Emily diz que Corinthians “deixou de ser” o que costuma ser em casa e pede “erro zero” na volta

Técnica analisa derrota para o São Paulo, explica escolhas por Juliete e Jaqueline, atualiza Gabi Zanotti, Erika e Ana Vitória e projeta reação no Morumbis

Emily Lima não escondeu a insatisfação com alguns momentos apresentados pelo Corinthians na derrota por 2 a 1 para o São Paulo, neste sábado (26), na Neo Química Arena, pelo primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro Feminino.
Apesar de avaliar que o Majestoso teve períodos de superioridade das duas equipes e destacar o volume ofensivo produzido pelas Brabas, a treinadora apontou o melhor aproveitamento são-paulino como fator decisivo e cobrou uma postura diferente para a partida de volta.
Para Emily, faltou ao Corinthians demonstrar em determinados momentos a imposição que historicamente apresenta atuando em casa. A técnica chegou a dizer que teve a impressão de que o São Paulo estava mais confortável na Neo Química Arena e revelou ter feito essa cobrança ainda no intervalo.
“Parecia que o São Paulo estava na casa delas”
Ao analisar o desempenho, Emily classificou o confronto como aberto e afirmou que Corinthians e São Paulo tiveram bons momentos.
Segundo a treinadora, houve equilíbrio na posse de bola, enquanto o Corinthians apresentou maior volume de finalizações, escanteios e chutes. O São Paulo, porém, conseguiu aproveitar melhor as oportunidades que teve.
“O São Paulo foi eficaz. Nós fomos eficientes e eles foram eficazes e acabaram aproveitando a oportunidade de um jogo que você não pode falhar”, afirmou.
O principal incômodo, entretanto, esteve na maneira como o Corinthians deixou o rival ganhar terreno depois de um começo positivo.
“Parecia que o São Paulo estava na casa delas e a gente ali. Foi uma impressão muito estranha que eu tive e externei para elas no vestiário que isso não poderia acontecer”, afirmou.
Emily entende que o Corinthians precisa recuperar justamente essa capacidade de imposição no segundo jogo.
“O tamanho do Corinthians, existe essa expressão de poder do Corinthians, e eu acho que a gente tem que utilizar isso a nosso favor e chegar lá e ser o que nós deixamos um pouco de ser hoje aqui em casa”, completou.
Assista à coletiva:
Emily pede “erro zero” no Morumbis
Apesar da desvantagem, a treinadora descartou a necessidade de uma transformação radical para o confronto decisivo.
Para Emily, o caminho passa principalmente por ajustar comportamentos, recuperar atletas e aumentar a concentração nos momentos determinantes.
A comandante destacou que o Corinthians começou bem o primeiro jogo, abriu o placar e viveu seu melhor momento, mas não conseguiu aproveitar o cenário para ampliar a vantagem.
“A gente faz o gol, é um momento que a gente está em alta e a gente não pode tirar o pé. Eu falo que a gente não pode tirar o pé do acelerador. A gente tem que ir para matar o jogo”, disse.
O segundo gol são-paulino também entrou na análise como exemplo da margem mínima existente em uma decisão.
“São jogos de erro zero. Quem erra menos tem a probabilidade de sair com a vitória”, afirmou Emily, citando o erro de circulação que terminou no gol de Isa Guimarães.
A treinadora também estabeleceu uma meta para o início da partida no Morumbis.
“Um gol no primeiro tempo coloca a gente novamente nessa disputa”, declarou.
Gabi Zanotti e Jhonson tiveram minutagem controlada
Emily também esclareceu duas decisões que chamaram atenção na escalação e durante a partida.
Gabi Zanotti deixou o confronto no intervalo e foi substituída por Jhonson. Segundo a técnica, a situação estava relacionada ao desgaste acumulado e às condições físicas da camisa 10.
Emily explicou que Zanotti, de 41 anos, está entre as atletas com maior minutagem do elenco e precisou de cuidados especiais durante a curta semana entre semifinal e final.
No intervalo, ao ser questionada sobre sua condição, a atacante relatou que não conseguiria atuar em plenitude ao ampliar a passada.
“Ela falou: ‘Eu não vou estar 100%’. E foi uma decisão como a gente tomou em outro momento também”, revelou.
Jhonson também não chegou à partida em condição considerada ideal.
A atacante vinha sentindo um incômodo, e a comissão entendeu que não seria prudente utilizar Jhonson e Zanotti juntas durante uma grande quantidade de minutos. Emily revelou que a estratégia foi conversada previamente com as atletas.
“A John achou que foi uma melhor decisão mesmo, porque ela não saberia dizer se ela conseguiria jogar os 90 minutos”, explicou.
Por que Juliete foi escolhida na zaga?
Outra decisão de Emily foi utilizar Juliete improvisada como zagueira para substituir Thaís Regina, suspensa.
A opção surpreendeu porque Dayana Rodríguez já desempenhou função semelhante pela seleção venezuelana, enquanto outras alternativas também estavam disponíveis no elenco.
Emily revelou, porém, que existe um histórico anterior de trabalho com Juliete nessa posição.
“Eu já trabalhei com a Juliette. A Juliette já jogou nessa posição comigo lá no Santos”, contou.
Essa experiência foi determinante para a escolha. Segundo a treinadora, Juliete já havia solucionado situação semelhante quando as duas trabalharam juntas e transmitia confiança para exercer novamente a função.
“Hoje não comprometeu. Então, acho que funcionou. Não é o ideal, não é o ideal, mas, nesse momento, onde a gente não pode errar, a gente tomou essa decisão de colocá-la ali e respondeu super bem no nosso ponto de vista”, avaliou.
Erika e Ana Vitória podem voltar?
O Corinthians ainda tentará recuperar peças para a partida decisiva.
Emily detalhou a situação de Erika, que ficou fora dos últimos jogos por problemas no joelho. Segundo a treinadora, a zagueira convive com uma lesão crônica e apresentou piora após deslocamentos recentes.
A técnica relatou que Erika estava em boas condições antes da viagem para Salvador, pela semifinal contra o Bahia, mas chegou à capital baiana com o joelho bastante inchado. Desde então, o clube trabalha em sua recuperação.
Sobre Ana Vitória, a perspectiva apresentada foi mais otimista. A volante já está em processo de transição depois da lesão muscular na região abdominal, e Emily afirmou que a comissão tentará colocá-la em condições para o Majestoso decisivo.
“Agora é o momento de tudo ou nada e, quanto mais jogadoras aptas a gente tiver, melhor”, disse.
Emily cobra controle emocional das Brabas
A intensidade emocional apresentada pelo elenco também entrou na análise.
Emily afirmou que gosta de ver as atletas envolvidas com a partida, mas alertou que essa energia não pode ultrapassar o limite e acabar prejudicando o Corinthians.
A treinadora citou Andressa Alves, que recebeu cartão amarelo enquanto estava no banco, e relembrou a expulsão de Thaís Regina contra o Bahia como exemplos de situações que aumentam a preocupação da comissão.
“A gente tem que ter essa vontade, mas não extrapolá-la”, afirmou.
Para Emily, o desafio é transformar a intensidade característica das Brabas em motivação sem correr o risco de perder atletas em momentos determinantes.
Treinadora questiona atuação do VAR
Emily também foi questionada sobre as reclamações de pênalti feitas pelo Corinthians durante o segundo tempo.
A treinadora demonstrou incômodo principalmente com a decisão do VAR de não recomendar revisão em campo.
Segundo Emily, situações semelhantes receberam tratamento diferente em partidas anteriores, o que gera questionamentos internos. A técnica revelou ainda que o Corinthians já produziu e encaminhou material sobre decisões de arbitragem consideradas controversas.
Apesar da reclamação, ela ponderou que o elenco não pode perder o foco por causa da arbitragem.
“A gente tem que pensar em garantir o nosso trabalho dentro de campo e esquecer um pouco da arbitragem, porque elas tiram a nossa paciência”, afirmou.
“Nada está acabado”
A mensagem no vestiário depois do apito final, porém, foi de reação.
Emily revelou que, depois da derrota, a conversa com as atletas foi objetiva: a final continua aberta.
“Nada está acabado. A gente já saiu de uma situação parecida como essa, e a gente tem que trabalhar essa semana, ir para lá e tentar buscar o título”, relatou.
O Corinthians precisa vencer o São Paulo por dois gols de diferença no próximo sábado (3), às 16h30, no Morumbis, para conquistar o título no tempo regulamentar. Uma vitória por um gol leva a decisão para os pênaltis.
A missão agora será utilizar a semana para recuperar fisicamente o elenco, corrigir os erros apontados por Emily e recuperar a imposição que a própria treinadora sentiu falta no primeiro Majestoso.
Antes da final, Emily já havia explicado a evolução tática do Corinthians e o crescimento apresentado no mata-mata. Agora, o desafio será transformar esse processo em uma reação no confronto que definirá o campeão brasileiro.
O InfoTimão acompanha toda a preparação das Brabas para o jogo de volta e traz as principais informações, bastidores e repercussões da decisão do Campeonato Brasileiro Feminino.






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