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Justiça torna quatro ex-integrantes do Corinthians réus no caso dos R$ 3,4 milhões

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    Redação InfoTimão
  • há 11 minutos
  • 5 min de leitura

Caveira, Matías Ávila, Wesley Melo e Roberto Gavioli passam a responder a processo; decisão também determina bloqueio de bens, apreensão de passaportes e proibição de acesso ao Parque São Jorge


Justiça torna réus ex-motorista e três ex-dirigentes do Corinthians por suposto desvio.
Justiça torna réus ex-motorista e três ex-dirigentes do Corinthians por suposto desvio. Foto: Maria Beatriz de Teves / Meu Timão

A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou réus quatro nomes ligados ao Corinthians no processo que investiga a retirada de mais de R$ 3,4 milhões dos cofres do clube entre 2018 e 2023.


Passaram a responder à ação penal João Odair de Souza, conhecido como Caveira, ex-funcionário que atuou como motorista e chefe de segurança do Corinthians, os ex-diretores financeiros Matías Romano Ávila e Wesley Melo e o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli.


A decisão também impôs medidas cautelares aos quatro acusados. A Justiça determinou o bloqueio de bens, a apreensão dos passaportes e a proibição de frequentarem as dependências do Parque São Jorge, sede social do Corinthians.


Os fatos investigados atravessam as administrações dos ex-presidentes Andrés Sanchez, entre 2018 e 2020, e Duilio Monteiro Alves, de 2021 a 2023. Os dois ex-mandatários, no entanto, não foram denunciados neste processo específico.


A informação foi divulgada inicialmente pelo ge e confirmada pelo InfoTimão.


O recebimento da denúncia permite o início da ação penal, mas não representa uma condenação. Os quatro réus terão a oportunidade de apresentar suas defesas, produzir provas e contestar as acusações durante a tramitação do processo.


O que o Ministério Público atribui aos quatro réus


A acusação apresentada contra Caveira é diferente daquela formulada contra os três antigos integrantes do departamento financeiro do Corinthians.


Segundo o MP-SP, R$ 3.472.485,72 foram entregues ao ex-funcionário na forma de adiantamentos para o pagamento de despesas relacionadas principalmente à segurança do clube e aos compromissos da presidência.


A Promotoria sustenta que uma parcela significativa dessas retiradas não foi acompanhada de notas fiscais, recibos ou outros documentos considerados suficientes para demonstrar a destinação do dinheiro. Por esse motivo, Caveira tornou-se réu pela acusação de apropriação indébita.


Matías Ávila, Wesley Melo e Roberto Gavioli são acusados de terem contribuído para os fatos por meio de uma suposta omissão penalmente relevante.


Na avaliação do Ministério Público, os cargos ocupados pelos três lhes atribuíam o dever de acompanhar os pagamentos, cobrar a prestação de contas e interromper movimentações que não apresentassem comprovação adequada.


A denúncia não afirma que os ex-integrantes da área financeira tenham recebido diretamente os valores. A tese da acusação é a de que eles teriam deixado de exercer controles que poderiam impedir a continuidade dos repasses.


MP-SP aponta “cegueira deliberada”


Para sustentar a responsabilização dos três ex-integrantes do departamento financeiro, o MP-SP também recorre à chamada teoria da “cegueira deliberada”.


No contexto da denúncia, a Promotoria argumenta que os acusados teriam ignorado sinais de possíveis irregularidades mesmo ocupando funções responsáveis pela fiscalização das movimentações financeiras do clube.


A aplicação dessa tese, assim como a existência de uma omissão com relevância criminal, ainda será analisada pela Justiça ao longo do processo. Caberá à acusação demonstrar que os réus tinham o dever e as condições de impedir os fatos investigados.


Valor corrigido chega a R$ 7,3 milhões


Os R$ 3,47 milhões citados na investigação correspondem ao valor nominal dos adiantamentos realizados pelo Corinthians no período analisado.

Com a aplicação da correção monetária, o montante apontado no processo chega a aproximadamente R$ 7,3 milhões.


Isso não significa que outros R$ 3,8 milhões tenham sido retirados posteriormente do clube. A diferença representa a atualização do valor original, considerando a perda do poder de compra da moeda ao longo dos anos.


Além de buscar a responsabilização criminal dos denunciados, o Ministério Público também pede a reparação dos prejuízos supostamente causados ao Corinthians.


A Promotoria requer que Caveira devolva ao clube os valores que teriam sido utilizados sem comprovação. Em relação aos antigos dirigentes financeiros, a denúncia apresenta pedidos individualizados de ressarcimento.


Matías Ávila poderá ser responsabilizado pelo pagamento de aproximadamente R$ 6 milhões, enquanto o valor atribuído a Wesley Melo é estimado em R$ 250 mil.


Os montantes representam pedidos formulados pelo MP-SP. Portanto, ainda não são indenizações definitivamente reconhecidas ou impostas pela Justiça.


Como funcionavam os adiantamentos


Os registros entregues pelo Corinthians às autoridades mostram que Caveira recebeu dinheiro em espécie de forma recorrente entre março de 2018 e dezembro de 2023.


Os repasses variavam de pequenas quantias a retiradas superiores a R$ 100 mil. Em outubro de 2023, por exemplo, o ex-funcionário recebeu R$ 129,3 mil em uma única operação. Em outro registro, realizado em outubro de 2020, o pagamento foi de R$ 529.


Também foram identificadas ocasiões em que mais de uma retirada ocorreu no mesmo dia.


Caveira reconhece que movimentava os valores, mas nega ter desviado recursos do Corinthians. Sua versão é a de que o dinheiro era utilizado principalmente para contratar seguranças autônomos em jogos, eventos sociais, manifestações de torcedores e outras atividades realizadas pelo clube.


O ex-funcionário argumenta que muitos dos profissionais contratados eram policiais em horários de folga e não emitiam notas fiscais. Ele afirma ainda que parte dos recursos era destinada a despesas menores e gorjetas durante compromissos dos então presidentes.


De acordo com Caveira, as prestações de contas eram encaminhadas ao departamento financeiro e não foram contestadas enquanto ele trabalhava no Corinthians.


Andrés e Duilio seguem sob investigação da Justiça


Embora os pagamentos tenham ocorrido durante suas gestões, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves não foram incluídos na denúncia recebida agora pela Justiça.


Os dois, porém, continuam sendo investigados em razão de suas relações com Caveira e da finalidade atribuída aos adiantamentos, registrados em diferentes ocasiões como despesas vinculadas à presidência do clube.


Andrés e Duilio também respondem a outro processo relacionado ao suposto uso indevido dos cartões corporativos do Corinthians. Trata-se de uma apuração distinta, embora igualmente relacionada à gestão dos recursos financeiros do clube.


O que dizem os acusados


As manifestações apresentadas pelos citados contestam as acusações do Ministério Público.


A defesa de Roberto Gavioli afirma que o ex-gerente financeiro é inocente e sustenta que a acusação parte de uma interpretação equivocada sobre as responsabilidades exercidas por ele como funcionário do Corinthians.


Caveira nega ter se apropriado do dinheiro e afirma que não possui patrimônio compatível com o valor apontado pelo MP-SP. O ex-funcionário também lembra que trabalhou durante 16 anos no clube, seis deles como chefe de segurança.


A defesa de Matías Ávila argumenta que a denúncia não foi precedida de uma investigação adequada e atribui o caso a interesses políticos internos do Corinthians.


O ex-diretor informou que apresentará seus fundamentos durante o processo.

Wesley Melo foi procurado, mas preferiu não se manifestar.


Caso surgiu a partir de investigação sobre dinheiro em espécie


A apuração sobre Caveira faz parte de uma investigação mais ampla a respeito da circulação de dinheiro vivo entre funcionários e dirigentes do Corinthians.


O caso ganhou força depois da descoberta de despesas pessoais atribuídas à gestão de Duilio Monteiro Alves. Durante o avanço das investigações, o Ministério Público passou a analisar pagamentos feitos a outros funcionários do clube.


Em uma das frentes, as autoridades identificaram que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos.


A investigação apura se empresas sem atividade efetiva teriam sido utilizadas para justificar despesas e retirar recursos dos cofres do Corinthians.


No caso envolvendo Caveira, a denúncia foi apresentada pelo MP-SP em abril. Com o recebimento pela Justiça, o processo agora entra na fase de instrução, na qual acusação e defesas poderão apresentar documentos, solicitar perícias e ouvir testemunhas antes do julgamento.


O InfoTimão seguirá acompanhando o processo e atualizará a Fiel diante de novos desdobramentos do caso.

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