Justiça avança em investigação no Corinthians e convoca Andrés, Duilio e dirigentes para depor sobre R$ 7,3 milhões em dinheiro vivo
- Redação InfoTimão

- há 5 dias
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MP-SP marca depoimentos e amplia apuração sobre saques em espécie sem comprovação de destino no clube
O Corinthians voltou ao centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura a retirada de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo entre 2018 e 2023. Corrigido pela inflação, o valor chega a aproximadamente R$ 7,3 milhões.
A informação foi divulgada inicialmente pelo ge e confirmada pelo InfoTimão.
Como parte do avanço das investigações, a promotoria agendou para o dia 9 de abril os depoimentos dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além de ex-diretores e funcionários ligados à administração do clube no período analisado.
Bastidores da investigação aumentam pressão sobre Andrés e Duilio
O movimento do MP-SP intensifica a pressão sobre figuras centrais das últimas gestões do clube. A investigação gira em torno da circulação de dinheiro em espécie sem comprovação formal de uso, o que levanta suspeitas de apropriação indébita.
De acordo com os promotores, os valores eram repassados a João Odair de Souza, o “Caveira”, que atuava como chefe de segurança do clube nas gestões investigadas. Ele também está entre os convocados para prestar esclarecimentos.
A ausência de documentação que comprove o destino dos recursos é um dos principais pontos de alerta do Ministério Público, que busca entender se houve desvio de finalidade ou uso indevido de verbas do clube.
Como funcionavam os repasses em dinheiro vivo
Segundo a apuração, os saques eram autorizados por integrantes da área financeira do Corinthians, incluindo o ex-gerente Roberto Gavioli e os ex-diretores financeiros Matías Romano Ávila e Wesley Melo, todos também chamados para depor.
Os registros indicam que os valores eram retirados de forma recorrente, com episódios em que ocorreram múltiplos saques no mesmo dia. Em alguns casos, os montantes eram elevados, como um repasse de R$ 129,3 mil em outubro de 2023. Em outros, valores menores também aparecem na planilha, como R$ 529 em outubro de 2020.
Segundo o próprio Caveira, parte do dinheiro era utilizada para despesas operacionais relacionadas à segurança do clube, especialmente em situações que exigiam contratação emergencial de profissionais.
Em declaração, ele afirmou que jogos, eventos internos e até protestos exigiam reforço no efetivo de segurança, muitas vezes com profissionais sem possibilidade de emissão de nota fiscal.
Versão da defesa levanta debate sobre controle interno
Ainda de acordo com os relatos, a contratação de seguranças incluía profissionais atuando em horários de folga, como policiais, o que dificultaria a formalização dos pagamentos.
Essa justificativa, no entanto, não afasta as suspeitas do Ministério Público, que aponta a falta de controle documental como um fator crítico na análise do caso.
Além disso, a investigação também menciona indícios de utilização de empresas de fachada para justificar despesas e viabilizar possíveis desvios.
Outros nomes e valores entram no radar da promotoria
Outro ponto relevante da investigação envolve Denilson Grillo, ex-motorista ligado à gestão anterior, que teria recebido mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo ao longo de três anos.
O conjunto dessas movimentações reforça a linha de investigação do MP-SP, que busca mapear a extensão do uso de dinheiro em espécie dentro da estrutura administrativa do clube.
Caso se conecta a outras investigações no Corinthians
O episódio se soma a uma série de problemas recentes enfrentados pelo Corinthians fora de campo, ampliando o cenário de instabilidade institucional.
Atualmente, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves já figuram como réus em outro processo, relacionado ao uso de cartões corporativos do clube, também sob suspeita de apropriação indébita.
A expectativa é que os depoimentos marcados para abril sejam determinantes para o avanço das investigações e definição dos próximos passos jurídicos.
Leia também:
O que pode acontecer a partir de agora
Com os depoimentos agendados, o Ministério Público deve aprofundar a apuração sobre:
Destino dos valores sacados
Responsabilidade dos dirigentes
Possível existência de esquema estruturado
Impactos jurídicos e administrativos para o clube
Dependendo dos desdobramentos, o caso pode evoluir para novas denúncias formais ou até medidas mais severas.
O InfoTimão segue acompanhando de perto os bastidores do Corinthians, trazendo informações com responsabilidade, apuração e contexto para a Fiel Torcida.






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