Ética recomenda expulsão de Marcelo Mariano e conclui novos processos disciplinares no Corinthians
- Redação InfoTimão

- 8 de jul.
- 5 min de leitura

Ex-diretor administrativo da gestão Augusto Melo teve parecer de desligamento aprovado no órgão por desdobramentos do caso VaideBet; outros três processos terminaram com arquivamento e advertências
A Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Corinthians concluiu, nos últimos dias, quatro procedimentos disciplinares que tramitavam no órgão envolvendo conselheiros e dirigentes do clube. As decisões incluem uma recomendação de arquivamento, duas de advertência e uma de expulsão, direcionada a Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo da gestão Augusto Melo entre 2024 e 2025.
A conclusão do parecer contra Marcelo Mariano, conhecido nos bastidores do Parque São Jorge como Marcelinho, foi divulgada inicialmente pelo jornalista Pedro Ramiro e confirmada pelo InfoTimão.
O ex-dirigente é réu na Justiça por sua atuação no caso VaideBet, investigação que apura irregularidades envolvendo o contrato de patrocínio máster firmado pelo Corinthians em janeiro de 2024.
Apesar da recomendação da Comissão de Ética, a eventual expulsão de Marcelo Mariano ainda não é automática. O parecer será encaminhado ao Conselho Deliberativo (CD), que ficará responsável por decidir o futuro do ex-dirigente no quadro associativo do clube.
Marcelo Mariano tem expulsão recomendada pela Ética
O parecer mais relevante entre os quatro concluídos pela Comissão de Ética é o que recomenda o desligamento de Marcelo Mariano do quadro associativo do Corinthians.
Marcelinho ocupou o cargo de diretor administrativo durante a gestão de Augusto Melo e passou a ser investigado internamente após os desdobramentos do caso VaideBet.
Segundo a apuração criminal, o ex-dirigente teria instruído um funcionário do departamento financeiro do clube a realizar a transferência de aproximadamente R$ 1,4 milhão para a Rede Social Media Design, empresa indicada como intermediária do contrato de patrocínio.
De acordo com a investigação policial, a empresa teria atuado como intermediária em uma operação que, posteriormente, passou a ser analisada como possível mecanismo de desvio de recursos para companhias ligadas ao crime organizado.
Marcelo Mariano nega irregularidades e ainda terá direito à defesa no processo judicial e nas instâncias internas do clube.
Relação com o caso VaideBet
O caso VaideBet é um dos principais episódios políticos e jurídicos recentes do Corinthians.
O contrato de patrocínio máster foi assinado no início da gestão Augusto Melo, em janeiro de 2024, mas passou a ser investigado após suspeitas envolvendo o pagamento de comissão à empresa intermediária do negócio.
A apuração resultou em investigações policiais, procedimentos internos e processos disciplinares no clube.
O próprio Augusto Melo já havia sido desligado do quadro associativo do Corinthians após parecer da Comissão de Ética e posterior votação no Conselho Deliberativo, também em razão dos desdobramentos do caso.
Antes disso, o ex-presidente havia sido cassado da presidência do clube em Assembleia Geral dos associados.
Parecer ainda será votado pelo Conselho Deliberativo
Diferentemente dos casos de advertência e arquivamento, a recomendação de expulsão contra Marcelo Mariano precisa ser analisada pelo plenário do Conselho Deliberativo.
A tramitação prevê que o parecer seja encaminhado a Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, para que o caso seja pautado em reunião do órgão.
Somente após a votação dos conselheiros será definida a manutenção ou não da recomendação feita pela Comissão de Ética.
Na prática, a Comissão recomenda a punição, mas a decisão final sobre eventual expulsão caberá ao Conselho.
Outros casos de expulsão aguardam votação
O caso de Marcelo Mariano se soma a outros processos disciplinares que também aguardam deliberação do Conselho Deliberativo.
Entre eles está o do conselheiro Mario Mello Júnior, implicado nos acontecimentos de 31 de maio de 2025, quando associados e conselheiros ligados a Augusto Melo invadiram o Parque São Jorge em uma tentativa de reconduzir o ex-presidente ao cargo.
Outro caso pendente envolve Manoel Ramos Evangelista, conhecido como Mané da Carne, alvo de parecer relacionado a denúncia de ameaça de agressão e injúria racial contra conselheiros do Corinthians.
Esses processos ainda precisarão ser pautados para votação pelo plenário do Conselho.
Yun Ki Lee tem arquivamento recomendado
Além do parecer contra Marcelo Mariano, a Comissão de Ética concluiu outros três procedimentos disciplinares.
Um deles envolvia Yun Ki Lee, conselheiro e ex-diretor jurídico da gestão Augusto Melo no início de 2024.
Lee chegou a ser investigado na esfera policial por uma suposta omissão no caso VaideBet, mas as acusações foram afastadas.
No âmbito interno, a Comissão de Ética chegou a conclusão semelhante e recomendou o arquivamento do procedimento.
Com isso, o caso não precisará ser submetido ao plenário do Conselho Deliberativo.
Citadini recebe advertência após declaração sobre suposto "acordão"
Outro processo concluído pela Comissão de Ética envolvia o conselheiro Antonio Roque Citadini.
O caso teve origem em declaração feita em fevereiro deste ano, quando Citadini afirmou haver um suposto "acordão" para impedir a expulsão de ex-presidentes do Corinthians do quadro associativo em troca de apoio à reeleição de Osmar Stabile nas eleições previstas para o fim do ano.
Após análise do procedimento, a Comissão recomendou a aplicação de advertência ao conselheiro.
Como a penalidade é mais branda, sua aplicação ocorre de forma automática, conforme prevê o Estatuto do Corinthians.
Armando Mendonça também recebe advertência
A Comissão de Ética também concluiu uma investigação envolvendo Armando Mendonça, vice-presidente licenciado do Corinthians.
O procedimento analisava possíveis implicações institucionais de uma discussão do dirigente com torcedores nas redes sociais.
Na ocasião, Armando chamou um torcedor de "otário" e afirmou ter tirado "o presidente que roubava" e dado "uma Copa do Brasil" ao Corinthians.
Após análise do caso, a Comissão recomendou a aplicação de advertência ao dirigente.
A decisão ocorre em meio a outros procedimentos e investigações envolvendo Armando Mendonça, que recentemente se tornou réu na Justiça em ação penal relacionada ao suposto desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.
O que acontece agora
Dos quatro procedimentos concluídos, apenas o parecer que recomenda a expulsão de Marcelo Mariano precisará ser analisado pelo plenário do Conselho Deliberativo.
Os casos de Yun Ki Lee, Antonio Roque Citadini e Armando Mendonça não precisam passar por votação dos conselheiros, já que envolvem arquivamento e advertências.
Caso algum dos envolvidos queira recorrer, a análise ficará a cargo da mesa diretora do Conselho Deliberativo, composta por Romeu Tuma Júnior, Leonardo Pantaleão e Denis Piovesan.
Processos disciplinares seguem movimentando o Corinthians
As novas decisões da Comissão de Ética e Disciplina mostram que os processos internos continuam produzindo desdobramentos no Corinthians em diferentes frentes.
Além do caso VaideBet, o clube ainda acompanha julgamentos relacionados à invasão do Parque São Jorge, denúncias envolvendo conselheiros, processos contra ex-dirigentes e apurações abertas a partir de episódios ocorridos nas últimas gestões.
Recentemente, Romeu Tuma Júnior também concedeu efeito suspensivo às expulsões de Claudinei Alves e Valmir Costa, ex-dirigentes ligados à gestão Augusto Melo, em decisão relacionada a procedimentos disciplinares internos.
No caso de Marcelo Mariano, a recomendação de expulsão ainda dependerá da análise do Conselho Deliberativo antes de qualquer decisão definitiva sobre sua situação no quadro associativo.
O InfoTimão seguirá acompanhando os próximos desdobramentos dos processos disciplinares no Corinthians, incluindo a eventual votação do parecer contra Marcelo Mariano e os demais casos pendentes no Conselho Deliberativo.






Comentários