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Há 42 anos, Sócrates marcava seu último gol pelo Corinthians e encerrava uma era no clube

  • Foto do escritor: Redação InfoTimão
    Redação InfoTimão
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Doutor marcou pela última vez com a camisa alvinegra em 10 de junho de 1984, na despedida que antecedeu sua transferência para a Fiorentina e simbolizou o fim de um dos capítulos mais importantes da história corinthiana.


Sócrates em campanha pelo voto nas eleições para governador de São Paulo em 1982.
Sócrates em campanha pelo voto nas eleições para governador de São Paulo em 1982. Foto: Reprodução

No dia 10 de junho de 1984, em Kingston, na Jamaica, um dos capítulos mais marcantes da história do Corinthians chegava ao fim.


Aos dez minutos do primeiro tempo, Sócrates abriu o placar para o Timão diante do Santos da Jamaica em um amistoso internacional. O Corinthians acabaria derrotado por 2 a 1, mas o resultado pouco importou para a posteridade. Aquele gol entrou para a história por um motivo muito maior: foi o último marcado pelo Doutor com a camisa alvinegra.


A partida também representou sua despedida antes da transferência para a Fiorentina, da Itália, encerrando uma trajetória que ajudou a transformar o Corinthians dentro e fora de campo. Mais do que o último gol de um ídolo, aquele lance simbolizou o encerramento de uma era que deixou marcas permanentes no clube.


Relembre alguns dos gols de Sócrates pelo Corinthians



As imagens ajudam a entender por que o camisa 8 permanece entre os maiores nomes da história corinthiana. Em uma época marcada pela força física e pela velocidade, Sócrates se destacou pela inteligência, pela técnica refinada e por uma visão de jogo rara até mesmo entre os maiores jogadores de sua geração.


A contratação que mudou a história do Corinthians


Antes de se tornar um dos maiores ídolos da Fiel, Sócrates esteve próximo de seguir outro caminho.


Em 1978, quando defendia o Botafogo de Ribeirão Preto, o meia era considerado uma das maiores revelações do futebol brasileiro. O São Paulo aparecia como forte candidato à contratação do jogador, mas o Corinthians conseguiu concluir a negociação e trouxe para o Parque São Jorge aquele que se transformaria em um dos personagens mais importantes de sua história.


A chegada aconteceu poucos meses após o fim do jejum de títulos estaduais encerrado em 1977. Nos anos seguintes, Sócrates ajudaria o clube a construir uma identidade competitiva e vitoriosa, tornando-se a principal referência técnica da equipe.


Os números de Sócrates pelo Timão


Poucos jogadores conseguiram combinar protagonismo, regularidade e identificação com o Corinthians como o Doutor.


Nome completo: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira

Período no clube: 1978 a 1984

Jogos: 298

Gols: 172


Títulos conquistados

  • Campeonato Paulista de 1979

  • Campeonato Paulista de 1982

  • Campeonato Paulista de 1983


A marca de 172 gols em 298 partidas permanece impressionante até os dias atuais, especialmente por ter sido alcançada por um jogador que atuava no meio-campo. Até hoje, Sócrates figura entre os maiores artilheiros da história do Corinthians.


O líder da Democracia Corinthiana


Se dentro de campo Sócrates era o cérebro da equipe, fora dele se tornou o principal símbolo de um movimento que ultrapassou os limites do futebol.


Entre 1982 e 1984, o Corinthians viveu a experiência da Democracia Corinthiana, modelo de gestão em que jogadores, comissão técnica e funcionários participavam das decisões relacionadas ao departamento de futebol.


Ao lado de Wladimir, Casagrande e Zenon, o Doutor ajudou a transformar o clube em referência nacional em um período decisivo da história brasileira. O movimento ganhou repercussão muito além dos gramados e passou a ser associado à defesa da participação coletiva e da democracia em um país que caminhava para o fim do regime militar.


Mais de quatro décadas depois, a Democracia Corinthiana continua sendo uma das iniciativas mais lembradas e estudadas da história do esporte brasileiro.


Um jogador à frente de seu tempo


Com 1,92m de altura, Sócrates não se encaixava no perfil tradicional dos armadores de sua época.


A elegância com que conduzia o jogo contrastava com sua estatura. Seus passes de calcanhar se tornaram marca registrada, enquanto sua capacidade de antecipar jogadas e encontrar espaços fazia com que parecesse enxergar o jogo alguns segundos antes dos adversários.


O talento demonstrado no Corinthians o levou à Seleção Brasileira, pela qual disputou as Copas do Mundo de 1982 e 1986. Na Espanha, em 1982, foi o capitão de uma equipe que permanece como referência técnica para gerações de torcedores e especialistas.


Sócrates imortalizou a forma de comemorar seus gols.
Sócrates imortalizou a forma de comemorar seus gols. Foto: Irmo Celso / Placar

O punho erguido que virou símbolo


Entre tantas imagens marcantes deixadas por Sócrates, uma delas atravessou gerações.


Após marcar seus gols, o Doutor costumava erguer o punho direito para o alto. O gesto simples se transformou em uma das comemorações mais icônicas da história do Corinthians e passou a simbolizar não apenas suas conquistas dentro de campo, mas também suas convicções e sua personalidade.


Décadas depois, a imagem continua sendo imediatamente associada ao camisa 8.


O fim de uma era e o nascimento de um legado


A despedida diante do Santos da Jamaica marcou mais do que o encerramento da passagem de Sócrates pelo Corinthians.


Ela simbolizou o fim de um período que reuniu títulos, transformação cultural e um dos movimentos mais importantes da história do clube. Com sua saída para a Fiorentina, o Corinthians perdia seu principal líder técnico e uma das vozes mais influentes da Democracia Corinthiana.


Mas algumas trajetórias não terminam quando o jogador deixa o gramado.


Um legado eterno para a Fiel


Décadas depois daquele último gol em Kingston, os números continuam impressionando. Os títulos seguem registrados na história. Os vídeos permanecem encantando novas gerações.


Mas o que torna Sócrates eterno para o Corinthians vai além das estatísticas.


O Doutor ajudou a construir uma identidade. Mostrou que era possível vencer jogando com inteligência, personalidade e coragem. Fez do Corinthians protagonista dentro de campo e referência fora dele.


O gol marcado contra o Santos da Jamaica foi o último de Sócrates pelo Corinthians.


O legado, porém, continua sendo escrito diariamente por gerações de corinthianos que aprenderam com o Doutor que o Corinthians pode ser muito mais do que um clube de futebol.


Quarenta e dois anos depois daquela tarde em Kingston, os números seguem impressionando, os vídeos continuam encantando e a Democracia Corinthiana permanece como uma das páginas mais importantes da história do esporte brasileiro.


Mas talvez o maior legado de Sócrates seja outro: mostrar que é possível marcar a história de um clube não apenas pelos gols que se faz, mas também pelas ideias que se deixa.


Para mais conteúdos sobre a história do Corinthians, siga acompanhando o InfoTimão.

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