúncia é a decisão do Ministério Público de rejeitar a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
Esse instrumento jurÃdico permite, em determinadas situações, que o investigado cumpra condições estabelecidas pela Justiça para evitar a abertura de uma ação criminal.
Segundo o promotor Cássio Conserino, a gravidade dos fatos apurados e a posição de influência exercida por Armando Mendonça dentro do Corinthians tornam inadequada a aplicação da medida neste caso.
A avaliação reforça o entendimento do Ministério Público sobre a relevância das acusações apresentadas e demonstra a intenção do órgão de levar o caso adiante no âmbito judicial.
MP pede afastamento e restrições ao vice-presidente do Corinthians
Além da denúncia criminal, o Ministério Público solicitou a adoção de medidas cautelares contra Armando Mendonça.
Entre os pedidos apresentados estão:
suspensão temporária dos quadros associativos do Corinthians;
proibição de frequentar dependências do clube;
proibição de contato com dirigentes e testemunhas ligadas ao caso;
comparecimento periódico à Justiça;
restrições para deixar a comarca;
recolhimento domiciliar no perÃodo noturno.
As medidas ainda dependem de análise do Poder Judiciário.
Promotoria pede indenização ao Corinthians
Na denúncia, o Ministério Público também solicita reparação financeira pelos supostos prejuÃzos causados ao clube.
O promotor pede que a Justiça fixe indenização correspondente ao valor de mercado dos materiais esportivos apontados como desviados, montante que deverá ser apurado ao longo do processo.
Além disso, a Promotoria requer o pagamento de R$ 100 mil por danos morais ao Corinthians, argumentando que os fatos investigados teriam causado prejuÃzos à imagem, à reputação e à credibilidade institucional do clube.
O MP também solicitou o envio de cópias da denúncia e das diligências à Receita Federal, para análise de possÃveis repercussões tributárias e fiscais relacionadas aos fatos investigados.
O que acontece agora
Com o oferecimento da denúncia, caberá agora à Justiça decidir se aceita ou não a acusação formulada pelo Ministério Público.
Caso a denúncia seja recebida, Armando Mendonça passará à condição de réu e o processo seguirá para a fase de instrução, com produção de provas, oitivas de testemunhas e apresentação das teses de defesa.
Entre as testemunhas indicadas pelo Ministério Público estão:
Marcelo Munhoes;
Reginaldo Prados do Nascimento;
Romeu Tuma Júnior;
Fábio Soares Souza;
Corinto BaldoÃno Parreira e Costa;
representantes da Nike e funcionários ligados aos almoxarifados do clube.
Até o momento, não existe condenação judicial contra Armando Mendonça, e as acusações ainda serão analisadas pelo Poder Judiciário.
Caso amplia série de investigações envolvendo dirigentes do Corinthians
A denúncia contra Armando Mendonça surge em um momento em que o Corinthians acumula processos internos, investigações e disputas polÃticas envolvendo dirigentes de diferentes gestões.
Nos últimos meses, o clube acompanhou a expulsão de Andrés Sanchez do quadro associativo, a expulsão de Augusto Melo, pedidos de impeachment envolvendo Osmar Stabile e a saÃda definitiva de DuÃlio Monteiro Alves da vida polÃtica alvinegra.
Em paralelo a isso, o presidente Osmar Stabile também é alvo de investigações internas, com 2 pedidos de impeachment e polêmicas com empresas de segurança.
Agora, a denúncia do Ministério Público contra um integrante da atual diretoria acrescenta um novo capÃtulo à crise institucional que marca os bastidores do Parque São Jorge.
Independentemente dos desdobramentos judiciais, o caso reforça o momento de forte instabilidade polÃtica vivido pelo Corinthians e amplia o debate sobre governança, transparência, compliance e mecanismos de controle dentro do clube.
Com a análise da denúncia pela Justiça e os pedidos cautelares aguardando decisão, os próximos passos do processo serão acompanhados de perto por dirigentes, conselheiros, associados e pela torcida corinthiana.
A reportagem procurou a assessoria de Armando Mendonça para comentar a denúncia e atualizará este conteúdo caso haja manifestação da defesa.
O InfoTimão acompanha de perto todos os bastidores polÃticos, administrativos e esportivos do Corinthians, trazendo informação com responsabilidade, contexto e profundidade para a Fiel Torcida.


