Vitalícios se unem, endurecem regras para sócios e geram reação no Corinthians
- Redação InfoTimão
- há 11 minutos
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Comunicado assinado por Osmar Stabile, Romeu Tuma Júnior e Miguel Marques amplia controles sobre inadimplentes; oposição questiona critérios, enquanto aliados defendem moralização do processo eleitoral

A cúpula política do Corinthians estabeleceu novas diretrizes para a regularização financeira dos associados às vésperas da eleição presidencial marcada para novembro. As medidas constam em um comunicado conjunto assinado na última quinta-feira (16) por Osmar Stabile, presidente da Diretoria Executiva; Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo; e Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação, o CORI.
Os três dirigentes integram a lista oficial de conselheiros vitalícios do Corinthians e justificaram as determinações como uma forma de proteger o processo eleitoral contra a compra de votos e o abuso de poder econômico. A iniciativa, entretanto, criou dúvidas e provocou reações entre grupos políticos do Parque São Jorge.
Segundo informações divulgadas inicialmente pela página Time do Povo, setores de oposição à atual administração interpretaram alguns pontos como uma possível tentativa de ampliar o controle sobre quais associados inadimplentes conseguirão regularizar a situação a tempo de votar. Aliados dos três dirigentes, por outro lado, classificaram o comunicado como uma medida de “moralização” da eleição.
Corinthians restringe parcelamentos e pagamentos por terceiros
O comunicado conjunto publicado pelo Corinthians reúne regras já previstas no Estatuto e estabelece procedimentos adicionais para o pagamento de mensalidades atrasadas.
O documento reforça que não poderá ser concedida qualquer anistia financeira aos associados nos 12 meses anteriores à eleição. Isso significa que descontos sobre contribuições vencidas não serão permitidos durante o período eleitoral.
Para exercer o direito de votar ou concorrer a algum cargo, o associado deverá estar em dia com as obrigações estatutárias e financeiras até dois meses antes do pleito. Como a eleição está prevista para novembro, o prazo indicado no comunicado termina em setembro.
As dívidas também não poderão ser parceladas a partir de agosto, três meses antes da votação. Até lá, eventuais parcelamentos deverão ser realizados por cartão de crédito.
A emissão de boletos para o pagamento à vista de até três mensalidades atrasadas dependerá da adoção de mecanismos que impeçam a quitação por outras pessoas.
Outra determinação proíbe o pagamento das mensalidades de um associado por terceiros. As exceções são limitadas a dependentes, ascendentes ou descendentes.
Segundo o documento, o objetivo é impedir que candidatos, apoiadores ou grupos políticos assumam dívidas de eleitores em troca de votos.
Os pagamentos em atraso deverão ser realizados presencialmente pelo próprio interessado na Secretaria Social do clube, na sede da Rua São Jorge, com reconhecimento facial.
Sócios com mais de três mensalidades atrasadas entram em novo fluxo
O ponto que mais provocou questionamentos nos bastidores envolve os associados com mais de três contribuições mensais vencidas.
O comunicado determina que esses sócios não poderão quitar a situação financeira sem que a Secretaria Social informe o caso à Comissão de Ética dos Associados e ao Conselho Deliberativo. O procedimento será feito por meio da Secretaria Administrativa do colegiado.
A redação, entretanto, não estabelece expressamente que a Comissão de Ética ou a presidência do Conselho Deliberativo precisarão autorizar o pagamento. O texto exige a comunicação da situação aos órgãos internos, mas não utiliza o termo “aprovação”.
A ausência de informações sobre os critérios, os prazos e as consequências dessa comunicação abriu margem para diferentes interpretações. Integrantes da oposição temem que o procedimento seja utilizado para dificultar a regularização de associados considerados contrários à atual administração.
Na avaliação desses grupos, a participação de instâncias políticas na regularização das dívidas pode criar uma filtragem capaz de interferir no colégio eleitoral. A suspeita levantada nos bastidores é de que sócios inadimplentes que não apoiariam uma eventual candidatura de Osmar Stabile poderiam enfrentar obstáculos para recuperar a condição de eleitores.
Até o momento, contudo, não foi apresentada prova de que essa seleção esteja ocorrendo. A acusação representa a interpretação política de grupos de oposição sobre os possíveis efeitos do comunicado.
Estatuto prevê desligamento, mas punição não é automática
Outro ponto de debate é a referência ao artigo 28, letra “B”, do Estatuto Social do Corinthians.
O dispositivo estabelece que o associado que deixar de pagar três contribuições consecutivas é passível de desligamento. Isso significa que a inadimplência pode fundamentar uma punição, mas não determina uma expulsão automática.
O artigo 30 prevê que as penalidades sejam deliberadas pela comissão responsável pela análise ética, dentro de um procedimento de apuração e julgamento. Portanto, o comunicado não concede formalmente ao Conselho Deliberativo ou à Comissão de Ética o poder de desligar associados de maneira imediata e sem análise individual.
Mesmo assim, opositores demonstram preocupação com a possibilidade de aplicação seletiva do dispositivo durante o período eleitoral. Na visão desses grupos, o fato de a Secretaria Social ter de comunicar os casos com mais de três mensalidades vencidas pode abrir espaço para decisões influenciadas pelas disputas internas.
Aliados defendem combate à compra de votos
Os grupos ligados à administração de Osmar Stabile e às presidências do Conselho Deliberativo e do CORI aprovaram as determinações.
Para os apoiadores da medida, as novas exigências aumentam a rastreabilidade dos pagamentos e dificultam que candidatos ou financiadores regularizem, em bloco, a situação de associados inadimplentes. Nesse entendimento, o controle presencial, a identificação facial e a proibição de pagamentos por terceiros representam instrumentos de proteção à independência do voto.
O próprio comunicado afirma que as regras buscam evitar mecanismos capazes de “burlar o sistema eleitoral” e gerar desigualdade entre candidatos por meio do poder econômico. Caso a compra de votos seja comprovada, o texto prevê punições tanto para o beneficiário quanto para o responsável pelo pagamento, inclusive com possível inelegibilidade de candidatos envolvidos.
Aplicação das regras ainda exigirá esclarecimentos
As determinações passarão a integrar o regulamento eleitoral que será divulgado pela Comissão Eleitoral. A aplicação prática, portanto, ainda dependerá do detalhamento dos procedimentos adotados pelo clube.
Entre os pontos que permanecem sem resposta estão o prazo para a comunicação dos casos à Comissão de Ética e ao Conselho Deliberativo, os critérios usados na análise e se esse fluxo poderá atrasar ou impedir a quitação antes do limite eleitoral.
A eleição de novembro definirá o presidente do Corinthians para o próximo mandato e renovará parte do Conselho Deliberativo. Diante da importância do pleito e do ambiente de forte divisão política no Parque São Jorge, qualquer regra capaz de alterar o número de associados aptos a votar tende a permanecer no centro das discussões.
O InfoTimão continuará acompanhando os desdobramentos do comunicado, a publicação do regulamento eleitoral e as movimentações políticas antes da escolha do próximo presidente do Corinthians.


