Emily aponta falta de “matadora”, revela pedido por Gabi Nunes e desabafa após vice do Corinthians

Treinadora fala sobre chances desperdiçadas, impacto da crise interna, apoio a Gabi Zanotti e mudança de chave para a Libertadores

Emily Lima transformou a coletiva após o vice-campeonato brasileiro em uma análise que foi além do empate por 1 a 1 com o São Paulo, neste sábado (3), no Morumbis. A treinadora falou sobre os problemas apresentados pelo Corinthians nos dois jogos da final, revelou ter pedido a contratação de Gabi Nunes, afirmou sentir falta de uma jogadora com perfil de “matadora” no elenco e admitiu que o cenário político e financeiro do clube interfere diretamente no trabalho do futebol feminino.
A comandante também protegeu Gabi Zanotti depois do pênalti desperdiçado no segundo tempo, comentou o momento de emoção vivido após o apito final, rejeitou a existência de pressão sobre seu cargo e tratou o crescimento dos concorrentes como consequência da própria evolução da modalidade.
Depois da derrota por 2 a 1 na Neo Química Arena e do empate no Morumbis, o São Paulo conquistou o título por 3 a 2 no placar agregado. Para Emily, os dois Majestosos apresentaram problemas diferentes.
“No primeiro jogo, eu acho que eu já deixei claro na coletiva sobre a atitude da equipe e hoje faltou o gol”, resumiu a treinadora.
Emily aponta falta de eficiência na decisão
Se depois da primeira partida Emily havia demonstrado incômodo principalmente com a postura apresentada pelo Corinthians em determinados momentos, a leitura sobre o duelo decisivo foi diferente.
A treinadora entendeu que as Brabas tiveram oportunidades suficientes para modificar o destino da final, mas não conseguiram marcar os gols necessários.
“Hoje faltou o gol. Então, nós tivemos oportunidades e acabou que a gente não matou o jogo”, avaliou.
O diagnóstico dialoga diretamente com o que aconteceu no segundo tempo. Depois das entradas de Jaqueline e Gisela Robledo, o Corinthians aumentou sua presença ofensiva e conseguiu empurrar o São Paulo para trás durante parte da etapa.
A principal oportunidade veio no pênalti sofrido por Erika. Gabi Zanotti assumiu a cobrança, mas finalizou sem força e viu Carlinha fazer a defesa.
Para Emily, porém, a dificuldade de transformar oportunidades em gols não surgiu apenas na final. É um problema que a comissão técnica já identifica há algum tempo.
No primeiro confronto da decisão, a treinadora já havia cobrado maior imposição das Brabas e projetado um jogo de “erro zero” para a volta.
Emily revela pedido por Gabi Nunes: “Falta uma matadora”
Ao ser questionada sobre o número de oportunidades desperdiçadas pelo Corinthians, Emily revelou uma movimentação de mercado até então desconhecida.
Segundo a treinadora, durante a janela de transferências ela pediu ao clube a contratação de Gabi Nunes, que estava livre naquele momento.
Emily já trabalhou com a atacante, declarou admiração pela atleta e destacou justamente uma característica que entende estar fazendo falta ao elenco corinthiano: a capacidade de definição.
“Eu fiz um pedido na janela. A gente tinha uma jogadora livre, que é a Gabi Nunes”, revelou.
A técnica lembrou ainda que a atacante já teve passagem pelo Corinthians e destacou seu poder de conclusão.
“Para a gente, ia servir muito. É uma jogadora que tem esse faro de gol”, explicou.
A contratação, porém, não avançou. Emily relacionou a impossibilidade de concretizar a operação à situação vivida pelo clube, sem detalhar naquele momento qual aspecto específico inviabilizou a chegada da atacante.
Ela também destacou o esforço realizado pelo Corinthians para conseguir renovar o contrato de Gisela Robledo.
Foi neste contexto que Emily fez uma das declarações mais contundentes da coletiva.
“Eu ainda acho que falta uma matadora, como sempre teve o Corinthians. Essa é a minha visão”, afirmou.
A treinadora fez questão de ponderar que a avaliação não representa insatisfação com as atletas que já fazem parte do elenco. O ponto, segundo ela, passa também pela necessidade de reposição de características em uma temporada com várias competições e desgaste acumulado.
Emily citou como exemplo a ausência de Gabi Zanotti durante parte da primeira partida da final. A camisa 10 funciona como referência para segurar a bola no ataque, e a comissão não considera ter outra atleta com exatamente o mesmo perfil.
“Não que nós não estejamos felizes com o que nós temos, mas a gente precisa de reposição”, explicou.
Para a Libertadores, a treinadora deixou claro que a necessidade de maior eficiência será ainda mais importante.
Confira a entrevista coletiva:
Crise do Corinthians interfere no trabalho do futebol feminino
A revelação sobre Gabi Nunes abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre os bastidores do departamento.
Emily foi questionada diretamente se os problemas políticos e financeiros vividos pelo Corinthians também atingem o futebol feminino. A resposta foi afirmativa.
Segundo a técnica, o cenário gera insegurança tanto nas jogadoras quanto nos profissionais da comissão técnica.
“Incomoda, né? Gera uma insegurança para as jogadoras. Gera uma insegurança por parte de todo o staff”, declarou.
Emily também relacionou o momento institucional à capacidade de reforçar o elenco.
“Impacta diretamente no momento de uma contratação, o que eu não posso fazer. Então impacta, sim, no trabalho”, afirmou.
A treinadora, entretanto, não utilizou a situação como explicação única para o vice-campeonato. A mensagem foi de que a comissão precisa continuar trabalhando com os recursos disponíveis.
“O que a gente tenta fazer é tirar o melhor do que a gente tem, do grupo que a gente tem. E é isso que a gente vem fazendo todos os dias.”
Gabi Zanotti pediu desculpas após pênalti perdido
Outro momento de forte carga emocional ocorreu ainda no gramado.
Depois do apito final, Emily foi vista conversando com Gabi Zanotti, que havia desperdiçado a cobrança de pênalti que poderia colocar o Corinthians em vantagem no segundo tempo e, naquele momento, igualar o placar agregado.
Na coletiva, a técnica revelou o conteúdo da conversa.
“Pedido de desculpas. E eu falei que a gente tem uma Libertadores pela frente”, contou.
Emily saiu em defesa da camisa 10 e destacou aspectos do cotidiano que, segundo ela, nem sempre são visíveis externamente.
“Acontece. Infelizmente aconteceu com ela, que é uma menina trabalhadora. É uma das primeiras a chegar. Trabalha com dor”, afirmou.
A treinadora também mencionou situações internas pelas quais Zanotti passa e que, em sua avaliação, a atleta não mereceria enfrentar, mas não detalhou quais seriam esses episódios.
Para Emily, nem mesmo a experiência acumulada pela jogadora elimina a necessidade de assimilar um momento como esse.
“Por mais que ela tenha experiência, é mais uma experiência para a vida dela. Mas a gente está junto com ela, junto com o grupo”, reforçou.
A postura mantém a linha adotada pela comissão depois da decisão: reconhecer a importância do lance sem concentrar a responsabilidade pelo vice em uma única jogadora.
Confira a fala na zona mista de Gabi Zanotti sobre a penalidade:
“É uma derrota que machuca”
O Corinthians não terá muito tempo para processar o resultado.
Emily admitiu que perder a final causa impacto emocional, mas informou que o elenco receberá alguns dias de descanso antes de iniciar a preparação para a Libertadores Feminina.
“É difícil. É uma derrota que machuca”, reconheceu.
As jogadoras estarão de folga até terça-feira. A reapresentação acontece na quarta, já com o trabalho direcionado para a competição continental.
Emily explicou que gostaria de conceder um intervalo ainda maior, mas o calendário não permite.
“Essas meninas precisam de um tempo de descanso mesmo, devido à bateria de jogos que elas vêm tendo desde lá do Mundial”, afirmou.
A orientação, entretanto, é não carregar o resultado do Brasileirão para o próximo desafio.
“O que passou já não se muda. Mas a gente pode reerguer a equipe e fazer uma boa competição.”
Emily explica emoção após o apito final
A treinadora também foi questionada sobre as imagens em que apareceu bastante emocionada depois da decisão.
Emily negou que a reação estivesse relacionada às críticas que recebe e voltou a afirmar que não acompanha redes sociais.
“Eu não me preocupo com o que falam, eu não estou preocupada com comentários. [...] Eu foco no meu grupo e na minha diretoria”, respondeu.
O sentimento, segundo ela, tinha relação com uma reflexão mais ampla sobre o contexto encontrado desde sua chegada ao Corinthians.
Emily afirmou ter assumido outros trabalhos em situações difíceis durante a carreira e contou que costuma ouvir que possui um perfil capaz de suportar ambientes de pressão.
“Eu fico batendo na cabeça: por que tem que ser com a Emily?”, relatou.
A treinadora lembrou que possui relações antigas dentro do futebol feminino brasileiro e disse que pessoas de fora do Corinthians acabam tomando conhecimento de situações internas do clube.
Para ela, isso provoca frustração porque determinadas informações podem afetar o trabalho desenvolvido diariamente.
“Você trabalha para que as coisas aconteçam e as pessoas de fora sabem de coisa interna que às vezes prejudica o trabalho”, afirmou.
Emily não especificou quais informações teriam vazado, nem apontou responsáveis.
Questionada posteriormente sobre o peso dessa situação dentro do vestiário, tratou o problema como algo presente também em ambientes corporativos fora do futebol e destacou que a principal diferença é a exposição pública existente no esporte.
“Não me sinto pressionada”
O vice brasileiro aumentou naturalmente as perguntas sobre o trabalho da comissão técnica. Emily, contudo, foi enfática ao ser questionada se sente seu cargo ameaçado.
“Não me sinto pressionada. Já falei para vocês várias e várias vezes”, respondeu.
Na sequência, a treinadora afirmou enxergar sua trajetória profissional para além do atual trabalho e reforçou que continuará buscando evolução, independentemente de onde estiver no futuro.
Emily citou passagens por São José e Santos, lembrou trabalhos que a levaram à Seleção Brasileira e afirmou saber reconhecer os próprios valores profissionais.
Também ponderou que o Corinthians construiu sua história recente de conquistas dentro de um contexto diferente daquele encontrado atualmente.
“Eu preciso entender que eu tenho meus valores, porque eu trabalho muito. Nada acabou na minha vida”, disse.
A sequência da resposta caminhou para uma reflexão sobre o crescimento da modalidade. Emily, que atua no futebol feminino desde a década de 1990, destacou o público de quase 50 mil pessoas no Morumbis e a transmissão da final em TV aberta como exemplos de uma transformação que acompanhou ao longo da carreira.
Para ela, a consolidação dessas estruturas é maior do que a rivalidade entre clubes.
“Não pode ser só o Corinthians lotar, só o outro lotar. Isso tem que ser uma realidade”, afirmou.
Emily vê concorrência maior, não fim da força do Corinthians
A hegemonia construída pelo Corinthians nos últimos anos também entrou em discussão.
Questionada se ela estaria ameaçada, Emily discordou da leitura de que os resultados atuais representam simplesmente a perda de força das Brabas.
Na visão da treinadora, ocorre um fenômeno mais amplo: os adversários estão se profissionalizando e diminuindo a distância.
Emily relembrou períodos de domínio de Santos, Centro Olímpico e São José para mostrar que o futebol feminino brasileiro sempre teve ciclos.
Agora, enxerga São Paulo, Palmeiras, Internacional, Grêmio e outros clubes ampliando investimento, estrutura e profissionalização.
“Eu não acho que está ameaçada. Eu acho que é a evolução do futebol feminino”, afirmou.
Para Emily, esse avanço tende naturalmente a tornar os campeonatos mais equilibrados.
“Quanto mais vai evoluir no futebol feminino e vai profissionalizando, isso vai diminuir”, disse sobre a diferença historicamente construída pelas equipes dominantes.
A técnica também tratou de outra transformação: o crescimento financeiro da modalidade.
Emily considera positiva a valorização das atletas, as negociações cada vez maiores e o aumento de patrocinadores específicos para o futebol feminino. Ao mesmo tempo, demonstrou preocupação para que o aspecto financeiro não se torne o único elemento das decisões de carreira.
Na visão dela, profissionalização e valorização são necessárias, mas precisam caminhar junto com identificação e entrega esportiva.
Corinthians já começa a planejar a Libertadores
Apesar do peso do vice, Emily deixou claro que o trabalho não será interrompido.
Depois da folga até terça-feira, o Corinthians se reapresenta na quarta com foco integral na Libertadores Feminina de 2026.
E a treinadora já antecipou algumas ideias.
Emily pretende manter o Corinthians atuando com bloco alto e linha de três zagueiras, sistema utilizado na reta decisiva do Brasileirão e que, na avaliação da comissão, vem oferecendo boas respostas.
“A gente não vai mudar a nossa forma de jogar. A gente vai jogar em bloco alto, acredito ainda que a gente vai continuar com a linha de três zagueiras”, afirmou.
Um dos principais desafios será administrar a preparação física.
Segundo Emily, o Corinthians terá condições de chegar ao Equador apenas dois dias antes da competição, enquanto quatro atletas convocadas por suas seleções retornarão muito próximo da estreia.
A técnica destacou que será necessário montar parte da preparação sem essas jogadoras e, posteriormente, controlar cuidadosamente sua utilização para evitar lesões.
“É desafiador trabalhar no futebol feminino. Não é tão simples e fácil como muita gente acha”, afirmou.
O primeiro adversário será o Colo-Colo, no dia 15 de outubro. Emily classificou a partida de estreia como a mais desgastante da fase de grupos e considera fundamental começar a competição com vitória.
O cenário resume a urgência do Corinthians depois do vice: haverá espaço para sentir a derrota, mas pouco tempo para permanecer nela.
Como a própria Emily repetiu depois da decisão, o resultado do Brasileiro já não pode ser alterado. O próximo desafio da comissão será recuperar emocional e fisicamente o elenco, corrigir a falta de eficiência apontada pela treinadora e transformar a frustração da final em resposta na Libertadores.
O InfoTimão acompanha a preparação das Brabas para a competição continental e traz as principais informações, bastidores e repercussões do Corinthians na reta final da temporada.






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