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Freddy Rincón: a história do eterno capitão do Corinthians

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    Redação InfoTimão
  • há 2 horas
  • 9 min de leitura

Da transformação em volante à taça do Mundial de 2000, relembre as duas passagens, os títulos e o legado do histórico camisa 8


Freddy fez história e levou o Corinthians ao topo do mundo!
Freddy fez história e levou o Corinthians ao topo do mundo! Foto: Alexandre Battibugli / Placar

Alguns jogadores são eternizados por um gol, uma defesa ou uma jogada. Freddy Rincón ficou marcado por um gesto. No dia 14 de janeiro de 2000, o colombiano recebeu o troféu do Mundial de Clubes, levantou a taça no Maracanã e transformou aquela imagem em um dos registros mais emblemáticos da história do Corinthians.


Não foi apenas o capitão de uma conquista. Rincón foi o ponto de equilíbrio de uma equipe repleta de craques, personalidades fortes e vaidades. Um líder que organizava o time, protegia a defesa, controlava o ritmo das partidas e não se escondia dos conflitos dentro do vestiário.


Ao longo de duas passagens pelo Parque São Jorge, o camisa 8 construiu uma trajetória que ultrapassa as estatísticas e ajuda a explicar por que permanece reconhecido pela Fiel como o eterno capitão do Corinthians.


Freddy Rincón no Corinthians: números, títulos e aproveitamento


Freddy Rincón disputou 158 jogos pelo Corinthians, sendo titular em 157 deles. O colombiano marcou 11 gols, participou de cinco finais e conquistou quatro títulos durante suas duas passagens pelo Parque São Jorge.

Dado

Número

Jogos pelo Corinthians

158

Partidas como titular

157

Vitórias

69

Empates

37

Derrotas

52

Aproveitamento dos pontos

51,5%

Gols

11

Finais disputadas

5

Títulos conquistados

4


Quais títulos Freddy Rincón conquistou pelo Corinthians?


Rincón foi campeão do Campeonato Brasileiro de 1998, do Campeonato Paulista de 1999, do Campeonato Brasileiro de 1999 e do Mundial de Clubes da FIFA de 2000, competição na qual se tornou o primeiro capitão a levantar o troféu.


O Colosso que chegou ao Corinthians


Freddy Eusebio Gustavo Rincón Valencia nasceu em 14 de agosto de 1966, na cidade de Buenaventura, na Colômbia. Dono de uma combinação rara de força física, velocidade e qualidade técnica, construiu os primeiros capítulos da carreira profissional defendendo Santa Fe e América de Cali.


Foi pelo América que conquistou os Campeonatos Colombianos de 1990 e 1992 e se consolidou como um dos principais jogadores de uma geração histórica de seu país.


Ao lado de nomes como Carlos Valderrama, René Higuita e Faustino Asprilla, participou do período que colocou a Colômbia no centro do futebol mundial.

Rincón disputou 84 partidas e marcou 17 gols pela seleção colombiana, além de ter participado de três Copas do Mundo consecutivas, em 1990, 1994 e 1998.


Na Itália, em 1990, marcou nos acréscimos o histórico gol do empate por 1 a 1 diante da Alemanha Ocidental, resultado que classificou a Colômbia para as oitavas de final.


Três anos depois, fez dois gols na inesquecível vitória colombiana por 5 a 0 sobre a Argentina, em pleno Monumental de Núñez, pelas Eliminatórias.


O desempenho o levou ao futebol brasileiro. Rincón defendeu o Palmeiras, passou pelo Napoli e tornou-se o primeiro colombiano a vestir a camisa do Real Madrid.


Posteriormente, retornou ao rival alviverde, mas foi no Corinthians que encontrou a função que transformaria sua carreira.


Freddy Rincón atuando pelo Corinthians em 1997.
Freddy Rincón atuando pelo Corinthians em 1997. Foto: Acervo Corinthians

Do rival para o Parque São Jorge


Em 1997, Rincón estava ligado ao Real Madrid e atuava por empréstimo no Palmeiras.


O Santos chegou a encaminhar sua contratação, mas suspendeu a negociação depois que o colombiano foi convocado para defender sua seleção pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998.


O Corinthians aproveitou a paralisação das tratativas, atravessou o negócio e fechou com o jogador. Rincón desembarcou no Parque São Jorge carregando o peso de sua passagem pelo rival, além da expectativa criada pela carreira internacional.


Sua estreia aconteceu em 14 de setembro daquele ano, na derrota por 2 a 1 para a Portuguesa, no Canindé, pelo Campeonato Brasileiro. O colombiano começou no banco de reservas e foi acionado durante a partida.


Rincón chegou como um meia ofensivo, habituado a avançar em velocidade, ocupar o campo de ataque e participar diretamente da criação das jogadas da seleção colombiana. A versão que seria eternizada com a camisa alvinegra, entretanto, ainda estava sendo construída.


Rincón teve muitos embates contra sua ex-equipe.
Rincón teve muitos embates contra sua ex-equipe. Foto: Getty Images

Luxemburgo transforma o meia em um dos melhores volantes do país


A principal mudança na carreira de Rincón aconteceu sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Ao montar o Corinthians para a temporada de 1998, o treinador identificou que a experiência, a força física e a capacidade de leitura do colombiano poderiam ser ainda mais bem aproveitadas em uma posição recuada.


O antigo meia passou a atuar como volante, de frente para o campo e próximo aos zagueiros. A mudança diminuiu sua presença constante na área adversária, mas ampliou sua influência sobre praticamente todos os movimentos da equipe.


Rincón tinha capacidade para recuperar a bola, proteger a defesa e vencer disputas físicas. Ao mesmo tempo, conservava os recursos de um meia de criação. Sabia quebrar linhas com passes, conduzir em velocidade, inverter o jogo e decidir quando o Corinthians deveria acelerar ou controlar a partida.


Um meio-campo histórico


A parceria com Vampeta tornou-se uma das mais completas do futebol brasileiro. Enquanto a dupla sustentava o meio-campo, jogadores como Marcelinho Carioca, Ricardinho e Edílson recebiam maior liberdade para criar e atacar.


Rincón era o elo entre a defesa e os jogadores mais ofensivos. Participava da marcação, oferecia uma opção segura para a saída de bola e tinha qualidade para encontrar os companheiros em condições de acelerar as jogadas.


A transformação planejada por Luxemburgo não apenas prolongou sua carreira. Ela converteu um meia de criação da seleção colombiana em um dos melhores volantes do futebol brasileiro.


O primeiro título e o início de uma era


O Corinthians começou o Campeonato Brasileiro de 1998 sob desconfiança, mas cresceu durante a competição e chegou à decisão contra o Cruzeiro. Após dois empates, o título foi definido em uma terceira partida, disputada no Morumbi.


A vitória por 2 a 0 garantiu ao Timão o segundo Campeonato Brasileiro de sua história e entregou a Rincón sua primeira taça com o manto alvinegro.


O colombiano era o jogador responsável por organizar o time desde a saída de bola.


Sua capacidade de alternar força e técnica transformava o Corinthians em uma equipe difícil de enfrentar, mas também capaz de controlar a posse e envolver os adversários.


Durante aquela temporada, Rincón ainda representou a Colômbia na Copa do Mundo da França. Como mostra o levantamento do InfoTimão sobre os jogadores do Corinthians em Mundiais, ele disputou sua terceira edição consecutiva da competição enquanto defendia o clube do Parque São Jorge.


Em 1999, o Corinthians confirmou que o título anterior não havia sido um acontecimento isolado. O time conquistou o Campeonato Paulista diante do Palmeiras e tornou-se bicampeão brasileiro ao superar o Atlético-MG na decisão.


Rincón terminou a temporada reconhecido com a Bola de Prata da revista Placar. Mais do que um marcador, era o cérebro de uma equipe que reunia alguns dos principais jogadores do futebol nacional.


Os grandes elencos de Corinthians e Vasco no Mundial de 2000.
Os grandes elencos de Corinthians e Vasco no Mundial de 2000. Foto: Reprodução

O capitão de um vestiário explosivo


Aquele Corinthians era tão talentoso quanto difícil de administrar. O elenco reunia grandes jogadores, líderes e personalidades que não aceitavam facilmente uma posição secundária.


Nesse ambiente, a liderança de Rincón era exercida de maneira direta. O colombiano cobrava comprometimento, concentração e responsabilidade. Quando considerava que algum companheiro havia colocado os interesses pessoais acima da equipe, não escondia sua insatisfação.


Os atritos mais conhecidos aconteceram com Marcelinho Carioca. Em 1999, após o camisa 7 ser expulso por reclamação contra o San Lorenzo, pela Copa Mercosul, Rincón interpretou que a atitude havia prejudicado o time e o confrontou no vestiário.


Outro desentendimento ocorreu depois de Marcelinho declarar à imprensa que preferia atuar com Amaral em determinada função do meio-campo. Rincón reuniu o elenco para cobrar explicações do companheiro e a discussão novamente ganhou contornos físicos.


Edílson também teve atritos com o capitão. Anos mais tarde, ao recordar os episódios, Rincón confirmou que o conflito com Marcelinho chegou às vias de fato e afirmou, com bom humor, que o desentendimento com o Capetinha “ficou no quase”.


Os episódios expõem uma liderança que, em alguns momentos, ultrapassava o limite do diálogo. Também ajudam a compreender a intensidade de um elenco que precisava administrar egos, protagonismos e cobranças enquanto construía uma das eras mais vitoriosas da história do Corinthians.


As divergências não impediram que o grupo funcionasse dentro de campo. Os jogadores aprenderam a colocar as diferenças a serviço de um objetivo coletivo, e Rincón frequentemente estabelecia esse limite.


Dinei resumiria posteriormente a importância do colombiano ao afirmar que “nosso time era ele”.


O time que iniciou a grande final do título mundial do Corinthians.
O time que iniciou a grande final do título mundial do Corinthians. Foto: Placar

O mundo nas mãos do camisa 8


O ponto mais alto da trajetória de Freddy Rincón aconteceu em janeiro de 2000. Campeão brasileiro de 1998, o Corinthians foi o representante do país-sede na primeira edição do Mundial de Clubes organizado pela FIFA.


Na fase de grupos, o Timão venceu Raja Casablanca e Al-Nassr, além de empatar por 2 a 2 com o Real Madrid. Rincón marcou o segundo gol da vitória por 2 a 0 sobre o clube saudita, resultado determinante para que o Corinthians superasse os espanhóis no saldo e avançasse à decisão.


Na final, diante do Vasco, mais de 73 mil pessoas acompanharam um confronto equilibrado no Maracanã. O empate sem gols permaneceu durante o tempo regulamentar e a prorrogação, levando a definição para os pênaltis.


Coube ao capitão iniciar as cobranças do Corinthians. Rincón colocou a bola na marca, converteu sua penalidade e abriu o caminho para a vitória por 4 a 3.


Depois das defesas de Dida e da cobrança desperdiçada por Edmundo, o camisa 8 caminhou até o local da premiação. Freddy Rincón tornou-se o primeiro capitão da história a levantar o troféu do Mundial de Clubes da FIFA.


Naquele instante, o meia transformado em volante ergueu o Corinthians ao ponto mais alto de sua história até então.


A saída no auge


A primeira passagem de Rincón terminou poucas semanas depois da conquista mundial. O colombiano solicitou a rescisão do compromisso que poderia mantê-lo no clube e acertou sua transferência para o Santos.


A despedida aconteceu no auge, quando o meio-campo formado por Rincón, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho acabava de conquistar o mundo. Posteriormente, o colombiano também defendeu o Cruzeiro e anunciou a aposentadoria em 2001.


O vínculo com o Corinthians, no entanto, ainda reservava um último capítulo.


Rincon em sua segunda passagem pelo Corinthians
Rincon em sua segunda passagem pelo Corinthians. Foto: Djalma Vassao / Gazeta Press

O retorno para encerrar a carreira no Corinthians


Em 2004, aos 37 anos, Rincón interrompeu a aposentadoria e voltou ao Parque São Jorge. O cenário era completamente diferente daquele encontrado na primeira passagem.


O Corinthians atravessava um período de instabilidade, havia contratado um grande número de reforços e escapou do rebaixamento no Campeonato Paulista apenas na última rodada. O colombiano reconheceria posteriormente que o clube não possuía naquele momento uma estrutura voltada para um projeto de longo prazo.


Mesmo sem repetir o desempenho do período vitorioso, Rincón nunca demonstrou arrependimento pelo retorno. Para ele, voltar ao clube em que havia vivido as maiores conquistas de sua carreira representava uma felicidade pessoal.


A segunda passagem durou um semestre e teve 21 partidas. Seu único gol naquele retorno aconteceu contra o Paysandu, no Pacaembu. Nos minutos finais, o veterano subiu mais alto que a defesa adversária e marcou de cabeça o gol da vitória corinthiana por 2 a 1.


Ao encerrar definitivamente a carreira, Rincón deixou o Corinthians com 158 jogos, 11 gols e quatro troféus.


O colombiano ainda retornaria ao clube em outra função. Em 2009, trabalhou como treinador nas categorias de base antes de seguir a carreira fora do Parque São Jorge.


Uma despedida precoce


Em 11 de abril de 2022, Freddy Rincón estava em um automóvel que colidiu com um ônibus na cidade de Cali, na Colômbia. O ex-jogador sofreu um grave traumatismo craniano, passou por cirurgia e permaneceu internado em estado crítico.


Dois dias depois, aos 55 anos, o eterno capitão não resistiu aos ferimentos.


A notícia provocou homenagens na Colômbia, no Brasil e em diferentes lugares por onde Rincón havia construído sua carreira. Clubes, ex-companheiros e torcedores recordaram o jogador que representou uma geração histórica de sua seleção e liderou uma das maiores equipes do Corinthians.


Marcelinho Carioca, com quem viveu tantos desentendimentos, despediu-se reconhecendo a dimensão do antigo companheiro:


“Perdemos nosso capitão, gigante, craque e monstro do primeiro Mundial do Corinthians.”

O eterno capitão marcou época no Timão.
O eterno capitão marcou época no Timão. Foto: Acervo Corinthians

Por que Rincón é o eterno capitão?


Freddy Rincón não se tornou eterno apenas porque usava a braçadeira naquela tarde no Maracanã. Sua liderança foi construída durante toda a trajetória no Corinthians.


Foi o jogador que aceitou mudar de posição e se reinventou. O volante que combinava força, inteligência e técnica. O líder que assumia responsabilidades em um elenco explosivo. O camisa 8 que organizava o time, enfrentava os conflitos e aparecia nos momentos decisivos.


Mais do que levantar uma taça, Rincón personificou a autoridade de uma geração que colocou o Corinthians no topo do futebol brasileiro e mundial.


A imagem do colombiano com o troféu acima da cabeça permanece como um dos grandes símbolos da história alvinegra. É o retrato definitivo de um jogador que chegou ao Parque São Jorge como estrela internacional, transformou-se em volante, tornou-se líder e saiu como lenda.


Freddy Rincón será lembrado para sempre como o camisa 8, o Colosso de Buenaventura e, sobretudo, o eterno capitão do Corinthians.


O InfoTimão preserva a memória dos personagens que construíram a história do Corinthians, conectando diferentes gerações da Fiel aos grandes capítulos do clube do Parque São Jorge.

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