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Hugo Souza relata racismo, Raniele admite surpresa com saída de Memphis e jogadores projetam jogo de volta

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    Redação InfoTimão
  • há 7 horas
  • 7 min de leitura

Jogadores do Corinthians também explicam mudanças táticas, valorizam entrega defensiva e projetam decisão da Libertadores em Itaquera


Raniele falou sobre Memphis, a Fiel Torcida, Di Maria e o duelo pela Libertadores.
Raniele falou sobre Memphis, a Fiel Torcida, Di Maria e o duelo pela Libertadores. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

As entrevistas dos jogadores do Corinthians depois do empate por 0 a 0 com o Rosario Central revelaram dois impactos importantes da passagem pela Argentina. Hugo Souza relatou ter sido alvo de ofensas racistas, enquanto Raniele admitiu que o elenco foi surpreendido pela decisão do clube de não renovar com Memphis Depay.


Além dos assuntos extracampo, Hugo, Raniele, Rodrigo Garro e Gustavo Henrique valorizaram a entrega coletiva no Gigante de Arroyito, explicaram aspectos táticos da atuação e projetaram o confronto decisivo das oitavas de final da CONMEBOL Libertadores.


Com o resultado da última quinta-feira (13), o Corinthians precisa vencer na Neo Química Arena para avançar às quartas de final. Uma nova igualdade levará a disputa para os pênaltis.


Hugo Souza relata ofensas racistas desde o aquecimento


O episódio mais grave do pós-jogo foi relatado por Hugo Souza. Na zona mista, o goleiro afirmou que as manifestações racistas começaram ainda durante o aquecimento e continuaram ao longo da partida.


Segundo o camisa 1, as ofensas foram percebidas por outras pessoas que estavam próximas ao gol. Hugo também revelou que jogadores do Rosario Central pediram desculpas pelo comportamento de parte dos torcedores.

“Toda vez que a gente joga aqui, acontece isso. Eu acho que é muito explícito. Não só eu ouvi, todo mundo que estava perto do gol ouviu. Aconteceu desde o início do jogo, do aquecimento, já estava acontecendo. E os jogadores até me pediram desculpas pela atitude da torcida”, relatou.

Hugo fez questão de diferenciar a postura dos atletas do Rosario Central das manifestações vindas das arquibancadas. O goleiro agradeceu aos adversários pela solidariedade, mas lamentou a recorrência de episódios dessa natureza.

“Externar aqui o meu agradecimento a eles, porque não foi uma atitude dos jogadores da equipe do Rosario, foi uma atitude da torcida, que infelizmente acontece com frequência. E a gente tem que tentar se manter focado no jogo para que isso não afete”, acrescentou.

Em um longo desabafo, o goleiro pediu que a Conmebol tome medidas efetivas para combater o racismo nos estádios.

“Não sei o que passa na cabeça deles. Não sei se eles acham que são mais do que a gente, são mais humanos do que a gente, são melhores do que a gente. Mas eu espero que um dia isso mude de verdade. E que eles possam pôr a mão na consciência e entender que eles não são melhores que ninguém”, declarou.
“Quando eles forem lá no Brasil, a nossa torcida com certeza vai fazer uma festa até melhor. Mas não vai acontecer isso. Então, eu espero que alguém, que a Conmebol possa se movimentar para que isso um dia acabe de verdade”, completou.

Hugo Souza afirma mais uma vez ter sido alvo de ofensas racistas.
Hugo Souza afirma mais uma vez ter sido alvo de ofensas racistas. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Hugo e Gustavo Henrique valorizam solidez defensiva


Apesar das ofensas, Hugo permaneceu em campo e foi importante para que o Corinthians terminasse o confronto sem sofrer gols. O goleiro explicou que procurou separar o episódio do que acontecia dentro das quatro linhas.

“Eu sou um cara que preza bastante por isso. Acho que esse lado mental é importante demais. E a gente tem que saber separar as coisas e entender que a gente veio aqui com o objetivo de não sofrer gol”, afirmou.

O Rosario Central aumentou sua presença ofensiva durante o segundo tempo e colocou o Corinthians mais próximo da própria área. Para Hugo, a concentração foi fundamental para responder quando a equipe precisou de suas defesas.


O goleiro também atribuiu a evolução defensiva ao trabalho de Fernando Diniz e à maneira como os jogadores estão executando as orientações.

“Ele é um cara a quem a gente tem que agradecer muito. [...] A gente trabalha intensamente para que a gente seja muito forte com a bola, mas que a gente seja mais forte ainda sem ela. E eu acho que os resultados estão aí”, avaliou.

Gustavo Henrique também destacou a preparação do Corinthians para enfrentar as diferentes formas de construção do Rosario Central.

“A gente estudou muito eles, é uma equipe muito forte, joga longo, joga curto, muito cruzamento, muita inversão de jogo. Mas graças a Deus estávamos muito bem posicionados, não só eu, como o sistema defensivo inteiro”, analisou.

Diante das circunstâncias, especialmente da expulsão de Allan durante o segundo tempo, o zagueiro considerou importante evitar uma derrota na Argentina.

“A gente sempre vem para ganhar, mas pelas circunstâncias, não conseguimos jogar igual esperávamos. Mas nos defendemos muito bem, e o importante era não perder aqui. Agora a gente conta com o nosso torcedor, dentro da nossa casa, para fazer um grande jogo e sair classificado”, projetou.

Segundo o R10 Score, Gustavo Henrique lidera a Libertadores em cortes, com 57. No Gigante de Arroyito, o defensor realizou 13 cortes, recuperou cinco bolas e terminou a partida com 15 contribuições defensivas, de acordo com o Sofascore.


Gustavo Henrique valorizou o comportamento da equipe na partida.
Gustavo Henrique valorizou o comportamento da equipe na partida. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Raniele admite surpresa com saída de Memphis


Outro tema presente nas entrevistas foi a decisão do Corinthians de não renovar o contrato de Memphis Depay. Raniele admitiu que o elenco esperava um desfecho diferente devido às informações recebidas durante as tratativas.

“Pelo que a gente conversava com o pessoal, pelo que era passado para a gente, pelas entrevistas que o Diniz e o Marcelo davam, a gente já sabia que estava bem encaminhado e realmente a gente foi pego de surpresa, assim como acredito que todo corintiano, toda a torcida”, revelou.

A declaração de Raniele reforça o cenário apresentado por Fernando Diniz. Após o empate, o treinador afirmou estar “triste e decepcionado” com o desfecho, disse que a renovação estava fechada para o departamento de futebol e revelou que Memphis poderia até viajar com a delegação para a Argentina.


Raniele lamentou a perda de um jogador considerado importante, mas destacou que o grupo precisava manter a concentração na Libertadores.

“Para mim e para todos os jogadores era um prazer estar com o Memphis no elenco, mas a gente tinha que se manter focado porque a gente sabia que tinha uma guerra pela frente, e assim como a gente se manteve, como a gente teve um jogo justo, acho que foi importante isso”, afirmou.

Apesar da surpresa, o volante descartou a existência de mal-estar no ambiente interno. Para o camisa 14, negociações contratuais devem ser conduzidas pela diretoria, pelo jogador e por seus representantes.

“Não, eu não diria mal-estar. Eu acho que todo assunto que envolve o contrato, essa burocracia, tem que ser tratado entre diretoria e jogador, o próprio jogador, diretoria e o estafe do seu jogador. [...] É lógico que a gente esperava que ele ficasse, um jogador de suma importância, mas [...] acho que não criou mal-estar, não”, explicou.

Hugo Souza também afirmou que os jogadores receberam a informação quando o próprio Corinthians publicou o comunicado. O goleiro disse que decisões relacionadas ao planejamento cabem à diretoria e à comissão técnica.


Garro explica mudança provocada pela expulsão


Rodrigo Garro reconheceu a força do Rosario Central atuando no Gigante de Arroyito e afirmou que o Corinthians conseguiu apresentar sua proposta em alguns momentos.

“Sabíamos que seria uma partida intensa. Eles como mandante têm uma fortaleza grande aqui. Conseguimos demonstrar em alguns momentos o jogo que costumamos jogar”, avaliou.

A expulsão de Allan, aos 34 minutos do segundo tempo, alterou o planejamento corinthiano. Com dez jogadores, a equipe deixou de buscar o ataque com a mesma frequência e passou a priorizar a manutenção do empate.

“A expulsão muda o jogo. Deixamos de buscar o jogo e passamos a pensar um pouco mais no 0 a 0. São 90 minutos, partidas de mata-mata e o resultado sem tomar gols é importante”, explicou Garro.

Allan cumprirá suspensão automática e não poderá enfrentar o Rosario Central no confronto de volta.


Rodrigo Garro valorizou o resultado fora de casa.
Rodrigo Garro valorizou o resultado fora de casa. Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Raniele explica função ao lado de Allan e marcação em Di María


Antes da expulsão, Allan e Raniele alternaram posições durante a saída de bola. Em determinados momentos, o ex-jogador do Flamengo recuou para auxiliar os defensores, enquanto o camisa 14 avançou para ocupar o espaço deixado no meio-campo.


Raniele explicou que a movimentação não representa uma determinação fixa de Fernando Diniz. A escolha depende da posição dos jogadores no início de cada lance e da forma como o adversário realiza a marcação.

“Vai mais por conveniência, não é uma regra assim, o Allan que baixa e eu vou jogar mais avançado, não. A gente se entende bem dentro de campo, assim como é com o André ou com o Bidon também”, explicou.

O volante também comentou a preparação para enfrentar Ángel Di María. Para Raniele, o Corinthians precisava controlar não apenas o campeão mundial, mas também as movimentações de Campaz e Copetti.

“O Di María é um jogador extraclasse, é um cara que pode ficar 90 minutos sem pegar na bola e, em 30 segundos, ele pega e resolve o jogo. Então, tinha que ter uma atenção maior nele”, analisou.

Raniele destacou que o trabalho não ficou restrito a um jogador. Breno Bidon, Matheus Bidu e os demais integrantes do sistema defensivo dividiram a responsabilidade de reduzir os espaços do argentino.


Jogadores convocam a Fiel para a decisão


Raniele demonstrou entusiasmo ao falar sobre a experiência de disputar uma partida eliminatória da Libertadores no Gigante de Arroyito. O meio-campista citou a chuva de papéis e a atmosfera criada pelos argentinos, mas lembrou que o Corinthians também está acostumado a jogar diante de uma torcida intensa.

“Eu amo viver esses momentos e eu estava muito feliz, eu queria aproveitar o jogo, eu acho que eu aproveitei. Lógico, tem muita coisa a melhorar individualmente, coletivamente, mas eu acho que a gente conseguiu fazer uma partida justa”, disse.

Para o volante, a festa da Fiel no confronto decisivo deverá superar o ambiente encontrado na Argentina.

“Eles sabem a festa que eles fazem, eles sabem o poder que eles têm. A Fiel Torcida, por si só, já sabe criar uma atmosfera no estádio que intimida seu adversário. Então, eu acho que a nossa festa tem que ser maior que a deles aqui ainda, porque é Libertadores, é um jogo importante”, convocou.

A vaga nas quartas de final será definida na próxima quinta-feira, dia 20 de agosto, às 21h30, na Neo Química Arena. Uma vitória por qualquer placar classifica o Corinthians. Em caso de novo empate, a decisão acontecerá nos pênaltis.


O duelo na Argentina terminou sem gols depois de o Timão acertar o travessão e o poste no mesmo lance e resistir com dez jogadores durante a reta final. Confira a crônica completa de Rosario Central 0 a 0 Corinthians.


Antes da decisão continental, o elenco volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O Corinthians recebe o Cruzeiro neste domingo (16), às 19h30, na Neo Química Arena, pela 23ª rodada.


E você, torcedor, o que mais chamou sua atenção nas entrevistas dos jogadores depois do empate na Argentina? Deixe sua opinião nos comentários.


Nota: O InfoTimão se solidariza com Hugo Souza e repudia os ataques sofridos pelo goleiro. Rosario Central, Conmebol e autoridades precisam investigar o episódio, identificar e punir os responsáveis, além de adotar medidas concretas para impedir que novos casos aconteçam.


O InfoTimão acompanha todos os detalhes, os bastidores e a repercussão da participação do Corinthians na Libertadores.

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