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Tite relembra reconstrução do Corinthians e bastidores de Emerson Sheik: “Vai trazer solução”

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    Redação InfoTimão
  • há 41 minutos
  • 5 min de leitura
Tite relembra histórias de Emerson Sheik no Corinthians.
Tite relembra histórias de Emerson Sheik no Corinthians. Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Maior campeão da história do Corinthians em número de títulos e treinador com mais jogos pelo clube, Tite voltou a relembrar passagens marcantes pelo Parque São Jorge. Em entrevista ao programa Bate-Bola com Falcão, comandado por Paulo Roberto Falcão, o técnico falou sobre a reconstrução da equipe em 2004 e revelou os bastidores da contratação de Emerson Sheik no Corinthians.


Tite comandou o Timão em 378 partidas, com 196 vitórias, 110 empates e 72 derrotas. Sob seu comando, o Corinthians marcou 536 gols, sofreu 284 e conquistou seis títulos: os Brasileiros de 2011 e 2015, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, além do Paulista e da Recopa Sul-Americana de 2013.

“É uma passagem muito marcante. Me orgulha muito, principalmente pela forma como foi”, afirmou Tite.

A entrevista reforçou dois pontos que ajudam a explicar o legado do treinador no clube: a recuperação de um time em crise na primeira passagem e a convicção que o levou a apostar em Emerson Sheik, mesmo diante de resistência interna.


Tite no Japão, em dezembro de 2012, com a taça do Mundial de Clubes, conquistada pelo Corinthians.
Tite no Japão, em dezembro de 2012, com a taça do Mundial de Clubes, conquistada pelo Corinthians. Foto: Chris Brunskill/Getty Images

Tite relembra reconstrução do Corinthians em 2004


A primeira passagem de Tite no Corinthians começou em 2004, em um cenário delicado no Campeonato Brasileiro. O treinador recordou que assumiu a equipe após uma derrota em casa para o Athletico-PR e com o clube na parte de baixo da classificação.


A resposta foi uma reformulação gradual, com a utilização de jovens das categorias de base e uma mudança no perfil competitivo do elenco.

“A minha primeira ida para lá foi para recuperar uma equipe que estava na zona de rebaixamento. Era penúltima colocada e tinha perdido por 4 a 1 para o Athletico Paranaense dentro de casa.”

Segundo Tite, o Corinthians incorporou entre 14 e 15 atletas da base ao longo daquela campanha. A intenção era montar um grupo mais jovem, com maior capacidade física e competitividade, mesmo sem a mesma imposição técnica de outras equipes.

“Trouxemos 14 ou 15 garotos da base para deixar a equipe mais jovem e mais competitiva. Talvez com menos imposição técnica, mas muito mais competitiva.”

A reorganização fez o Corinthians reagir na tabela e terminar o Campeonato Brasileiro próximo da classificação para a Libertadores. O time encerrou a competição em quinto lugar, a cinco pontos de uma vaga no torneio continental.

“A gente organizou a equipe e terminou o campeonato a uma posição da classificação para a Libertadores.”

A passagem não teve título, mas ajudou a consolidar a relação de Tite com a torcida. O treinador afirmou que ainda recebe demonstrações de gratidão de corinthianos que acompanharam aquele período de recuperação.


Tite buscou informações antes de bancar Emerson Sheik


Anos depois, já em sua segunda passagem, Tite assumiu um papel decisivo na chegada de Emerson Sheik ao Corinthians. O atacante desembarcou no clube em 2011, após deixar o Fluminense, e sua contratação gerava dúvidas internamente por episódios fora de campo.


Antes de aprovar a negociação, Tite explicou que buscou informações detalhadas sobre o atleta. Uma das conversas mais importantes foi com Muricy Ramalho, que havia trabalhado com Emerson.

“Antes da contratação de um atleta, a gente busca informações dentro do campo e também sobre situações fora dele. Quanto mais informações eu tenho, mais consigo ficar próximo de acertar.”

Tite relembrou que conhecia histórias da passagem de Sheik pelo Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, e sabia que o jogador tinha um comportamento forte. Ainda assim, a avaliação esportiva prevaleceu.

“Os caras falavam: ‘Vai trazer problema’. Eu falei: ‘Não vai trazer problema, vai trazer solução’.”

Segundo o treinador, Muricy foi direto ao definir o atacante como alguém comprometido no trabalho e capaz de responder à cobrança.

“O Muricy me disse: ‘Tite, esse cara trabalha para caramba. Dentro de campo, ele entrega. Fora, tem algumas situações, mas ele responde, olha no olho. É respeito e reciprocidade’.”

“Joga qualquer jogo”: por que Sheik era tão valorizado por Tite


Tite detalhou as qualidades que fizeram Emerson se tornar uma peça tão importante no elenco. O treinador destacou a força física, a aceleração e a alternância de ritmo como atributos que dificultavam a marcação sobre o atacante.

“O condicionamento físico dele era de muito torque. A aceleração, a alternância de ritmo, faziam dele um jogador muito difícil de marcar.”

Mais do que os atributos individuais, Tite valorizava a capacidade de Sheik de competir em diferentes contextos. Para o treinador, ele era um atleta pronto para jogos técnicos, físicos ou de maior tensão emocional.

“Com ele não tinha mau tempo. Jogava qualquer jogo. Jogo técnico, jogava. Jogo de pegada, jogava. Jogo de catimba, jogava. Ele atuava bem em diferentes tipos de jogo.”

A aposta se confirmou rapidamente. Emerson ajudou o Corinthians a manter o desempenho na reta final do Brasileirão de 2011 e se tornou um dos símbolos da campanha invicta da Libertadores de 2012, especialmente pelos dois gols na vitória por 2 a 0 sobre o Boca Juniors, no Pacaembu.


Meses depois, também participou da vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, no Japão, que garantiu ao Corinthians o título mundial.


O helicóptero, o atraso e a conversa de Tite com Sheik


Um dos bastidores mais curiosos da entrevista envolveu um atraso de Emerson Sheik para um treino no CT Dr. Joaquim Grava. Segundo Tite, o atacante já havia chegado fora do horário em outras ocasiões e, em um dos episódios, desembarcou de helicóptero perto do centro de treinamento.


O técnico contou que decidiu conversar com Emerson de forma direta, lembrando o peso que ele tinha dentro do elenco e como referência para torcedores mais jovens.

“Cara, eu sei que tu é leal e que responde. Tu é uma liderança aqui. Tu tem que dar exemplo. Sabe que eu te trouxe para cá pelas virtudes, pelo estilo que tu tem. Agora, tu tem uma responsabilidade.”

Emerson reconheceu o erro e pediu desculpas ao treinador. Para Tite, a resposta do atacante foi importante porque demonstrava caráter e responsabilidade diante do grupo.

“Ele abaixou a cabeça e disse: ‘Tu tem razão, professor. Desculpa’.”

A conversa terminou com uma frase que se tornou uma das histórias mais marcantes do relacionamento entre os dois.

“Eu só quero uma coisa: chega no horário. Se tu quiser vir de helicóptero, se tu quiser vir de navio, do jeito que tu quiser, só chega na hora.”

Tite também ressaltou que Emerson tinha a grandeza de admitir falhas diante dos companheiros, algo que ajudava a fortalecer a cobrança coletiva no dia a dia do elenco.


Quer conferir a fala de Tite?


Veja a entrevista do ex-treinador do Corinthians:



Números de Emerson Sheik pelo Corinthians


Emerson teve três passagens pelo Corinthians e construiu uma trajetória marcada por personalidade forte, protagonismo e conquistas. Pelo clube, disputou 196 partidas, somou 90 vitórias, 62 empates e 44 derrotas.


O atacante marcou 28 gols, distribuiu 24 assistências e conquistou sete títulos: os Brasileiros de 2011 e 2015, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, o Paulista e a Recopa Sul-Americana de 2013, além do Paulista de 2018.


Emerson Sheik celebra o gol da final da Libertadores.
Emerson Sheik celebra o gol da final da Libertadores. Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

O legado de Tite no Corinthians


A história de Tite no Corinthians vai além de suas seis taças e do recorde de 378 jogos. Ela também passa pela capacidade de reorganizar um elenco em dificuldade, abrir espaço para jovens, sustentar ideias de jogo e conduzir lideranças decisivas.


Na primeira passagem, ele ajudou a recuperar um time ameaçado pelo rebaixamento. Nas seguintes, comandou uma das eras mais vitoriosas da história alvinegra e apostou em jogadores que se tornaram símbolos daquele ciclo, como Emerson Sheik.


O InfoTimão segue acompanhando as histórias e os personagens que ajudaram a construir a grandeza do Corinthians dentro e fora de campo.

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