Carlitos Tévez relembra passagem pelo Corinthians, lamenta saída e diz que quer treinar o clube

Ídolo do Brasileirão de 2005, argentino falou sobre a conexão com a Fiel, os bastidores da MSI e afirmou que deseja comandar o Corinthians no futuro

Carlitos Tévez voltou a falar com carinho sobre a passagem pelo Corinthians, mas também recordou a frustração pelo desfecho de sua saída em 2006. Ídolo da conquista do Campeonato Brasileiro de 2005, o argentino revelou que gostaria de retornar ao Parque São Jorge no futuro, desta vez para comandar a equipe como treinador.
Em entrevista à ESPN, o ex-atacante revisitou os principais capítulos de sua trajetória no clube: a chegada cercada por festa da torcida, os desafios de entrar em um elenco estrelado, a pressão vivida nos bastidores da parceria com a MSI e a saída sem uma despedida da Fiel.
“Eu gostaria, sim, de treinar o Corinthians. E creio que serei técnico do Corinthians em algum momento”, afirmou Tévez.
Mesmo tendo defendido o clube por apenas um ano e meio, entre 2005 e 2006, o argentino se consolidou como um dos principais estrangeiros da história corinthiana. Foram 78 partidas, com 46 gols, além do protagonismo em uma campanha que devolveu o Corinthians ao topo do futebol brasileiro.
Carlitos Tévez recorda chegada ao Corinthians e festa da torcida
Tévez desembarcou no Brasil aos 20 anos, como uma das grandes apostas da MSI para um elenco recheado de nomes importantes. A adaptação, segundo ele, foi intensa desde os primeiros dias, tanto pelo peso do clube quanto pelo ambiente que encontrou no vestiário.
“Foi uma fase muito bonita da minha vida. Sempre me lembro dela com muito carinho. Acho que fui um dos primeiros argentinos a entrar no mercado brasileiro. Foi tudo muito intenso”, relembrou.
O argentino destacou que assumir espaço em um grupo formado por atletas experientes não foi simples. Naquele período, o Corinthians contava com jogadores como Javier Mascherano, Carlos Alberto, Roger Flores e Fábio Costa, além de viver grandes expectativas em torno da parceria com a MSI.
“Entrar no vestiário não foi fácil, ainda mais em um clube como o Corinthians, que é muito político. E alcançar o que alcançamos com uma equipe repleta de estrelas e com tanta pressão sendo tão jovem foi maravilhoso”, completou.
Apesar das dificuldades iniciais, a relação com a torcida foi construída rapidamente. Tévez lembrou da recepção organizada pelos Gaviões da Fiel em sua chegada e afirmou que aquele momento marcou também sua família.
“Lembro quando cheguei ao Brasil e havia grandes festas para me receber. Os Gaviões da Fiel estavam lá, e acho que foi algo muito bonito, uma conexão muito rápida. Minha família ficou muito feliz”, disse.
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Postura dentro e fora de campo fortaleceu identificação com a Fiel
Além dos gols e da entrega em campo, Tévez acredita que sua forma de defender os companheiros contribuiu diretamente para a identificação criada com os corinthianos.
O argentino explicou que sempre levou para o futebol valores que aprendeu fora dele e que essa postura aproximou sua relação com a torcida do Corinthians.
“Eu defendia meus companheiros da maneira como fui ensinado a defender a vida. Olhando para trás, isso também me ajudou a ir de encontro com os torcedores do Corinthians”, afirmou.
A conexão construída naquele período permanece presente até hoje. Tévez citou, inclusive, as imagens de sua chegada ao Brasil que ainda assiste ao lado da família, especialmente com a filha Flor, que havia acabado de nascer quando ele desembarcou no país.
“É por isso que eu amo tanto o Corinthians e tanto o Brasil. Eu sentia aquele amor”, declarou.
Bastidores da MSI e pressão após o Brasileirão de 2005
A passagem de Tévez pelo Corinthians teve como ponto alto o título do Brasileirão de 2005, conquistado em uma campanha na qual o argentino foi a grande referência técnica da equipe.
Ao mesmo tempo, o elenco convivia com um ambiente de grande cobrança. Tévez afirmou que a pressão interna aumentava pela expectativa de títulos continentais durante a parceria com a MSI, que mantinha forte influência no futebol do clube.
“Além do vestiário não ser fácil, todo o ambiente não era fácil. O Corinthians estava sob muita pressão para ganhar a Libertadores por parte do grupo investidor”, comentou.
O ex-atacante também recordou a agenda após a conquista do Campeonato Brasileiro, quando o elenco viajou a Brasília para um encontro com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o episódio traduzia a intensidade vivida naquele período.
“Eu queria ir de férias, mas tínhamos toda aquela pressão para ir ver o Lula”, relatou.
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Saída de Tévez do Corinthians em 2006 deixou marca
A passagem de Carlitos Tévez pelo Corinthians chegou ao fim em agosto de 2006, em meio ao rompimento da parceria entre o clube e a MSI. O argentino lamentou não ter tido a oportunidade de se despedir da torcida e revelou que aquele desfecho foi doloroso para ele e sua família.
Na avaliação do ex-jogador, a saída de Kia Joorabchian e a mudança no ambiente interno contribuíram para que sua permanência se tornasse inviável. Tévez também citou a chegada de Emerson Leão ao comando técnico como um dos fatores que agravaram a situação.
“Infelizmente, eu não pude me despedir. O Kia saiu, e eu tive que sair também”, disse.
O argentino reconheceu que o desfecho gerou frustração entre os corinthianos, mas reforçou que também sofreu com a maneira como tudo aconteceu.
“Eu era o capitão do clube, estava no auge da minha carreira e era um ídolo no Corinthians. Foi muito difícil para mim e para minha família sair daquele jeito, por causa de tudo que eu representava para o clube”, afirmou.
Carlitos quer voltar ao Corinthians como treinador
Desde que encerrou a carreira como jogador, Tévez iniciou uma nova etapa no futebol como treinador. O argentino já passou por Rosario Central, Independiente e Talleres, todos da Argentina.
Ao falar sobre um possível retorno ao Corinthians, ele ponderou que comandar um clube onde se tornou ídolo exige preparação emocional e profissional. Ainda assim, deixou claro que vê esse reencontro como uma possibilidade concreta para o futuro.
“Em todos os clubes, principalmente onde você é um ídolo, precisa estar muito preparado mentalmente para voltar e também ser um ídolo como treinador”, afirmou.
A declaração reforça que, duas décadas depois de liderar o Corinthians em uma das campanhas mais marcantes de sua história recente, Carlitos Tévez ainda mantém uma ligação profunda com o clube e com a Fiel.
Anota aí: Carlitos Tévez defendeu o Corinthians entre 2005 e 2006, disputou 78 jogos, marcou 46 gols e conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005.
O InfoTimão acompanha os bastidores, entrevistas e histórias que ajudam a contar a relação entre o Corinthians e seus grandes ídolos.






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